Os amigos me convenceram a começar o meu blog. Sou jornalista e mestra em artes cênicas. Sempre adorei escrever e tenho enviado textos para os meus conhecidos com uma certa frequência. Os assuntos? Os mais variados possíveis, mas, ligados as minhas experiências, ao que acho de tudo que está em minha volta. Gostaria de compartilhar com mais pessoas.
Tuesday, July 27, 2010
Até que a morte os separe
Não lembro quando comecei a pensar que era hora de casar. Parece que a gente sonha com isso desde menina. Honestamente, não lembro. Mas, às vezes, recordo quando comecei a frequentar o casamento dos outros. Ficava apavorada com aquela ideia do para sempre. Falo de uma época sem divórcios, separações ou mesmo casos em que os maridos haviam deixado as mulheres. Meus familiares não os comentavam. Meus pais muito menos. Então, era para sempre. E eu não era capaz de escolher viver para sempre com ninguém. Mesmo depois de 10 anos namorando o mesmo homem. Homem? Eu o conheci tinha 15 anos. E me apaixonei. Perdidamente. Loucamente. Mas cinco anos depois, ele já não entendia meus anseios, minhas angústias, inseguranças. Como eu podia amar alguém se não amava a mim mesma? Esta era a questão maior. E nesta busca vinham as paixões. Alguém gentil, alguém bonito, charmoso, inteligente...Alguns elogios e eu já ficava interessada. Entre casar com alguém que não amava ou não casar, preferia esta segunda opção. Na verdade, ainda prefiro. Hoje, estou solteira. Algo impensável para aquela menina que começou a namorar aos 13. Fui noiva por seis meses. Pedida em casamento uma única vez em que chorei por saber que não queria me casar sem amor. Hoje, acho linda a cerimônia que antes desdenhava. Ainda penso que gostaria de colocar um vestido de noiva, entrar na igreja com todos me olhando. Nem chego a pensar que estariam observando as minhas rugas e não o meu buquê. Porém, isso não importa mais. Gostaria apenas de amar e ser amada...para sempre.
Monday, July 26, 2010
Não há tempo para os artistas
Resolvi parar tudo que tinha e devia fazer para escrever sobre onde fui ontem. Se não vai ficar velho... Ah, que bobagem. Se tem algo que percebi foi que tem coisas que não envelhecem. Tinha escutado no rádio que o Nelson Coelho de Castro ia cantar com a Orquestra do Theatro São Pedro. Havia me parecido um excelente programa, mas eu sabia que pela agitação do sábado, ia estar com preguiça. E não deu outra, mas um convite em cima da hora me fez repensar e topar a empreitada. Em um ritmo devagar quase parando lá me fui. O presente me puxando para encontrar o passado.
Os lugares quase lotados. Fui parar na primeira fila. Chega o maestro. Fala um pouco da história do Nelson, de sua formação clássica, de uma música que havia ficado na sua cabeça desde o tempo dos seus estudos no Palestrina e que agora ia ser tocada por nada mais, nada menos do que a Orquestra toda. Uma melodia incrível encheu aquela imensa sala cheia. Logo depois, entra Nelson Coelho de Castro. Senta e começa a cantar a próxima música. Não conversa com o público. Não dá bom dia. Eu pensei: deve estar nervoso. O Nelson? Adora um papo-o com a plateia. Lembro que em todos os seus shows ele conversava bastante. Coisas interessantes, é claro! Divertidas. Gostava de falar. Com um jeito modesto, contido e ao mesmo tempo um imenso sorriso e um olhar maroto. Estava quase tudo lá. Mais de 30 anos depois. Menos a conversa.
Mas, na terceira música, ele para tudo e diz que não está conseguindo conter a emoção, que devia ter dado bom-dia (ah...), que errou a música fazendo esforço para não chorar, para conter as lágrimas que já tinham começado a aparecer na música de abertura. Fala dos arranjos feitos por Vagner Cunha (razão atual do tal convite) que foi quem o chamou para ele estar ali. Pronto. Era o Nelson por inteiro. E por alguns momentos, eu tive 18 anos de novo. Estava lá no Bar do IAB ouvindo sua voz meio rouca cantando: “Faz, faz a cabeça, faz com cachaça, faz com limão”*. Porém, é o trecho de uma das músicas que ele nem tocou que sempre ressurge em minha memória e me traz uma enorme nostalgia: “Aquele tempo do Julinho, eu jamais vou me esquecer, eu pensei que era um filme, eu jamais irei me ver”. Juro que não consigo nem escrever estas palavras sem sentir um aperto no peito que provoca um suspiro. Imagina se eu tivesse estudado neste colégio então.
Não resisto e canto baixinho a letra de Armadilha, que nem era lá minha preferida e me divirto pensando que passei milhões de anos entendendo “cambada de fé tá na mão (a letra é cambada de pedra na mão). De qualquer forma, a letra faz mais sentido para mim, agora. Lá pelas tantas, ele chama ao palco o Bebeto Alves. Pronto. Mais lembranças. Minha irmã tinha um disco dele que adorava. Ouvia o tempo todo. Também, como não se apaixonar por uma frase dessas? “Nas pegadas das minhas botas, trago as ruas de Porto Alegre E na cidade de meus versos, O sonho dos meus amigos”.
Nelson explica que chamou Gelson de Oliveira para tocar no lugar de Totonho Villeroy. A primeira pessoa que entrevistei na vida, durante os tempos de faculdade nos anos 80, quando ele ainda tocava em uma garagem no bairro Menino Deus. E estes “contatos” com estes músicos vem da minha amizade com Ricardo Silvestrin e Enio Côrrea (o Eninho). A dupla que hoje percebo teve uma influência incrível na base da minha formação cultural e na minha paixão pelas artes que me levou a ser mestra em Artes cênicas.
Nelson pode estar de cabelos grisalhos, Bebeto ter uma filha artista famosa, Totonho ter até mudado de nome, mas nesta manhã de Domingo, eu voltei ao passado e me emocionei as lágrimas. Não é que o presente não esteja bacana e que eu não acredite que ainda tem muita coisa pra frente me esperando, mas aquelas músicas me remetem a um passado em que tudo era possível e “ao ver-te, Nelson, rever-te, verte tudo com gosto e tudo do primeiro louco ver-te”.
Comento com ele destas lembranças ao ir pegar seu autógrafo no Cd Lua caiada que acabo de ganhar (ou pego seu autógrafo para comentar?) e é claro que ele tinha a coisa certa para dizer: “A música é como perfume, nos remete imediatamente ao momento, ao que sentimos em qualquer tempo do passado”. E eu sigo sentindo o que ele escreveu na letra de música para Porto Alegre, algo como: “um dia quase furacão, em outro paz e meditação”. Ah, e “ainda penso em ser feliz”.
* Fui devidamente corrigida por Betha Medeiros que foi adolescente na mesma época em que eu, só não nos conhecíamos. Na letra da música Faz a Cabeça, onde lê-se "llimão", leia-se "razão". Vou botar a culpa nos meus amigos que deviam cantar assim. Eu até imaginei que poderia estar errado...
Saturday, July 24, 2010
PODER E TOTALITARISMO MENTAL
No dia 28 de julho, quarta-feira, às 20h, a Sociedade Brasileira de Psicanálise de Porto Alegre estará realizando debate com entrada franca no auditório da Livraria Cultura do Shopping Bourbon Country com o tema: Poder e totalitarismo mental. Coordenado pela Dra. Léia Maria Silva Klochner terá como convidados O Dr. Gley Silva de Pacheco Costa, presidente da Sociedade, Paulo Moura, Doutor em Comunicação Social e Mestre em ciências políticas e Rodrigo Schwalm Lacroix, professor de pós-graduação da PUCRS.
Informações: 3330-3845/3333-6857/3028.4261
Monday, July 12, 2010
BLUMENAU – CIDADE DO PECADO DA ARTE
Em dúvida se fazia um relato do meu último dia de Festival ou se comentava o espetáculo que assisti no sábado, resolvi fazer as duas coisas. Três, na verdade, porque incluo aqui o debate sobre a peça. Afinal, elas estão mesmo misturadas. Aliás, diria que meu comentário já está contaminado pelo que ouvi de Walter Lima Torres e André Carreira, analisadores dos espetáculos. Mas prometo que tentarei deixar claro quando a fala não for minha.
Sábado, fui assistir Ascensão e queda de Mahagonny. Quem me conhece sabe que não tinha nenhuma informação sobre o espetáculo ou a companhia. Era o que tinha para assistir, então, comprei o ingresso e me dei por satisfeita por conseguir um lugar bem na frente. Adoraria poder dizer que já conhecia o texto ou mesmo que sabia que era uma peça de Brecht. Mas se sabia, não lembrava o que, infelizmente, acaba sendo a mesma coisa. De qualquer forma, estou certa de que não havia visto nenhuma montagem antes. Fiquei surpresa ao ser informada que Irene Brietzke tinha colocado esta peça em cartaz nos anos 80, que Mirna Spritzer estava no elenco e que Humberto Vasconcellos havia falado dela em sua dissertação de mestrado. Mas isso tudo foi depois de eu ter assistido. Informações repassadas por meu colega de mestrado e de profissão, Newton Silva, seguidamente mais atento do que eu.
Eram muitos atores no palco. Homens e mulheres. Contavam a história de uma cidade onde tudo era permitido, desde que fosse pago. Os atores cantam e alguns, muito bem por sinal. Há uma série de propostas cênicas e soluções estéticas interessantes como a lista de produtos que cai do teto, bem como uma grande quantidade de objetos. Uma boa parafernália, eu diria. O figurino é bastante adequado aos seus personagens que obedecem ao que é chamado de personagem tipo e, fiquei sabendo (no debate), pelos elementos que Brecht costumava utilizar. Leia-se: suspensórios, chapéu coco e até um ringue em uma determinada cena.
Tinha uma movimentação intensa e a tal contracenação, que faltou no espetáculo anterior, acontecia. Era divertido também. Algumas coisas, realmente, engraçadas, outras surpreendentes. E a capacidade de ocupação do espaço cênico de forma dinâmica e constante realmente impressionava.
Chamou minha atenção também o equilíbrio dos atores em termos de atuação. Era um grupo coeso e bom. O que é bastante incomum em montagens com tantos personagens e com gente tão jovem. Acabei sendo informada que o que vi foi um trabalho elaborado por estudantes da Universidade de Campinas. Recém formados, seguem com a montagem. Sendo assim, as possíveis críticas que tenho, devem ser atenuadas, pois não é justo um nível de cobrança tão alto de pessoas que estão em processo, embora, a gente saiba que, para quem faz teatro, este jamais termina.
Bem, apesar de não ter me aprofundado em Brecht, trata-se de um nome que sempre aparece para quem tem a pretensão de entender um pouco de teatro. E daqueles que não é simples de compreender, principalmente, escolher um texto dele para uma das primeiras montagens, mas tinha em mente que ele fazia um teatro questionador, com destaque para aspectos sociais e econômicos, visando uma maior consciência dos espectadores. Usava para isso de ironia, de sarcasmo, além deste formato musicado. E eu senti falta disso. Por pouco não saio achando que Paul Ackermann, o lenhador do Alasca que chega a cidade, devia mesmo ir para a cadeira elétrica. Afinal, após ter contraído dívidas, não tinha dinheiro para pagá-las. Claro que dou uma certa exagerada, no entanto, o capitalismo é uma ideia tão forte, já tão incorporada que obscurece a percepção de que tal decisão foi tomada, na verdade, por uma justiça corrupta. Talvez fosse preciso um outro tempo de cena, algumas pausas... Algo que nos permita refletir rapidamente sobre o que está se passando até porque Mahagonny não é um lugar específico, geograficamente importante. Ele não é lugar algum e é todos os lugares.
Assim, embora eu tenha me divertido, embora tenha ficado impressionada com a atuação de todos e admirado soluções cênicas irreverentes como a da destruição das cidades pelo tufão) quando placas de isopor vão sendo “devoradas” por um ventilador que não alcança a placa de Mahagonny), pensava se o grupo tinha consciência desta escolha por um humor mais superficial do que, provavelmente, propunha a obra de Brecht. Fez eu me lembrar de uma história que Sergio Silva gostava de contar de uma atriz que, ao interpretar a Madame Blanche, em Um Bonde chamado desejo, em suas últimas falas cometera um equívoco que comprometia todo espetáculo. Na hora de dizer: “eu sempre dependi da bondade de estranhos”, o que tinha um tom patético que justificava a “patologia” da personagem, a atriz, optou por dizer isso com leveza. Uma frase, segundo Silva, bastou para arruinar o final. Neste caso, não foi para tanto e, talvez, seja importante dizer que o público reagiu bem ao espetáculo apresentado em Blumenau, no qual me incluo.
Dia seguinte: o debate
Fazia tempo que não participava deste tipo de atividade. Durante muitos anos, no Festival de Gramado, tive a oportunidade de estar presente tanto aos filmes quanto as discussões na manhã seguinte. Acredito até que minha “formação” estética e artística tenha sido influenciada por todas as coisas ditas naquelas manhãs de inverno por pessoas não só do Brasil como de outros países.
Feita uma rápida abertura, a palavra foi para o ator Artur Kon. Ele explicou que a montagem da peça havia sido feita em 2008, ainda na Universidade, que o diretor Marcelo Lazzarato, já havia montado Brecht e tinha proximidade com este autor. Disse que eles achavam que seria interessante tomar contato com este teatro, pois sabiam que era importante. Destacou a importância de uma semana intensiva que tiveram com Marcio Aurélio (?). “Foi um período que mudou nosso pensamento sobre teatro”. Trabalharam com três textos e acabaram decidindo por Mahagonny e por uma “encenação mais vertiginosa”. De qualquer forma, eles resolveram montar a Companhia de Teatro Acidental.
A palavra então foi para Walter Lima Torres, doutor em teatro pela Sorbonne, entre outras muitas funções. Walter começa a sua fala parabenizando a companhia, pela ousadia. Por se aglutinarem em torno de alguma coisa, pois, segundo ele isso é muito importante. (Recentemente, Edélcio Mostaço inseriu em meu texto a palavra aglutinador e eu sorri pensando que não era um termo do meu vocabulário. Pelo jeito, está na hora de passar a ser). Walter segue dizendo que o espetáculo tem uma forte comunicação com o público e começa a dar informações históricas sobre o texto e sobre o autor. “Foi apresentado pela primeira vez em 1927, inicialmente com seis canções. Durava meia hora. Depois, Brecht mexe com a estrutura da ópera, trazendo, antes de tudo, um teatro musical inovador com forte influência do teatro não aristotélico. Era a velha ópera, agora em teatro narrativo no qual o homem podia tomar consciência de que suas desgraças não são eternas, mas históricas.
