A semana veio e a semana se foi. Estou em uma outra semana. Se não escrevo sobre o que acontece parece que não terminei as tarefas daquela semana. Ainda mais se foram importantes. Se foram especiais. Minha participação no Seminário de 20 anos do Teatro Nilton Filho foi como realizar um sonho. Isso se eu tivesse tido a ousadia de sonhar que um dia estaria lá, no palco, falando de teatro, de crítica teatral, de mim, agora mestra em artes cênicas.
Muita gente diz que se não sonhamos não atingimos objetivos. Não sei se é mesmo assim. A vida segue me surpreendendo. Algumas frustrações do passado me fizeram parar de criar expectativas grandiosas, de pretender realizar coisas fantásticas e nem por isso elas deixam de acontecer. Sendo assim, lá estava eu, me sentindo entre amigos. Recebida com carinho e elogios. O reconhecimento dos meus esforços e da minha paixão pelo teatro já havia acontecido pelo convite para estar lá. Nilton Filho reuniu um grupo receptivo, simpático que ocupava as cadeiras vermelhas da plateia. Ao meu lado Maristela Bairros que eu conhecia muito de ouvir falar e de algumas rápidas apresentações por seus amigos e Newton Silva, meu colega de mestrado e também jornalista.
Pensar em estar diante de uma plateia sempre me deixa com um misto de inquietação e alegria. Falar de um assunto que me apaixona também. Me preocupa pensar que meu entusiasmo possa turvar minhas ideias e que eu não saiba repassar coisas que possam ser aproveitadas por aqueles que me ouvem. De qualquer forma, foi divertido. Afinal, havia pensado que não iria somente apresentar minha pesquisa de mestrado. Mas sim, começar a apresentar as questões que investiguei, assumir algumas posições sobre o tema e tentar fazer com que as pessoas se sentissem motivadas a pensar sobre. Tive a impressão de que consegui, pois no final fizeram comentários instigantes, quiseram falar comigo depois...Porém, não vou entrar em detalhes da apresentação, nem do que discutimos. Porque não foi a razão, os produtos do intelecto, o mais importante daquele momento. Não para mim.
Preciso registrar a gentileza e a ideia criativa e inteligente desta dupla Nilton Filho e Hyro Mattos que, após a nossa apresentação, trouxe uma espécie de troféu para cada um dos “palestrantes” (eu!) que era um pedaço do tijolo-o do próprio teatro que nestes anos todos passou por profundas reformas e vidro com um papel escrito: “Certificado de gratidão”. Como se não bastasse, ainda explicaram que o tijolo significa a solidez do trabalho e o vidro a transparência das atitudes. Nenhum comunicador ou profissional do marketing teria feito melhor. Esta ideia tinha que vir mesmo destes dois artistas arteiros.
Nilton Filho poderia ter sido apenas mais um professor de um curso que nem cheguei a terminar, mas como alguns poucos outros que, felizmente, cruzaram o meu caminho, ele se transformou em um mestre e um amigo. Tem compartilhado comigo minhas dificuldades e minhas alegrias que, aliás, desde que eu passei a contar com sua visão da vida, seu apoio e seu afeto, tem sido cada vez maiores. E assim, chorei de emoção ao receber esta homenagem porque não tenho dúvidas de que era um momento mágico e confesso que ficou difícil não duvidar de que estava sonhando.
Os amigos me convenceram a começar o meu blog. Sou jornalista e mestra em artes cênicas. Sempre adorei escrever e tenho enviado textos para os meus conhecidos com uma certa frequência. Os assuntos? Os mais variados possíveis, mas, ligados as minhas experiências, ao que acho de tudo que está em minha volta. Gostaria de compartilhar com mais pessoas.
Monday, August 30, 2010
Monday, August 23, 2010
Karma
Se tu não tivesses sofrido por minha causa
Aposto que já teria morrido.
Ai de mim que ainda te gosto
e nunca imaginaria que seria assim.
Aposto que já teria morrido.
Ai de mim que ainda te gosto
e nunca imaginaria que seria assim.
Friday, August 20, 2010
Por que ainda somos os mesmos
Fui assistir ADOLESCER a convite de uma tia que, por sua vez, foi convidada por José Outeiral, supervisor do espetáculo. Nem sabia que existia esta função... Não teria ido por conta própria. Talvez, porque esta fosse uma época da minha vida da qual não sinto exatamente falta. Não sabia quase nada de sexo, tinha discussões homéricas com meu pai, não gostava do meu corpo e era ridicularizada na escola. Não saber o que fazer no futuro me angustiava a ponto de me deprimir. Pronto. Fiz um resumo deste período, na minha ótica, daquele tempo.
Mas foi ótimo ter ido. Primeiro, porque o elenco é muito bom. E não me peçam para explicar o que este adjetivo exatamente quer dizer. Eles são expressivos, dizem os textos de maneira convincente e dançam maravilhosamente bem. Além disso, fazem mais de um papel ao mesmo tempo e são bons em todos eles. O nome da diretora, Vanja Ca Michel não me é estranho, mas pouco sei dela. Trata-se da diretora deste espetáculo que reúne 15 atores, entre estes, João Carlos Castanha. Este sim, meu conhecido. O nome, quero dizer.
O teatro Bruno Kieffer estava, praticamente, lotado. Na maioria, adolescentes. Dava para ver que eram grupos organizados, trazidos, especificamente, para ver o espetáculo. Aliás, achei que seria difícil assistir ao espetáculo com toda aquela agitação. Falavam alto, se mexiam nas poltronas. Não pareciam acostumados com o espaço. Uma professora sentou do meu lado. Tentou, no início, coibir os movimentos e a falação. Pensei que isso seria ainda pior. Lembrei direto da Bienal quando os alunos ficavam excitados com a provocação dos artistas e que os responsáveis vinham com suas ordens, com seu autoritarismo tentar proibir as reações. Além de não conseguirem, só aumentavam o tumulto. Felizmente, ela logo se acalmou. E não foi só ela. Toda a plateia. Pude perceber, claramente, que a dança inicial, as primeiras aparições dos atores e atrizes iam levando os adolescentes presentes para uma atitude de respeito e atenção ao que estava acontecendo no palco. Isso já demonstrava a estratégia bem sucedida da direção.
Quanto ao resto, acho que não me cabe dizer se os temas estão sendo bem tratados ou não. Mas, também não posso deixar passar em branco as informações sobre as questões sexuais. Há muito tempo (estou perto de completar meio século), me indigna as formas equivocadas de tratar homens e mulheres e suas relações. Sempre foi assim. Desde menina. Para mim, sempre fomos todos seres humanos antes de qualquer outra diferença. Então, ainda me agride pensar que em pleno século XXI ainda tenha que se registrar que as meninas que fazem sexo não devam ser chamadas de galinhas, enquanto os caras são garanhões. Porém, não me parece nada inteligente passar elas a se chamarem de “pegadoras”. Em minha opinião de mulher, antes da jornalista ou mestra em artes cênicas, não é por aí que vamos resolver este assunto. Outro dia, ouvia Flavio Gikovate na tv falar justamente sobre o fato de não ser nada verdadeiro enfatizar as grandes vantagens do sexo casual, quando o melhor sexo acontece com alguém que a gente tem cumplicidade, algo, aliás, que não nasce da noite para o dia.
Outra coisa que também me deixa desconfortável é que ainda há uma reação de prazer, misturada a constrangimento quando são ditos “palavrões” no palco. Claro que entendo que esta é uma maneira de justamente criar uma identificação da peça com o seu público. Não me incomoda nenhum pouco que estes sejam ditos. O que me aborrece é que isso ainda faça a adolescência de hoje rir de um jeito exagerado. Mas o que importa é que é um espetáculo que traz à tona os assuntos que estão no dia-a-dia dos adolescentes. Não põe para baixo do tapete. Não finge que não existe. E, ao fazer isso, acaba fazendo muito. E, se me deixa triste saber que tudo que foi tabu na minha própria adolescência ainda segue em pauta, me deixa otimista ver que, os adolescentes agora não precisam ir para o escuro do seu quarto chorar e pensar em morrer. Eles podem ir para o teatro e ter a absoluta certeza de que não estão sozinhos. Nem ali, nem na vida. Alguém sabe o que se passa com eles, tanto que transformou em algo a ser assistido. E, neste aspecto, em comparação com a minha época, de déjà vu, sobra apenas o nome da companhia.
ROTEIRO: Textos de Vanja Ca Michel com pequenos fragmentos
dos psicanalistas Cybelle Weinberg, Ruben Alves, do psiquiatra
José Outeiral e dos escritores Carlos Drummond de Andrade e
Moacyr Scliar.
CONCEPÇÃO E DIREÇÃO: Vanja Ca Michel
SUPERVISÃO: José Outeiral
ELENCO: Bibi Rositto
Débora Spadotto
Daniela Guerrieri
Diego Bittencourt
Gustavo Susin
João Carlos Castanha
José Ligabue
Lucas Ortiz
Manu Menezes
Mathias Martin
Thainá Gallo
Michel Tinho
William Molina
COREOGRAFIAS: Malu Kroeff e Michel Tinho
ILUMINAÇÃO: Moa Junior
TRILHA SONORA PESQUISADA: Vanja Ca Michel
MATERIAL GRÁFICO E SITE: Moa Junior
OPERAÇÃO DE SOM: Rogério Câmara
PRODUÇÃO: Vanja Ca Michel e Moa Junior
REALIZAÇÃO: Cia Déjà-vu
Wednesday, August 18, 2010
Meu coração é vermelho
O futebol tem sido a menor das minhas preocupações. Acompanho à distância as manchetes dos jornais. E assim, sabia que meu time vinha bem, mas não tão bem. Precisou ele chegar a final da Libertadores e com vantagem para que eu desse alguma atenção. É claro que morar um pouco além do Estádio do Inter também interfere. Há as preocupações com o trânsito. Eu, porém, nunca me importei. Se está congestionado, vou na manha, observando o movimento daqueles que torcem, como eu, pelo time vermelho.
No rádio, à tarde, acompanhava o rebuliço. Atropelamentos. Fraudes com as carteiras dos sócios. O lado negro da força.
Não me preparei para assistir a decisão. Não coloquei na agenda, mas já que estava em casa na hora, por que não? Assim, encarei o primeiro tempo, mal acreditando no gol do Chivas. Difícil imaginar que, com tantas vantagens, corríamos o risco de perder. Não precisou de muito do segundo tempo para o primeiro gol do meu time. Mas senti uma taquicardia com algumas jogadas do adversário e achei graça de ver que o futebol ainda mexe assim comigo.
Claro, porém, que não sou só eu. Enquanto eu via o jogo aqui sozinha, uma multidão no estádio movia os braços, torcendo, participando do jogo. É ótimo ver este clima de união, de integração, de festa. Todos fazem uma paródia da música dos Mamonas assassinas os torcedores cantavam. É interessante ver que há gente que veio para fazer história. Como estes meninos que tiveram suas carreiras tão drasticamente terminadas, mas que permanecem até hoje na memória das pessoas e surgem em momentos de comemoração. Assim também como o Falcão para o Inter, o Pelé para o Brasil, o Galvão para a TV brasileira. Como Sóbis, Leandro e Giuliano hoje. Este último fazendo um gol quando a conquista já parecia garantida.
Se bem que em futebol, com a minha experiência de quase meio século, enquanto não apitam o fim, eu não garanto nada. Existem coisas estranhas que podem acontecer este esporte. Tinga não deve ter imaginado que seria fotografado para eternidade com uma faixa na cabeça. As faltas foram duras, aliás, e concordo com o comentário de Galvão que tem que ser meio besta para não querer considerar as imagens da tv para julgar as ações dos jogadores. Os socos dados nas costas de Solbis pelo jogador do time adversário tinham que ser punidos. Felizmente, como tudo acabou bem, a gente vai esquecendo, mas poderia ter sido diferente, como foi o final da Copa que ainda tem um certo gosto de ressaca.
Como colorada, fiquei orgulhosa de ver Pelé de casaco vermelho entregando o Troféu ao meu time. Não ia perder o sono se ele não tivesse ganho, mas vou custar a dormir agora que ganhou. Não só pela excitação da vitória, mas por causa dos fogos de artifício e dos buzinaços na vizinhança.
Rumo a Abu Dhabi.
Yaba-daba-du!
No rádio, à tarde, acompanhava o rebuliço. Atropelamentos. Fraudes com as carteiras dos sócios. O lado negro da força.
Não me preparei para assistir a decisão. Não coloquei na agenda, mas já que estava em casa na hora, por que não? Assim, encarei o primeiro tempo, mal acreditando no gol do Chivas. Difícil imaginar que, com tantas vantagens, corríamos o risco de perder. Não precisou de muito do segundo tempo para o primeiro gol do meu time. Mas senti uma taquicardia com algumas jogadas do adversário e achei graça de ver que o futebol ainda mexe assim comigo.
Claro, porém, que não sou só eu. Enquanto eu via o jogo aqui sozinha, uma multidão no estádio movia os braços, torcendo, participando do jogo. É ótimo ver este clima de união, de integração, de festa. Todos fazem uma paródia da música dos Mamonas assassinas os torcedores cantavam. É interessante ver que há gente que veio para fazer história. Como estes meninos que tiveram suas carreiras tão drasticamente terminadas, mas que permanecem até hoje na memória das pessoas e surgem em momentos de comemoração. Assim também como o Falcão para o Inter, o Pelé para o Brasil, o Galvão para a TV brasileira. Como Sóbis, Leandro e Giuliano hoje. Este último fazendo um gol quando a conquista já parecia garantida.
Se bem que em futebol, com a minha experiência de quase meio século, enquanto não apitam o fim, eu não garanto nada. Existem coisas estranhas que podem acontecer este esporte. Tinga não deve ter imaginado que seria fotografado para eternidade com uma faixa na cabeça. As faltas foram duras, aliás, e concordo com o comentário de Galvão que tem que ser meio besta para não querer considerar as imagens da tv para julgar as ações dos jogadores. Os socos dados nas costas de Solbis pelo jogador do time adversário tinham que ser punidos. Felizmente, como tudo acabou bem, a gente vai esquecendo, mas poderia ter sido diferente, como foi o final da Copa que ainda tem um certo gosto de ressaca.
Como colorada, fiquei orgulhosa de ver Pelé de casaco vermelho entregando o Troféu ao meu time. Não ia perder o sono se ele não tivesse ganho, mas vou custar a dormir agora que ganhou. Não só pela excitação da vitória, mas por causa dos fogos de artifício e dos buzinaços na vizinhança.
