Os amigos me convenceram a começar o meu blog. Sou jornalista e mestra em artes cênicas. Sempre adorei escrever e tenho enviado textos para os meus conhecidos com uma certa frequência. Os assuntos? Os mais variados possíveis, mas, ligados as minhas experiências, ao que acho de tudo que está em minha volta. Gostaria de compartilhar com mais pessoas.
Thursday, October 15, 2009
Dia dos meus pais
Monday, October 12, 2009
Perdas e ganhos
Passei meu quarto aniversário sem meu irmão. São muitas lembranças e uma delas é que ele gostava de escrever poesias. Escreveu textos que eu achava lindos e que nunca foram publicados. Vou fazer isso por aqui de agora em diante e começo por um bem curtinho:
"Os amores-perfeitos desabrochavam assustados com as bocas-de-leão." João Alfredo Mello Neto
Mas, nem tudo foram perdas. Tenho feito novos amigos. Tido novas experiências. Vivido outras emoções. Queria as pessoas que perdi de volta, é claro! Mas, ganhei outra percepção da vida nos últimos tempos com as ausências que se fazem tão presentes todos os dias e ainda mais em datas especiais.
Friday, October 09, 2009
Fazer mestrado é uma buena onda?*
Wednesday, September 16, 2009
O silêncio dos amantes e o mudismo da platéia

Quando escolhi o lugar parecia bom. Bem na frente, meio central, na platéia baixa do teatro do CIEE, mas, bastou olhar para o palco para constatar que estava perto demais. Torci para que isso não prejudicasse minha visão das cenas e deu certo.
No palco, uma grande caixa de madeira. Panos pendurados pelas “paredes”. Uma luz indireta, suave, tornando o ambiente meio poético. Anjos mascarados fazem movimentos suaves que mais lembravam um ballet. Uma música de piano agradável acompanhava os atores. Ou seriam bailarinos? Vim assistir a um espetáculo de dança? Nada contra. Mas, minha expectativa era outra. Assim, fiquei feliz quando vieram as primeiras palavras. Um dos atores manipulava um boneco e contava a sua história de preconceito, de discriminação, de solidão familiar por ser ele um anão! Poderia até ser engraçado, mas, não. O jeito contundente e sofrido dele fazer seu relato elimina qualquer ruído da platéia. Muito menos risos, embora em alguns momentos ocorram falas divertidas. Pronto. Já fui conquistada. A expressividade do ator, seu tom de voz, seu jeito absolutamente perfeito de dizer o texto me arrebatou. Como se não fosse o suficiente convencer-me da fala daquele menino-anão, ele ainda fazia as vozes da mãe, do pai, da irmã. Como é bom ver alguém se apropriar tão bem das palavras e das emoções que surgem com elas. Sem titubear. Sem nenhum vacilo. Fala de sentimentos, mas, nos apresenta algo com começo, meio e fim e é assim que passamos para o próximo monólogo.
Outra proposta interessante. Os anjos mascarados trazem um pequeno marionete. Colocam em uma posição deitada. Logo em seguida, uma das atrizes começa a falar do suicídio do marido. Mas, não explicitamente. Vai nos introduzindo ao que levou aquele momento. De uma maneira que nos sentimos lá, com ela, “vemos” o que ela fala e entendemos o seu drama. No meio de outro texto profundamente bem escrito, frases poéticas, profundas, filosóficas: “não saber é que torna a vida possível”. Toda a platéia segue em total silêncio e olhos vidrados. Outra frase: “Nenhum de nós rompeu aquele acordo sem palavras”. Palavras, palavras, palavras. Nada mais. Mas, estas tem movimento, ganham o espaço, preenchem o teatro. Outra vez compartilhamos de tudo que aconteceu com aquela personagem.
Um dos anjos coloca vários copos sobre a caixa. O ator que fará o terceiro monólogo os espalha e começa a contar seu sonho com a mãe. Mais uma vez, frases que merecem ser registradas: “que dificuldade você tem para ser feliz!”. Outro ótimo texto. O alcoolismo na família. O ritmo das palavras se mantém. O nível de expressividade também. Há uma homogeneidade na atuação de todos eles. “Naquele instante eu fui feliz”. “Só as famílias felizes querem ficar registradas”. “Sofrendo numa confusão de amor e ódio”. “Tinha um poder maior sobre ela do que qualquer sensatez”.
