Thursday, November 12, 2015

No caminho da autorealização


Final do ano. Um homem de cabelos e barba brancos, sentado em uma poltrona no shopping Barra Sul, cercado de gente.  Engana-se, porém, quem pensa que se tratava de papai-noel. Era Sri Prem Baba que, sem dúvida, me deu um grande presente de Natal com suas palavras. E eu mentiria se dissesse que eu sabia de quem se tratava o “palestrante”. Fui atraída pelo convite da minha professora de yoga Loraine Luz e, ao ver todos os preparativos para a chegada do guru, lembrei de meus professores anteriores a Letícia Dornelles e o Andre .
Mesmo que eu pense em justificar minha ignorância  a respeito dele pelo fato de ser sua primeira vez em Porto Alegre, esse brasileiro,  é reconhecido como mestre espiritual , com seguidores pelo mundo todo e lotou um salão imenso com uma grande maioria de mulheres. Algumas com seus sapatos de salto alto deixados de lado para acomodarem-se diante desse homem que veste branco, entra sem dizer uma palavra e apenas observa e ouve o grupo que cantava os mantras com vozes límpidas e ritmo doce. E é justamente sobre isso que o guru começa falando. Sobre poder das palavras da música ditas em sânscrito em ressonância sobre o sistema nervoso e nos faz o convite de navegar no mistério dessa língua. Além do seu sorriso, dá para perceber o seu senso de humor, quando ele insiste que mesmo que as pessoas não saibam ou não acreditem no poder do mantra, mal não irá fazer repetir o que significa “que o amor desperte em mim, em você e em todos os lugares”. Fala que está feliz em ver tanta gente comprometida com o caminho da autorealização, de enfrentar a jornada desafiadora da vida, de despertar a capacidade de mudar o que nos habita, do perdão. De perceber que, por nos sentirmos agredidos, estamos sempre pensando em nos vingarmos, em nos defendermos, em nos protegermos.  “Eu vim até aqui para iluminar a sua grandeza. Tem algo em você que é indestrutível”. Diz que é preciso afastar o medo da escassez. Eliminar a grande ilusão que faz com que não nos sintamos merecedores de que as nossas necessidades sejam atendidas, que precisamos nos libertar, nem que seja de uma camada do medo, abrindo os caminhos da abundância em nossas vidas, dando fim aos pactos que estabelecemos com o sofrimento e com a escassez, da necessidade de iluminarmos os pontos escuros que ainda restam em nós. Perceber o fato de não nos sentirmos merecedores de amarmos e sermos amados. “Crie uma harmonia com o fluxo da natureza de tal forma que tudo que você precisa chega na hora certa, aumentando a sua confiança. Você merece.”

E, embora ele esteja diante de uma multidão, parece que olha direto para mim quando pergunta ele: “Qual é o seu caso?”.  E, provavelmente sabendo que todos esperam alguma orientação prática, fala em metodologia, práticas com o objetivo de purificar o coração, lembrando de quem de fato somos, do nosso potencial. Devemos identificar aquilo que, em nós, está sabotando a nossa felicidade. O medo e o desejo andam juntos, ele diz. “Como fazer para sustentar o coração aberto? É um grande equívoco achar que o amor é algo que vem de fora. Como remover as camadas que encobrem o seu coração? Você não é uma vítima. Você está escolhendo que a sua vida seja assim. Ele diz que existem sombras internas, remorsos, insensatez e que buscar a iluminação desses pontos é um processo. Uma constante renovação dos votos, do comprometimento. “Você está onde se coloca, é preciso perguntar: qual é a minha responsabilidade nesse conflito? Só você tem esse poder. É preciso utilizar a vontade consciente de se mover no sentido da autorealização”. Para isso, ele indica o mantra e, em segundo lugar, a autoinvestigação. “Você vai dizer: achei a culpa. E agora? O que eu faço?” Ele diz que  resposta é se auto investigar e estar atento a sincronicidade. Encontrar o sabotador. Iluminar a nossa fé. E faz a plateia rir quando diz: “Se não encontrar nada, esquece o Prem Baba”. Mas, que devem surgir oportunidades para compreendermos aquilo que não compreendemos ainda. Segundo ele, sempre que estivermos desalinhados, desafios nos serão lançados para que consigamos estabelecer relações harmoniosas, saudáveis, construtivas. Ele diz que não é só pelas palavras que são apenas parte de um jogo. É preciso eliminar o medo, a consciência e saber que: “aquilo que NÃO está dentro de nós, NÃO está em lugar algum. Por isso a importância de curar as mazelas dentro de nós mesmos. E uma das maneiras, ele afirma, é o cultivo do silêncio. Assim, para encerrar, ele propõe que voltemos a ouvir os mantras, mas, antes fala na situação de Mariana, na seriedade do que aconteceu lá e de como estamos relacionados a tudo que acontece e, conduz uma mentalização energética. Depois, voltamos a ouvir aquelas vozes que  enchem o local de paz que se transforma, aos poucos,  quando o grupo começa a  cantar HareHare Krishna Hare Krishna Krishna Krishna Hare Hare Hare Ram. E mesmo que a minha mente viessem todas as sátiras feitas a esse movimento, não tinha como não se deixar levar  pela energia das vozes e pelo clima festivo e de confraternização que tomou conta, naturalmente, da plateia que batia palmas, dançava, encerrando o evento do Festival das Luzes.