Rumo a Abu Dhabi.
Yaba-daba-du!
Monday, August 16, 2010
Reflexão pós-Lehmann: sou pós-dramática, dramática, cômica e, talvez, até épica!
Juntando tudo que Hans Lehmann disse, mais as perguntas durante o Seminário Teatro contemporâneo: para além do drama deu um total de 16 páginas de conteúdo. Andei repassando parte deste aos amigos e colegas. Mas fiquei feliz em ver que alguns ainda queriam o que eles chamam de meus “relatos”. Não o texto pura e simples transcrito, mas as minhas impressões, o meu "trato jornalístico". E esta alegria não veio só por uma questão de vaidade. Também por me mostrar que meu gosto pela escrita e pelas artes tem valor para alguns. Dito isso, decidi, então, retirar de tudo que este alemão comentou o que eu considerei mais importante e dar os meus pitacos. Mas, ainda assim, vou ter que dividir em partes. Então, lá vai:
Primeiro quero dizer que gostei muito do formato que o evento acabou apresentando. Em uma articulação do Programa de pós-graduação em artes cênicas que mal acabou de concluir, mais a Secretaria, entre outros, surgiu esta ideia de misturar os “acadêmicos” e os “artistas” para esta ocasião. Para mim, isso deveria acontecer sempre. Claro que sou suspeita. Afinal, estou mais encaixada nos primeiros dos que nos últimos, mas todos sabem da minha paixão por estes. Minha admiração profunda por todos aqueles que produzem e pensam o teatro. Espero que este tenha sido o primeiro de muitos encontros deste tipo, pois assim sendo estes, certamente trarão novo significado aos eventos culturais da cidade.
Depois, quero registrar que não foi com total simpatia que ouvi as ideias do Lehmann em sala de aula. Não porque não fossem interessantes, mas porque me pareciam que vinham com o peso da “voz da verdade absoluta” e isso sempre me causa algum desconforto. Porém, ao lê-lo ia reconhecendo que seria muita burrice não dar ouvidos a este pensador tão reconhecido em toda parte. Mais burrice ainda se não fosse lá ouvi-lo ao vivo e a cores e, realmente, já adianto, não houve arrependimentos. Até porque, ele próprio, não se coloca como alguém que detém a sabedoria. Em certo momento, após algumas perguntas que exigiam um exercício de futurologia, ele disse: “não sou a pitonisa do teatro”. Afirmou, também, que as pessoas costumavam fazer reflexões sobre o que ele disse que vão muito mais além do que ele próprio havia pensado. Ou seja, uma postura modesta diante da reação das pessoas à sua obra. Fez até piadinhas. Perguntou a plateia se esta conhecia uma zombaria que se fazia na Alemanha. Disse que a resposta sobre a pergunta: “qual o teatro mais bem sucedido do século XX?”, a o do século XIX! Nem Barack Obama escapou. Lehmann comentou que mesmo que ele seja bem-intencionado, só pode mudar poucas coisas na política americana.
Claro que ele falou das misturas das artes cênicas com as outras artes, com o uso de recursos tecnológicos e todas aquelas outras coisas que quase todos já sabemos. Citou bastante Heiner Muller (o que sempre me faz pensar em Sergio Silva, pois foi quem me apresentou este autor) e a estrutura pós-dramática de seus textos. Foi dizendo frases muito fortes inseridas dentro de um contexto maior. Ou seja, se a gente não se toca, passam despercebidas. Como esta, por exemplo: "A vida é cada vez mais o contingente fragmentário e não estilo dramático, mas em episódios, fases, trechos, sessões. Uma forma de vida dramática não é mais concebível.”
Lehmann destaca Deleuze (ai, esta criatura me persegue!) para falar que a filosofia das últimas décadas desconstruiu ideias anteriores. Porém, ele sabe que não é assim tão simples, pois, segundo ele, existe em nós um desejo do drama. “Nós adoramos o drama”, diz. E isso fica bem claro no cinema. Neste momento cita um livro chamado “Aristoteles em Hollywood" (vai dizer que não deu vontade de ler?) no qual fica claro que as regras da Poética são úteis para filmes que tenham ressonância com o público. E, logo em seguida, parte para um momento delicado ao falar em entretenimento. Diz que, para ele, a arte é uma prática essencialmente crítica, que ele não despreza o entretenimento, mas diz que, como teórico, não lhe interessa. Bem, devo dizer que suas afirmações me entretêm.
Logo depois, chega o momento em que algo que ele diz abre um verdadeiro clarão na minha cabeça. Ele explica que, na verdade, diferente do que se pensa, o teatro, historicamente falando, tem muito mais tempo de não-dramático do que dramático, que em países orientais, por exemplo, sempre existiram estas outras formas de fazer arte que não mostram uma narrativa, ou seja, o ciclo da vida do teatro dramático é curto, pois o teatro da antiguidade está muito distante do drama que conhecemos desde o Renascimento. Ele disse que não era um exagero afirmar que o teatro da Antiguidade era pré-dramático.
Outro ponto nevrálgico que ele acabou abordando foi sobre a presença do ator no teatro pós-dramático. Mas até nisso ele foi tranquilizador. Lehmann comentou que sobre a pergunta do que acontece com o ator neste momento, ele responderia: isso depende. Segundo ele, não existe o teatro pós-dramático no singular. Ele diz que é uma tentação muito grande utilizar conceitos genéricos como se eles definissem as coisas e as colocassem em uma caixinha fechada. Ah, que alívio... Ele também não gosta de verdades supremas.
Fala de algo que para mim já está muito claro há algum tempo, desde a mediação da Bienal em 2005, pelo menos. Ou seja, quando surge uma proposta nova de arte, é preciso perguntar sobre a essência da arte anterior. Ele diz que um bom exemplo é a fotografia, que a pintura precisou se perguntar o que ela é, que a fotografia não é. E eu não estava errada em pensar mesmo na Bienal, pois teve uma artista que trouxe uma obra que era pintura da natureza, exatamente como os objetos reais, pássaros e frutas e todo mundo que visitava a obra dela ficava de queixo caído com a qualidade do que ela pintava. A técnica era tão incrivelmente perfeita que impressionava, mesmo agora com o fato de que qualquer um pode sair fotografando por aí. Ou seja, é preciso relativizar estas afirmações categóricas. Isso, não foi o Lehmann que disse. Isso digo eu.
Lehmann chama a atenção para outra coisa que também sabemos de cor e salteado, mas que, às vezes, parece que esquecemos: “o teatro pode implicar o espectador de uma forma diferente do que qualquer filme pode fazer. Pode enfatizar a presença de atores e espectadores de forma particular, envolver habilidades artísticas, co-presença. Enquanto “plateia” sabemos que podemos interferir no que acontece a qualquer momento. Ele enfatiza que diante da tv não estamos envolvidos na produção das imagens que nos chegam. A nossa responsabilidade diante destas não existe. Já no teatro, isso é diferente.
Ele salienta que para Guy Debord a sociedade tem a tendência se mostrar como espectador, o cidadão como recebedor passivo de processos que lhe são ensinados. O teatro muda esta mera recepção passiva. “Consiste em romper com esta concepção e isso pode acontecer de formas muito diferentes”.
Lehmann defende que não faz sentido ficar perguntando se as novas formas de representação e encenação ainda são teatro ou não. “O teatro assume características de performance e a performance se teatraliza”.
Eu não disse que ele fazia afirmações poderosas, jogadas no meio do discurso? Esta foi uma delas: “O objetivo da arte é achar o caminho para se habitar um universo”. E ele tirou até aplausos no meio do seu discurso quando disse que, em sua opinião, não existia só prazer e alegria na arte, que o teatro não deveria ser apenas uma festa, mas uma festa que lembre as pessoas que não podem participar dela. “Do contrário, ele não é nada”.
Lehmann comentou que fez referência a Aristóteles, pois, segundo ele, o nosso pensamento ainda está impregnado por este. Diz que a famosa catarse para o pensador grego não está associada ao teatro, como creem muitas pessoas que falam que este conceito. Para Aristóteles, já começa da leitura da tragédia. Mais chocante é ele dizer que para Aristóteles o teatro era para as pessoas mais burras (conheço o tradutor, caso contrário desconfiaria desta palavra) que não conseguem pensar por conta própria. Lehmann explica que esta predominância do lógico define a nossa compreensão do teatro hoje e que temos que nos voltar contra isso de forma deliberada. Neste momento penso que isso faz muito sentido e que seria bom se alguns críticos de teatro lembrassem disso também. Aliás, Lehmann também faz referência a estes, dizendo que muitos ainda falam a mesma coisa que Platão dizia ao criticar os seres humanos por se entregarem ao teatro ao invés de pensar rigorosamente utilizando a lógica.
Comenta um pensamento de Baudelaire, desses que eu adoro, pois deixa claro o quanto podemos estar enganados. Diz que este, quando a fotografia surgiu, afirmou que seria o fim da arte. Lehmann afirma que esta reação de medo, da superficialidade do teatro, sempre existiu e continua existindo hoje em dia.
Ele volta a Aristóteles para explicar que para este a arte sempre precisa ter uma forma de ordem. A definição do belo, em Aristóteles, fala de uma totalidade, unidade, coerência, do contrário não é belo. Por isso, ele diz que esta totalidade precisa existir. Para que possamos entender bem, deve ser de fácil apreensão, com um único olhar, do contrário, ficamos confusos e a confusão não pode ser bela. Em uma ideia clássica da obra de arte, a arte precisa ser como o organismo animal. Havia uma comparação com a totalidade orgânica. Só a modernidade rompeu com isso. Antes, dizia-se que o belo deveria ser como um animal, mas o animal deveria ter o tamanho certo. Não poderia ser pequeno demais, nem grande demais como um animal de dois quilômetros tipo Jurassic Park porque não conseguimos vê-lo de uma vez. Já teremos esquecido o começo quando chegar ao fim. O belo é organizado como a compreensão lógica.
Lehmann comenta que Aristóteles diz algo que ele sempre gostou de incluir em suas aulas, e que seus alunos pensam que é besta: Totalidade é uma coisa que tem início, meio e fim. Assim deve ser o teatro drama. Esta ideia de Aristóteles, para Lehmann, é uma tese muito perspicaz, a produção de uma moldura dentro da qual incluímos e tiramos coisas. Conclui dizendo: “Acho que não preciso explicar que a arte moderna invalidou esta ideia de começo, meio e fim”. Traz como exemplo o cinema de Godard que fazia filmes nos quais os espectadores tinham dificuldade de perceber o nexo. Ao ser atacado por um crítico que disse que um filme precisava ter início meio e fim, respondeu que este tinha razão, mas que isso não necessariamente nesta sequência.
Lehmann retoma a ideia de que temos uma predileção pelo drama e argumenta que foi Ricoeur quem explicou porque esta ideia de Aristoteles acabou tendo tanto poder. Segundo ele, era um argumento que estava relacionado a uma teologia do tempo. A uma ideia de criação, desenvolvimento e apocalipse. Quem diria...Assim, os argumento estético e teológico se alimentaram mutuamente.
Ao encerrar, ele diz que o nosso aparelho de percepção consegue conviver com muita anarquia, labirintos, montagem, colagem sem que basicamente nossa pulsão para o drama desapareça. Este sempre encontra uma possibilidade de satisfazer o instinto da dramatização porque quer manter esta forma dramática na qual não acreditamos mais.“Sempre estivemos além do drama e este parece ser o caminho”.
Finalizando esta primeira parte do meu relato, gostaria de dizer que o pós-dramático pode até não ser a explicação para tudo (e nem poderia), mas bem que facilita a entendermos a arte nos dias de hoje. Diria até que dá uma ajudinha até na compreensão de nós mesmos. Não é que eu tenha deixado de procurar "inícios, meios e fins", mas não há como negar que a vida é desordenada e sofremos menos se conseguimos encontrar este "guarda-chuva", como disse Lehmann, que congrega tudo. Afinal, sabemos que muitos os invernos durante a vida.
Primeiro quero dizer que gostei muito do formato que o evento acabou apresentando. Em uma articulação do Programa de pós-graduação em artes cênicas que mal acabou de concluir, mais a Secretaria, entre outros, surgiu esta ideia de misturar os “acadêmicos” e os “artistas” para esta ocasião. Para mim, isso deveria acontecer sempre. Claro que sou suspeita. Afinal, estou mais encaixada nos primeiros dos que nos últimos, mas todos sabem da minha paixão por estes. Minha admiração profunda por todos aqueles que produzem e pensam o teatro. Espero que este tenha sido o primeiro de muitos encontros deste tipo, pois assim sendo estes, certamente trarão novo significado aos eventos culturais da cidade.
Depois, quero registrar que não foi com total simpatia que ouvi as ideias do Lehmann em sala de aula. Não porque não fossem interessantes, mas porque me pareciam que vinham com o peso da “voz da verdade absoluta” e isso sempre me causa algum desconforto. Porém, ao lê-lo ia reconhecendo que seria muita burrice não dar ouvidos a este pensador tão reconhecido em toda parte. Mais burrice ainda se não fosse lá ouvi-lo ao vivo e a cores e, realmente, já adianto, não houve arrependimentos. Até porque, ele próprio, não se coloca como alguém que detém a sabedoria. Em certo momento, após algumas perguntas que exigiam um exercício de futurologia, ele disse: “não sou a pitonisa do teatro”. Afirmou, também, que as pessoas costumavam fazer reflexões sobre o que ele disse que vão muito mais além do que ele próprio havia pensado. Ou seja, uma postura modesta diante da reação das pessoas à sua obra. Fez até piadinhas. Perguntou a plateia se esta conhecia uma zombaria que se fazia na Alemanha. Disse que a resposta sobre a pergunta: “qual o teatro mais bem sucedido do século XX?”, a o do século XIX! Nem Barack Obama escapou. Lehmann comentou que mesmo que ele seja bem-intencionado, só pode mudar poucas coisas na política americana.
Claro que ele falou das misturas das artes cênicas com as outras artes, com o uso de recursos tecnológicos e todas aquelas outras coisas que quase todos já sabemos. Citou bastante Heiner Muller (o que sempre me faz pensar em Sergio Silva, pois foi quem me apresentou este autor) e a estrutura pós-dramática de seus textos. Foi dizendo frases muito fortes inseridas dentro de um contexto maior. Ou seja, se a gente não se toca, passam despercebidas. Como esta, por exemplo: "A vida é cada vez mais o contingente fragmentário e não estilo dramático, mas em episódios, fases, trechos, sessões. Uma forma de vida dramática não é mais concebível.”
Lehmann destaca Deleuze (ai, esta criatura me persegue!) para falar que a filosofia das últimas décadas desconstruiu ideias anteriores. Porém, ele sabe que não é assim tão simples, pois, segundo ele, existe em nós um desejo do drama. “Nós adoramos o drama”, diz. E isso fica bem claro no cinema. Neste momento cita um livro chamado “Aristoteles em Hollywood" (vai dizer que não deu vontade de ler?) no qual fica claro que as regras da Poética são úteis para filmes que tenham ressonância com o público. E, logo em seguida, parte para um momento delicado ao falar em entretenimento. Diz que, para ele, a arte é uma prática essencialmente crítica, que ele não despreza o entretenimento, mas diz que, como teórico, não lhe interessa. Bem, devo dizer que suas afirmações me entretêm.
Logo depois, chega o momento em que algo que ele diz abre um verdadeiro clarão na minha cabeça. Ele explica que, na verdade, diferente do que se pensa, o teatro, historicamente falando, tem muito mais tempo de não-dramático do que dramático, que em países orientais, por exemplo, sempre existiram estas outras formas de fazer arte que não mostram uma narrativa, ou seja, o ciclo da vida do teatro dramático é curto, pois o teatro da antiguidade está muito distante do drama que conhecemos desde o Renascimento. Ele disse que não era um exagero afirmar que o teatro da Antiguidade era pré-dramático.
Outro ponto nevrálgico que ele acabou abordando foi sobre a presença do ator no teatro pós-dramático. Mas até nisso ele foi tranquilizador. Lehmann comentou que sobre a pergunta do que acontece com o ator neste momento, ele responderia: isso depende. Segundo ele, não existe o teatro pós-dramático no singular. Ele diz que é uma tentação muito grande utilizar conceitos genéricos como se eles definissem as coisas e as colocassem em uma caixinha fechada. Ah, que alívio... Ele também não gosta de verdades supremas.
Fala de algo que para mim já está muito claro há algum tempo, desde a mediação da Bienal em 2005, pelo menos. Ou seja, quando surge uma proposta nova de arte, é preciso perguntar sobre a essência da arte anterior. Ele diz que um bom exemplo é a fotografia, que a pintura precisou se perguntar o que ela é, que a fotografia não é. E eu não estava errada em pensar mesmo na Bienal, pois teve uma artista que trouxe uma obra que era pintura da natureza, exatamente como os objetos reais, pássaros e frutas e todo mundo que visitava a obra dela ficava de queixo caído com a qualidade do que ela pintava. A técnica era tão incrivelmente perfeita que impressionava, mesmo agora com o fato de que qualquer um pode sair fotografando por aí. Ou seja, é preciso relativizar estas afirmações categóricas. Isso, não foi o Lehmann que disse. Isso digo eu.
Lehmann chama a atenção para outra coisa que também sabemos de cor e salteado, mas que, às vezes, parece que esquecemos: “o teatro pode implicar o espectador de uma forma diferente do que qualquer filme pode fazer. Pode enfatizar a presença de atores e espectadores de forma particular, envolver habilidades artísticas, co-presença. Enquanto “plateia” sabemos que podemos interferir no que acontece a qualquer momento. Ele enfatiza que diante da tv não estamos envolvidos na produção das imagens que nos chegam. A nossa responsabilidade diante destas não existe. Já no teatro, isso é diferente.
Ele salienta que para Guy Debord a sociedade tem a tendência se mostrar como espectador, o cidadão como recebedor passivo de processos que lhe são ensinados. O teatro muda esta mera recepção passiva. “Consiste em romper com esta concepção e isso pode acontecer de formas muito diferentes”.
Lehmann defende que não faz sentido ficar perguntando se as novas formas de representação e encenação ainda são teatro ou não. “O teatro assume características de performance e a performance se teatraliza”.
Eu não disse que ele fazia afirmações poderosas, jogadas no meio do discurso? Esta foi uma delas: “O objetivo da arte é achar o caminho para se habitar um universo”. E ele tirou até aplausos no meio do seu discurso quando disse que, em sua opinião, não existia só prazer e alegria na arte, que o teatro não deveria ser apenas uma festa, mas uma festa que lembre as pessoas que não podem participar dela. “Do contrário, ele não é nada”.
Lehmann comentou que fez referência a Aristóteles, pois, segundo ele, o nosso pensamento ainda está impregnado por este. Diz que a famosa catarse para o pensador grego não está associada ao teatro, como creem muitas pessoas que falam que este conceito. Para Aristóteles, já começa da leitura da tragédia. Mais chocante é ele dizer que para Aristóteles o teatro era para as pessoas mais burras (conheço o tradutor, caso contrário desconfiaria desta palavra) que não conseguem pensar por conta própria. Lehmann explica que esta predominância do lógico define a nossa compreensão do teatro hoje e que temos que nos voltar contra isso de forma deliberada. Neste momento penso que isso faz muito sentido e que seria bom se alguns críticos de teatro lembrassem disso também. Aliás, Lehmann também faz referência a estes, dizendo que muitos ainda falam a mesma coisa que Platão dizia ao criticar os seres humanos por se entregarem ao teatro ao invés de pensar rigorosamente utilizando a lógica.
Comenta um pensamento de Baudelaire, desses que eu adoro, pois deixa claro o quanto podemos estar enganados. Diz que este, quando a fotografia surgiu, afirmou que seria o fim da arte. Lehmann afirma que esta reação de medo, da superficialidade do teatro, sempre existiu e continua existindo hoje em dia.
Ele volta a Aristóteles para explicar que para este a arte sempre precisa ter uma forma de ordem. A definição do belo, em Aristóteles, fala de uma totalidade, unidade, coerência, do contrário não é belo. Por isso, ele diz que esta totalidade precisa existir. Para que possamos entender bem, deve ser de fácil apreensão, com um único olhar, do contrário, ficamos confusos e a confusão não pode ser bela. Em uma ideia clássica da obra de arte, a arte precisa ser como o organismo animal. Havia uma comparação com a totalidade orgânica. Só a modernidade rompeu com isso. Antes, dizia-se que o belo deveria ser como um animal, mas o animal deveria ter o tamanho certo. Não poderia ser pequeno demais, nem grande demais como um animal de dois quilômetros tipo Jurassic Park porque não conseguimos vê-lo de uma vez. Já teremos esquecido o começo quando chegar ao fim. O belo é organizado como a compreensão lógica.
Lehmann comenta que Aristóteles diz algo que ele sempre gostou de incluir em suas aulas, e que seus alunos pensam que é besta: Totalidade é uma coisa que tem início, meio e fim. Assim deve ser o teatro drama. Esta ideia de Aristóteles, para Lehmann, é uma tese muito perspicaz, a produção de uma moldura dentro da qual incluímos e tiramos coisas. Conclui dizendo: “Acho que não preciso explicar que a arte moderna invalidou esta ideia de começo, meio e fim”. Traz como exemplo o cinema de Godard que fazia filmes nos quais os espectadores tinham dificuldade de perceber o nexo. Ao ser atacado por um crítico que disse que um filme precisava ter início meio e fim, respondeu que este tinha razão, mas que isso não necessariamente nesta sequência.
Lehmann retoma a ideia de que temos uma predileção pelo drama e argumenta que foi Ricoeur quem explicou porque esta ideia de Aristoteles acabou tendo tanto poder. Segundo ele, era um argumento que estava relacionado a uma teologia do tempo. A uma ideia de criação, desenvolvimento e apocalipse. Quem diria...Assim, os argumento estético e teológico se alimentaram mutuamente.
Ao encerrar, ele diz que o nosso aparelho de percepção consegue conviver com muita anarquia, labirintos, montagem, colagem sem que basicamente nossa pulsão para o drama desapareça. Este sempre encontra uma possibilidade de satisfazer o instinto da dramatização porque quer manter esta forma dramática na qual não acreditamos mais.“Sempre estivemos além do drama e este parece ser o caminho”.
Finalizando esta primeira parte do meu relato, gostaria de dizer que o pós-dramático pode até não ser a explicação para tudo (e nem poderia), mas bem que facilita a entendermos a arte nos dias de hoje. Diria até que dá uma ajudinha até na compreensão de nós mesmos. Não é que eu tenha deixado de procurar "inícios, meios e fins", mas não há como negar que a vida é desordenada e sofremos menos se conseguimos encontrar este "guarda-chuva", como disse Lehmann, que congrega tudo. Afinal, sabemos que muitos os invernos durante a vida.
Tuesday, August 10, 2010
SEMINÁRIO DE ARTES CENICAS
Artes Cênicas – uma constante busca pelo novo.
Local: Teatro Nilton Filho
Grão Pará, 179
Menino Deus
Terça-feira dia 24 de agosto 15 horas.
A Mídia um registro para o amanhã.
Palestrantes:
Jornalista, Critica de Teatro Maristela Bairros – A importância da Critica
Jornalista, Mestre em Teatro – Helena Mello – A Critica na era digital
Jornalista, Mestre em Teatro – Newton Silva – Testemunha Ocular: O vídeo como documento do
teatro. Uma história da cena gaúcha na década de 1980
Mediador: Jornalista, Divulgadora e Produtora Cultural Sílvia Abreu
Noite às 19 horas
Atelier de Bioconexão com Dra. Isabel Martins
Quarta-feira dia 25 de agosto 15 horas.
Elementos da Cena.
Iluminador, prof. Carlos B. Bandarra – A iluminação e as novas tecnologias.
Prof. Diretor de Teatro Arq. Nilton Filho – A cenografia e seus desafios.
Músico, Arranjador Lourenço Schmidt – A construção de uma trilha sonora.
Mediador : Ator, Diretor e Coreógrafo Hyro Mattos
Noite às 19 horas
Atelier : Roda de Leitura com Mestra em Literatura Ana Elisa Prates
Quinta-feira dia 26 agosto 15 horas.
A escritura cênica.
Dramaturgo, prof. Fábio Ferraz – A criação de uma Dramaturgia.
Roteirista, Ator e Roteirista Carlos Paixão – O roteiro e a criação da cena.
Mestre em Literatura Ana Elisa Prates – A Literatura X Dramaturgia?
Mediador: Jornalista e Critica de Teatro Maristela Bairros
Noite às 19 horas
Atelier de Teatro Dança com Diretor e Coreógrafo - Hyro Mattos.
Sexta-feira dia 27 de agosto 15 horas.
A coreografia na dança.
Especialista, Prof. da Ulbra de história da dança. Robert Levonian– O mito da Medeia
coreografado em três versões diferentes.
Mediador : Ator, Diretor e Coreógrafo Hyro Mattos
Noite às 19 horas
Atelier de Iluminação com Carlos B. Bandarra
Sábado dia 28 de agosto às 21 horas
Festa Show.
Rua Grão Pará, 179
Menino Deus
Fone: (51) 3233.0449
Porto Alegre - RS
Local: Teatro Nilton Filho
Grão Pará, 179
Menino Deus
Terça-feira dia 24 de agosto 15 horas.
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Palestrantes:
Jornalista, Critica de Teatro Maristela Bairros – A importância da Critica
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Sunday, August 08, 2010
A Europa para o meu bolso
Ando por ruas largas e prédios antigos. Muito. Se tem uma coisa que gosto de fazer é caminhar por uma cidade que conheço pouco, onde reconheço e me perco a cada instante. É também por querer controlar onde vou e economizar. A cada esquina um lugar charmoso. Paredes de vidro, mesas e cadeiras de madeira. Luzes, muitas luzes.
Quanto mais viajo, mas me sinto cidadã do mundo. Juro que fico "reconhecendo" as pessoas na rua. Não sei de onde, é claro, mas as acho tão familiares. Por falar nisso, lembrei do meu pai que sempre gostou de vir aqui. Faz parte do folclore da família as histórias que eles contavam como a vez que a minha mãe saiu e comprou uma roupa nova e uma peruca e na volta não a reconheceram no hotel. Trazer uma mala vazia era algo que tinha que estar nos planos. Afinal, eles não podiam voltar sem chocolates suíços para todos (não falei que era a Euroupa?).
Bem, mas devo dizer que olho para as pessoas que não conheço também. Principalmente para os homens. Acho que é a cidade com mais homens de terno por metro quadrado. E não é qualquer terno. Risco de giz, como diria a minha vó. Cabelos longos. Muitos chapéus. Alguns parecem parentes do Antonio Banderas. Ou seja, quem não olharia?
Escrevo diante de uma grande taça de vinho, guardanapos de pano e uma entradinha que veio sem eu pedir. Não vim para passear. Vim para ouvir e falar sobre teatro. Mas não é fácil ficar ouvindo alguns palestrantes em tom monocórdio, lendo suas várias folhas de papel, quase sempre sem nenhum entusiasmo, enquanto tem um sol lindo lá fora. E um frio também que faz as pessoas taparem o rosto, mas que é infinitamente melhor do que a umidade que nós enfrentamos em Porto Alegre. Algo que se resolve com um bom casaco, um chapéu e luvas. Sim, tive que me render a elas, mas não vou mentir: passo trabalho. é um tal de tira e bota entre o conforto e o funcional bem exaustivo. Porém, se considerar que foi o único inconveniente da minha viagem até agora, meu primeiro dia, que, na verdade só acaba quando eu conseguir decifrar minha saída do metrô e andar mais umas dez quadras. Tudo bem. Afinal, vou precisar mesmo baixar as calorias deste frango com cogumelos e molho de queijo com batatas fritas. Enquanto como, observo o movimento da rua. Basta pintar os taxis de preto e amarelo para parecer que eles dominam a cidade. Embora eu ache que estes senhores e senhoras grisalhos que eu vi durante todo o dia nas ruas e nos cafés, não permtiriam.
Felizmente, nunca tive nada contra os argentinos e, enquanto a cidade me receber assim devo dizer que a comparação que minha irmã faz de Buenos Aires com Paris não é nenhuma heresia. vou fazer, porém, uma promessa: da próxima vez que eu vier meu vocabulário de espanhol estará um pouco melhor. Ainda respondo "oui" para as perguntas que me fazem.
Quanto mais viajo, mas me sinto cidadã do mundo. Juro que fico "reconhecendo" as pessoas na rua. Não sei de onde, é claro, mas as acho tão familiares. Por falar nisso, lembrei do meu pai que sempre gostou de vir aqui. Faz parte do folclore da família as histórias que eles contavam como a vez que a minha mãe saiu e comprou uma roupa nova e uma peruca e na volta não a reconheceram no hotel. Trazer uma mala vazia era algo que tinha que estar nos planos. Afinal, eles não podiam voltar sem chocolates suíços para todos (não falei que era a Euroupa?).