Segundo ele, o espetáculo apresentado “tem uma grande qualidade que é a alegria, a vivacidade e o entusiasmo que supera as deficiências vocais. Cantar em um registro outro que não o tradicional”. Feitas estas colocações, ele observa que os atores, por estarem preocupados em fazer acontecer a encenação da obra, se esquecem da possibilidade de problematizá-la nas relações entre os personagens, explicitando as atitudes e as relações sociais. Ou seja, ela acaba de dizer o que eu comentei acima, no mínimo, de uma maneira muito mais educada e embasada teoricamente. Deixa estar...um dia, eu chego lá. Mas ele não para por aí. Comenta que a atuação dos papéis se dá em um único plano e segue para um registro que nos é mais conhecido e familiar que é o tipo e que não explora as contradições possíveis destes mesmos papéis. E não satisfeito, ele exemplifica. “Neste sentido o tufão e a lua vão ao encontro de certa precariedade que poderia ser mais enfatizada, buscando um referencial mais brasileiro como Serra pelada. Ele explica que eles poderiam contemporaneizar, ao invés de tentar seguir a concepção original. Algo que pudesse estimular uma crítica mais ácida, induzindo além de Mahagonny. Walter indica a busca de arquivos no Google sobre Emir Kusturica (Não fazia a menor ideia de quem era. A menina do meu lado até corrigiu o jeito que eu escrevi este nome).
É a vez de André Carreira, doutor em teatro e professor da UDESC, falar do espetáculo. Começa dizendo que é bom poder “contemplar o aprendizado no exercício da montagem”, que o desempenho é bastante desenvolto, que há empatia com o público, mas que a escolha pelos personagens tipo é uma qualidade do espetáculo ao mesmo tempo que deve ser repensada. Segundo ele, as obras de Brecht sempre nos impulsiona para outro lugar que não é a montagem, mas que seria interessante saber qual o plano de conexão entre a atuação e o contemporâneo. Diz que há uma série de pecados que não estão contemplados na encenação. Fala que a história do garimpo, sugerida pelo Walter, é tão ou mais violenta que a febre do ouro. E pergunta: De que pecados falamos hoje? Salienta que o uso de elementos no espetáculo se preocupa com o sentido histórico de Brecht e que o uso da música dos anos 60 faz um cruzamento de tempo, mas não nos põe com o pé no hoje. Porém, comenta que todos nós temos a nossa versão do espetáculo, que ele não está ali para dizer a sua. Suas colocações me parecem extremamente pertinentes e ditas de uma maneira bastante tranquila.
Talvez, por isso, o porta-voz do grupo, Artur Kon, diz que não pretende se justificar, que é muita coisa para absorver. Assim, se a falta de maturidade pode ter atrapalhado em algo a concepção do espetáculo, ela aparece em um momento bastante delicado para qualquer artista: o da crítica ao qual, porém, Artur reage de forma muito educada e inteligente. Ele apenas acrescenta algumas informações dizendo que o cenário, o figurino, a ideia de usar a música dos Beatles surgiram deles e que acreditavam que utilizar o personagem tipo traria maior flexibilidade. Além disso, ele fala que esperavam que o espectador trouxesse suas próprias referências contemporâneas. Faz sentido. Ao invés deles ficarem tentando especificar situações do hoje, colocam na mão da plateia esta tarefa. No caso do Walter parece que funcionou.
A partir disso, surgem os comentários dos demais participantes do debate. Inclusive o meu. Falo sobre o trabalho do Humberto e da montagem de Irene, na verdade, para entrar em acordo com o que já foi dito pelos outros dois professores, ou seja: falta aprofundar o caráter provocador do espetáculo. Ao falar, porém, tomo cuidado para não desmotivar um grupo tão “guerreiro”, pois, sem dúvida seria uma pena. As outras pessoas que falam (e que não saberia identificar) falam que a forma escolhida para mostrar a exploração feminina causou incômodo, dizem que é preciso se perguntar “o que fica? Como se transforma?”. Narciso Telles, doutor em teatro mineiro, elogia o espetáculo e acredita que seria produtivo auto questionamento enquanto sujeito/artistas e que pode ser bom abrir mão do material técnico do Brecht.
Quando os representantes do grupo retomam a palavra é para dizer que eles estão em um processo de amadurecimento e que os apontamentos feitos vão ser interessantes. Eles tiveram que reorganizar o espetáculo, pois, no período de universidade eram muito mais atores no palco do que é hoje. São feitas afirmações divertidas sobre as movimentações cênicas: “Temos que ensaiar bem, pois se não a gente tromba”. E há algo que é dito que parece muito significativo do momento: “Até então, era um trabalho universitário. Agora é uma proposta artística”. Lembrei de um diretor, meu amigo, que dizia que tinha que pensar qual era o teatro que ele queria fazer.
Carreira retoma a palavra para dizer que é preciso se aproximar destes autores clássicos como Shakespeare, Beckett, Nelson Rodrigues, distanciando-se do mito. Este deve ser assassinado. Considera que só há sentido em montar um clássico se este for atualizado. Confesso que eu tenho um certo medo quando isto é dito, pois, em geral, isso significa colocar roupas contemporâneas, rock como trilha sonora. O que, imagino, não seja o que Carreira está tentando dizer.
As respostas do grupo são bem bacanas. Eles comentam que ainda estão discutindo o que querem dizer em cena, que a cada apresentação mais coisas aparecem, que muita coisa a gente não tem ideia de como responder, pois é mais uma provocação, que eles estão querendo se constituir como companhia de teatro. Um dos atores comenta: O teatro se faz a cada momento, a cada dia. O que eu tenho e coloco. É preciso tirar o peso, o medo e ir para a cena. A cada dia se faz e uma descoberta do que fez. Às vezes, eu não sei onde eu vou.
Gostaria de ter ficado mais no Festival. Pois, a medida que o tempo passa, a gente vai fazendo contatos, as caras vão ficando conhecidas, mas tive que vir embora, não por falta de disponibilidade, mas porque, como em Mahagonny só pode ficar quem paga!
No mais ficou um sentimento que até já foi transformado em música, então, reproduzo aqui:
Só uma coisa me entristece
O beijo de amor que não roubei
A jura secreta que não fiz
A briga de amor que eu não causei
O beijo de amor que não roubei
A jura secreta que não fiz
A briga de amor que eu não causei
Nada do que posso me alucina
Tanto quanto o que não fizNada do que eu quero me suprime
Do que por não saber ainda não quis
Tanto quanto o que não fizNada do que eu quero me suprime
Do que por não saber ainda não quis
Só uma palavra me devora
Aquela que meu coração não diz
Só o que me cega, o que me faz infeliz
É o brilho do olhar que eu não sofri
Aquela que meu coração não diz
Só o que me cega, o que me faz infeliz
É o brilho do olhar que eu não sofri
Sunday, July 11, 2010
FOLHAS DE CEDRO - “nois fomo e num encontremo ninguem”.
Primeiro devo dizer que entrar em um teatro desconhecido é sempre interessante. Desde a hora da compra do ingresso em que não sabemos se vamos ter uma boa visão ou não, até descobrir onde está a nossa cadeira. Fui parar no que seria a Galeria central do Teatro São Pedro. Eva Sopher não gostaria da comparação porque o teatro Carlos Gomes é infinitamente mais simples, mas tem cadeiras neste espaço. Iguais as que tem na plateia.
Depois, teve uns discursos. De gente que também não conheço. Nem mesmo Pita Belli, a organizadora do Festival Internacional de teatro de Blumenau. De qualquer forma, foi interessante ver a receptividade da plateia as palavras dela e sua emoção. Para variar, sobravam espaços em posições bem melhores do que a minha, mas se nem em Porto Alegre me animo a tentar mudar, imagina em uma cidade estranha...
Vamos aos comentários do espetáculo, que tentarei transformar em crítica, argumentando, mas não garanto nada que vou conseguir, pois, realmente, não tenho esta prática. Até porque, como meus amigos sabem, costumo só escrever sobre espetáculos de que gosto, o que, já antecipo, não foi o caso.
Primeiro, se considerarmos que teatro possa ser a arte de contar histórias (embora, certamente, não se limite a isso), As Folhas de Cedro da Companhia Teatral Arnesto nos Convidou não tem nenhuma novidade, mesmo se tratando de uma história inspirada em imigrantes libaneses. Havia um cuidado com o figurino. Havia um código quanto a área de atuação definida por um círculo feito com giz no palco. Algo que me pareceu uma boa proposta, mas que não é a primeira vez que aparece. A ideia de usar a narrativa na figura da protagonista para situar os fatos que se misturavam entre o passado, o presente e o futuro parecia um recurso muito antiquado e formal.
E agora vem o mais grave. Não havia contracenação. Eles cometiam um erro primário de atuação. Cada um dava a sua fala, na sua vez. Correta. Na maioria das vezes, bem pronunciada, mas não havia energia entre eles. Não havia aquele estado de disponibilidade permanente que temos que ter quando estamos no palco com outros atores. Não havia generosidade, cumplicidade, troca. Era um espetáculo frio, sem ritmo. Mesmo nos momentos mais contundentes. A voz do ator ou da atriz subia. As palavras eram ditas com mais ênfase, mas não passava disso. Pensava em atores como Paulo José que conseguem demonstrar a intensidade de um sentimento com um mínimo de gestos e movimentos. Em Ralph Phiennes se quisermos fazer um gancho com a internacionalidade do festival. Claro que estou falando de mestres, mas apenas para deixar claro o que faltou naquele palco.
O que resultou foi a monotonia e um vazio. E nestas horas sempre penso que há uma falha na direção. Afinal, não havia ninguém para dizer que aquela forma não estava funcionando? E, vejam bem, estou sempre aberta a possibilidade de que as propostas sejam, realmente, estas. Ou seja, provocar estranheza, sair de atuações realistas, mergulhadas na emoção. Porém, ali não havia nem isso, nem aquilo. Surgia de vez em quando de forma muito sutil uma golfada de ar quando a atriz menina “aparecia” em cena. Ela era a única que mantinha a autenticidade de seus gestos, mas posso imaginar que isso não tivesse nada a ver com sua competência profissional.
Sem nada de atraente na luz, sem trilha sonora, sem aparatos cênicos. Sem. Cheguei a pensar que fosse a distância do palco que pudesse me prejudicar, que se tivesse na primeira fila teria visto melhor as feições dos atores e isso teria me causado outra impressão. Ontem, porém, estava na terceira fila. A senhora do meu lado quis comentar o espetáculo da noite anterior com um conhecido. A introdução dele para a sua opinião foi: “é para falar a verdade ou para ser legal?”. Então, me aproveito de estar em uma cidade que não conheço, de pensar que não vou voltar a ver estas pessoas para dizer o que penso. Imagino que se morasse em Blumenau iria preferir não fazê-lo, considerando, porém, uma pena que as pessoas ainda reajam desta maneira a crítica, comentário, opinião...Claro que ignoro aqui o fato de que no mundo virtual este texto pode chegar até o próprio diretor Samir Yazbeck e ele acabar “com uma baita de uma reeiva”.
Depois, teve uns discursos. De gente que também não conheço. Nem mesmo Pita Belli, a organizadora do Festival Internacional de teatro de Blumenau. De qualquer forma, foi interessante ver a receptividade da plateia as palavras dela e sua emoção. Para variar, sobravam espaços em posições bem melhores do que a minha, mas se nem em Porto Alegre me animo a tentar mudar, imagina em uma cidade estranha...
Vamos aos comentários do espetáculo, que tentarei transformar em crítica, argumentando, mas não garanto nada que vou conseguir, pois, realmente, não tenho esta prática. Até porque, como meus amigos sabem, costumo só escrever sobre espetáculos de que gosto, o que, já antecipo, não foi o caso.
Primeiro, se considerarmos que teatro possa ser a arte de contar histórias (embora, certamente, não se limite a isso), As Folhas de Cedro da Companhia Teatral Arnesto nos Convidou não tem nenhuma novidade, mesmo se tratando de uma história inspirada em imigrantes libaneses. Havia um cuidado com o figurino. Havia um código quanto a área de atuação definida por um círculo feito com giz no palco. Algo que me pareceu uma boa proposta, mas que não é a primeira vez que aparece. A ideia de usar a narrativa na figura da protagonista para situar os fatos que se misturavam entre o passado, o presente e o futuro parecia um recurso muito antiquado e formal.
E agora vem o mais grave. Não havia contracenação. Eles cometiam um erro primário de atuação. Cada um dava a sua fala, na sua vez. Correta. Na maioria das vezes, bem pronunciada, mas não havia energia entre eles. Não havia aquele estado de disponibilidade permanente que temos que ter quando estamos no palco com outros atores. Não havia generosidade, cumplicidade, troca. Era um espetáculo frio, sem ritmo. Mesmo nos momentos mais contundentes. A voz do ator ou da atriz subia. As palavras eram ditas com mais ênfase, mas não passava disso. Pensava em atores como Paulo José que conseguem demonstrar a intensidade de um sentimento com um mínimo de gestos e movimentos. Em Ralph Phiennes se quisermos fazer um gancho com a internacionalidade do festival. Claro que estou falando de mestres, mas apenas para deixar claro o que faltou naquele palco.
O que resultou foi a monotonia e um vazio. E nestas horas sempre penso que há uma falha na direção. Afinal, não havia ninguém para dizer que aquela forma não estava funcionando? E, vejam bem, estou sempre aberta a possibilidade de que as propostas sejam, realmente, estas. Ou seja, provocar estranheza, sair de atuações realistas, mergulhadas na emoção. Porém, ali não havia nem isso, nem aquilo. Surgia de vez em quando de forma muito sutil uma golfada de ar quando a atriz menina “aparecia” em cena. Ela era a única que mantinha a autenticidade de seus gestos, mas posso imaginar que isso não tivesse nada a ver com sua competência profissional.