Mesmo que a proposta cênica seja criativa e diferente, a maneira como os anjos foram colocando as máscaras na medida em que os monólogos iam acontecendo, indicam que falta apenas um. É interessante esta questão de códigos. Mesmo que não previstos, há uma lógica que nos tranqüiliza, que nos faz sentir inteligentes. Para o último, abrem-se espelhos. Outro texto brilhante. “Eu entendi que a nossa cumplicidade só existia na minha imaginação”. Fala da burocracia da morte. Eu que vivi exatamente isso com a morte do meu irmão e que vi meu pai fugir dela, doando seu corpo para estudos, entendo perfeitamente. “Não importa quanto tempo se passou. O amor é o mesmo. Eu sou a mesma”. “Vamos calar em um silêncio maior do que qualquer palavra”. De novo a morte. Sob outra ótica. Outro vínculo. A mesma tristeza. O mesmo desespero e o mesmo talento de todos os outros para dizer o texto. Longo por sinal, como os demais. E a platéia imóvel, absorvendo cada sílaba, cada pausa que vai nos calando fundo e só se rompe ao final com os gritos de bravo e o barulho das palmas.
PS: Como disse no início, não gosto de me informar sobre o que vou ver. Só chegando em casa fico sabendo que o espetáculo é uma adaptação dos contos de Lya Luft, com o mesmo nome. Ah...
Ficha técnica
Direção: Moacyr Goes
Elenco: Carla Rosa, Giselle Lima, Augusto Garcia, Leon Góes
Assistência de direção: André Chevitarese
Direção musical: Ary Sperling
Cenografia: Paulo Flaskman
Figurinos: Inês Salgado e Fúlvia Costalonga
Iluminação: Paulo César Medeiros
Direção de produção: Companhia Escola 2 Bufões
Duração: 90 min
Crédito fotos: Renata Dillon e Rogério Resende
Tuesday, September 15, 2009
A verdadeira arte de viajar*

Fazia uma semana que não via uma casa. Estava em Brasília. Dizem que existe. Meu amigo que me hospedou até pensa em ir morar em uma. Por enquanto, isso quer dizer há cinco anos, ele mora em um apartamento bem espaçoso e com fácil acesso ao Ministério da Saúde, onde trabalha. Mas, é claro que esta diferença em relação à moradia não foi a única que observei. Nem todas são favoráveis, mas, é importante dizer que elas partem da perspectiva de uma gaúcha que ama a sua cidade. Porém, adoro viajar e deixo as comparações para fazer só depois que retorno. Se não, para que sair de casa?
Não posso deixar de tirar meu chapéu para a arquitetura. Não é à-toa que Oscar Niemeyer é tão famoso. Os profissionais da área do mundo todo costumam ir até lá só para conhecer. Meu amigo põe alguns defeitos e acredito que ele tenha mesmo razão, pois, apesar de extremamente diferente e bonito, segundo ele, existem prédios que não tem estrutura para suportar a temperatura e as intempéries da região, como raios, por exemplo. Peca em aspectos funcionais. Porém, para quem é turista isto não faz diferença e cada prédio traz uma surpresa.
Aliás, já conhecia Brasília. Havia estado lá em 1987, no Festival de Arte e Cultura. Desta vez, constatei que eu era mais “barroca” há mais de 20 anos atrás. Tantas linhas retas, este estilo organizado e clean da cidade havia me incomodado. Continuo achando que a cidade não é acolhedora, mas, hoje, já consigo apreciar a estrutura de quadras, com seus espaços comerciais, oferecendo autonomia aos seus moradores. Por falar neles, é preciso lembrar que a cidade foi criada há apenas 49 anos (a cidade faz 50 anos no ano que vem), então, a quantidade de pessoas nascidas em Brasília ainda é pequena e esta costuma ser uma das observações: uma cidade sem tradições, sem alma, dizem seus críticos. No entanto, é possível olhar isso sobre outra perspectiva, pois, nos oferece a chance de conviver com pessoas de todo o país. Nestes poucos dias que fiquei lá, conheci mineiros, cariocas, paulistas e nordestinos, claro! Aliás, o sotaque que se ouve nas ruas é uma mistura de tudo isso. Estas são em sua grande maioria extensas avenidas, com várias faixas e carros, muitos carros.