Bem, mas devo dizer que olho para as pessoas que não conheço também. Principalmente para os homens. Acho que é a cidade com mais homens de terno por metro quadrado. E não é qualquer terno. Risco de giz, como diria a minha vó. Cabelos longos. Muitos chapéus. Alguns parecem parentes do Antonio Banderas. Ou seja, quem não olharia?
Escrevo diante de uma grande taça de vinho, guardanapos de pano e uma entradinha que veio sem eu pedir. Não vim para passear. Vim para ouvir e falar sobre teatro. Mas não é fácil ficar ouvindo alguns palestrantes em tom monocórdio, lendo suas várias folhas de papel, quase sempre sem nenhum entusiasmo, enquanto tem um sol lindo lá fora. E um frio também que faz as pessoas taparem o rosto, mas que é infinitamente melhor do que a umidade que nós enfrentamos em Porto Alegre. Algo que se resolve com um bom casaco, um chapéu e luvas. Sim, tive que me render a elas, mas não vou mentir: passo trabalho. é um tal de tira e bota entre o conforto e o funcional bem exaustivo. Porém, se considerar que foi o único inconveniente da minha viagem até agora, meu primeiro dia, que, na verdade só acaba quando eu conseguir decifrar minha saída do metrô e andar mais umas dez quadras. Tudo bem. Afinal, vou precisar mesmo baixar as calorias deste frango com cogumelos e molho de queijo com batatas fritas. Enquanto como, observo o movimento da rua. Basta pintar os taxis de preto e amarelo para parecer que eles dominam a cidade. Embora eu ache que estes senhores e senhoras grisalhos que eu vi durante todo o dia nas ruas e nos cafés, não permtiriam.
Felizmente, nunca tive nada contra os argentinos e, enquanto a cidade me receber assim devo dizer que a comparação que minha irmã faz de Buenos Aires com Paris não é nenhuma heresia. vou fazer, porém, uma promessa: da próxima vez que eu vier meu vocabulário de espanhol estará um pouco melhor. Ainda respondo "oui" para as perguntas que me fazem.
Tuesday, July 27, 2010
Até que a morte os separe
Não lembro quando comecei a pensar que era hora de casar. Parece que a gente sonha com isso desde menina. Honestamente, não lembro. Mas, às vezes, recordo quando comecei a frequentar o casamento dos outros. Ficava apavorada com aquela ideia do para sempre. Falo de uma época sem divórcios, separações ou mesmo casos em que os maridos haviam deixado as mulheres. Meus familiares não os comentavam. Meus pais muito menos. Então, era para sempre. E eu não era capaz de escolher viver para sempre com ninguém. Mesmo depois de 10 anos namorando o mesmo homem. Homem? Eu o conheci tinha 15 anos. E me apaixonei. Perdidamente. Loucamente. Mas cinco anos depois, ele já não entendia meus anseios, minhas angústias, inseguranças. Como eu podia amar alguém se não amava a mim mesma? Esta era a questão maior. E nesta busca vinham as paixões. Alguém gentil, alguém bonito, charmoso, inteligente...Alguns elogios e eu já ficava interessada. Entre casar com alguém que não amava ou não casar, preferia esta segunda opção. Na verdade, ainda prefiro. Hoje, estou solteira. Algo impensável para aquela menina que começou a namorar aos 13. Fui noiva por seis meses. Pedida em casamento uma única vez em que chorei por saber que não queria me casar sem amor. Hoje, acho linda a cerimônia que antes desdenhava. Ainda penso que gostaria de colocar um vestido de noiva, entrar na igreja com todos me olhando. Nem chego a pensar que estariam observando as minhas rugas e não o meu buquê. Porém, isso não importa mais. Gostaria apenas de amar e ser amada...para sempre.
Monday, July 26, 2010
Não há tempo para os artistas
Resolvi parar tudo que tinha e devia fazer para escrever sobre onde fui ontem. Se não vai ficar velho... Ah, que bobagem. Se tem algo que percebi foi que tem coisas que não envelhecem. Tinha escutado no rádio que o Nelson Coelho de Castro ia cantar com a Orquestra do Theatro São Pedro. Havia me parecido um excelente programa, mas eu sabia que pela agitação do sábado, ia estar com preguiça. E não deu outra, mas um convite em cima da hora me fez repensar e topar a empreitada. Em um ritmo devagar quase parando lá me fui. O presente me puxando para encontrar o passado.
Os lugares quase lotados. Fui parar na primeira fila. Chega o maestro. Fala um pouco da história do Nelson, de sua formação clássica, de uma música que havia ficado na sua cabeça desde o tempo dos seus estudos no Palestrina e que agora ia ser tocada por nada mais, nada menos do que a Orquestra toda. Uma melodia incrível encheu aquela imensa sala cheia. Logo depois, entra Nelson Coelho de Castro. Senta e começa a cantar a próxima música. Não conversa com o público. Não dá bom dia. Eu pensei: deve estar nervoso. O Nelson? Adora um papo-o com a plateia. Lembro que em todos os seus shows ele conversava bastante. Coisas interessantes, é claro! Divertidas. Gostava de falar. Com um jeito modesto, contido e ao mesmo tempo um imenso sorriso e um olhar maroto. Estava quase tudo lá. Mais de 30 anos depois. Menos a conversa.
Mas, na terceira música, ele para tudo e diz que não está conseguindo conter a emoção, que devia ter dado bom-dia (ah...), que errou a música fazendo esforço para não chorar, para conter as lágrimas que já tinham começado a aparecer na música de abertura. Fala dos arranjos feitos por Vagner Cunha (razão atual do tal convite) que foi quem o chamou para ele estar ali. Pronto. Era o Nelson por inteiro. E por alguns momentos, eu tive 18 anos de novo. Estava lá no Bar do IAB ouvindo sua voz meio rouca cantando: “Faz, faz a cabeça, faz com cachaça, faz com limão”*. Porém, é o trecho de uma das músicas que ele nem tocou que sempre ressurge em minha memória e me traz uma enorme nostalgia: “Aquele tempo do Julinho, eu jamais vou me esquecer, eu pensei que era um filme, eu jamais irei me ver”. Juro que não consigo nem escrever estas palavras sem sentir um aperto no peito que provoca um suspiro. Imagina se eu tivesse estudado neste colégio então.
Não resisto e canto baixinho a letra de Armadilha, que nem era lá minha preferida e me divirto pensando que passei milhões de anos entendendo “cambada de fé tá na mão (a letra é cambada de pedra na mão). De qualquer forma, a letra faz mais sentido para mim, agora. Lá pelas tantas, ele chama ao palco o Bebeto Alves. Pronto. Mais lembranças. Minha irmã tinha um disco dele que adorava. Ouvia o tempo todo. Também, como não se apaixonar por uma frase dessas? “Nas pegadas das minhas botas, trago as ruas de Porto Alegre E na cidade de meus versos, O sonho dos meus amigos”.
Nelson explica que chamou Gelson de Oliveira para tocar no lugar de Totonho Villeroy. A primeira pessoa que entrevistei na vida, durante os tempos de faculdade nos anos 80, quando ele ainda tocava em uma garagem no bairro Menino Deus. E estes “contatos” com estes músicos vem da minha amizade com Ricardo Silvestrin e Enio Côrrea (o Eninho). A dupla que hoje percebo teve uma influência incrível na base da minha formação cultural e na minha paixão pelas artes que me levou a ser mestra em Artes cênicas.
Nelson pode estar de cabelos grisalhos, Bebeto ter uma filha artista famosa, Totonho ter até mudado de nome, mas nesta manhã de Domingo, eu voltei ao passado e me emocionei as lágrimas. Não é que o presente não esteja bacana e que eu não acredite que ainda tem muita coisa pra frente me esperando, mas aquelas músicas me remetem a um passado em que tudo era possível e “ao ver-te, Nelson, rever-te, verte tudo com gosto e tudo do primeiro louco ver-te”.
Comento com ele destas lembranças ao ir pegar seu autógrafo no Cd Lua caiada que acabo de ganhar (ou pego seu autógrafo para comentar?) e é claro que ele tinha a coisa certa para dizer: “A música é como perfume, nos remete imediatamente ao momento, ao que sentimos em qualquer tempo do passado”. E eu sigo sentindo o que ele escreveu na letra de música para Porto Alegre, algo como: “um dia quase furacão, em outro paz e meditação”. Ah, e “ainda penso em ser feliz”.
* Fui devidamente corrigida por Betha Medeiros que foi adolescente na mesma época em que eu, só não nos conhecíamos. Na letra da música Faz a Cabeça, onde lê-se "llimão", leia-se "razão". Vou botar a culpa nos meus amigos que deviam cantar assim. Eu até imaginei que poderia estar errado...
Saturday, July 24, 2010
PODER E TOTALITARISMO MENTAL
No dia 28 de julho, quarta-feira, às 20h, a Sociedade Brasileira de Psicanálise de Porto Alegre estará realizando debate com entrada franca no auditório da Livraria Cultura do Shopping Bourbon Country com o tema: Poder e totalitarismo mental. Coordenado pela Dra. Léia Maria Silva Klochner terá como convidados O Dr. Gley Silva de Pacheco Costa, presidente da Sociedade, Paulo Moura, Doutor em Comunicação Social e Mestre em ciências políticas e Rodrigo Schwalm Lacroix, professor de pós-graduação da PUCRS.
Informações: 3330-3845/3333-6857/3028.4261
Monday, July 12, 2010
BLUMENAU – CIDADE DO PECADO DA ARTE
Em dúvida se fazia um relato do meu último dia de Festival ou se comentava o espetáculo que assisti no sábado, resolvi fazer as duas coisas. Três, na verdade, porque incluo aqui o debate sobre a peça. Afinal, elas estão mesmo misturadas. Aliás, diria que meu comentário já está contaminado pelo que ouvi de Walter Lima Torres e André Carreira, analisadores dos espetáculos. Mas prometo que tentarei deixar claro quando a fala não for minha.
Sábado, fui assistir Ascensão e queda de Mahagonny. Quem me conhece sabe que não tinha nenhuma informação sobre o espetáculo ou a companhia. Era o que tinha para assistir, então, comprei o ingresso e me dei por satisfeita por conseguir um lugar bem na frente. Adoraria poder dizer que já conhecia o texto ou mesmo que sabia que era uma peça de Brecht. Mas se sabia, não lembrava o que, infelizmente, acaba sendo a mesma coisa. De qualquer forma, estou certa de que não havia visto nenhuma montagem antes. Fiquei surpresa ao ser informada que Irene Brietzke tinha colocado esta peça em cartaz nos anos 80, que Mirna Spritzer estava no elenco e que Humberto Vasconcellos havia falado dela em sua dissertação de mestrado. Mas isso tudo foi depois de eu ter assistido. Informações repassadas por meu colega de mestrado e de profissão, Newton Silva, seguidamente mais atento do que eu.
Eram muitos atores no palco. Homens e mulheres. Contavam a história de uma cidade onde tudo era permitido, desde que fosse pago. Os atores cantam e alguns, muito bem por sinal. Há uma série de propostas cênicas e soluções estéticas interessantes como a lista de produtos que cai do teto, bem como uma grande quantidade de objetos. Uma boa parafernália, eu diria. O figurino é bastante adequado aos seus personagens que obedecem ao que é chamado de personagem tipo e, fiquei sabendo (no debate), pelos elementos que Brecht costumava utilizar. Leia-se: suspensórios, chapéu coco e até um ringue em uma determinada cena.
Tinha uma movimentação intensa e a tal contracenação, que faltou no espetáculo anterior, acontecia. Era divertido também. Algumas coisas, realmente, engraçadas, outras surpreendentes. E a capacidade de ocupação do espaço cênico de forma dinâmica e constante realmente impressionava.
Chamou minha atenção também o equilíbrio dos atores em termos de atuação. Era um grupo coeso e bom. O que é bastante incomum em montagens com tantos personagens e com gente tão jovem. Acabei sendo informada que o que vi foi um trabalho elaborado por estudantes da Universidade de Campinas. Recém formados, seguem com a montagem. Sendo assim, as possíveis críticas que tenho, devem ser atenuadas, pois não é justo um nível de cobrança tão alto de pessoas que estão em processo, embora, a gente saiba que, para quem faz teatro, este jamais termina.
Bem, apesar de não ter me aprofundado em Brecht, trata-se de um nome que sempre aparece para quem tem a pretensão de entender um pouco de teatro. E daqueles que não é simples de compreender, principalmente, escolher um texto dele para uma das primeiras montagens, mas tinha em mente que ele fazia um teatro questionador, com destaque para aspectos sociais e econômicos, visando uma maior consciência dos espectadores. Usava para isso de ironia, de sarcasmo, além deste formato musicado. E eu senti falta disso. Por pouco não saio achando que Paul Ackermann, o lenhador do Alasca que chega a cidade, devia mesmo ir para a cadeira elétrica. Afinal, após ter contraído dívidas, não tinha dinheiro para pagá-las. Claro que dou uma certa exagerada, no entanto, o capitalismo é uma ideia tão forte, já tão incorporada que obscurece a percepção de que tal decisão foi tomada, na verdade, por uma justiça corrupta. Talvez fosse preciso um outro tempo de cena, algumas pausas... Algo que nos permita refletir rapidamente sobre o que está se passando até porque Mahagonny não é um lugar específico, geograficamente importante. Ele não é lugar algum e é todos os lugares.
Assim, embora eu tenha me divertido, embora tenha ficado impressionada com a atuação de todos e admirado soluções cênicas irreverentes como a da destruição das cidades pelo tufão) quando placas de isopor vão sendo “devoradas” por um ventilador que não alcança a placa de Mahagonny), pensava se o grupo tinha consciência desta escolha por um humor mais superficial do que, provavelmente, propunha a obra de Brecht. Fez eu me lembrar de uma história que Sergio Silva gostava de contar de uma atriz que, ao interpretar a Madame Blanche, em Um Bonde chamado desejo, em suas últimas falas cometera um equívoco que comprometia todo espetáculo. Na hora de dizer: “eu sempre dependi da bondade de estranhos”, o que tinha um tom patético que justificava a “patologia” da personagem, a atriz, optou por dizer isso com leveza. Uma frase, segundo Silva, bastou para arruinar o final. Neste caso, não foi para tanto e, talvez, seja importante dizer que o público reagiu bem ao espetáculo apresentado em Blumenau, no qual me incluo.
Dia seguinte: o debate
Fazia tempo que não participava deste tipo de atividade. Durante muitos anos, no Festival de Gramado, tive a oportunidade de estar presente tanto aos filmes quanto as discussões na manhã seguinte. Acredito até que minha “formação” estética e artística tenha sido influenciada por todas as coisas ditas naquelas manhãs de inverno por pessoas não só do Brasil como de outros países.
Feita uma rápida abertura, a palavra foi para o ator Artur Kon. Ele explicou que a montagem da peça havia sido feita em 2008, ainda na Universidade, que o diretor Marcelo Lazzarato, já havia montado Brecht e tinha proximidade com este autor. Disse que eles achavam que seria interessante tomar contato com este teatro, pois sabiam que era importante. Destacou a importância de uma semana intensiva que tiveram com Marcio Aurélio (?). “Foi um período que mudou nosso pensamento sobre teatro”. Trabalharam com três textos e acabaram decidindo por Mahagonny e por uma “encenação mais vertiginosa”. De qualquer forma, eles resolveram montar a Companhia de Teatro Acidental.
A palavra então foi para Walter Lima Torres, doutor em teatro pela Sorbonne, entre outras muitas funções. Walter começa a sua fala parabenizando a companhia, pela ousadia. Por se aglutinarem em torno de alguma coisa, pois, segundo ele isso é muito importante. (Recentemente, Edélcio Mostaço inseriu em meu texto a palavra aglutinador e eu sorri pensando que não era um termo do meu vocabulário. Pelo jeito, está na hora de passar a ser). Walter segue dizendo que o espetáculo tem uma forte comunicação com o público e começa a dar informações históricas sobre o texto e sobre o autor. “Foi apresentado pela primeira vez em 1927, inicialmente com seis canções. Durava meia hora. Depois, Brecht mexe com a estrutura da ópera, trazendo, antes de tudo, um teatro musical inovador com forte influência do teatro não aristotélico. Era a velha ópera, agora em teatro narrativo no qual o homem podia tomar consciência de que suas desgraças não são eternas, mas históricas.
Segundo ele, o espetáculo apresentado “tem uma grande qualidade que é a alegria, a vivacidade e o entusiasmo que supera as deficiências vocais. Cantar em um registro outro que não o tradicional”. Feitas estas colocações, ele observa que os atores, por estarem preocupados em fazer acontecer a encenação da obra, se esquecem da possibilidade de problematizá-la nas relações entre os personagens, explicitando as atitudes e as relações sociais. Ou seja, ela acaba de dizer o que eu comentei acima, no mínimo, de uma maneira muito mais educada e embasada teoricamente. Deixa estar...um dia, eu chego lá. Mas ele não para por aí. Comenta que a atuação dos papéis se dá em um único plano e segue para um registro que nos é mais conhecido e familiar que é o tipo e que não explora as contradições possíveis destes mesmos papéis. E não satisfeito, ele exemplifica. “Neste sentido o tufão e a lua vão ao encontro de certa precariedade que poderia ser mais enfatizada, buscando um referencial mais brasileiro como Serra pelada. Ele explica que eles poderiam contemporaneizar, ao invés de tentar seguir a concepção original. Algo que pudesse estimular uma crítica mais ácida, induzindo além de Mahagonny. Walter indica a busca de arquivos no Google sobre Emir Kusturica (Não fazia a menor ideia de quem era. A menina do meu lado até corrigiu o jeito que eu escrevi este nome).
É a vez de André Carreira, doutor em teatro e professor da UDESC, falar do espetáculo. Começa dizendo que é bom poder “contemplar o aprendizado no exercício da montagem”, que o desempenho é bastante desenvolto, que há empatia com o público, mas que a escolha pelos personagens tipo é uma qualidade do espetáculo ao mesmo tempo que deve ser repensada. Segundo ele, as obras de Brecht sempre nos impulsiona para outro lugar que não é a montagem, mas que seria interessante saber qual o plano de conexão entre a atuação e o contemporâneo. Diz que há uma série de pecados que não estão contemplados na encenação. Fala que a história do garimpo, sugerida pelo Walter, é tão ou mais violenta que a febre do ouro. E pergunta: De que pecados falamos hoje? Salienta que o uso de elementos no espetáculo se preocupa com o sentido histórico de Brecht e que o uso da música dos anos 60 faz um cruzamento de tempo, mas não nos põe com o pé no hoje. Porém, comenta que todos nós temos a nossa versão do espetáculo, que ele não está ali para dizer a sua. Suas colocações me parecem extremamente pertinentes e ditas de uma maneira bastante tranquila.
Talvez, por isso, o porta-voz do grupo, Artur Kon, diz que não pretende se justificar, que é muita coisa para absorver. Assim, se a falta de maturidade pode ter atrapalhado em algo a concepção do espetáculo, ela aparece em um momento bastante delicado para qualquer artista: o da crítica ao qual, porém, Artur reage de forma muito educada e inteligente. Ele apenas acrescenta algumas informações dizendo que o cenário, o figurino, a ideia de usar a música dos Beatles surgiram deles e que acreditavam que utilizar o personagem tipo traria maior flexibilidade. Além disso, ele fala que esperavam que o espectador trouxesse suas próprias referências contemporâneas. Faz sentido. Ao invés deles ficarem tentando especificar situações do hoje, colocam na mão da plateia esta tarefa. No caso do Walter parece que funcionou.
A partir disso, surgem os comentários dos demais participantes do debate. Inclusive o meu. Falo sobre o trabalho do Humberto e da montagem de Irene, na verdade, para entrar em acordo com o que já foi dito pelos outros dois professores, ou seja: falta aprofundar o caráter provocador do espetáculo. Ao falar, porém, tomo cuidado para não desmotivar um grupo tão “guerreiro”, pois, sem dúvida seria uma pena. As outras pessoas que falam (e que não saberia identificar) falam que a forma escolhida para mostrar a exploração feminina causou incômodo, dizem que é preciso se perguntar “o que fica? Como se transforma?”. Narciso Telles, doutor em teatro mineiro, elogia o espetáculo e acredita que seria produtivo auto questionamento enquanto sujeito/artistas e que pode ser bom abrir mão do material técnico do Brecht.
Quando os representantes do grupo retomam a palavra é para dizer que eles estão em um processo de amadurecimento e que os apontamentos feitos vão ser interessantes. Eles tiveram que reorganizar o espetáculo, pois, no período de universidade eram muito mais atores no palco do que é hoje. São feitas afirmações divertidas sobre as movimentações cênicas: “Temos que ensaiar bem, pois se não a gente tromba”. E há algo que é dito que parece muito significativo do momento: “Até então, era um trabalho universitário. Agora é uma proposta artística”. Lembrei de um diretor, meu amigo, que dizia que tinha que pensar qual era o teatro que ele queria fazer.
Carreira retoma a palavra para dizer que é preciso se aproximar destes autores clássicos como Shakespeare, Beckett, Nelson Rodrigues, distanciando-se do mito. Este deve ser assassinado. Considera que só há sentido em montar um clássico se este for atualizado. Confesso que eu tenho um certo medo quando isto é dito, pois, em geral, isso significa colocar roupas contemporâneas, rock como trilha sonora. O que, imagino, não seja o que Carreira está tentando dizer.
As respostas do grupo são bem bacanas. Eles comentam que ainda estão discutindo o que querem dizer em cena, que a cada apresentação mais coisas aparecem, que muita coisa a gente não tem ideia de como responder, pois é mais uma provocação, que eles estão querendo se constituir como companhia de teatro. Um dos atores comenta: O teatro se faz a cada momento, a cada dia. O que eu tenho e coloco. É preciso tirar o peso, o medo e ir para a cena. A cada dia se faz e uma descoberta do que fez. Às vezes, eu não sei onde eu vou.
Gostaria de ter ficado mais no Festival. Pois, a medida que o tempo passa, a gente vai fazendo contatos, as caras vão ficando conhecidas, mas tive que vir embora, não por falta de disponibilidade, mas porque, como em Mahagonny só pode ficar quem paga!
No mais ficou um sentimento que até já foi transformado em música, então, reproduzo aqui:
Só uma coisa me entristece
O beijo de amor que não roubei
A jura secreta que não fiz
A briga de amor que eu não causei
O beijo de amor que não roubei
A jura secreta que não fiz
A briga de amor que eu não causei
Nada do que posso me alucina
Tanto quanto o que não fizNada do que eu quero me suprime
Do que por não saber ainda não quis
Tanto quanto o que não fizNada do que eu quero me suprime
Do que por não saber ainda não quis
Só uma palavra me devora
Aquela que meu coração não diz
Só o que me cega, o que me faz infeliz
É o brilho do olhar que eu não sofri
Aquela que meu coração não diz
Só o que me cega, o que me faz infeliz
É o brilho do olhar que eu não sofri
Sunday, July 11, 2010
FOLHAS DE CEDRO - “nois fomo e num encontremo ninguem”.
Primeiro devo dizer que entrar em um teatro desconhecido é sempre interessante. Desde a hora da compra do ingresso em que não sabemos se vamos ter uma boa visão ou não, até descobrir onde está a nossa cadeira. Fui parar no que seria a Galeria central do Teatro São Pedro. Eva Sopher não gostaria da comparação porque o teatro Carlos Gomes é infinitamente mais simples, mas tem cadeiras neste espaço. Iguais as que tem na plateia.
Depois, teve uns discursos. De gente que também não conheço. Nem mesmo Pita Belli, a organizadora do Festival Internacional de teatro de Blumenau. De qualquer forma, foi interessante ver a receptividade da plateia as palavras dela e sua emoção. Para variar, sobravam espaços em posições bem melhores do que a minha, mas se nem em Porto Alegre me animo a tentar mudar, imagina em uma cidade estranha...
Vamos aos comentários do espetáculo, que tentarei transformar em crítica, argumentando, mas não garanto nada que vou conseguir, pois, realmente, não tenho esta prática. Até porque, como meus amigos sabem, costumo só escrever sobre espetáculos de que gosto, o que, já antecipo, não foi o caso.
Primeiro, se considerarmos que teatro possa ser a arte de contar histórias (embora, certamente, não se limite a isso), As Folhas de Cedro da Companhia Teatral Arnesto nos Convidou não tem nenhuma novidade, mesmo se tratando de uma história inspirada em imigrantes libaneses. Havia um cuidado com o figurino. Havia um código quanto a área de atuação definida por um círculo feito com giz no palco. Algo que me pareceu uma boa proposta, mas que não é a primeira vez que aparece. A ideia de usar a narrativa na figura da protagonista para situar os fatos que se misturavam entre o passado, o presente e o futuro parecia um recurso muito antiquado e formal.
E agora vem o mais grave. Não havia contracenação. Eles cometiam um erro primário de atuação. Cada um dava a sua fala, na sua vez. Correta. Na maioria das vezes, bem pronunciada, mas não havia energia entre eles. Não havia aquele estado de disponibilidade permanente que temos que ter quando estamos no palco com outros atores. Não havia generosidade, cumplicidade, troca. Era um espetáculo frio, sem ritmo. Mesmo nos momentos mais contundentes. A voz do ator ou da atriz subia. As palavras eram ditas com mais ênfase, mas não passava disso. Pensava em atores como Paulo José que conseguem demonstrar a intensidade de um sentimento com um mínimo de gestos e movimentos. Em Ralph Phiennes se quisermos fazer um gancho com a internacionalidade do festival. Claro que estou falando de mestres, mas apenas para deixar claro o que faltou naquele palco.
O que resultou foi a monotonia e um vazio. E nestas horas sempre penso que há uma falha na direção. Afinal, não havia ninguém para dizer que aquela forma não estava funcionando? E, vejam bem, estou sempre aberta a possibilidade de que as propostas sejam, realmente, estas. Ou seja, provocar estranheza, sair de atuações realistas, mergulhadas na emoção. Porém, ali não havia nem isso, nem aquilo. Surgia de vez em quando de forma muito sutil uma golfada de ar quando a atriz menina “aparecia” em cena. Ela era a única que mantinha a autenticidade de seus gestos, mas posso imaginar que isso não tivesse nada a ver com sua competência profissional.
Sem nada de atraente na luz, sem trilha sonora, sem aparatos cênicos. Sem. Cheguei a pensar que fosse a distância do palco que pudesse me prejudicar, que se tivesse na primeira fila teria visto melhor as feições dos atores e isso teria me causado outra impressão. Ontem, porém, estava na terceira fila. A senhora do meu lado quis comentar o espetáculo da noite anterior com um conhecido. A introdução dele para a sua opinião foi: “é para falar a verdade ou para ser legal?”. Então, me aproveito de estar em uma cidade que não conheço, de pensar que não vou voltar a ver estas pessoas para dizer o que penso. Imagino que se morasse em Blumenau iria preferir não fazê-lo, considerando, porém, uma pena que as pessoas ainda reajam desta maneira a crítica, comentário, opinião...Claro que ignoro aqui o fato de que no mundo virtual este texto pode chegar até o próprio diretor Samir Yazbeck e ele acabar “com uma baita de uma reeiva”.
Depois, teve uns discursos. De gente que também não conheço. Nem mesmo Pita Belli, a organizadora do Festival Internacional de teatro de Blumenau. De qualquer forma, foi interessante ver a receptividade da plateia as palavras dela e sua emoção. Para variar, sobravam espaços em posições bem melhores do que a minha, mas se nem em Porto Alegre me animo a tentar mudar, imagina em uma cidade estranha...
Vamos aos comentários do espetáculo, que tentarei transformar em crítica, argumentando, mas não garanto nada que vou conseguir, pois, realmente, não tenho esta prática. Até porque, como meus amigos sabem, costumo só escrever sobre espetáculos de que gosto, o que, já antecipo, não foi o caso.
Primeiro, se considerarmos que teatro possa ser a arte de contar histórias (embora, certamente, não se limite a isso), As Folhas de Cedro da Companhia Teatral Arnesto nos Convidou não tem nenhuma novidade, mesmo se tratando de uma história inspirada em imigrantes libaneses. Havia um cuidado com o figurino. Havia um código quanto a área de atuação definida por um círculo feito com giz no palco. Algo que me pareceu uma boa proposta, mas que não é a primeira vez que aparece. A ideia de usar a narrativa na figura da protagonista para situar os fatos que se misturavam entre o passado, o presente e o futuro parecia um recurso muito antiquado e formal.
E agora vem o mais grave. Não havia contracenação. Eles cometiam um erro primário de atuação. Cada um dava a sua fala, na sua vez. Correta. Na maioria das vezes, bem pronunciada, mas não havia energia entre eles. Não havia aquele estado de disponibilidade permanente que temos que ter quando estamos no palco com outros atores. Não havia generosidade, cumplicidade, troca. Era um espetáculo frio, sem ritmo. Mesmo nos momentos mais contundentes. A voz do ator ou da atriz subia. As palavras eram ditas com mais ênfase, mas não passava disso. Pensava em atores como Paulo José que conseguem demonstrar a intensidade de um sentimento com um mínimo de gestos e movimentos. Em Ralph Phiennes se quisermos fazer um gancho com a internacionalidade do festival. Claro que estou falando de mestres, mas apenas para deixar claro o que faltou naquele palco.
O que resultou foi a monotonia e um vazio. E nestas horas sempre penso que há uma falha na direção. Afinal, não havia ninguém para dizer que aquela forma não estava funcionando? E, vejam bem, estou sempre aberta a possibilidade de que as propostas sejam, realmente, estas. Ou seja, provocar estranheza, sair de atuações realistas, mergulhadas na emoção. Porém, ali não havia nem isso, nem aquilo. Surgia de vez em quando de forma muito sutil uma golfada de ar quando a atriz menina “aparecia” em cena. Ela era a única que mantinha a autenticidade de seus gestos, mas posso imaginar que isso não tivesse nada a ver com sua competência profissional.
Sem nada de atraente na luz, sem trilha sonora, sem aparatos cênicos. Sem. Cheguei a pensar que fosse a distância do palco que pudesse me prejudicar, que se tivesse na primeira fila teria visto melhor as feições dos atores e isso teria me causado outra impressão. Ontem, porém, estava na terceira fila. A senhora do meu lado quis comentar o espetáculo da noite anterior com um conhecido. A introdução dele para a sua opinião foi: “é para falar a verdade ou para ser legal?”. Então, me aproveito de estar em uma cidade que não conheço, de pensar que não vou voltar a ver estas pessoas para dizer o que penso. Imagino que se morasse em Blumenau iria preferir não fazê-lo, considerando, porém, uma pena que as pessoas ainda reajam desta maneira a crítica, comentário, opinião...Claro que ignoro aqui o fato de que no mundo virtual este texto pode chegar até o próprio diretor Samir Yazbeck e ele acabar “com uma baita de uma reeiva”.
Jornada de Teatro de Blumenau - Razão e sensibilidade
Dia da minha apresentação. Levemente agitada, como era de se esperar, mas bastante desperta para quem tomou uma garrafa de vinho sozinha na noite anterior. Já tenho um truque infalível para que tudo dê certo. É só lembrar de respirar. Simples assim?, dirão alguns. Não é que basta? Quando a começo a me agitar e as ideias ficam confusas, paro, respiro e pronto. Tudo se acalma. Claro que isso não chega a permitir que eu possa ficar tomando café e comendo tudo que quero. Certamente, não me fará bem. Assim, ganho tempo e não, peso. Para a minha frustração, minha sala tinha seis pessoas e quatro iriam apresentar. Sendo que apenas uma, realmente, estranha. Tenho esperanças que outras pessoas cheguem mais tarde e, assim, me agrada quando alguém se candidata a ser a primeira. Era uma doutoranda que já tinha me dito antes que não tinha tempo de se preparar. Começa a sua fala dizendo que não sabe ainda o que vai dizer, que não tem nada, realmente, escrito, etc. Isso já tinha acontecido no dia anterior e tinha me deixado muito desgostosa, para dizer o mínimo. Acho um desrespeito. Não exijo que a pessoa tenha a pesquisa completa, que faça uma apresentação brilhante, genial, mas que fale de forma coerente sobre sua ideia. Afinal, são apenas 15 minutos de apresentação. Ainda bem que ela recua e de uma maneira até um pouco curiosa diz: “Não. Espera. Vou começar de novo”. Faz, como nós jornalistas, quando gravamos alguma abertura para uma reportagem (o que a gente chama de “cabeça”). Aí sim, começa a falar corretamente do seu projeto de uma forma bem interessante, inclusive.
Bem, não vou falar de todos, nem entrar no mérito da boa apresentação de um colega de pós que também estava nesta mesa e que, depois de dois anos de mestrado, ainda me impressiona pela riqueza de seu vocabulário. Não pelas palavras rebuscadas, mas pela fluência em sua comunicação. Ele diz que, às vezes, não sabe o que vai dizer, mas eu sou testemunha de que quando diz, o faz muito bem. De mim, direi que o que me agrada é que percebo que estou ficando mais segura, sabendo o que estou dizendo e também encontrando as palavras adequadas para a hora certa. Não sei se sobrevivo a uma batalha de fogo. Ao enfrentamento com pessoas que discordem das minhas ideias. Mas, por enquanto, o que sinto é este meu crescimento que já me deixa satisfeita e que vai deixando no passado aquele pensamento sobre o porquê fazer tudo isso. Por que? Porque é bom se desafiar, principalmente, quando superamos obstáculos que, até então, pareciam intransponíveis. Feito isso, nos sentimos melhores, mais inteiros. É quando o querer ser, se transforma em, agora eu sou. Uma colega me diz (querendo me elogiar) que minha segurança chega a irritá-la. Se ela soubesse como foi longo o caminho para chegar até ali...
Livre do compromisso, sobrou tempo para o descanso. Uma tentativa de recuperação da viagem. Éramos três no quarto, cada uma com o seu note, conectadas com o mundo lá fora e sentindo prazer com isso. O hábito é tanto que brincávamos dizendo que iríamos entrar no msn para falar uma com a outra. Depois, começamos a nos separar. Um grupo voltou para ver o final do evento, outro foi dar uma volta em Blumenau, pois era a única chance de saber um pouco mais sobre a cidade. Quem voltou não se arrependeu. As apresentações finais com convidados brasileiros foram bem mais interessantes do que dos estrangeiros e nada a ver com o fato de eu ter mais facilidade com a minha própria língua. Acontece que se uma pessoa vai falar em público, ela não pode ficar olhando para o chão ou falar baixo ou sem ânimo. Caso contrário, por mais brilhante que seja o que ela está dizendo vai botar todo mundo para dormir, ainda mais que em um evento como este a maratona é grande.
Não vou entrar no mérito dos conteúdos apresentados, pois este relato ficaria muito longo. Mas o que me dei conta é que foi importante saber que existiam, mesmo aqueles que a gente pensava não estar entendendo ou ouvindo direito, que nos distraia e coisa e tal. Existem muitas boas ideias vinculadas ao teatro Brasil a fora. É mais uma chance de sabermos que não estamos sozinhos.
Encerrada a jornada, fiquei só eu em Blumenau para assistir ao espetáculo da noite que vou comentar em texto separado, pois pretendo tentar argumentar minha opinião para não ficar só no “achismo”. De qualquer forma, foi muito bom estar presente. A organizadora do evento Pita Belli foi muito aplaudida e ao tentar agradecer, engasgou com a emoção e não conseguia falar. Pensei: o que será que a gente tem que fazer para que isso não aconteça? Mas, cá entre nós, porque não deixar acontecer? É tão verdadeiro que mesmo eu que não a conheço, passei a admirá-la. Fiquei um pouco na festa depois, mas sem meus colegas e com uma banda tocando altíssimo, não havia como fazer nenhuma tentativa de aproximação com quem quer que fosse. Assim, comi algumas coisas, tomei duas doses de whisky e vim para o hotel. Incomodada? Nem um pouco. É sempre um privilégio poder estar onde se quer, na hora que se desejou.
EXTRAS
Momento artístico
Tivemos a fantástica oportunidade de esbarrar no cantor “José Claudio” (vulgo mestrando do PPGAC) que faz suas performances em quartos de hotel e estava aqui no Plaza Blumenau. Suas rimas são tão “sofisticadas” que nem os mestres em artes cênicas presentes foram capazes de explicar mais profundamente como surgiram. Exemplo: Eu me criei na roça e sempre andei de carroça...” Porém, não é possível imaginar com perfeição o efeito desta frase sem o sotaque e o timbre fanho do cantor que se apresentou acompanhado de suas duas belas dançarinas. Chacrinha teria inveja e desejaria contratá-las imediatamente.
De qualquer forma, desconfio que ele já tenha sido plagiado, pois encontrei em uma praça da cidade, versos dignos deste cantor como: Blumenau na antiga manhã com sua tranquilidade aldeã, suas tranças, seu amado talismã. Com seus francos olhos claros, cabelos cor de avelã.
As frases:
- Para mudar de assunto, para dar a entender que você tem algo a dizer que não é apropriado para o momento, etc, basta falar: “Você sabe se tem um Banco do Brasil por aqui?”
- Descobrimos, por uma experiência aqui em Blumenau, a frase mais que perfeita para encerrar qualquer assunto, após uma conversa animada do motorista de táxi com nosso grupo, ele pergunta: e o que vocês vieram fazer na cidade? A resposta sobre uma jornada de teatro, o deixou em profundo silêncio até o final da corrida. Acreditamos que funcione em diversas outras ocasiões e públicos.
A cidade
Primeiro devo dizer que não importa o tamanho da cidade, se você não a conhece terá grandes chances de se perder, até mesmo as escadas rolantes do shopping podem ser uma aventura. Pelo menos, enquanto não der uma boa caminhada e começar a estabelecer pontos de referência. Não vi pobreza pela rua, nem pedintes. Mas, como dizem meus amigos, podem ter sido todos afogados no rio que cruza a cidade.
Segundo, a influência alemã na arquitetura é algo gritante. Tem horas que parece até uma cidade cinematográfica. Além disso, as confeitarias mostram que a culinária daquele país teve sua interferência. Quem já comeu um legítimo apple strudell sabe do que eu estou falando.
Quanto ao trânsito parece bastante organizado. Ruas largas. Mas os motoristas correm muito, inclusive os de táxi. E pasmem: em frente de um grande shopping que, impressionou mesmo a mim que moro ao lado do Barra sul, nenhuma sinaleira.
Os morros verdes encantam. Deixam a cidade mais bonita. Alguns pontos turísticos também. A praça da paz tem um monumento lindo. No entanto, o relógio das flores, valorizado por ser um dos poucos do país, decepciona. Tem mais flores até no jardim da minha casa. A Fundação cultural de Blumenau clama por uma pintura. O prédio até que é bonito.
Se eu soubesse que teria roupas tão diferentes e preços menores que Porto Alegre teria deixado para comprar algumas coisas aqui. Uma fantástica bota vermelha por R$ 70,00, por exemplo. Mas tenho que me contentar com o fato de já ter conseguido ficar mais um pouco.
Bem, não vou falar de todos, nem entrar no mérito da boa apresentação de um colega de pós que também estava nesta mesa e que, depois de dois anos de mestrado, ainda me impressiona pela riqueza de seu vocabulário. Não pelas palavras rebuscadas, mas pela fluência em sua comunicação. Ele diz que, às vezes, não sabe o que vai dizer, mas eu sou testemunha de que quando diz, o faz muito bem. De mim, direi que o que me agrada é que percebo que estou ficando mais segura, sabendo o que estou dizendo e também encontrando as palavras adequadas para a hora certa. Não sei se sobrevivo a uma batalha de fogo. Ao enfrentamento com pessoas que discordem das minhas ideias. Mas, por enquanto, o que sinto é este meu crescimento que já me deixa satisfeita e que vai deixando no passado aquele pensamento sobre o porquê fazer tudo isso. Por que? Porque é bom se desafiar, principalmente, quando superamos obstáculos que, até então, pareciam intransponíveis. Feito isso, nos sentimos melhores, mais inteiros. É quando o querer ser, se transforma em, agora eu sou. Uma colega me diz (querendo me elogiar) que minha segurança chega a irritá-la. Se ela soubesse como foi longo o caminho para chegar até ali...
Livre do compromisso, sobrou tempo para o descanso. Uma tentativa de recuperação da viagem. Éramos três no quarto, cada uma com o seu note, conectadas com o mundo lá fora e sentindo prazer com isso. O hábito é tanto que brincávamos dizendo que iríamos entrar no msn para falar uma com a outra. Depois, começamos a nos separar. Um grupo voltou para ver o final do evento, outro foi dar uma volta em Blumenau, pois era a única chance de saber um pouco mais sobre a cidade. Quem voltou não se arrependeu. As apresentações finais com convidados brasileiros foram bem mais interessantes do que dos estrangeiros e nada a ver com o fato de eu ter mais facilidade com a minha própria língua. Acontece que se uma pessoa vai falar em público, ela não pode ficar olhando para o chão ou falar baixo ou sem ânimo. Caso contrário, por mais brilhante que seja o que ela está dizendo vai botar todo mundo para dormir, ainda mais que em um evento como este a maratona é grande.
Não vou entrar no mérito dos conteúdos apresentados, pois este relato ficaria muito longo. Mas o que me dei conta é que foi importante saber que existiam, mesmo aqueles que a gente pensava não estar entendendo ou ouvindo direito, que nos distraia e coisa e tal. Existem muitas boas ideias vinculadas ao teatro Brasil a fora. É mais uma chance de sabermos que não estamos sozinhos.
Encerrada a jornada, fiquei só eu em Blumenau para assistir ao espetáculo da noite que vou comentar em texto separado, pois pretendo tentar argumentar minha opinião para não ficar só no “achismo”. De qualquer forma, foi muito bom estar presente. A organizadora do evento Pita Belli foi muito aplaudida e ao tentar agradecer, engasgou com a emoção e não conseguia falar. Pensei: o que será que a gente tem que fazer para que isso não aconteça? Mas, cá entre nós, porque não deixar acontecer? É tão verdadeiro que mesmo eu que não a conheço, passei a admirá-la. Fiquei um pouco na festa depois, mas sem meus colegas e com uma banda tocando altíssimo, não havia como fazer nenhuma tentativa de aproximação com quem quer que fosse. Assim, comi algumas coisas, tomei duas doses de whisky e vim para o hotel. Incomodada? Nem um pouco. É sempre um privilégio poder estar onde se quer, na hora que se desejou.
EXTRAS
Momento artístico
Tivemos a fantástica oportunidade de esbarrar no cantor “José Claudio” (vulgo mestrando do PPGAC) que faz suas performances em quartos de hotel e estava aqui no Plaza Blumenau. Suas rimas são tão “sofisticadas” que nem os mestres em artes cênicas presentes foram capazes de explicar mais profundamente como surgiram. Exemplo: Eu me criei na roça e sempre andei de carroça...” Porém, não é possível imaginar com perfeição o efeito desta frase sem o sotaque e o timbre fanho do cantor que se apresentou acompanhado de suas duas belas dançarinas. Chacrinha teria inveja e desejaria contratá-las imediatamente.
De qualquer forma, desconfio que ele já tenha sido plagiado, pois encontrei em uma praça da cidade, versos dignos deste cantor como: Blumenau na antiga manhã com sua tranquilidade aldeã, suas tranças, seu amado talismã. Com seus francos olhos claros, cabelos cor de avelã.
As frases:
- Para mudar de assunto, para dar a entender que você tem algo a dizer que não é apropriado para o momento, etc, basta falar: “Você sabe se tem um Banco do Brasil por aqui?”
- Descobrimos, por uma experiência aqui em Blumenau, a frase mais que perfeita para encerrar qualquer assunto, após uma conversa animada do motorista de táxi com nosso grupo, ele pergunta: e o que vocês vieram fazer na cidade? A resposta sobre uma jornada de teatro, o deixou em profundo silêncio até o final da corrida. Acreditamos que funcione em diversas outras ocasiões e públicos.
A cidade
Primeiro devo dizer que não importa o tamanho da cidade, se você não a conhece terá grandes chances de se perder, até mesmo as escadas rolantes do shopping podem ser uma aventura. Pelo menos, enquanto não der uma boa caminhada e começar a estabelecer pontos de referência. Não vi pobreza pela rua, nem pedintes. Mas, como dizem meus amigos, podem ter sido todos afogados no rio que cruza a cidade.
Segundo, a influência alemã na arquitetura é algo gritante. Tem horas que parece até uma cidade cinematográfica. Além disso, as confeitarias mostram que a culinária daquele país teve sua interferência. Quem já comeu um legítimo apple strudell sabe do que eu estou falando.
Quanto ao trânsito parece bastante organizado. Ruas largas. Mas os motoristas correm muito, inclusive os de táxi. E pasmem: em frente de um grande shopping que, impressionou mesmo a mim que moro ao lado do Barra sul, nenhuma sinaleira.
Os morros verdes encantam. Deixam a cidade mais bonita. Alguns pontos turísticos também. A praça da paz tem um monumento lindo. No entanto, o relógio das flores, valorizado por ser um dos poucos do país, decepciona. Tem mais flores até no jardim da minha casa. A Fundação cultural de Blumenau clama por uma pintura. O prédio até que é bonito.
Se eu soubesse que teria roupas tão diferentes e preços menores que Porto Alegre teria deixado para comprar algumas coisas aqui. Uma fantástica bota vermelha por R$ 70,00, por exemplo. Mas tenho que me contentar com o fato de já ter conseguido ficar mais um pouco.
Saturday, July 10, 2010
Uma jornada noite à dentro – Blumenau
Não há como falar de um evento, sem comentar tudo que envolve participarmos dele. A viagem, as companhias, a cidade, os almoços e jantares. Até mesmo o hotel e o café da manhã. Devo dizer que vir de Porto Alegre à Blumenau de ônibus não foi tão fácil quando eu imaginara. A estrada continua muito ruim, o motorista corria horrores e nós, sem querer, é claro, escolhemos os lugares em cima das rodas. Ou seja, sacolejamos toda a noite. A gente bem que tentou dormir e, em alguns momentos, o cansaço até ajudou, mas não rendeu um bom descanso. Longe disso. Assim, chegamos aqui todos meio quebrados. Eu, agradecendo por não ter que fazer minha comunicação logo de cara, como alguns colegas. Mas um banho depois, roupas limpas, um excelente café da manhã (regado a muitas risadas devido a temas nada acadêmicos), já estava disposta a assistir aos outros. É sempre bom estar reunido com pessoas com as quais temos algo em comum, ainda mais quando é o teatro. Melhor ainda quando começamos a encontrar outras caras conhecidas, além de nós mesmos. Eu, que até o ano passado nunca tinha me apresentado academicamente, agora, já começo a me sentir em casa. Além do mais, acabei vendo a apresentação de uma diretora de uma Universidade Argentina que falava justamente sobre crítica teatral e chegava na virtualidade. Porém, não obtendo os mesmos resultados que eu. Assim, eu estava interessada em contatá-la e ela, em receber informações sobre a minha pesquisa. Estava estabelecido o meu primeiro contato internacional. Bem, não estou considerando aqui os emails trocados com Pierre Lévy que, apesar de aberto aos meus questionamentos, acabou não dando resultados efetivos, justamente porque perdi as oportunidades de encontrá-lo nos eventos de Porto Alegre e Passo Fundo.
Bem, mas resumindo, o dia foi muito produtivo e a noite, bem, a noite fica mais difícil de explicar. Andávamos pelas ruas a procura de um lugar para jantar e depois de algumas escolhas e desistências, acabamos no bar típico da cidade, onde encontramos vários outros participantes do evento. Alunos, mestres, quase mestres, doutores, palestrantes nacionais e estrangeiros, todos em uma grande mesa. Depois de uma longa espera (pelo menos a fome me fez perceber assim) pizza e vinho foram uma excelente pedida. Porém, a parte que não é simples de colocar em palavras é a volta ao hotel. Vai ser preciso uma boa dose de imaginação. Junte várias pessoas do teatro, vindas de áreas diferentes, experiências de vida diversas e com habilidades múltiplas, e dará para ter uma pequena ideia do grupo, andando pelas ruas, inventando performances, orquestra de narizes (?) e outras mais. A expressão chorar de tanto rir para mim, na companhia destas pessoas, tem sido um fato cotidiano. Uma boa prévia para o sono, quase desmaio, da primeira noite na Jornada Latino-americana de estudos teatrais em Blumenau.
Bem, mas resumindo, o dia foi muito produtivo e a noite, bem, a noite fica mais difícil de explicar. Andávamos pelas ruas a procura de um lugar para jantar e depois de algumas escolhas e desistências, acabamos no bar típico da cidade, onde encontramos vários outros participantes do evento. Alunos, mestres, quase mestres, doutores, palestrantes nacionais e estrangeiros, todos em uma grande mesa. Depois de uma longa espera (pelo menos a fome me fez perceber assim) pizza e vinho foram uma excelente pedida. Porém, a parte que não é simples de colocar em palavras é a volta ao hotel. Vai ser preciso uma boa dose de imaginação. Junte várias pessoas do teatro, vindas de áreas diferentes, experiências de vida diversas e com habilidades múltiplas, e dará para ter uma pequena ideia do grupo, andando pelas ruas, inventando performances, orquestra de narizes (?) e outras mais. A expressão chorar de tanto rir para mim, na companhia destas pessoas, tem sido um fato cotidiano. Uma boa prévia para o sono, quase desmaio, da primeira noite na Jornada Latino-americana de estudos teatrais em Blumenau.
Friday, July 02, 2010
Entre o teatro e o futebol
Há alguns dias venho pensando que não poderia ficar mais alguns dias em Blumenau, onde vou para participar da III Jornada de Estudos Teatrais, pois queria estar em Porto Alegre para o jogo do Brasil. Tudo bem... Santa Catarina também é o Brasil, mas eu queria estar próxima dos amigos. Para festejar, realmente, preciso compartilhar minha alegria.
Ontem, falava com um amigo meu já apostando que passaríamos por este jogo. Fiquei assim. Mal acostumada. Nascida em 62, guardei a memória das Copas que vencemos, até mesmo a de 70, ainda está firme em minha memória (e olha que são poucas coisas que permanecem por lá).
O jogo começa. Estou sozinha assistindo. Começo a vibrar, me empolgar, fico tensa e penso: que bom que ainda sinto tudo isso pelo futebol. Porque, afinal, a gente precisa de algumas coisas que sejam assim pouco racionais, mais por instinto, por prazer. No meio do campo, a situação não era fácil. Um início nervoso fazia eles cometerem muitas faltas. Ambos os times.
Não demorou muito para que o Galvão começasse a falar que aquilo era “teatro”. Enquanto isso eu divagava...No teatro também os atores e diretores muitas vezes tentam algo que não funciona, que parece que vai ser muito interessante e não dá em nada. No entanto, acho que existe uma coisa pior que é apresentar o espetáculo para pouca plateia.
Nas minhas poucas experiências, isso não chegava a acontecer porque trazíamos amigos e parentes para ver as nossas peças e acabávamos com um público bem razoável. Mas nunca entrei em temporada. Espetáculo quando “compete” com um dia de chuva ou frio intenso ou até mesmo um jogo de futebol, em geral, perde. No futebol, eu que moro perto do Internacional, vejo que o mesmo não ocorre. Diminui, é claro. Porém, resta ainda uma bela multidão. Em Copa do Mundo,então...
Só que não havia exatamente jogadas. A bola andava e parava. Falta, trancaço, tombos, só faltaram beliscões. Aos poucos, foi dando uma melhorada e, de repente, lá estava o nosso gol. Alívio. Entretanto, ainda havia muito de jogo e não estava uma partida nada fácil e assim foi até o final do primeiro tempo.
Como além de gostar de futebol, também sou responsável pela cozinha, não vi o gol da Holanda. Muito menos me dei conta que havia sido contra. Se soubesse, já teria ficado sem esperanças. Antes mesmo do lance ridículo do Felipe Melo de pisar na perna do adversário e acabar sendo expulso. Creio até que este sentimento atravessou o oceano e chegou a África, pois o time ficou apático. Estava empatado, com apenas um golzinho e parecia que perdia de goleada nos últimos instantes do segundo tempo.
Claro que como boa brasileira, acostumada com o inusitado no café da manhã, achei que ainda haveria alguma jogada genial que nos levaria para a prorrogação e de lá para uma vitória. É, mas aquele tempo em que boas chances caiam do céu nas pernas do zagueiro do Brasil ficou no passado. Então, perdemos de um jeito feio. Nem a atuação incrível do Robinho conseguiu salvar o espetáculo. Por isso, assim que passar este sentimento de frustração, sou capaz de torcer para a Holanda, pois só me resta agora ter perdido para o campeão da Copa do Mundo de 2010 e, é claro, esperar a de 2014. Enquanto isso, vou para Blumenau ver um pouco do teatro em que não se pode ser expulso e nem se pisa no adversário.
Ontem, falava com um amigo meu já apostando que passaríamos por este jogo. Fiquei assim. Mal acostumada. Nascida em 62, guardei a memória das Copas que vencemos, até mesmo a de 70, ainda está firme em minha memória (e olha que são poucas coisas que permanecem por lá).
O jogo começa. Estou sozinha assistindo. Começo a vibrar, me empolgar, fico tensa e penso: que bom que ainda sinto tudo isso pelo futebol. Porque, afinal, a gente precisa de algumas coisas que sejam assim pouco racionais, mais por instinto, por prazer. No meio do campo, a situação não era fácil. Um início nervoso fazia eles cometerem muitas faltas. Ambos os times.
Não demorou muito para que o Galvão começasse a falar que aquilo era “teatro”. Enquanto isso eu divagava...No teatro também os atores e diretores muitas vezes tentam algo que não funciona, que parece que vai ser muito interessante e não dá em nada. No entanto, acho que existe uma coisa pior que é apresentar o espetáculo para pouca plateia.
Nas minhas poucas experiências, isso não chegava a acontecer porque trazíamos amigos e parentes para ver as nossas peças e acabávamos com um público bem razoável. Mas nunca entrei em temporada. Espetáculo quando “compete” com um dia de chuva ou frio intenso ou até mesmo um jogo de futebol, em geral, perde. No futebol, eu que moro perto do Internacional, vejo que o mesmo não ocorre. Diminui, é claro. Porém, resta ainda uma bela multidão. Em Copa do Mundo,então...
Só que não havia exatamente jogadas. A bola andava e parava. Falta, trancaço, tombos, só faltaram beliscões. Aos poucos, foi dando uma melhorada e, de repente, lá estava o nosso gol. Alívio. Entretanto, ainda havia muito de jogo e não estava uma partida nada fácil e assim foi até o final do primeiro tempo.
Como além de gostar de futebol, também sou responsável pela cozinha, não vi o gol da Holanda. Muito menos me dei conta que havia sido contra. Se soubesse, já teria ficado sem esperanças. Antes mesmo do lance ridículo do Felipe Melo de pisar na perna do adversário e acabar sendo expulso. Creio até que este sentimento atravessou o oceano e chegou a África, pois o time ficou apático. Estava empatado, com apenas um golzinho e parecia que perdia de goleada nos últimos instantes do segundo tempo.
Claro que como boa brasileira, acostumada com o inusitado no café da manhã, achei que ainda haveria alguma jogada genial que nos levaria para a prorrogação e de lá para uma vitória. É, mas aquele tempo em que boas chances caiam do céu nas pernas do zagueiro do Brasil ficou no passado. Então, perdemos de um jeito feio. Nem a atuação incrível do Robinho conseguiu salvar o espetáculo. Por isso, assim que passar este sentimento de frustração, sou capaz de torcer para a Holanda, pois só me resta agora ter perdido para o campeão da Copa do Mundo de 2010 e, é claro, esperar a de 2014. Enquanto isso, vou para Blumenau ver um pouco do teatro em que não se pode ser expulso e nem se pisa no adversário.
Thursday, July 01, 2010
Olá,
Este texto, na verdade, é uma advertência de alguém da comunicação que se apaixonou por esta ferramenta chamada internet. Eu a vi praticamente nascer e acompanhei sua evolução. Acabo de associar estes conhecimentos a minha dissertação de mestrado e, mais uma vez, achei fascinante todo o seu potencial. Mas, ao mesmo tempo, lido diariamente com o mau uso desta.
Receber um email de uma pessoa muito querida, que se sensibilizou com uma mensagem pedindo auxílio a uma criança com câncer, me motivou a escrever este email. Não pretendo me alongar. Mas aprendi com o tempo a verificar (como já fazia na profissão) as informações que recebo na internet. Gasto um pouco de tempo, mais raramente um pouco de dinheiro quando decido telefonar para os números publicados, mas deixo de fazer mais pessoas cometerem o mesmo erro e acreditarem em informações falsas, ficarem tristes por situações tão desesperantes.
Comento com as pessoas que faço parte da comunidade do Orkut: Eu não repasso correntes. Mas acho que isso não é suficiente. Assim decidi repassar aos meus amigos e parentes informações que podem ajudá-los a evitar que pessoas em escrúpulos usem a internet só para fazer os outros de bobos.
Então, escrevo para pedir que façam o mesmo. Tentem checar os principais dados divulgados nos emails que pedem ajuda. Vejam quem está assinando e saibam que mesmo quando parece bem oficial, não é. Ninguém vai escancarar que se trata de uma bobagem. Vão colocar nomes e sobrenomes, cargos, telefones, às vezes, inscrições das entidades. Tudo para dar a impressão de que é real e verdadeiro. No entanto, se você não conhece, desconfie.
Existem muitos sites que já publicam as principais fraudes da internet. Vou colocar aqui apenas um que me indicou a falsidade do email da minha amiga: www.e-farsas.com
mas não estou ganhando nenhum centavo para fazer isso da AOL, UOL, etc...Existem outros que denunciam.
Pronto. Era isso. Não desistam de usar a Internet. Ela nos conecta. Permite a nossa interatividade. É um veículo de comunicação mágico. Mas como em tudo que o ser humano participa tem seu lado bom e seu lado mau.
Para vocês terem uma ideia o email com fotos terríveis de uma criança pequena doente que precisaria de ajuda repassado pela minha amiga, circula na Internet desde 2003. Acredito, porém que possamos interditar estes desocupados gastando um pouco do nosso tempo, assim como faço agora.
Este texto, na verdade, é uma advertência de alguém da comunicação que se apaixonou por esta ferramenta chamada internet. Eu a vi praticamente nascer e acompanhei sua evolução. Acabo de associar estes conhecimentos a minha dissertação de mestrado e, mais uma vez, achei fascinante todo o seu potencial. Mas, ao mesmo tempo, lido diariamente com o mau uso desta.
Receber um email de uma pessoa muito querida, que se sensibilizou com uma mensagem pedindo auxílio a uma criança com câncer, me motivou a escrever este email. Não pretendo me alongar. Mas aprendi com o tempo a verificar (como já fazia na profissão) as informações que recebo na internet. Gasto um pouco de tempo, mais raramente um pouco de dinheiro quando decido telefonar para os números publicados, mas deixo de fazer mais pessoas cometerem o mesmo erro e acreditarem em informações falsas, ficarem tristes por situações tão desesperantes.
Comento com as pessoas que faço parte da comunidade do Orkut: Eu não repasso correntes. Mas acho que isso não é suficiente. Assim decidi repassar aos meus amigos e parentes informações que podem ajudá-los a evitar que pessoas em escrúpulos usem a internet só para fazer os outros de bobos.
Então, escrevo para pedir que façam o mesmo. Tentem checar os principais dados divulgados nos emails que pedem ajuda. Vejam quem está assinando e saibam que mesmo quando parece bem oficial, não é. Ninguém vai escancarar que se trata de uma bobagem. Vão colocar nomes e sobrenomes, cargos, telefones, às vezes, inscrições das entidades. Tudo para dar a impressão de que é real e verdadeiro. No entanto, se você não conhece, desconfie.
Existem muitos sites que já publicam as principais fraudes da internet. Vou colocar aqui apenas um que me indicou a falsidade do email da minha amiga: www.e-farsas.com
mas não estou ganhando nenhum centavo para fazer isso da AOL, UOL, etc...Existem outros que denunciam.
Pronto. Era isso. Não desistam de usar a Internet. Ela nos conecta. Permite a nossa interatividade. É um veículo de comunicação mágico. Mas como em tudo que o ser humano participa tem seu lado bom e seu lado mau.
Para vocês terem uma ideia o email com fotos terríveis de uma criança pequena doente que precisaria de ajuda repassado pela minha amiga, circula na Internet desde 2003. Acredito, porém que possamos interditar estes desocupados gastando um pouco do nosso tempo, assim como faço agora.
Monday, June 28, 2010
Um terremoto chamado Brasil
Espero que o meu santo me escute tanto quanto os profissionais que trabalham em televisão, sejam eles comunicadores ou artistas. Minha irmã tem sido testemunha dos meus diálogos com este aparelho ao longo dos anos. Hoje, no jogo da copa, mais uma vez, aconteceu exatamente isso. O Galvão Bueno fazia uma longa explicação sobre a história das Copas. Lá pelas tantas, eu me perdi e disse: “Não entendi”. Do outro lado, Galvão, retornou: “Já te explico”. Às vezes, quando conto esta história para outras pessoas tenho a leve impressão de que elas não me acreditam. É claro que é preciso considerar que eu fale em voz alta na frente da tv, ou seja, não se trata de uma leitura de pensamento. É um diálogo mesmo. Mas parece que não é só um privilégio meu, pois logo depois do próprio Galvão perguntar ao Arnaldo César Coelho se não estava faltando Robinho no jogo, quem faz o Gol? O próprio.
Em outros momentos, não faço perguntas, mas afirmações e mal acabo de dizer, o apresentador ou o artista do outro lado repete. Bem, isso sem falar nas previsões do que vão dizer ou fazer, das ações que está para acontecer nos filmes. É claro que estas eu não comento para não estragar o prazer dos demais. Tem horas que escapa e daí recebo uma advertência. Não sei se existe algo de sobrenatural nisso ou se isso significa que eu sou resultado da geração da televisão. São muitos anos de observação da linguagem televisiva. Além do mais, minha formação jornalística e de teatro também pode colaborar um pouco com isso.
Já na vida real o mesmo não acontece. Não sei o que está por vir. O máximo que faço é saber o final das frases de quem conversa comigo ou o final de uma história que estão me contando. Agora, quanto aos fatos, ao que será do amanhã, não tenho a menor ideia. Por isso, penso duas vezes antes de me juntar a algum grupo para assistir aos jogos. Outro dia ainda vi os torcedores, de um time destes que foi desclassificado, totalmente fantasiados saindo cabisbaixos do campo...Muito complicado. Felizmente, hoje, conseguimos mais uma vitória. Bem bonita, por sinal. Gols suficientes para nos alegrar depois do último empate e alimentar as nossas esperanças para a próxima partida.
Agora, cá entre nós, foi tanta rasteira que acho que é por isso que o Dunga não quer que vejam os treinos. Eles devem treinar isso também. Ninguém cai no chão de todo o cumprimento com uma perninha levantada sem pensar nisso antes. Ainda bem que o juiz não teve os mesmos problemas dos últimos colegas. Não teve nenhuma situação polêmica. De qualquer forma, talvez, nem precisasse dizer que sou a favor de chip na bola, câmeras atrás do gol e toda e qualquer tecnologia que ajude a estes profissionais a serem mais justos. Porque, convenhamos, nós com todos estes aparatos adicionais em nossas casas e eles lá, no calor da emoção, só contando com dois olhos e um apito? Isso sim é injustiça! Se eles ainda me ouvissem do outro lado da telinha...
Saturday, June 26, 2010
Um ano sem MJ
Gosto de lembrar das pessoas que já se foram. Não tenho problemas com isso. Às vezes, me pego rindo sozinha imaginando as coisas que o meu irmão diria em uma determinada situação. Não fico triste, nem nostálgica. É um sentimento bom. É uma emoção. E a única que eu acho que a gente deve evitar (não sublimar) é a raiva. No entanto, comecei a ver os programas de 1 ano sem Michael Jackson e sinto que vou ficando abatida. Não sei se é porque gostaria de entender melhor o que houve, se ficaram faltando tantas informações... Os programas trazem títulos fortes, aparentemente indicam que vão dizer o que eu ainda não sei. Mas isso não acontece. São horas de entrevistas, reportagens, depoimentos e quando penso que estou começando a compreender, alguma coisa me leva para um outro rumo.
Embora ele seja um pouco mais velho do que eu, regulamos de idade. Então, ele, praticamente me acompanhou. Uma das primeiras apresentações que fiz para uma plateia foi uma dança com Marília Bressani na Colônia de Férias da UFRGS, onde eu veraneava. Lembro até hoje que errei o passo e olha que não tínhamos a menor pretensão de dançarmos como ele. Não sei que idade eu tinha, mas posso garantir que eu era pequena. Depois, foram as reuniões dançantes nas garagens e por aí vai. Não era exatamente uma fã, mas ele sempre esteve presente. Desrespeitando totalmente a cronologia, tem a vinda no Rio, as acusações de abuso infantil e as mudanças grotescas de pele, de rosto, até chegar no grotesco e eu parar de pensar nele. Foi quando a admiração foi se transformando em pena e quando esta começava a me incomodar. Pensava: mas afinal, ele foi um artista absolutamente incrível, influenciou gerações, ganhou horrores de dinheiro, ficará para sempre na história da música... melhor, da humanidade. Pena, talvez, deva sentir de mim que não fui capaz de fazer nada nem parecido! Porém, por que será que é assim? Por que os grandes astros, as pessoas extremamente talentosas tem vidas tão caóticas e são tão meteóricas? No vídeo abaixo, que mostra a metamorfose dele, termina com uma frase: Se isto estava acontecendo por fora, o que não estaria se passando por dentro? Acho que é esta a verdadeira resposta que eu gostaria e que não há programa que vá me dizer, mas querem saber? Acho que faço uma ideia.
http://www.youtube.com/watch?v=ri61lBfMBu0
Embora ele seja um pouco mais velho do que eu, regulamos de idade. Então, ele, praticamente me acompanhou. Uma das primeiras apresentações que fiz para uma plateia foi uma dança com Marília Bressani na Colônia de Férias da UFRGS, onde eu veraneava. Lembro até hoje que errei o passo e olha que não tínhamos a menor pretensão de dançarmos como ele. Não sei que idade eu tinha, mas posso garantir que eu era pequena. Depois, foram as reuniões dançantes nas garagens e por aí vai. Não era exatamente uma fã, mas ele sempre esteve presente. Desrespeitando totalmente a cronologia, tem a vinda no Rio, as acusações de abuso infantil e as mudanças grotescas de pele, de rosto, até chegar no grotesco e eu parar de pensar nele. Foi quando a admiração foi se transformando em pena e quando esta começava a me incomodar. Pensava: mas afinal, ele foi um artista absolutamente incrível, influenciou gerações, ganhou horrores de dinheiro, ficará para sempre na história da música... melhor, da humanidade. Pena, talvez, deva sentir de mim que não fui capaz de fazer nada nem parecido! Porém, por que será que é assim? Por que os grandes astros, as pessoas extremamente talentosas tem vidas tão caóticas e são tão meteóricas? No vídeo abaixo, que mostra a metamorfose dele, termina com uma frase: Se isto estava acontecendo por fora, o que não estaria se passando por dentro? Acho que é esta a verdadeira resposta que eu gostaria e que não há programa que vá me dizer, mas querem saber? Acho que faço uma ideia.
http://www.youtube.com/watch?v=ri61lBfMBu0
Friday, June 25, 2010
O segredo de Fátima
Dias antes do jogo do Brasil de hoje na Copa começou o ti-ti-ti. Mais de uma pessoa me passou um email sobre uma rusga entre jornalistas da Globo e Dunga. Pedia um boicote a Globo. Não repassei. Faço parte da comunidade do Orkut “não envio correntes”, mas a questão não é apenas esta. Poderia dizer que já sou macaca velha (se não achasse que esta expressão em muito me deprecia) para acreditar em tudo que escrevem na internet. Mesmo quando são informações assinadas, que começam depois de uma provocação ferrenha, e retornam para o “vamos aos fatos...”Não é preciso dizer nada. Em pouco tempo se descobre que não há uma única verdade nestes tais textos. No entanto, como estes se esparramam da maneira mais eficiente que a tecnologia hoje permite, dizer algo contra acaba causando alguma ira. Assim, pensei em me poupar. Até porque, assisti a uma entrevista de Silvio Meira (doutor em ciência da computação na Inglaterra) e uma das coisas que ele fala é que a gente teme que as informações desapareçam do dia para a noite, mas não se dá conta que pode acontecer o contrário: elas permanecerem lá por muito mais tempo do que a gente deseja. E, hoje em dia, não está nada fácil encontrar a tal informação isenta para que a gente possa dar uma opinião, ou melhor, um palpite que seja, sobre qualquer situação polêmica. A gente se empolga, toma partido, vai lá defende, discute, até vota no cara e depois ele é um mentiroso, safado, gatuno, arrogante e tantas outras coisas com as quais não concordamos. Até lá, muitas vezes, já dissemos aos quatro-ventos o que pensávamos sobre o tal, quase perdemos amigos e é, claro, escrevemos por aí.
Achei que ia custar mais a usar aquele velho ditado: “cautela e canja de galinha não faz mal a ninguém”. Não é que eu não ache bacana certos arroubos. Acho que precisamos disso. Principalmente, quando as consequências não são graves. Assim, recebi achando certa graça estas mensagens dizendo que Fátima Bernardes havia sido expulsa pelo Dunga e outras coisitas mais. Tentei ir atrás de alguém em quem confiasse para me dizer o que tinha acontecido. Uma avalanche de versões chegou as minhas mãos. Nenhuma havia me feito crer no que realmente poderia ter ocorrido. E, olha que não sou dessas que precisam ver para crer. Além disso (e agora sinto que posso estar me expondo mais do que devia) não acho que o Dunga devesse perder a compostura, como diria a minha mãe. Se alguém o estava enfrentando, fazendo caretas, jogando tomates ou ovos podres...pouco importa. Deste jogo ele deveria ficar fora. Existem emissoras prepotentes, manipuladoras? Não tenho dúvidas. Jornalistas que dizem coisas que não deveriam? Claro! Mas um cara que está lá para orientar nosso time para ganhar uma copa vai se dar ao direito de deixar o temperamento falar mais alto? Não dá. Até porque se existe algum fato nesta história é que comprar briga com a imprensa neste momento só vai prejudicar todo mundo.
Chega a ser engraçado imaginar que os jogadores já tiveram especialistas em “alto-astral”, palestras de auto-confiança e outros treinamentos semelhantes para manter a calma e a tranquilidade e hoje, Dunga seja tão reagente. Resumindo: Nesta situação de destempero que aconteceu, na minha opinião, ninguém estava certo. Pronto. Disse. No mais, queria apenas advertir as pessoas quanto ao que elas estão lendo, vendo, ouvindo, não só na internet, mas nos demais veículos de comunicação. Todos são um reflexo da nossa sociedade que está longe de ser honesta e verdadeira. Não é para desacreditar em tudo também. Sugiro apenas um pouco de bom senso, este que parece ter faltado ao Dunga porque, hoje, o Brasil ficou no 0 X 0, mas jogou bem. Agora, se o técnico ficar se ocupando de outras lutas, a que estamos travando no meio do campo pode acabar sendo perdida.
No mais, devo admitir que tem gente muito criativa por aí:
http://www.youtube.com/watch?v=LZ253pMWyxY
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