Sem nada de atraente na luz, sem trilha sonora, sem aparatos cênicos. Sem. Cheguei a pensar que fosse a distância do palco que pudesse me prejudicar, que se tivesse na primeira fila teria visto melhor as feições dos atores e isso teria me causado outra impressão. Ontem, porém, estava na terceira fila. A senhora do meu lado quis comentar o espetáculo da noite anterior com um conhecido. A introdução dele para a sua opinião foi: “é para falar a verdade ou para ser legal?”. Então, me aproveito de estar em uma cidade que não conheço, de pensar que não vou voltar a ver estas pessoas para dizer o que penso. Imagino que se morasse em Blumenau iria preferir não fazê-lo, considerando, porém, uma pena que as pessoas ainda reajam desta maneira a crítica, comentário, opinião...Claro que ignoro aqui o fato de que no mundo virtual este texto pode chegar até o próprio diretor Samir Yazbeck e ele acabar “com uma baita de uma reeiva”.
Jornada de Teatro de Blumenau - Razão e sensibilidade
Dia da minha apresentação. Levemente agitada, como era de se esperar, mas bastante desperta para quem tomou uma garrafa de vinho sozinha na noite anterior. Já tenho um truque infalível para que tudo dê certo. É só lembrar de respirar. Simples assim?, dirão alguns. Não é que basta? Quando a começo a me agitar e as ideias ficam confusas, paro, respiro e pronto. Tudo se acalma. Claro que isso não chega a permitir que eu possa ficar tomando café e comendo tudo que quero. Certamente, não me fará bem. Assim, ganho tempo e não, peso. Para a minha frustração, minha sala tinha seis pessoas e quatro iriam apresentar. Sendo que apenas uma, realmente, estranha. Tenho esperanças que outras pessoas cheguem mais tarde e, assim, me agrada quando alguém se candidata a ser a primeira. Era uma doutoranda que já tinha me dito antes que não tinha tempo de se preparar. Começa a sua fala dizendo que não sabe ainda o que vai dizer, que não tem nada, realmente, escrito, etc. Isso já tinha acontecido no dia anterior e tinha me deixado muito desgostosa, para dizer o mínimo. Acho um desrespeito. Não exijo que a pessoa tenha a pesquisa completa, que faça uma apresentação brilhante, genial, mas que fale de forma coerente sobre sua ideia. Afinal, são apenas 15 minutos de apresentação. Ainda bem que ela recua e de uma maneira até um pouco curiosa diz: “Não. Espera. Vou começar de novo”. Faz, como nós jornalistas, quando gravamos alguma abertura para uma reportagem (o que a gente chama de “cabeça”). Aí sim, começa a falar corretamente do seu projeto de uma forma bem interessante, inclusive.
Bem, não vou falar de todos, nem entrar no mérito da boa apresentação de um colega de pós que também estava nesta mesa e que, depois de dois anos de mestrado, ainda me impressiona pela riqueza de seu vocabulário. Não pelas palavras rebuscadas, mas pela fluência em sua comunicação. Ele diz que, às vezes, não sabe o que vai dizer, mas eu sou testemunha de que quando diz, o faz muito bem. De mim, direi que o que me agrada é que percebo que estou ficando mais segura, sabendo o que estou dizendo e também encontrando as palavras adequadas para a hora certa. Não sei se sobrevivo a uma batalha de fogo. Ao enfrentamento com pessoas que discordem das minhas ideias. Mas, por enquanto, o que sinto é este meu crescimento que já me deixa satisfeita e que vai deixando no passado aquele pensamento sobre o porquê fazer tudo isso. Por que? Porque é bom se desafiar, principalmente, quando superamos obstáculos que, até então, pareciam intransponíveis. Feito isso, nos sentimos melhores, mais inteiros. É quando o querer ser, se transforma em, agora eu sou. Uma colega me diz (querendo me elogiar) que minha segurança chega a irritá-la. Se ela soubesse como foi longo o caminho para chegar até ali...
Livre do compromisso, sobrou tempo para o descanso. Uma tentativa de recuperação da viagem. Éramos três no quarto, cada uma com o seu note, conectadas com o mundo lá fora e sentindo prazer com isso. O hábito é tanto que brincávamos dizendo que iríamos entrar no msn para falar uma com a outra. Depois, começamos a nos separar. Um grupo voltou para ver o final do evento, outro foi dar uma volta em Blumenau, pois era a única chance de saber um pouco mais sobre a cidade. Quem voltou não se arrependeu. As apresentações finais com convidados brasileiros foram bem mais interessantes do que dos estrangeiros e nada a ver com o fato de eu ter mais facilidade com a minha própria língua. Acontece que se uma pessoa vai falar em público, ela não pode ficar olhando para o chão ou falar baixo ou sem ânimo. Caso contrário, por mais brilhante que seja o que ela está dizendo vai botar todo mundo para dormir, ainda mais que em um evento como este a maratona é grande.
Não vou entrar no mérito dos conteúdos apresentados, pois este relato ficaria muito longo. Mas o que me dei conta é que foi importante saber que existiam, mesmo aqueles que a gente pensava não estar entendendo ou ouvindo direito, que nos distraia e coisa e tal. Existem muitas boas ideias vinculadas ao teatro Brasil a fora. É mais uma chance de sabermos que não estamos sozinhos.
Encerrada a jornada, fiquei só eu em Blumenau para assistir ao espetáculo da noite que vou comentar em texto separado, pois pretendo tentar argumentar minha opinião para não ficar só no “achismo”. De qualquer forma, foi muito bom estar presente. A organizadora do evento Pita Belli foi muito aplaudida e ao tentar agradecer, engasgou com a emoção e não conseguia falar. Pensei: o que será que a gente tem que fazer para que isso não aconteça? Mas, cá entre nós, porque não deixar acontecer? É tão verdadeiro que mesmo eu que não a conheço, passei a admirá-la. Fiquei um pouco na festa depois, mas sem meus colegas e com uma banda tocando altíssimo, não havia como fazer nenhuma tentativa de aproximação com quem quer que fosse. Assim, comi algumas coisas, tomei duas doses de whisky e vim para o hotel. Incomodada? Nem um pouco. É sempre um privilégio poder estar onde se quer, na hora que se desejou.
EXTRAS
Momento artístico
Tivemos a fantástica oportunidade de esbarrar no cantor “José Claudio” (vulgo mestrando do PPGAC) que faz suas performances em quartos de hotel e estava aqui no Plaza Blumenau. Suas rimas são tão “sofisticadas” que nem os mestres em artes cênicas presentes foram capazes de explicar mais profundamente como surgiram. Exemplo: Eu me criei na roça e sempre andei de carroça...” Porém, não é possível imaginar com perfeição o efeito desta frase sem o sotaque e o timbre fanho do cantor que se apresentou acompanhado de suas duas belas dançarinas. Chacrinha teria inveja e desejaria contratá-las imediatamente.
De qualquer forma, desconfio que ele já tenha sido plagiado, pois encontrei em uma praça da cidade, versos dignos deste cantor como: Blumenau na antiga manhã com sua tranquilidade aldeã, suas tranças, seu amado talismã. Com seus francos olhos claros, cabelos cor de avelã.
As frases:
- Para mudar de assunto, para dar a entender que você tem algo a dizer que não é apropriado para o momento, etc, basta falar: “Você sabe se tem um Banco do Brasil por aqui?”
- Descobrimos, por uma experiência aqui em Blumenau, a frase mais que perfeita para encerrar qualquer assunto, após uma conversa animada do motorista de táxi com nosso grupo, ele pergunta: e o que vocês vieram fazer na cidade? A resposta sobre uma jornada de teatro, o deixou em profundo silêncio até o final da corrida. Acreditamos que funcione em diversas outras ocasiões e públicos.
A cidade
Primeiro devo dizer que não importa o tamanho da cidade, se você não a conhece terá grandes chances de se perder, até mesmo as escadas rolantes do shopping podem ser uma aventura. Pelo menos, enquanto não der uma boa caminhada e começar a estabelecer pontos de referência. Não vi pobreza pela rua, nem pedintes. Mas, como dizem meus amigos, podem ter sido todos afogados no rio que cruza a cidade.
Segundo, a influência alemã na arquitetura é algo gritante. Tem horas que parece até uma cidade cinematográfica. Além disso, as confeitarias mostram que a culinária daquele país teve sua interferência. Quem já comeu um legítimo apple strudell sabe do que eu estou falando.
Quanto ao trânsito parece bastante organizado. Ruas largas. Mas os motoristas correm muito, inclusive os de táxi. E pasmem: em frente de um grande shopping que, impressionou mesmo a mim que moro ao lado do Barra sul, nenhuma sinaleira.
Os morros verdes encantam. Deixam a cidade mais bonita. Alguns pontos turísticos também. A praça da paz tem um monumento lindo. No entanto, o relógio das flores, valorizado por ser um dos poucos do país, decepciona. Tem mais flores até no jardim da minha casa. A Fundação cultural de Blumenau clama por uma pintura. O prédio até que é bonito.
Se eu soubesse que teria roupas tão diferentes e preços menores que Porto Alegre teria deixado para comprar algumas coisas aqui. Uma fantástica bota vermelha por R$ 70,00, por exemplo. Mas tenho que me contentar com o fato de já ter conseguido ficar mais um pouco.
Bem, não vou falar de todos, nem entrar no mérito da boa apresentação de um colega de pós que também estava nesta mesa e que, depois de dois anos de mestrado, ainda me impressiona pela riqueza de seu vocabulário. Não pelas palavras rebuscadas, mas pela fluência em sua comunicação. Ele diz que, às vezes, não sabe o que vai dizer, mas eu sou testemunha de que quando diz, o faz muito bem. De mim, direi que o que me agrada é que percebo que estou ficando mais segura, sabendo o que estou dizendo e também encontrando as palavras adequadas para a hora certa. Não sei se sobrevivo a uma batalha de fogo. Ao enfrentamento com pessoas que discordem das minhas ideias. Mas, por enquanto, o que sinto é este meu crescimento que já me deixa satisfeita e que vai deixando no passado aquele pensamento sobre o porquê fazer tudo isso. Por que? Porque é bom se desafiar, principalmente, quando superamos obstáculos que, até então, pareciam intransponíveis. Feito isso, nos sentimos melhores, mais inteiros. É quando o querer ser, se transforma em, agora eu sou. Uma colega me diz (querendo me elogiar) que minha segurança chega a irritá-la. Se ela soubesse como foi longo o caminho para chegar até ali...
Livre do compromisso, sobrou tempo para o descanso. Uma tentativa de recuperação da viagem. Éramos três no quarto, cada uma com o seu note, conectadas com o mundo lá fora e sentindo prazer com isso. O hábito é tanto que brincávamos dizendo que iríamos entrar no msn para falar uma com a outra. Depois, começamos a nos separar. Um grupo voltou para ver o final do evento, outro foi dar uma volta em Blumenau, pois era a única chance de saber um pouco mais sobre a cidade. Quem voltou não se arrependeu. As apresentações finais com convidados brasileiros foram bem mais interessantes do que dos estrangeiros e nada a ver com o fato de eu ter mais facilidade com a minha própria língua. Acontece que se uma pessoa vai falar em público, ela não pode ficar olhando para o chão ou falar baixo ou sem ânimo. Caso contrário, por mais brilhante que seja o que ela está dizendo vai botar todo mundo para dormir, ainda mais que em um evento como este a maratona é grande.
Não vou entrar no mérito dos conteúdos apresentados, pois este relato ficaria muito longo. Mas o que me dei conta é que foi importante saber que existiam, mesmo aqueles que a gente pensava não estar entendendo ou ouvindo direito, que nos distraia e coisa e tal. Existem muitas boas ideias vinculadas ao teatro Brasil a fora. É mais uma chance de sabermos que não estamos sozinhos.
Encerrada a jornada, fiquei só eu em Blumenau para assistir ao espetáculo da noite que vou comentar em texto separado, pois pretendo tentar argumentar minha opinião para não ficar só no “achismo”. De qualquer forma, foi muito bom estar presente. A organizadora do evento Pita Belli foi muito aplaudida e ao tentar agradecer, engasgou com a emoção e não conseguia falar. Pensei: o que será que a gente tem que fazer para que isso não aconteça? Mas, cá entre nós, porque não deixar acontecer? É tão verdadeiro que mesmo eu que não a conheço, passei a admirá-la. Fiquei um pouco na festa depois, mas sem meus colegas e com uma banda tocando altíssimo, não havia como fazer nenhuma tentativa de aproximação com quem quer que fosse. Assim, comi algumas coisas, tomei duas doses de whisky e vim para o hotel. Incomodada? Nem um pouco. É sempre um privilégio poder estar onde se quer, na hora que se desejou.
EXTRAS
Momento artístico
Tivemos a fantástica oportunidade de esbarrar no cantor “José Claudio” (vulgo mestrando do PPGAC) que faz suas performances em quartos de hotel e estava aqui no Plaza Blumenau. Suas rimas são tão “sofisticadas” que nem os mestres em artes cênicas presentes foram capazes de explicar mais profundamente como surgiram. Exemplo: Eu me criei na roça e sempre andei de carroça...” Porém, não é possível imaginar com perfeição o efeito desta frase sem o sotaque e o timbre fanho do cantor que se apresentou acompanhado de suas duas belas dançarinas. Chacrinha teria inveja e desejaria contratá-las imediatamente.
De qualquer forma, desconfio que ele já tenha sido plagiado, pois encontrei em uma praça da cidade, versos dignos deste cantor como: Blumenau na antiga manhã com sua tranquilidade aldeã, suas tranças, seu amado talismã. Com seus francos olhos claros, cabelos cor de avelã.
As frases:
- Para mudar de assunto, para dar a entender que você tem algo a dizer que não é apropriado para o momento, etc, basta falar: “Você sabe se tem um Banco do Brasil por aqui?”
- Descobrimos, por uma experiência aqui em Blumenau, a frase mais que perfeita para encerrar qualquer assunto, após uma conversa animada do motorista de táxi com nosso grupo, ele pergunta: e o que vocês vieram fazer na cidade? A resposta sobre uma jornada de teatro, o deixou em profundo silêncio até o final da corrida. Acreditamos que funcione em diversas outras ocasiões e públicos.
A cidade
Primeiro devo dizer que não importa o tamanho da cidade, se você não a conhece terá grandes chances de se perder, até mesmo as escadas rolantes do shopping podem ser uma aventura. Pelo menos, enquanto não der uma boa caminhada e começar a estabelecer pontos de referência. Não vi pobreza pela rua, nem pedintes. Mas, como dizem meus amigos, podem ter sido todos afogados no rio que cruza a cidade.