Pouco se vê pessoas caminhando. Raro mesmo. Assim, como ver animais na rua. Muito diferente daqui. Posso contar nos dedos e não vou preencher nem uma mão os cães que encontrei com seus donos. Gato? Nenhumzinho. Nem mendigos tampouco. Vi alguns dormindo nas ruas. Três para ser mais exata. E, nestes sete dias em que vaguei por lá ninguém me pediu nem um tostão para comprar leite, remédios ou o que quer que fosse. Flanelinhas? Nunca.
A gente anda muito para chegar a qualquer lugar. Mas, as tarifas dos taxis lá não se comparam com as daqui. Muito menores. Além disso, os motoristas respeitam as faixas de segurança e aguardam o pedestre atravessar. Ufa! Soube, ontem, que começaram uma campanha para que aqui em Porto Alegre isto também aconteça. Que ótimo!
Bom, como todos sabem o clima em Brasília é seco e quente. O que para mim nestes dias em que fiquei lá foi uma vantagem em relação aos que estavam aqui em Porto Alegre, onde só chovia e fazia frio. O gaúcho é mesmo um forte. Sobrevive a estas alterações brutas de temperatura. Lá, também não é fácil. A gente tem que tomar água o tempo todo. Nas empresas, existe um programa no computador que avisa que é preciso tomar água, tamanha secura. Meu amigo disse que é o lugar com o maior índice de pedra nos rins, em função disso.
Ah, mas, não posso encerrar sem falar de comida, é claro! Não tive chance de experimentar nada mais típico. Gostei muito das saladas de frutas que vendem na rua. Uma boa quantidade, muito bem feita, com ingredientes novos, acrescidos de leite em pó, granola, canela, aveia, leite condensado e, talvez, mais alguma coisa que agora não me recordo por R$ 3,00. Em geral, porém, achei as coisas caras. Em um dos lugares mais bonitos onde estive, o Portal do Lago, uma porção pequena de batata frita, R$ 17,00! Nos shoppings, os preços são, certamente, mais altos do que aqui. Vinho então... Um rombo no orçamento. Ontem, porém, comi um crepe delicioso. A massa era bem semelhante aquelas casquinhas que vendiam na praia e paguei R$ 5,00. Na noite anterior também havia saído com uns amigos e comido umas pizzas em uma padaria muito boas e baratas. Só que não havia vinho para acompanhar, o que, para mim, faz falta. O que percebi é que é preciso descobrir onde e o que comer e daí já não se gasta tanto. Desta vez, quando comecei a encontrar estes lugares já estava na hora de voltar. O que, aliás, me agrada tanto quanto viajar!
Não andava de avião desde 2001. Gosto. Na volta, até consegui dormir, embora, tenha voltado a estranhar as decolagens e aterrissagens depois de tanto tempo sem voar.
PS: Fomos à Brasília apresentar os Jogos Boole em francês no Congresso Internacional de Professores de Francês. (www.jogosboole.com.br)
*A Verdadeira Arte de Viajar- Mario Quintana
A gente sempre deve sair à rua como quem foge de casa,
Como se estivessem abertos diante de nós todos os caminhos do mundo.
Não importa que os compromissos, as obrigações, estejam ali...
Chegamos de muito longe, de alma aberta e o coração cantando!
Saturday, September 05, 2009
Esbanjando competência

Talvez não seja coincidência que justamente na véspera de uma viagem de avião, coisa que eu não fazia desde 2001 quando fui a França, eu tenha ido ver o Avarento. Afinal, foi lá, na Comédie Française, que eu fui assistir a esta peça de Molière (L’Avare). Comentei isso com o meu colega e diretor Gilberto Fonseca quando ele me falou que estava montando esta peça. Falei que se tratava de uma proposta pós-moderna, sem figurino e um cenário cheio de portas que abriam e fechavam todo tempo. Acho que cheguei a comentar que, tirando a experiência de estar em um teatro com tanta história, mal pude acompanhar o texto e nada na encenação francesa me impressionou.
Bem, mas, hoje tive o prazer de ir ali ao Teatro de Câmera, aqui mesmo na minha cidade e assistir a uma excelente montagem. O que parece já está chegando aos ouvidos daqueles que gostam de teatro, tendo em vista o bom público que lá estava. Mas, não é surpreendente já que este é o último fim-de-semana desta temporada. Ou seja, se queria ver o espetáculo tinha que ser hoje, pois, desde que entrou em cartaz recebei o convite, mas, uma faringite me exigiu repouso. Sim, Marcos Chaves, “eu estive com um punhal na garganta” e posso te garantir que no meu caso isso era bem menos uma metáfora do que uma sensação que a doença provoca. Dito isso, falarei do Avarento do Grupo Farsa.
O cenário é simples, mas, com elementos suficientes para nos colocar no ambiente para aqueles personagens. Já o figurino é um caso a parte. Além de serem totalmente adequado-as para cada um que estava no palco, as roupas eram extremamente bem elaboradas. Diria até que não se tratava de figurinos, mas, de roupas de época. Teriam sido arrematadas em algum leilão com o dinheiro ganho? Não. Vejo no programa que é um trabalho de Daniel Lion. Aliás, não saberia dizer o quanto o prêmio da Funarte fez diferença no trabalho, até porque sei que os ensaios já vinham há bastante tempo e isso é visível no resultado. O que vi não se constrói em pouco tempo.
No palco, um grupo de atores coesos em sua proposta e em seu talento representado no início por Zé Mario Storino e que no decorrer das cenas surge com tantas outras figuras. Enquanto assistia, pensava em destacar alguém, mas, agora vejo que se começar vou ter que falar de todos. Além do Marcos, tem Lúcia Bendati que desde que comecei a ver seus espetáculos tem me dado aulas de interpretação, a Ariane Guerra, minha colega do DAD que pequena na estrutura tem aquele vulcão por dentro e que aparece no palco, exatamente como acontece com a Daiane Oliveira. Isso sem falar no prazer de ver João Madureira e Lucas Krugg. Bem, mas, posso falar do ator que fez o Avarento, “protagonista” desta história. Elison Couto está convincente, autêntico, divertido. E se não é fácil priorizar alguém posso, certamente, dar ênfase a toda movimentação dos atores em cena e suas marcações, as soluções de distribuição no espaço e, por último, e uma das coisas que me deixa feliz, a competência de todos na maneira de dizer o texto que, convém que se observe, não é fácil, exige aquele famoso tempo da comédia que ou acontece ou é um fracasso. Se considerar a quantidade de pessoas rindo na platéia e o número de vezes que isso aconteceu, não tenho dúvidas de que é um espetáculo extremamente bem sucedido. E como se não bastasse tudo isso, eles cantam divinamente e sem exageros, a não ser no final quando a cantoria parecia clichê (e já começava a me incomodar) e acontece a revelação de era de propósito, levando todo mundo mais uma vez ao riso.
Já disse outras vezes que vou mais ao cinema do que ao teatro, mas, bastariam mais peças como o Avarento e, certamente, este hábito se modificaria. Parece que no que depender do Gilberto é isso mesmo que irá acontecer, afinal, ele pretende colocar em cartaz Tartufo e As Preciosas Ridículas.
PS: Já li o texto há muito tempo e não lembro o que estava realmente no original e o que é liberdades do grupo, mas, a fala “seu catarrozinho lhe cai bem”, dita ao Avarento, me lembrou o vídeo da entrevista do Nelson Rodrigues e a forte impressão que o seu pigarro causou no diretor.
Wednesday, September 02, 2009
A dona da voz
Wednesday, August 19, 2009
Da serra ao litoral

Voltei de Gramado na segunda para viajar para Florianópolis na quarta à noite onde apresentaria o meu trabalho na Jornada Latino Americana de Estudos teatrais. Outras duas colegas estavam no mesmo ônibus. Não tenho problemas para dormir em viagens noturnas. Assim, três horas depois estava em Sombrio onde só acordei devido ao aviso do motorista. Já amanhecia quando comecei e ver a ponte Hercílio Luz. Com o apoio das colegas e de uma em particular que já havia morado por lá chegamos a UDESC. Eu com uma mala que já começava a parecer inapropriada nas roletas e nas escadarias da Universidade.
A inscrição não foi cobrada e já fomos avisadas que muita gente havia desistido da participação por causa da Gripe A. Sem problemas. O que importava é que lá estava. Logo em seguida, revejo um dos professores doutores que veio a Porto Alegre fazer um Seminário. Daqueles que fazem a gente saber por que resolveu ir em busca do título de mestre.
A manhã passou rápida, embora a palestra de abertura em espanhol em tom monocórdio e com uma pronúncia nada fácil tenha me feito sentir uma ignorante total desta língua estrangeira. Nada que o almoço no restaurante escolhido pelo meu orientador, na companhia de outra doutora em história não compensasse.
À tarde, já começava a “gincana”. Sim, porque tínhamos que nos dividir para tentar assistir as mesas de comunicação. Meio na obrigação, mas, sabendo que não haveria arrependimentos, fui ver meu orientador falar do que ele chamou de Eu, como o outro. Acabou. Corro para ir ver a apresentação de uma colega. Tudo tranquilo. Bem explicado. Começo a perceber que não eram necessárias minhas aflições. Eu estava pronta.
Final do dia. Consigo carona até o local onde vou ficar hospedada. Nada perto, por sinal, mas, a própria dona da residência vai me pegar na frente da Universidade, gentilezas que vão se prolongar durante toda a minha hospedagem. À noite panquecas, com direito a lareira e uma cama fofa. As duas crianças da casa me recebem de maneira gentil e afetiva.
Na manhã seguinte, outra carona e lá estou eu na frente da UDESC outra vez. Mais mesas de comunicação. Alguns temas bem curiosos e interessantes como o teatro de rua de Frederico Garcia Lorca “La Barraca”, os grupos de teatro negros e o teatro russo visto por um brasileiro, apresentado por Vera Collaço, doutora daquela universidade. Tinha mais coisas, mas, o que foi lido não memorizei. Apesar de achar o texto muito bem escrito e pensar que esta era uma boa opção de apresentação para quem fica nervoso. (Será?)
Noite na Lagoa da Conceição. Duas caipirinhas e muita batata-frita. Boas risadas. Gente. Muita praia e burburinho. Ainda não consigo voltar para casa sozinha. Também ninguém me explicou o que era TICEN, TITRI, TILAG, TISAN. Sou levada até um dos terminais e consigo outra carona dos meus hospedeiros até a casa. Banho e cama.
Manhã da apresentação. Minha colega acha que estou ansiosa, mas, o que acontece é que estou atrasada para a minha própria mesa, pois, os organizadores não haviam aparecido e saímos para tomar café. Felizmente, chego poucos minutos depois. Ninguém começou ainda. Estão apenas se organizando. Sou a terceira a falar. Ótimo. Aliás, falar não. Ler. Um texto coloquial. Quase uma conversa com slides. Apenas para não me perder já que o assunto é muito vasto e eu sigo apaixonada por ele. Parece que faz sentido já que quando termino todos começam a discuti-lo. Polêmica. Argumento algumas coisas, mas, me divirto com os comentários que vão surgindo. 15 pessoas na sala. A média daqueles que tiveram sorte de ter algum público. Almoço com gente bacana. Na tarde, um pouco de palestra e está na hora de fugir para ir ver as praias. A Jornada chegava ao fim algumas horas antes para mim.
Guiada pela minha colega que já morou na terrinha não há como se perder. Mas, depois de belíssimas paisagens e algumas fotos para registrar o momento, o sol se põe rápido e tento chegar a casa sozinha. Acabo pedindo ajuda pelo celular mesmo estando há poucas quadras do lugar. Sou resgatada de carro. Aliás, algo que parece imprescindível nas rodovias da cidade catarinense.
À noite, meu celular começa a dar sinal de vida. