Monday, August 13, 2012

Mais do que um diploma, uma conquista para sempre



Assim que fui convidada para a formatura da Isadora Kolecza confirmei minha presença. Ando meio preguiçosa, mas não dava para não participar de um momento desses. Ao contrário de outras pessoas que tem medo de envelhecer, eu gosto de sentir a passagem do tempo, principalmente quando ele representa conquistas. Conheço a Isadora desde que nasceu. Fui a alguns aniversários dela e até hoje comento o delicioso bolo que a sua avó fez em uma dessas datas. Algo, realmente, inesquecível. Minha irmã, Ana Mello, como costuma me fazer companhia e também conhece a família, confirmou que iria comigo. Já minha mãe, tinha recomendações médicas para evitar lugares de muito movimento por mais uns dias. No entanto, na véspera, disse que iria, pois, gostava muito da mãe da formanda, a jornalista Rita Escobar, e queria estar lá nessa hora tão importante para ela.
Já na entrada, a estrutura do Centro de eventos da PUC impressiona, assim como a organização. São muitos profissionais espalhados por todo lugar para orientar os convidados. Mal chegamos, e tivemos o prazer de ver a Isadora, vindo em nossa direção, toda sorridente e de toga. Gentil como sempre, explicava que estava tranquila mesmo sendo ela a oradora da turma. Logo depois, encontrávamos o resto da família, incluindo o meu afilhado Pedro Escobar que quase não reconheci. Já fazia um bom tempo que não nos víamos e já ia longe o menino tímido que havia saído da minha casa. Lá estava um “rapaz”, como diria minha vó, com cabelos cumpridos e todo elegante.
Começa a cerimônia. Cantar o hino em época de Olimpíadas tem outro sabor. Por alguns instantes, sintonizávamos com aquele momento de orgulho do nosso país. Alguns outros procedimentos mais formais e começava a entrega dos diplomas. Magda Cunha, minha contemporânea da época em que cursei jornalismo, presidia o evento e fiquei imaginando como deveria ser prazeroso saber que ela contribuíra para aquele momento que, como ela mesmo disse depois, é um fim, mas também um começo. E, assim, a obrigação de repetir as mesmas palavras tantas vezes  deveria trazer uma gostosa satisfação interior.  
Ver a cerimônia me fez lembrar que havíamos escolhido o jornalista Marx Leonam para ser o nosso paraninfo e que eu nunca havia buscado as fotos da minha formatura. Na época, resistia às formalidades e não fiz questão de ter esses registros. Hoje, me arrependo. Gostaria de ter essas fotos. Lembro que o fotógrafo guardava as fotos por cinco anos e durante todo esse tempo eu de vez em quando lembrava que deveria ir buscar alguma, mas nunca o fiz.
Carlos Kober, entre outros professores da minha época também vieram a minha mente. Assim como colegas como a Rosangela Batistella e o Humberto Trezzi com os quais voltei a ter contato, pelo menos virtual.  Enquanto outros nomes iam sendo chamados, eu recordava o jeito da Rosangela sempre muito lúcido de argumentar, sempre compenetrada em todas as tarefas e das discussões que tinha com o Humberto em sala de aula,  pois ele era muito mais politizado que eu, mas assim mesmo eu insistia em defender meus argumentos. Refleti o quanto isso havia me auxiliado a desenvolver esse jeito de dizer sempre o que penso.
Houve, também, momentos emocionantes como as entregas dos diplomas por familiares que já haviam feito a mesma formação como no caso da Rita que entregou o canudo para a Isadora. Fiquei emocionada, com os olhos cheios de lágrimas, imaginando a importância que isso tinha para a Rita já que eu a conhecera no início da sua vida profissional.  Chamou-me a atenção, porém, como poucas pessoas escolheram músicas brasileiras para a hora da entrega e como todos (e era uma turma grande) eram bonitos, tantos os homens quanto as mulheres e jovens, é claro!
O discurso da Isadora e do seu colega teve sempre um toque divertido, mas, ao mesmo tempo, respeitando o significado daquela etapa. Comentaram sobre um professor que havia deixado claro que o termo marketeiro não deveria ser usado e fizeram ironias sobre o fato de que “publicitários não comem, degustam, não pensam, têm insights”, etc. Conscientes de que estavam vivendo o final de uma etapa, destacaram a passagem do tempo, lembrando que quando entraram ali a palavra “ideia” ainda tinha acento, bem como outros fatos ocorridos durante aqueles anos de faculdade e ressaltaram o poder do comunicador de influenciar outras pessoas. Fizeram um paralelo entre o desconforto de quando chegaram e o de estar saindo e brincaram com o fato de agora já poderem ter seus próprios estagiários.
Os demais discursos foram breves, o que, para mim, já significa que não se passa por uma faculdade de comunicação em vão.  No mínimo, aprende-se que não é a quantidade de palavras ditas que importa, mas a qualidade delas e somos treinados a editar o que queremos dizer para criar potência ao que é dito, transmitir o que queremos sem perder o interesse da plateia para qual falamos. Assim, o paraninfo da turma também fez um discurso que, mesmo repetindo palavras previsíveis como estar feliz e orgulhoso, soube reforçar o principal ao dizer que o bastão que eles recebiam ali significava uma conquista e que eles deveriam evitar de parar de estudar. Disse também que a medicina criou muitas próteses, mas nenhuma para a alma e fazendo uma citação disse que “só se descobre novos mundos quando não se vê mais a costa”.  
Gostei de ver que, além da entrega do destaque para o aluno com melhor rendimento, foi entregue também um para o aluno mais solidário, dando valor não só a pessoa com melhores notas, mas também aquela que se mostrou mais amiga dos colegas, mais presente. E, tive a prova de é a mais pura verdade que, aqui no sul, as pessoas cantam com mais entusiasmo o Hino Rio-grandense do que o brasileiro.
Assim, depois de abraçar a mais nova publicitária do mercado, voltei para a casa ainda vibrando com o sentimento de que o passado e o presente haviam se interligado e que, como dizia Pierre Bourdieu, somos resultado de todas as nossas experiências, de tudo que vivemos e de todos que encontramos em nosso caminho, reforçando o que o paraninfo tinha dito: “ninguém pode nos tirar o conhecimento que adquirimos”. 

1 comment:

  1. Lindas palavras, é uma alegria a gente ver essas crianças que a gente viu nascer (acho que fui o primeiro amigo que foi visitar a Isa na maternidade) tornando-se profissionais. Dá um orgulho, porque minimamente colaboramos para isso, com palavras de incentivo, sorrisos e amor.

    ReplyDelete