Segundo, a influência alemã na arquitetura é algo gritante. Tem horas que parece até uma cidade cinematográfica. Além disso, as confeitarias mostram que a culinária daquele país teve sua interferência. Quem já comeu um legítimo apple strudell sabe do que eu estou falando.
Quanto ao trânsito parece bastante organizado. Ruas largas. Mas os motoristas correm muito, inclusive os de táxi. E pasmem: em frente de um grande shopping que, impressionou mesmo a mim que moro ao lado do Barra sul, nenhuma sinaleira.
Os morros verdes encantam. Deixam a cidade mais bonita. Alguns pontos turísticos também. A praça da paz tem um monumento lindo. No entanto, o relógio das flores, valorizado por ser um dos poucos do país, decepciona. Tem mais flores até no jardim da minha casa. A Fundação cultural de Blumenau clama por uma pintura. O prédio até que é bonito.
Se eu soubesse que teria roupas tão diferentes e preços menores que Porto Alegre teria deixado para comprar algumas coisas aqui. Uma fantástica bota vermelha por R$ 70,00, por exemplo. Mas tenho que me contentar com o fato de já ter conseguido ficar mais um pouco.
Saturday, July 10, 2010
Uma jornada noite à dentro – Blumenau
Não há como falar de um evento, sem comentar tudo que envolve participarmos dele. A viagem, as companhias, a cidade, os almoços e jantares. Até mesmo o hotel e o café da manhã. Devo dizer que vir de Porto Alegre à Blumenau de ônibus não foi tão fácil quando eu imaginara. A estrada continua muito ruim, o motorista corria horrores e nós, sem querer, é claro, escolhemos os lugares em cima das rodas. Ou seja, sacolejamos toda a noite. A gente bem que tentou dormir e, em alguns momentos, o cansaço até ajudou, mas não rendeu um bom descanso. Longe disso. Assim, chegamos aqui todos meio quebrados. Eu, agradecendo por não ter que fazer minha comunicação logo de cara, como alguns colegas. Mas um banho depois, roupas limpas, um excelente café da manhã (regado a muitas risadas devido a temas nada acadêmicos), já estava disposta a assistir aos outros. É sempre bom estar reunido com pessoas com as quais temos algo em comum, ainda mais quando é o teatro. Melhor ainda quando começamos a encontrar outras caras conhecidas, além de nós mesmos. Eu, que até o ano passado nunca tinha me apresentado academicamente, agora, já começo a me sentir em casa. Além do mais, acabei vendo a apresentação de uma diretora de uma Universidade Argentina que falava justamente sobre crítica teatral e chegava na virtualidade. Porém, não obtendo os mesmos resultados que eu. Assim, eu estava interessada em contatá-la e ela, em receber informações sobre a minha pesquisa. Estava estabelecido o meu primeiro contato internacional. Bem, não estou considerando aqui os emails trocados com Pierre Lévy que, apesar de aberto aos meus questionamentos, acabou não dando resultados efetivos, justamente porque perdi as oportunidades de encontrá-lo nos eventos de Porto Alegre e Passo Fundo.
Bem, mas resumindo, o dia foi muito produtivo e a noite, bem, a noite fica mais difícil de explicar. Andávamos pelas ruas a procura de um lugar para jantar e depois de algumas escolhas e desistências, acabamos no bar típico da cidade, onde encontramos vários outros participantes do evento. Alunos, mestres, quase mestres, doutores, palestrantes nacionais e estrangeiros, todos em uma grande mesa. Depois de uma longa espera (pelo menos a fome me fez perceber assim) pizza e vinho foram uma excelente pedida. Porém, a parte que não é simples de colocar em palavras é a volta ao hotel. Vai ser preciso uma boa dose de imaginação. Junte várias pessoas do teatro, vindas de áreas diferentes, experiências de vida diversas e com habilidades múltiplas, e dará para ter uma pequena ideia do grupo, andando pelas ruas, inventando performances, orquestra de narizes (?) e outras mais. A expressão chorar de tanto rir para mim, na companhia destas pessoas, tem sido um fato cotidiano. Uma boa prévia para o sono, quase desmaio, da primeira noite na Jornada Latino-americana de estudos teatrais em Blumenau.
Bem, mas resumindo, o dia foi muito produtivo e a noite, bem, a noite fica mais difícil de explicar. Andávamos pelas ruas a procura de um lugar para jantar e depois de algumas escolhas e desistências, acabamos no bar típico da cidade, onde encontramos vários outros participantes do evento. Alunos, mestres, quase mestres, doutores, palestrantes nacionais e estrangeiros, todos em uma grande mesa. Depois de uma longa espera (pelo menos a fome me fez perceber assim) pizza e vinho foram uma excelente pedida. Porém, a parte que não é simples de colocar em palavras é a volta ao hotel. Vai ser preciso uma boa dose de imaginação. Junte várias pessoas do teatro, vindas de áreas diferentes, experiências de vida diversas e com habilidades múltiplas, e dará para ter uma pequena ideia do grupo, andando pelas ruas, inventando performances, orquestra de narizes (?) e outras mais. A expressão chorar de tanto rir para mim, na companhia destas pessoas, tem sido um fato cotidiano. Uma boa prévia para o sono, quase desmaio, da primeira noite na Jornada Latino-americana de estudos teatrais em Blumenau.
Friday, July 02, 2010
Entre o teatro e o futebol
Há alguns dias venho pensando que não poderia ficar mais alguns dias em Blumenau, onde vou para participar da III Jornada de Estudos Teatrais, pois queria estar em Porto Alegre para o jogo do Brasil. Tudo bem... Santa Catarina também é o Brasil, mas eu queria estar próxima dos amigos. Para festejar, realmente, preciso compartilhar minha alegria.
Ontem, falava com um amigo meu já apostando que passaríamos por este jogo. Fiquei assim. Mal acostumada. Nascida em 62, guardei a memória das Copas que vencemos, até mesmo a de 70, ainda está firme em minha memória (e olha que são poucas coisas que permanecem por lá).
O jogo começa. Estou sozinha assistindo. Começo a vibrar, me empolgar, fico tensa e penso: que bom que ainda sinto tudo isso pelo futebol. Porque, afinal, a gente precisa de algumas coisas que sejam assim pouco racionais, mais por instinto, por prazer. No meio do campo, a situação não era fácil. Um início nervoso fazia eles cometerem muitas faltas. Ambos os times.
Não demorou muito para que o Galvão começasse a falar que aquilo era “teatro”. Enquanto isso eu divagava...No teatro também os atores e diretores muitas vezes tentam algo que não funciona, que parece que vai ser muito interessante e não dá em nada. No entanto, acho que existe uma coisa pior que é apresentar o espetáculo para pouca plateia.
Nas minhas poucas experiências, isso não chegava a acontecer porque trazíamos amigos e parentes para ver as nossas peças e acabávamos com um público bem razoável. Mas nunca entrei em temporada. Espetáculo quando “compete” com um dia de chuva ou frio intenso ou até mesmo um jogo de futebol, em geral, perde. No futebol, eu que moro perto do Internacional, vejo que o mesmo não ocorre. Diminui, é claro. Porém, resta ainda uma bela multidão. Em Copa do Mundo,então...
Só que não havia exatamente jogadas. A bola andava e parava. Falta, trancaço, tombos, só faltaram beliscões. Aos poucos, foi dando uma melhorada e, de repente, lá estava o nosso gol. Alívio. Entretanto, ainda havia muito de jogo e não estava uma partida nada fácil e assim foi até o final do primeiro tempo.
Como além de gostar de futebol, também sou responsável pela cozinha, não vi o gol da Holanda. Muito menos me dei conta que havia sido contra. Se soubesse, já teria ficado sem esperanças. Antes mesmo do lance ridículo do Felipe Melo de pisar na perna do adversário e acabar sendo expulso. Creio até que este sentimento atravessou o oceano e chegou a África, pois o time ficou apático. Estava empatado, com apenas um golzinho e parecia que perdia de goleada nos últimos instantes do segundo tempo.
Claro que como boa brasileira, acostumada com o inusitado no café da manhã, achei que ainda haveria alguma jogada genial que nos levaria para a prorrogação e de lá para uma vitória. É, mas aquele tempo em que boas chances caiam do céu nas pernas do zagueiro do Brasil ficou no passado. Então, perdemos de um jeito feio. Nem a atuação incrível do Robinho conseguiu salvar o espetáculo. Por isso, assim que passar este sentimento de frustração, sou capaz de torcer para a Holanda, pois só me resta agora ter perdido para o campeão da Copa do Mundo de 2010 e, é claro, esperar a de 2014. Enquanto isso, vou para Blumenau ver um pouco do teatro em que não se pode ser expulso e nem se pisa no adversário.
Ontem, falava com um amigo meu já apostando que passaríamos por este jogo. Fiquei assim. Mal acostumada. Nascida em 62, guardei a memória das Copas que vencemos, até mesmo a de 70, ainda está firme em minha memória (e olha que são poucas coisas que permanecem por lá).
O jogo começa. Estou sozinha assistindo. Começo a vibrar, me empolgar, fico tensa e penso: que bom que ainda sinto tudo isso pelo futebol. Porque, afinal, a gente precisa de algumas coisas que sejam assim pouco racionais, mais por instinto, por prazer. No meio do campo, a situação não era fácil. Um início nervoso fazia eles cometerem muitas faltas. Ambos os times.
Não demorou muito para que o Galvão começasse a falar que aquilo era “teatro”. Enquanto isso eu divagava...No teatro também os atores e diretores muitas vezes tentam algo que não funciona, que parece que vai ser muito interessante e não dá em nada. No entanto, acho que existe uma coisa pior que é apresentar o espetáculo para pouca plateia.
Nas minhas poucas experiências, isso não chegava a acontecer porque trazíamos amigos e parentes para ver as nossas peças e acabávamos com um público bem razoável. Mas nunca entrei em temporada. Espetáculo quando “compete” com um dia de chuva ou frio intenso ou até mesmo um jogo de futebol, em geral, perde. No futebol, eu que moro perto do Internacional, vejo que o mesmo não ocorre. Diminui, é claro. Porém, resta ainda uma bela multidão. Em Copa do Mundo,então...
Só que não havia exatamente jogadas. A bola andava e parava. Falta, trancaço, tombos, só faltaram beliscões. Aos poucos, foi dando uma melhorada e, de repente, lá estava o nosso gol. Alívio. Entretanto, ainda havia muito de jogo e não estava uma partida nada fácil e assim foi até o final do primeiro tempo.
Como além de gostar de futebol, também sou responsável pela cozinha, não vi o gol da Holanda. Muito menos me dei conta que havia sido contra. Se soubesse, já teria ficado sem esperanças. Antes mesmo do lance ridículo do Felipe Melo de pisar na perna do adversário e acabar sendo expulso. Creio até que este sentimento atravessou o oceano e chegou a África, pois o time ficou apático. Estava empatado, com apenas um golzinho e parecia que perdia de goleada nos últimos instantes do segundo tempo.
Claro que como boa brasileira, acostumada com o inusitado no café da manhã, achei que ainda haveria alguma jogada genial que nos levaria para a prorrogação e de lá para uma vitória. É, mas aquele tempo em que boas chances caiam do céu nas pernas do zagueiro do Brasil ficou no passado. Então, perdemos de um jeito feio. Nem a atuação incrível do Robinho conseguiu salvar o espetáculo. Por isso, assim que passar este sentimento de frustração, sou capaz de torcer para a Holanda, pois só me resta agora ter perdido para o campeão da Copa do Mundo de 2010 e, é claro, esperar a de 2014. Enquanto isso, vou para Blumenau ver um pouco do teatro em que não se pode ser expulso e nem se pisa no adversário.
Thursday, July 01, 2010
Olá,
Este texto, na verdade, é uma advertência de alguém da comunicação que se apaixonou por esta ferramenta chamada internet. Eu a vi praticamente nascer e acompanhei sua evolução. Acabo de associar estes conhecimentos a minha dissertação de mestrado e, mais uma vez, achei fascinante todo o seu potencial. Mas, ao mesmo tempo, lido diariamente com o mau uso desta.
Receber um email de uma pessoa muito querida, que se sensibilizou com uma mensagem pedindo auxílio a uma criança com câncer, me motivou a escrever este email. Não pretendo me alongar. Mas aprendi com o tempo a verificar (como já fazia na profissão) as informações que recebo na internet. Gasto um pouco de tempo, mais raramente um pouco de dinheiro quando decido telefonar para os números publicados, mas deixo de fazer mais pessoas cometerem o mesmo erro e acreditarem em informações falsas, ficarem tristes por situações tão desesperantes.
Comento com as pessoas que faço parte da comunidade do Orkut: Eu não repasso correntes. Mas acho que isso não é suficiente. Assim decidi repassar aos meus amigos e parentes informações que podem ajudá-los a evitar que pessoas em escrúpulos usem a internet só para fazer os outros de bobos.
Então, escrevo para pedir que façam o mesmo. Tentem checar os principais dados divulgados nos emails que pedem ajuda. Vejam quem está assinando e saibam que mesmo quando parece bem oficial, não é. Ninguém vai escancarar que se trata de uma bobagem. Vão colocar nomes e sobrenomes, cargos, telefones, às vezes, inscrições das entidades. Tudo para dar a impressão de que é real e verdadeiro. No entanto, se você não conhece, desconfie.
Existem muitos sites que já publicam as principais fraudes da internet. Vou colocar aqui apenas um que me indicou a falsidade do email da minha amiga: www.e-farsas.com
mas não estou ganhando nenhum centavo para fazer isso da AOL, UOL, etc...Existem outros que denunciam.
Pronto. Era isso. Não desistam de usar a Internet. Ela nos conecta. Permite a nossa interatividade. É um veículo de comunicação mágico. Mas como em tudo que o ser humano participa tem seu lado bom e seu lado mau.
Para vocês terem uma ideia o email com fotos terríveis de uma criança pequena doente que precisaria de ajuda repassado pela minha amiga, circula na Internet desde 2003. Acredito, porém que possamos interditar estes desocupados gastando um pouco do nosso tempo, assim como faço agora.
Este texto, na verdade, é uma advertência de alguém da comunicação que se apaixonou por esta ferramenta chamada internet. Eu a vi praticamente nascer e acompanhei sua evolução. Acabo de associar estes conhecimentos a minha dissertação de mestrado e, mais uma vez, achei fascinante todo o seu potencial. Mas, ao mesmo tempo, lido diariamente com o mau uso desta.
Receber um email de uma pessoa muito querida, que se sensibilizou com uma mensagem pedindo auxílio a uma criança com câncer, me motivou a escrever este email. Não pretendo me alongar. Mas aprendi com o tempo a verificar (como já fazia na profissão) as informações que recebo na internet. Gasto um pouco de tempo, mais raramente um pouco de dinheiro quando decido telefonar para os números publicados, mas deixo de fazer mais pessoas cometerem o mesmo erro e acreditarem em informações falsas, ficarem tristes por situações tão desesperantes.
Comento com as pessoas que faço parte da comunidade do Orkut: Eu não repasso correntes. Mas acho que isso não é suficiente. Assim decidi repassar aos meus amigos e parentes informações que podem ajudá-los a evitar que pessoas em escrúpulos usem a internet só para fazer os outros de bobos.
Então, escrevo para pedir que façam o mesmo. Tentem checar os principais dados divulgados nos emails que pedem ajuda. Vejam quem está assinando e saibam que mesmo quando parece bem oficial, não é. Ninguém vai escancarar que se trata de uma bobagem. Vão colocar nomes e sobrenomes, cargos, telefones, às vezes, inscrições das entidades. Tudo para dar a impressão de que é real e verdadeiro. No entanto, se você não conhece, desconfie.
Existem muitos sites que já publicam as principais fraudes da internet. Vou colocar aqui apenas um que me indicou a falsidade do email da minha amiga: www.e-farsas.com
mas não estou ganhando nenhum centavo para fazer isso da AOL, UOL, etc...Existem outros que denunciam.
Pronto. Era isso. Não desistam de usar a Internet. Ela nos conecta. Permite a nossa interatividade. É um veículo de comunicação mágico. Mas como em tudo que o ser humano participa tem seu lado bom e seu lado mau.
Para vocês terem uma ideia o email com fotos terríveis de uma criança pequena doente que precisaria de ajuda repassado pela minha amiga, circula na Internet desde 2003. Acredito, porém que possamos interditar estes desocupados gastando um pouco do nosso tempo, assim como faço agora.
Monday, June 28, 2010
Um terremoto chamado Brasil
Espero que o meu santo me escute tanto quanto os profissionais que trabalham em televisão, sejam eles comunicadores ou artistas. Minha irmã tem sido testemunha dos meus diálogos com este aparelho ao longo dos anos. Hoje, no jogo da copa, mais uma vez, aconteceu exatamente isso. O Galvão Bueno fazia uma longa explicação sobre a história das Copas. Lá pelas tantas, eu me perdi e disse: “Não entendi”. Do outro lado, Galvão, retornou: “Já te explico”. Às vezes, quando conto esta história para outras pessoas tenho a leve impressão de que elas não me acreditam. É claro que é preciso considerar que eu fale em voz alta na frente da tv, ou seja, não se trata de uma leitura de pensamento. É um diálogo mesmo. Mas parece que não é só um privilégio meu, pois logo depois do próprio Galvão perguntar ao Arnaldo César Coelho se não estava faltando Robinho no jogo, quem faz o Gol? O próprio.
Em outros momentos, não faço perguntas, mas afirmações e mal acabo de dizer, o apresentador ou o artista do outro lado repete. Bem, isso sem falar nas previsões do que vão dizer ou fazer, das ações que está para acontecer nos filmes. É claro que estas eu não comento para não estragar o prazer dos demais. Tem horas que escapa e daí recebo uma advertência. Não sei se existe algo de sobrenatural nisso ou se isso significa que eu sou resultado da geração da televisão. São muitos anos de observação da linguagem televisiva. Além do mais, minha formação jornalística e de teatro também pode colaborar um pouco com isso.
Já na vida real o mesmo não acontece. Não sei o que está por vir. O máximo que faço é saber o final das frases de quem conversa comigo ou o final de uma história que estão me contando. Agora, quanto aos fatos, ao que será do amanhã, não tenho a menor ideia. Por isso, penso duas vezes antes de me juntar a algum grupo para assistir aos jogos. Outro dia ainda vi os torcedores, de um time destes que foi desclassificado, totalmente fantasiados saindo cabisbaixos do campo...Muito complicado. Felizmente, hoje, conseguimos mais uma vitória. Bem bonita, por sinal. Gols suficientes para nos alegrar depois do último empate e alimentar as nossas esperanças para a próxima partida.
Agora, cá entre nós, foi tanta rasteira que acho que é por isso que o Dunga não quer que vejam os treinos. Eles devem treinar isso também. Ninguém cai no chão de todo o cumprimento com uma perninha levantada sem pensar nisso antes. Ainda bem que o juiz não teve os mesmos problemas dos últimos colegas. Não teve nenhuma situação polêmica. De qualquer forma, talvez, nem precisasse dizer que sou a favor de chip na bola, câmeras atrás do gol e toda e qualquer tecnologia que ajude a estes profissionais a serem mais justos. Porque, convenhamos, nós com todos estes aparatos adicionais em nossas casas e eles lá, no calor da emoção, só contando com dois olhos e um apito? Isso sim é injustiça! Se eles ainda me ouvissem do outro lado da telinha...
Saturday, June 26, 2010
Um ano sem MJ
Gosto de lembrar das pessoas que já se foram. Não tenho problemas com isso. Às vezes, me pego rindo sozinha imaginando as coisas que o meu irmão diria em uma determinada situação. Não fico triste, nem nostálgica. É um sentimento bom. É uma emoção. E a única que eu acho que a gente deve evitar (não sublimar) é a raiva. No entanto, comecei a ver os programas de 1 ano sem Michael Jackson e sinto que vou ficando abatida. Não sei se é porque gostaria de entender melhor o que houve, se ficaram faltando tantas informações... Os programas trazem títulos fortes, aparentemente indicam que vão dizer o que eu ainda não sei. Mas isso não acontece. São horas de entrevistas, reportagens, depoimentos e quando penso que estou começando a compreender, alguma coisa me leva para um outro rumo.
Embora ele seja um pouco mais velho do que eu, regulamos de idade. Então, ele, praticamente me acompanhou. Uma das primeiras apresentações que fiz para uma plateia foi uma dança com Marília Bressani na Colônia de Férias da UFRGS, onde eu veraneava. Lembro até hoje que errei o passo e olha que não tínhamos a menor pretensão de dançarmos como ele. Não sei que idade eu tinha, mas posso garantir que eu era pequena. Depois, foram as reuniões dançantes nas garagens e por aí vai. Não era exatamente uma fã, mas ele sempre esteve presente. Desrespeitando totalmente a cronologia, tem a vinda no Rio, as acusações de abuso infantil e as mudanças grotescas de pele, de rosto, até chegar no grotesco e eu parar de pensar nele. Foi quando a admiração foi se transformando em pena e quando esta começava a me incomodar. Pensava: mas afinal, ele foi um artista absolutamente incrível, influenciou gerações, ganhou horrores de dinheiro, ficará para sempre na história da música... melhor, da humanidade. Pena, talvez, deva sentir de mim que não fui capaz de fazer nada nem parecido! Porém, por que será que é assim? Por que os grandes astros, as pessoas extremamente talentosas tem vidas tão caóticas e são tão meteóricas? No vídeo abaixo, que mostra a metamorfose dele, termina com uma frase: Se isto estava acontecendo por fora, o que não estaria se passando por dentro? Acho que é esta a verdadeira resposta que eu gostaria e que não há programa que vá me dizer, mas querem saber? Acho que faço uma ideia.
http://www.youtube.com/watch?v=ri61lBfMBu0
Embora ele seja um pouco mais velho do que eu, regulamos de idade. Então, ele, praticamente me acompanhou. Uma das primeiras apresentações que fiz para uma plateia foi uma dança com Marília Bressani na Colônia de Férias da UFRGS, onde eu veraneava. Lembro até hoje que errei o passo e olha que não tínhamos a menor pretensão de dançarmos como ele. Não sei que idade eu tinha, mas posso garantir que eu era pequena. Depois, foram as reuniões dançantes nas garagens e por aí vai. Não era exatamente uma fã, mas ele sempre esteve presente. Desrespeitando totalmente a cronologia, tem a vinda no Rio, as acusações de abuso infantil e as mudanças grotescas de pele, de rosto, até chegar no grotesco e eu parar de pensar nele. Foi quando a admiração foi se transformando em pena e quando esta começava a me incomodar. Pensava: mas afinal, ele foi um artista absolutamente incrível, influenciou gerações, ganhou horrores de dinheiro, ficará para sempre na história da música... melhor, da humanidade. Pena, talvez, deva sentir de mim que não fui capaz de fazer nada nem parecido! Porém, por que será que é assim? Por que os grandes astros, as pessoas extremamente talentosas tem vidas tão caóticas e são tão meteóricas? No vídeo abaixo, que mostra a metamorfose dele, termina com uma frase: Se isto estava acontecendo por fora, o que não estaria se passando por dentro? Acho que é esta a verdadeira resposta que eu gostaria e que não há programa que vá me dizer, mas querem saber? Acho que faço uma ideia.
http://www.youtube.com/watch?v=ri61lBfMBu0
Friday, June 25, 2010
O segredo de Fátima
Dias antes do jogo do Brasil de hoje na Copa começou o ti-ti-ti. Mais de uma pessoa me passou um email sobre uma rusga entre jornalistas da Globo e Dunga. Pedia um boicote a Globo. Não repassei. Faço parte da comunidade do Orkut “não envio correntes”, mas a questão não é apenas esta. Poderia dizer que já sou macaca velha (se não achasse que esta expressão em muito me deprecia) para acreditar em tudo que escrevem na internet. Mesmo quando são informações assinadas, que começam depois de uma provocação ferrenha, e retornam para o “vamos aos fatos...”Não é preciso dizer nada. Em pouco tempo se descobre que não há uma única verdade nestes tais textos. No entanto, como estes se esparramam da maneira mais eficiente que a tecnologia hoje permite, dizer algo contra acaba causando alguma ira. Assim, pensei em me poupar. Até porque, assisti a uma entrevista de Silvio Meira (doutor em ciência da computação na Inglaterra) e uma das coisas que ele fala é que a gente teme que as informações desapareçam do dia para a noite, mas não se dá conta que pode acontecer o contrário: elas permanecerem lá por muito mais tempo do que a gente deseja. E, hoje em dia, não está nada fácil encontrar a tal informação isenta para que a gente possa dar uma opinião, ou melhor, um palpite que seja, sobre qualquer situação polêmica. A gente se empolga, toma partido, vai lá defende, discute, até vota no cara e depois ele é um mentiroso, safado, gatuno, arrogante e tantas outras coisas com as quais não concordamos. Até lá, muitas vezes, já dissemos aos quatro-ventos o que pensávamos sobre o tal, quase perdemos amigos e é, claro, escrevemos por aí.
Achei que ia custar mais a usar aquele velho ditado: “cautela e canja de galinha não faz mal a ninguém”. Não é que eu não ache bacana certos arroubos. Acho que precisamos disso. Principalmente, quando as consequências não são graves. Assim, recebi achando certa graça estas mensagens dizendo que Fátima Bernardes havia sido expulsa pelo Dunga e outras coisitas mais. Tentei ir atrás de alguém em quem confiasse para me dizer o que tinha acontecido. Uma avalanche de versões chegou as minhas mãos. Nenhuma havia me feito crer no que realmente poderia ter ocorrido. E, olha que não sou dessas que precisam ver para crer. Além disso (e agora sinto que posso estar me expondo mais do que devia) não acho que o Dunga devesse perder a compostura, como diria a minha mãe. Se alguém o estava enfrentando, fazendo caretas, jogando tomates ou ovos podres...pouco importa. Deste jogo ele deveria ficar fora. Existem emissoras prepotentes, manipuladoras? Não tenho dúvidas. Jornalistas que dizem coisas que não deveriam? Claro! Mas um cara que está lá para orientar nosso time para ganhar uma copa vai se dar ao direito de deixar o temperamento falar mais alto? Não dá. Até porque se existe algum fato nesta história é que comprar briga com a imprensa neste momento só vai prejudicar todo mundo.
Chega a ser engraçado imaginar que os jogadores já tiveram especialistas em “alto-astral”, palestras de auto-confiança e outros treinamentos semelhantes para manter a calma e a tranquilidade e hoje, Dunga seja tão reagente. Resumindo: Nesta situação de destempero que aconteceu, na minha opinião, ninguém estava certo. Pronto. Disse. No mais, queria apenas advertir as pessoas quanto ao que elas estão lendo, vendo, ouvindo, não só na internet, mas nos demais veículos de comunicação. Todos são um reflexo da nossa sociedade que está longe de ser honesta e verdadeira. Não é para desacreditar em tudo também. Sugiro apenas um pouco de bom senso, este que parece ter faltado ao Dunga porque, hoje, o Brasil ficou no 0 X 0, mas jogou bem. Agora, se o técnico ficar se ocupando de outras lutas, a que estamos travando no meio do campo pode acabar sendo perdida.
No mais, devo admitir que tem gente muito criativa por aí:
http://www.youtube.com/watch?v=LZ253pMWyxY
Sunday, June 20, 2010
Entendimentos e desintendimentos
Em outras ocasiões já comentei como era difícil eu e o meu pai concordar, mas havia uma situação em que isto acontecia.Por incrível que pareça era em vendo futebol. Aqui em casa eu era a única que me interessava. Nem mesmo meu irmão gostava. Assim, assistimos várias partidas juntos. Embora ele fosse gremista e eu colorada isso não nos impedia de entrarmos em acordo sobre o melhor jogador, a melhor estratégia e criticar todas as jogadas mal feitas, tanto de um time, quando de outro. São estas mágicas que só o esporte concretiza.
Nos últimos anos, fui me desinteressando. Mal sei do meu time, mas não ia deixar de assistir a mais uma Copa do mundo. Mesmo minha mãe que não tem quase nenhum interesse comentou: é uma ótima chance poder assistir aos melhores jogadores do mundo. E não é só isso. Futebol me acalma. A voz dos narradores, os comentários de Galvão Bueno, as análises de Arnaldo Coelho são coisas estáveis, neste mundo de impermanência em que vivemos. Já são personagens, eu diria. Eles passam o tempo todo criando contrapontos. Galvão fala tudo boca a fora, faz gracinhas, provoca. Arnaldo Coelho é o sério, rígido e contido eterno juiz. Ouvindo suas vozes narrando futebol e comentando lembro de pessoas que amei e me sinto segura e esperançosa nos jogos do Brasil. Assim, mesmo quando o jogo começa com o time adversário jogando melhor como hoje, acredito que isso logo vá mudar.
Custou um pouco mais do que eu gostaria, mas terminamos o primeiro tempo com um certo alívio. O Brasil parecia começar a achar seu futebol. Antes do intervalo, porém, já comentávamos a força do time adversário, as camisetas mais pareciam baby-looks nos jogadores da Costa do Marfim. E é isso que vai atrapalhar todo o segundo tempo. Depois daquele gol “lindo, mas ilegal”, como disse, honestamente, Arnaldo, o jogo devia ficar bonito, ter jogadas interessantes e, no entanto, tudo que acontece são chegadas maldosas, faltas, jogadores machucados e assim vai até que Kaká nitidamente perde a paciência e é expulso pelo mesmo juiz que fez um dos lances mais curiosos que já tinha visto até hoje. Vimos ele “perguntando” para Luis Fabiano se ele tinha colocado o braço na jogada doo gol e o jogador desmentindo, claro. Agora, é muita cara de pau dizer que "para ficar mais bonito ainda é melhor um toque duvidoso". Não estou nem um pouco interessada em vitórias roubadas.
Bem, mas nós aqui quase previmos que Kaká acabaria expulso. Como o Dunga não viu? Porque não o retirou de campo quando percebeu que aquelas atitudes não iam dar bom resultado? Provavelmente, porque estava ele tão irritado quanto o próprio jogador. Aliás, se Galvão diz que não pode adivinhar os diálogos porque não sabe fazer leitura labial, posso garantir para vocês que ninguém “lê” melhor a alma dos técnicos da seleção brasileira do que ele. Quer dizer...nenhum deles o desmentiu até hoje quando, ao olhar seus gestos e movimentos, ele garante: “Dunga não gostou!” Bem, quem não gostou fui eu de ver uma partida de jogadas bem feitas e interessantes se transformar em um desentendimento tão grande em campo. Felizmente, a saída de Kaká aliviou a tensão e o jogo termina com uma vitória de 3 X 1 para o Brasil e os jogadores dos dois times trocando as camisas e dando abraços. Quem disse que futebol e teatro não tem nada em comum? Acho melhor, porém, não darem um atenção especial aquela defesa que fracassou totalmente no momento do gol da Costa do Marfim. Se o Brasil quiser aplausos no fim do seu “espetáculo” vai precisar melhorar neste sentido. Tenho certeza que o meu pai concordaria.
Bem, mas nós aqui quase previmos que Kaká acabaria expulso. Como o Dunga não viu? Porque não o retirou de campo quando percebeu que aquelas atitudes não iam dar bom resultado? Provavelmente, porque estava ele tão irritado quanto o próprio jogador. Aliás, se Galvão diz que não pode adivinhar os diálogos porque não sabe fazer leitura labial, posso garantir para vocês que ninguém “lê” melhor a alma dos técnicos da seleção brasileira do que ele. Quer dizer...nenhum deles o desmentiu até hoje quando, ao olhar seus gestos e movimentos, ele garante: “Dunga não gostou!” Bem, quem não gostou fui eu de ver uma partida de jogadas bem feitas e interessantes se transformar em um desentendimento tão grande em campo. Felizmente, a saída de Kaká aliviou a tensão e o jogo termina com uma vitória de 3 X 1 para o Brasil e os jogadores dos dois times trocando as camisas e dando abraços. Quem disse que futebol e teatro não tem nada em comum? Acho melhor, porém, não darem um atenção especial aquela defesa que fracassou totalmente no momento do gol da Costa do Marfim. Se o Brasil quiser aplausos no fim do seu “espetáculo” vai precisar melhorar neste sentido. Tenho certeza que o meu pai concordaria.
PS: Por falar em espetáculo, levei minha mãe e tias para assistir O Sobrado que está em cartaz no Renascença até dia 4 de julho e gostaria de usar meu recente título de mestra para recomendá-lo.
Saturday, June 19, 2010
Orquestrando corpos
Estava em um encontro com uma amiga que não via desde o ano passado. Foi no mínimo estranho dizer Feliz Ano Novo em pleno junho, mas, talvez, isso seja uma amostra do ritmo de vida que estamos levando. Menos de uma hora depois, olho meu celular e tem nove chamadas não atendidas. Todas com o número de casa. Cheguei a ficar preocupada. No fim, era o convite para assistir o balé Mahavidyas, no qual dançavam Didi Pedone, Francine Pressi, Gabriela Peixoto, Gelson Farias, Raul Voges, Rodrigo de Almeida e, por último, mas não menos importante, minha prima Angela Siazzi. Tinha, assim, pouco tempo para me arrumar. Sem combinarmos, eu, minha mãe e minha irmã acabamos as três de chapéu. Diferentes estilos, mesmas cores: preto e branco. O que rendeu elogios da artista plástica Zoravia Betiol, nossa amiga, lá presente.
Com o teatro cheio. Rampas no palco. Minha mãe estranha. Eu digo que é o cenário pelo qual, em breve, a Angela deverá escorregar. Não é vidência. É a experiência de já ter assistido outras coreografias de Carlota Albuquerque. Mal começa o espetáculo e eu penso: toda orquestra deveria ter bailarinos. Todos os bailarinos deveriam ter uma orquestra. Não tenho dúvidas de que presenciar o encontro de tantos artistas ao vivo é um privilégio. Embora meu lugar na primeira fila não me permitisse ver os músicos direito, sabia que eles estavam ali e, ficar a quatro degraus do palco do Teatro São Pedro nunca me deixará incomodada. Além do mais, vejo bem os bailarinos. Quatro mulheres e três homens que dançam juntos, sozinhos, se revezam e apresentam um equilíbrio de competência, mesmo que meu olhar insista em destacar minha prima que respira diferente e tem um olhar tão expressivo que, por vezes, me assusta. Aliás, quem disse que bailarina tem vida curta não a viu neste espetáculo. Ela consegue estar ainda melhor do que da última vez que a vi dançar. Assim como Carlota que se supera a cada espetáculo. Em vários momentos pensei: este é o melhor espetáculo dela. Claro que isso é apenas a minha opinião. A verdade é que muitos (se não todos) traziam sempre algo novo, desafios e propostas inusitadas. Este, não foge a regra. Em um jogo de revela e esconde, entrega e controle, cumplicidade e rivalidade, os bailarinos encantam com sua agilidade, leveza, perfeição de movimentos. Provocando encontros ou fugas, “discussões” ou “entendimentos”, eles ora rastejam, ora parecem voar.
Os bailarinos dançam para a música? Ou a música acontece para que eles dancem? Pouco importa porque, se no palco eles se atraem e se rechaçam, entre os bailarinos e os músicos da orquestra a integração é total e, na efemeridade deste momento, a preparação prévia pode ser percebida em alguns movimentos que se repetem e, devido a estes códigos que fazem parte da arte, quando a bailarina volta a posição inicial, sei que o espetáculo está no fim, mas não sem antes ter mostrado algo único e belo: a comunhão dos corpos e melodias que só pode acontecer devido a direção de Voltaire Dackwardt e da regência de Antônio Carlos Borges Cunha.
Com o teatro cheio. Rampas no palco. Minha mãe estranha. Eu digo que é o cenário pelo qual, em breve, a Angela deverá escorregar. Não é vidência. É a experiência de já ter assistido outras coreografias de Carlota Albuquerque. Mal começa o espetáculo e eu penso: toda orquestra deveria ter bailarinos. Todos os bailarinos deveriam ter uma orquestra. Não tenho dúvidas de que presenciar o encontro de tantos artistas ao vivo é um privilégio. Embora meu lugar na primeira fila não me permitisse ver os músicos direito, sabia que eles estavam ali e, ficar a quatro degraus do palco do Teatro São Pedro nunca me deixará incomodada. Além do mais, vejo bem os bailarinos. Quatro mulheres e três homens que dançam juntos, sozinhos, se revezam e apresentam um equilíbrio de competência, mesmo que meu olhar insista em destacar minha prima que respira diferente e tem um olhar tão expressivo que, por vezes, me assusta. Aliás, quem disse que bailarina tem vida curta não a viu neste espetáculo. Ela consegue estar ainda melhor do que da última vez que a vi dançar. Assim como Carlota que se supera a cada espetáculo. Em vários momentos pensei: este é o melhor espetáculo dela. Claro que isso é apenas a minha opinião. A verdade é que muitos (se não todos) traziam sempre algo novo, desafios e propostas inusitadas. Este, não foge a regra. Em um jogo de revela e esconde, entrega e controle, cumplicidade e rivalidade, os bailarinos encantam com sua agilidade, leveza, perfeição de movimentos. Provocando encontros ou fugas, “discussões” ou “entendimentos”, eles ora rastejam, ora parecem voar.
Os bailarinos dançam para a música? Ou a música acontece para que eles dancem? Pouco importa porque, se no palco eles se atraem e se rechaçam, entre os bailarinos e os músicos da orquestra a integração é total e, na efemeridade deste momento, a preparação prévia pode ser percebida em alguns movimentos que se repetem e, devido a estes códigos que fazem parte da arte, quando a bailarina volta a posição inicial, sei que o espetáculo está no fim, mas não sem antes ter mostrado algo único e belo: a comunhão dos corpos e melodias que só pode acontecer devido a direção de Voltaire Dackwardt e da regência de Antônio Carlos Borges Cunha.
Friday, June 18, 2010
Wednesday, June 16, 2010
Espero que o Brasil tenha conserto
Véspera do começo da Copa, a televisão pifa e somos informados que não terá conserto. Com esta sorte, melhor mesmo não ter recursos para ir a África, pois poderia acabar sendo atropelada por uma girafa. Exageros à parte, poderia, pelo menos, acabar como o professor Ruy Carlos Ostermann tendo que ser “resgatado” no caminho, pois suas pernas “semi-congeladas” não obedeciam ao comando de seguir em frente. Sem uma tv descente, decidi ao menos tornar agradável o ambiente. Como aqui a temperatura estava amena, optei por ficar na rua. Isso, porém, significava usar apenas o recurso da antena para obter uma boa imagem. Várias tentativas infrutíferas... O jogo já ia começar quando ainda havia uma sombra para cada jogador. Minha irmã disse que estava assistindo a Ghostwisper uma série que costumamos ver sobre espíritos que aparecem na Terra. Bem que teriam sido úteis, principalmente, naquele primeiro tempo.
Aquela conversa toda de que a Coréia não ganhava há séculos de um time Ocidental, que éramos melhores, que iríamos fazer muitos gols, não me agradou. Minha experiência em outras Copas, mesmo muito bem sucedidas como a de 70 quando tinha seis anos, já me fizeram entender que em disputas como esta todo adversário merece respeito. Nunca se sabe se por uma questão de justiça divina não seja justamente aquele o dia do time adversário sair vencedor. Os primeiros minutos até que foram animadores, mas, logo em seguida, lembrava minha mãe dizendo coisas como “só vejo camisas vermelhas em campo”. Desta vez, ela só vinha espiar o jogo. Preferiu seguir suas atividades cotidianas, sabendo que não seria interrompida por nenhuma ligação pelo menos durante aqueles 90 minutos.
Confesso que na possibilidade de uma goleada, acabo com pena do time contrário. Acho humilhante. Gosto de uma vitória, claro! Mas não vejo porque dar aqueles “balaios” de mais de cinco gols. Uns 3X0 tá de bom tamanho. Só que o tempo foi passando e nada. Depois da discussão que tive com mais duas mulheres da família que insistiam em dizer que agora não tem mais a menor graça, pois só vale a grana que os jogadores recebem e eu contrapondo dizendo que sim, eles eram hiper bem pagos e, por isso mesmo, tinham que eu queria vê-los fazendo um bom “serviço”, comecei a pensar em quanto a exposição na mídia (talvez, até mais do que o dinheiro) estava afetando o desempenho dos jogadores. Em uma situação em que até os botões do casaco do Dunga até as cores da bola são motivos para discussão, tinha a impressão de que os jogadores não queriam arriscar a sua imagem e que ficavam deixando um para o outro as tentativas. Tipo...só chuto se tiver certeza de que vou acertar. Terminar o primeiro tempo 0 x 0 já era todo o mérito que a Coréia poderia merecer. Estava na hora de acontecer alguma coisa. Logo no início do segundo tempo, veio então o nosso gol. Maicon marca. Ufa! Demorou um pouco mais para o segundo. Parece que as emoções do dia eram para Yum Nam que chorou compulsivamente na hora do hino da Coreia e que fez o gol do time aos 44 minutos do segundo tempo.
Como sempre acontece com o futebol, as opiniões divergem. Ninguém morreu de amores pelo jogo de ontem, mas vi comentaristas dizendo que foi assim com todo mundo (menos a Alemanha) na estreia e que considerando todas as circunstâncias nem foi tão ruim assim. Em contrapartida, tem gente que diz que foi o pior jogo da copa até agora. Pelas outras copas que já assisti, nada quer dizer nada. O que vai decidir mesmo será aqueles últimos minutos da última partida que eu desejo que seja do Brasil contra qualquer outro time que faça por merecer para ir até a final.
Aquela conversa toda de que a Coréia não ganhava há séculos de um time Ocidental, que éramos melhores, que iríamos fazer muitos gols, não me agradou. Minha experiência em outras Copas, mesmo muito bem sucedidas como a de 70 quando tinha seis anos, já me fizeram entender que em disputas como esta todo adversário merece respeito. Nunca se sabe se por uma questão de justiça divina não seja justamente aquele o dia do time adversário sair vencedor. Os primeiros minutos até que foram animadores, mas, logo em seguida, lembrava minha mãe dizendo coisas como “só vejo camisas vermelhas em campo”. Desta vez, ela só vinha espiar o jogo. Preferiu seguir suas atividades cotidianas, sabendo que não seria interrompida por nenhuma ligação pelo menos durante aqueles 90 minutos.
Confesso que na possibilidade de uma goleada, acabo com pena do time contrário. Acho humilhante. Gosto de uma vitória, claro! Mas não vejo porque dar aqueles “balaios” de mais de cinco gols. Uns 3X0 tá de bom tamanho. Só que o tempo foi passando e nada. Depois da discussão que tive com mais duas mulheres da família que insistiam em dizer que agora não tem mais a menor graça, pois só vale a grana que os jogadores recebem e eu contrapondo dizendo que sim, eles eram hiper bem pagos e, por isso mesmo, tinham que eu queria vê-los fazendo um bom “serviço”, comecei a pensar em quanto a exposição na mídia (talvez, até mais do que o dinheiro) estava afetando o desempenho dos jogadores. Em uma situação em que até os botões do casaco do Dunga até as cores da bola são motivos para discussão, tinha a impressão de que os jogadores não queriam arriscar a sua imagem e que ficavam deixando um para o outro as tentativas. Tipo...só chuto se tiver certeza de que vou acertar. Terminar o primeiro tempo 0 x 0 já era todo o mérito que a Coréia poderia merecer. Estava na hora de acontecer alguma coisa. Logo no início do segundo tempo, veio então o nosso gol. Maicon marca. Ufa! Demorou um pouco mais para o segundo. Parece que as emoções do dia eram para Yum Nam que chorou compulsivamente na hora do hino da Coreia e que fez o gol do time aos 44 minutos do segundo tempo.
Como sempre acontece com o futebol, as opiniões divergem. Ninguém morreu de amores pelo jogo de ontem, mas vi comentaristas dizendo que foi assim com todo mundo (menos a Alemanha) na estreia e que considerando todas as circunstâncias nem foi tão ruim assim. Em contrapartida, tem gente que diz que foi o pior jogo da copa até agora. Pelas outras copas que já assisti, nada quer dizer nada. O que vai decidir mesmo será aqueles últimos minutos da última partida que eu desejo que seja do Brasil contra qualquer outro time que faça por merecer para ir até a final.
Thursday, June 10, 2010
Casa do artista riograndense
Apresentação
A Casa do Artista Riograndense, entidade assistencial sem fins lucrativos e reconhecida como utilidade pública, foi fundada em 1946 pelo radialista Antonio Amabíle com a finalidade de abrigar artistas com mais de 60 anos de idade, em situação financeira instável e sem as mínimas condições de prover o próprio sustento.
Durante as administrações que se sucederam, a Casa do Artista Riograndense acolheu, carinhosamente, a inúmeros artistas e trabalhadores da área cultural que a procuraram em busca de amparo.
As ações da Diretoria eleita visam a recuperação da Casa do Artista Riograndense em seus aspectos físicos e administrativos, dando-lhe condições plenas de funcionamento, resgatando assim sua imagem perante a opinião pública e oferecendo condições dignas de atendimento a tantos quantos a procurarem.
Atenciosamente,
Luciano Fernandes
Presidente da Casa do Artistas Riograndense
Fone: (51) 9123.7519
conheça mais a casa
visite o blog provisório:
http://casadoartistariograndese.blogspot.com/
A Casa do Artista Riograndense, entidade assistencial sem fins lucrativos e reconhecida como utilidade pública, foi fundada em 1946 pelo radialista Antonio Amabíle com a finalidade de abrigar artistas com mais de 60 anos de idade, em situação financeira instável e sem as mínimas condições de prover o próprio sustento.
Durante as administrações que se sucederam, a Casa do Artista Riograndense acolheu, carinhosamente, a inúmeros artistas e trabalhadores da área cultural que a procuraram em busca de amparo.
As ações da Diretoria eleita visam a recuperação da Casa do Artista Riograndense em seus aspectos físicos e administrativos, dando-lhe condições plenas de funcionamento, resgatando assim sua imagem perante a opinião pública e oferecendo condições dignas de atendimento a tantos quantos a procurarem.
Atenciosamente,
Luciano Fernandes
Presidente da Casa do Artistas Riograndense
Fone: (51) 9123.7519
conheça mais a casa
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Tuesday, June 08, 2010
Tempo...tempo...tempo.
Saber envelhecer... o que é isso? Houve época em que era saber a hora de ficar em casa fazendo tricot, de pantufas. Mas e hoje? Vi a Julia Lemmertz em entrevista a Fernanda Young dizer que se recusava a fazer papel de mãe e, de repente, se viu fazendo a mãe do Wagner Moura na série JK. Fernanda declarou que ainda se sente aos 10 anos, cantando Lança Perfume. Acabo de ver Sharon Stone na propaganda da série Lei e Ordem. Não a reconheci. Fiquei pensando que era a artista da série A Gata e o rato que não existe mais. Era uma loura bonita, mas envelhecida. Vi também um filme sobre a vida de Natalie Wood onde uma personagem representando a Marilyn Monroe dizia que tinha 36 anos e que estava velha demais para Hollywood. Este fim-de-semana passamos por uma casa para idosos chamada Tempo de viver. Estava inspirada a pessoa que o criou.
Eu estou a caminho dos 50. Faço 48 em outubro. Às vezes esqueço a idade que tenho. Não por que a negue, mas porque começo a dizer a idade que vou fazer e acabo me confundindo. Tenho que prestar mais atenção. Afinal, os 50 quero comemorar em Paris. Outro dia, atravessava a rua com os cabelos presos, tênis e abrigo. Não me sentia diferente de quando tinha 20 anos. Menos angustiada, talvez. Com mais gana de viver, com certeza. Eu precisei de uma doença que me colocasse em risco para me apaixonar pela vida. E da terapia, do teatro, da ioga e, sem dúvida, dos amigos. Tenho amigos mais jovens que eu. Me identifico com eles. Talvez, porque não tenha me casado, nem tido filhos que me comprovariam que o tempo passou. Mas quando vejo minha irmã, quatro anos mais velha do que eu, e um filho de 30, de bermuda e botinha em plena forma, andando de bicicleta, já não tenho tanta certeza. Meu irmão se preocupava muito com a idade. Bobagem. Sempre pareceu mais jovem do que era. Mas brigava quando dizíamos a idade dele e insistia em não ser o irmão mais velho. Morreu com 49 anos. Será jovem para sempre em nossa memória. Meu pai, ao contrário. Foi ficando debilitado fisicamente e um pouco antes dele morrer tivemos uma conversa sobre isso. Concluímos que se continuássemos tendo todas as capacidades de quando jovem, não aceitaríamos a morte e achamos sabia a natureza.
Observo que os mais jovens logo começam a dizer que as pessoas mais velhas já não tem noção das coisas, que não deveriam se vestir de uma determinada maneira e vão sendo excluídas. Mas meu conhecimento da maneira como os mais velhos são tratados na França (na Europa em geral) insiste em não aceitar esta ideia. Em outros países, os mais velhos fazem muitas atividades não só físicas, mas intelectuais. As pessoas estão vivendo mais. Os avanços da medicina estão permitindo isso. Houve um tempo em que as pessoas morriam muito jovens. Está aí a história que não me deixa mentir. Heróis, poetas, escritores não passavam dos 30.
Acho bonito as pessoas com rugas. Na natação, estes tempos, tinha uma senhora com uns 90 anos. Achei lindo. Agora, me assusto com aquelas que ficam puxando a cara com plásticas. Ou que mantém o rosto jovem enquanto o resto denuncia a verdadeira idade. Provavelmente seja isso envelhecer bem. Aceitar que o exterior apresente estas marcas. Não tentar mascarar, fingir que é jovem. Mas por dentro, como se sentir mais velho? Quando começo a me sentir um pouco culpada por não me sentir assim, lembro que não estou sozinha. Um dos meus ídolos, o poeta Mario Quintana fez até uma poesia sobre isso:
RECORDO AINDA
Recordo ainda... e nada mais me importa...
Aqueles dias de uma luz tão mansa
Que me deixavam, sempre, de lembrança,
Algum brinquedo novo à minha porta...
Mas veio um vento de Desesperança
Soprando cinzas pela noite morta!
E eu pendurei na galharia torta
Todos os meus brinquedos de criança...
Estrada afora após segui... Mas, aí,
Embora idade e senso eu aparente
Não vos iludais o velho que aqui vai:
Eu quero os meus brinquedos novamente!
Sou um pobre menino... acreditai!...
Que envelheceu, um dia, de repente!...
Eu estou a caminho dos 50. Faço 48 em outubro. Às vezes esqueço a idade que tenho. Não por que a negue, mas porque começo a dizer a idade que vou fazer e acabo me confundindo. Tenho que prestar mais atenção. Afinal, os 50 quero comemorar em Paris. Outro dia, atravessava a rua com os cabelos presos, tênis e abrigo. Não me sentia diferente de quando tinha 20 anos. Menos angustiada, talvez. Com mais gana de viver, com certeza. Eu precisei de uma doença que me colocasse em risco para me apaixonar pela vida. E da terapia, do teatro, da ioga e, sem dúvida, dos amigos. Tenho amigos mais jovens que eu. Me identifico com eles. Talvez, porque não tenha me casado, nem tido filhos que me comprovariam que o tempo passou. Mas quando vejo minha irmã, quatro anos mais velha do que eu, e um filho de 30, de bermuda e botinha em plena forma, andando de bicicleta, já não tenho tanta certeza. Meu irmão se preocupava muito com a idade. Bobagem. Sempre pareceu mais jovem do que era. Mas brigava quando dizíamos a idade dele e insistia em não ser o irmão mais velho. Morreu com 49 anos. Será jovem para sempre em nossa memória. Meu pai, ao contrário. Foi ficando debilitado fisicamente e um pouco antes dele morrer tivemos uma conversa sobre isso. Concluímos que se continuássemos tendo todas as capacidades de quando jovem, não aceitaríamos a morte e achamos sabia a natureza.
Observo que os mais jovens logo começam a dizer que as pessoas mais velhas já não tem noção das coisas, que não deveriam se vestir de uma determinada maneira e vão sendo excluídas. Mas meu conhecimento da maneira como os mais velhos são tratados na França (na Europa em geral) insiste em não aceitar esta ideia. Em outros países, os mais velhos fazem muitas atividades não só físicas, mas intelectuais. As pessoas estão vivendo mais. Os avanços da medicina estão permitindo isso. Houve um tempo em que as pessoas morriam muito jovens. Está aí a história que não me deixa mentir. Heróis, poetas, escritores não passavam dos 30.
Acho bonito as pessoas com rugas. Na natação, estes tempos, tinha uma senhora com uns 90 anos. Achei lindo. Agora, me assusto com aquelas que ficam puxando a cara com plásticas. Ou que mantém o rosto jovem enquanto o resto denuncia a verdadeira idade. Provavelmente seja isso envelhecer bem. Aceitar que o exterior apresente estas marcas. Não tentar mascarar, fingir que é jovem. Mas por dentro, como se sentir mais velho? Quando começo a me sentir um pouco culpada por não me sentir assim, lembro que não estou sozinha. Um dos meus ídolos, o poeta Mario Quintana fez até uma poesia sobre isso:
RECORDO AINDA
Recordo ainda... e nada mais me importa...
Aqueles dias de uma luz tão mansa
Que me deixavam, sempre, de lembrança,
Algum brinquedo novo à minha porta...
Mas veio um vento de Desesperança
Soprando cinzas pela noite morta!
E eu pendurei na galharia torta
Todos os meus brinquedos de criança...
Estrada afora após segui... Mas, aí,
Embora idade e senso eu aparente
Não vos iludais o velho que aqui vai:
Eu quero os meus brinquedos novamente!
Sou um pobre menino... acreditai!...
Que envelheceu, um dia, de repente!...
Sunday, May 23, 2010
Grupo Galpão: o talento de contar histórias
Foi a mestre em teatro Betha Medeiros que me convidou no sábado para ir ver o Galpão. Devia ter deixado a preguiça de lado e ido. Nem sempre temos uma segunda chance. Felizmente, neste caso, o espetáculo ainda seria apresentando no Domingo. Cedo e de graça. Ou seja, não havia mais desculpas para não ir. Além disso, já não era mais um convite, era uma ordem: “vai!”, me disse minha colega de mestrado depois de assistir Till, a saga de um herói torto. Como se ainda não fosse suficiente, a Doutora Mirna Spritzer também enviou um email sugerindo a ida ao Gasômetro, local que costuma ficar extremamente movimentado aos Domingos. E, claro que hoje não foi diferente. Cheguei, razoavelmente cedo e isso me permitiu ficar em um local que me permitiu ver e ouvir bem tudo que acontecia no palco montado naquele espaço.
Logo de início, eu que já confessei ter mais hábito de ir ao cinema do que ao teatro, senti que seria conquistada. O cenário é simples. Não há recursos técnicos sofisticados, mas os atores são de um carisma impressionante. Talvez não seja esta a palavra correta para denominar atuações tão competentes, bem definidas que só a experiência teatral pode trazer. Em pouco tempo me vejo pensando em quantas vezes já ouvi dizer que teatro é a arte de contar histórias. É justamente isso que me fascina.
Eles usam alguns recursos cênicos simples de serem executados, mas que propiciam uma estética impecável. Um deles, ao jogar um pó branco a sua frente para simular a neve, me lembra meu professor Sergio Silva, que dizia que o teatro tinha esta magia. Bastava que um ator dissesse: “fecha a janela que lá fora está frio” para que ficasse definido que a cena era em um lugar interno. O texto “Till Eulenspiegel”, de Luís Alberto de Abreu, que deu origem a esta montagem que é ótima, engraçada, inteligente e o elenco nos conduz ao riso solto, aquele que anda cada vez mais difícil ultimamente. E olha que gosto de rir. Rio bastante com meus amigos, com a minha família, mas quando se trata de trabalhos artísticos no teatro ou na tv, acabo achando tudo muito caricato, forçado ou agressivo e vulgar. Nada disso acontece durante este espetáculo. E em muitos momentos a gente sente o controle que eles têm das cenas, seja nos momentos de improviso com a plateia, seja olhando para o fundo do palco e fazendo com que até eu me vire para verificar se tem alguém.
Bem, mas desta vez, não levei papel nem caneta, o que já no começo senti falta. Algumas falas precisavam fazer parte deste meu comentário. Lembrando delas, agora, porém, me dou conta que elas tinham outro efeito na boca dos atores. “Vamos peregrinar”, dizia um dos três cegos que são responsáveis por uma das partes mais divertidas do espetáculo. Mesmo utilizando algumas brincadeiras já conhecidas com as palavras, quando se trata da cegueira, eles provocam risos na plateia. Às vezes, basta o simples fato de salientar coisas que dizemos sem nos dar conta como ao ameaçar alguém: “tu vais ver!”
E eu ri profundamente, ri alto como há tempos não fazia. Ao mesmo tempo, o Till não tem nada de bobo, ao contrário. Lembrei de outro comentário que escutei relativo a outra situação, mas que se adapta, perfeitamente, aqui: “Há várias camadas de compreensão” e os próprios autores comentam isso com a plateia. É interessante também como eles são “narradores deles mesmos”, referindo-se ao seu próprio personagem, enquanto se dirigem a plateia.
Além disso, embora eu tenha destacado os três cegos, não falei nem do “protagonista” da história (que na ficha técnica é uma mulher, mas hoje jurava que era um homem) em particular porque é muito nítido que se trata do trabalho de um grupo formado há quase 30 anos com “G” maiúsculo cujo resultado é uma ação coesa, intensa e cheia de talentos. A Ficha técnica do espetáculo não me deixa mentir. Para parecer simples e perfeito é preciso muita gente.
PS: Doutora Mirna Sprizer esclarece: A montagem na sua concepção tem a Inês Peixoto como Till. Logo,começaram a revezar-se no papel, ela e o ator que vimos aqui, Paulo André.
Direção JÚLIO MACIEL
Texto: LUÍS ALBERTO DE ABREU
Cenografia e figurino MÁRCIO MEDINA
Direção musical - arranjos, adaptações e composições ERNANI MALETTA
Preparação corporal para cena: JOAQUIM ELIAS
Iluminação ALEXANDRE GALVÃO E WLADIMIR MEDEIROS
Caracterização MONA MAGALHÃES
Adereços LUIZA HORTA, MARNEY HEITMANN E RAIMUNDO BENTO
Sonorização ALEXANDRE GALVÃO
Assistente de figurino PAULO ANDRÉ
Assistentes de cenografia POLIANA ESPÍRITO SANTO E AMANDA GOMES
Pintura de telão ESTEVÃO MACHADO
Elenco ANTONIO EDSON : Borromeu : Povo : Anão
ARILDO DE BARROS : Parteira : Juiz : Camponês : Padre : Miserável
BETO FRANCO : Parteira : Português : Padre : Camponês : Miserável
CHICO PELÚCIO : Demônio : Camponês : Voz do Soldado
EDUARDO MOREIRA : Doroteu : Povo
INÊS PEIXOTO: Till
LYDIA DEL PICCHIA : Parteira : Consciência : Cozinheira : Menino
SIMONE ORDONES : Alceu : Povo
TEUDA BARA : Mãe : Miserável
Preparação vocal BABAYA
Técnica de Pilates WANESKA TORRES
Assistente de técnica de Pilates CAMILA COURI
Construção do palco TECNOMETAL
Ajudante de cenotécnica NILSON SANTOS, ELTON JOHN E GERALDO ALVES
Costureiras TAIRES SCATOLIN E IDALÉIA DIAS
Fotos GUTO MUNIZ / CASA DA FOTO
Projeto gráfico LÁPIS RARO
Consultoria de planejamento ROMULO AVELAR
Assessoria de planejamento ANA AMÉLIA ARANTES
Assessoria de comunicação PAULA SENNA
Estagiários de comunicação ANA ALYCE LY E JOÃO LUIS SANTOS
Consultoria de patrocínio MAURO MAYA
Assistente de produção ANNA PAULA PAIVA
Produção executiva BEATRIZ RADICCHI
Direção de produção GILMA OLIVEIRA
Produção GRUPO GALPÃO
Patrocínio PETROBRAS
Tuesday, May 18, 2010
É hora de fazer do limão uma limonada
Já há algum tempo que tinha ouvido falar do filme sobre Simonal, este cantor dos anos 70 que eu também já havia esquecido. Na época, fiquei com vontade de ver, mas o tempo passou e não tive chance. Hoje assisti o DVD. Ouvir Simonal para mim é fazer uma longa viagem no tempo. Eu, que não sou saudosista, sinto uma alegria, ao ver no palco aquela figura com uma faixa na cabeça cantando: "Nem vem que não tem. Sacundim, sacundá".
Ansiosa, com contrações nas costas que dão trabalho a minha massagista, sempre admirei as pessoas que passam esta idéia de estarem completamente à vontade, que tem malemolejo (esta palavra estará no dicionário?), que parecem sempre relaxadas, mesmo que diante de uma multidão de mais de 30.000 pessoas. Simonal, convidado para abrir o show de Sergio Mendes "roubou a cena" fazendo toda a platéia cantar "Meu limão, meu limoeiro..." a partir do seu comando. Conta seu filho que a faixa na cabeça, que acabaria se tornando uma marca registrada, foi colocada para segurar as batatas que deveriam eliminar a sua dor de cabeça e que ele teria esquecido de tirar antes de entrar no palco.
Não é à-toa que conseguiram juntar tantos depoimentos de pessoas de áreas tão diversas para falar (bem) dele, entre estes Nelson Motta. Poderiam ter entrevistado minha mãe que disse: "eu adorava ele". Fiquei surpresa, afinal, ela sempre tão ligada a rígida cultura francesa se declara uma apaixonada por aquele cantou que aparece dizendo: "prá ter fun fun trabalhei, trabalhei". Ela que quer que eu pronuncie todos os "sss" e "rrr" das palavras, encantada com um cara que diz: "masque belê?"
A verdade é que poucas pessoas resistiam ao carisma de Simonal, ao seu jeito alegre e irreverente. Até mesmo Pelé, que sempre aparece tão sério, sorria ao falar do seu amigo, dizendo que a aproximação deles aconteceu porque todo "jogador quer ser cantor e todo cantor quer ser jogador". No entanto, na cena em que Pelé aparece cantando não chega aos pés do seu amigo (e olha que eu acho o Pelé um sujeito com uma energia muito forte e uma voz bem poderosa).
E o filme se desenrola assim, a partir de histórias contadas por aqueles que conviveram com ele, como é o o caso de Mièle. Uma das mais curiosas é a que eles vão juntos a uma sauna e Simonal, recebido com todo o zumzumzum que o seu sucesso já estava causando, reconhece que está na mesma casa onde a sua mãe era cozinheira e colocava um prato de comida no muro, já que os patrões não permitiam que ele entrassse. Ah, talvez seja necessário dizer que estamos falando de um cara negro e pobre, o que pode ter contribuído para a total intolerância ao que foi considerado um grande mal entendido. Li comentários de pessoas que se queixam que o filme não chega aos fatos. Eu não sou uma entendida em época de ditadura, mas pelo que sei não é tão simples assim. Além do mais, o fato de ser um documentário não quer dizer que não possam ter decidido dar ênfase ao talento de Simonal que este sim me parece inquestionável. Cinema não é lugar de investigação, embora o filme até mostre momentos em que o cantor apresenta a documentação que diz que ele não colaborou com a ditadura. Para mim, isso pouco muda. Estar escrito em um papel por mais "oficial" que este possa ser, não garante que tenha acontecido.
Os comentários surgem. Ao descobrir que estava sendo roubado pelo seu contador, Simonal teria mandado o pessoal do DOPS torturá-lo. No filme, o contador aparece confirmando estes dados. Os demais porém dizem que acreditam que a ingenuidade de Simonal misturada com uma certa arrogância tenham feito ele se comprometer com algo que ele não podia sequer imaginar.Para levá-lo a uma Sibéria de recepção como diria um dos entrevistados, muitas notícias da imprensa o acusavam de colaborar com o governo da época da
ditadura. Foi o suficiente para que a classe artística também não o perdoassem. Sobre isso, para minha supresa, Bárbara Heliodora diria: "Era um petisco para os preconceitos teóricos e práticos".
Chamou minha atenção que é justamente Ziraldo que fala que era uma época de intolerância. Outro dirá que "era comum a imprensa brasíleira tomar qualquer indício por fato, qualquer fato por julgamento, qualquer julgamento por condenação e a condenação por lixamento". Era? Tony Tornado dirá que Simonal era simples demais para ter tudo isso planejado. O fato é que, como disse, Boni da Rede Globo, escalar o Simonal era uma dor de cabeça. Os artistas tinham sérias restrições a isso e os veículos de comunicação não perdoavam. É muito triste ouvir sua segunda esposa contar que ele se escondia atrás de uma pilastra no show dos seus filhos que já começavam a fazer sucesso por conta própria.
O filme mostra uma manchete de jornal de uma matéria de 1995, de Mario Prata dizendo: Esquecemos de anistiar Wilson Simonal. Bem, mesmo tarde, este filme parece fazer isso. No entanto, Raphael Viviani, o contador, é entrevistado e insiste no seu espancamento. Ou seja, o filme, não mostra só gente falando bem e defendendo Simonal. Chico Anysio fala da overdose de ostracismo pela qual passou o cantor e diz que gostaria que aparecesse apenas uma pessoa que tenha sido dedurada pelo Simonal. "De qualquer forma, deve haver uma outra vida onde ele vai comandar os anjos e São Pedro vai dizer: 'o que esse cara tem que manda nos anjos mais do que eu", diz Chico Anysio.
Ansiosa, com contrações nas costas que dão trabalho a minha massagista, sempre admirei as pessoas que passam esta idéia de estarem completamente à vontade, que tem malemolejo (esta palavra estará no dicionário?), que parecem sempre relaxadas, mesmo que diante de uma multidão de mais de 30.000 pessoas. Simonal, convidado para abrir o show de Sergio Mendes "roubou a cena" fazendo toda a platéia cantar "Meu limão, meu limoeiro..." a partir do seu comando. Conta seu filho que a faixa na cabeça, que acabaria se tornando uma marca registrada, foi colocada para segurar as batatas que deveriam eliminar a sua dor de cabeça e que ele teria esquecido de tirar antes de entrar no palco.
Não é à-toa que conseguiram juntar tantos depoimentos de pessoas de áreas tão diversas para falar (bem) dele, entre estes Nelson Motta. Poderiam ter entrevistado minha mãe que disse: "eu adorava ele". Fiquei surpresa, afinal, ela sempre tão ligada a rígida cultura francesa se declara uma apaixonada por aquele cantou que aparece dizendo: "prá ter fun fun trabalhei, trabalhei". Ela que quer que eu pronuncie todos os "sss" e "rrr" das palavras, encantada com um cara que diz: "masque belê?"
A verdade é que poucas pessoas resistiam ao carisma de Simonal, ao seu jeito alegre e irreverente. Até mesmo Pelé, que sempre aparece tão sério, sorria ao falar do seu amigo, dizendo que a aproximação deles aconteceu porque todo "jogador quer ser cantor e todo cantor quer ser jogador". No entanto, na cena em que Pelé aparece cantando não chega aos pés do seu amigo (e olha que eu acho o Pelé um sujeito com uma energia muito forte e uma voz bem poderosa).
E o filme se desenrola assim, a partir de histórias contadas por aqueles que conviveram com ele, como é o o caso de Mièle. Uma das mais curiosas é a que eles vão juntos a uma sauna e Simonal, recebido com todo o zumzumzum que o seu sucesso já estava causando, reconhece que está na mesma casa onde a sua mãe era cozinheira e colocava um prato de comida no muro, já que os patrões não permitiam que ele entrassse. Ah, talvez seja necessário dizer que estamos falando de um cara negro e pobre, o que pode ter contribuído para a total intolerância ao que foi considerado um grande mal entendido. Li comentários de pessoas que se queixam que o filme não chega aos fatos. Eu não sou uma entendida em época de ditadura, mas pelo que sei não é tão simples assim. Além do mais, o fato de ser um documentário não quer dizer que não possam ter decidido dar ênfase ao talento de Simonal que este sim me parece inquestionável. Cinema não é lugar de investigação, embora o filme até mostre momentos em que o cantor apresenta a documentação que diz que ele não colaborou com a ditadura. Para mim, isso pouco muda. Estar escrito em um papel por mais "oficial" que este possa ser, não garante que tenha acontecido.
Os comentários surgem. Ao descobrir que estava sendo roubado pelo seu contador, Simonal teria mandado o pessoal do DOPS torturá-lo. No filme, o contador aparece confirmando estes dados. Os demais porém dizem que acreditam que a ingenuidade de Simonal misturada com uma certa arrogância tenham feito ele se comprometer com algo que ele não podia sequer imaginar.Para levá-lo a uma Sibéria de recepção como diria um dos entrevistados, muitas notícias da imprensa o acusavam de colaborar com o governo da época da
ditadura. Foi o suficiente para que a classe artística também não o perdoassem. Sobre isso, para minha supresa, Bárbara Heliodora diria: "Era um petisco para os preconceitos teóricos e práticos".
Chamou minha atenção que é justamente Ziraldo que fala que era uma época de intolerância. Outro dirá que "era comum a imprensa brasíleira tomar qualquer indício por fato, qualquer fato por julgamento, qualquer julgamento por condenação e a condenação por lixamento". Era? Tony Tornado dirá que Simonal era simples demais para ter tudo isso planejado. O fato é que, como disse, Boni da Rede Globo, escalar o Simonal era uma dor de cabeça. Os artistas tinham sérias restrições a isso e os veículos de comunicação não perdoavam. É muito triste ouvir sua segunda esposa contar que ele se escondia atrás de uma pilastra no show dos seus filhos que já começavam a fazer sucesso por conta própria.
O filme mostra uma manchete de jornal de uma matéria de 1995, de Mario Prata dizendo: Esquecemos de anistiar Wilson Simonal. Bem, mesmo tarde, este filme parece fazer isso. No entanto, Raphael Viviani, o contador, é entrevistado e insiste no seu espancamento. Ou seja, o filme, não mostra só gente falando bem e defendendo Simonal. Chico Anysio fala da overdose de ostracismo pela qual passou o cantor e diz que gostaria que aparecesse apenas uma pessoa que tenha sido dedurada pelo Simonal. "De qualquer forma, deve haver uma outra vida onde ele vai comandar os anjos e São Pedro vai dizer: 'o que esse cara tem que manda nos anjos mais do que eu", diz Chico Anysio.
PS: Ainda estou esperando quem me explique o que quer dizer "esquindô lelê" e para quem acha que eu contei toda a história, garanto que não há como descrever as apresentações de Simonal.
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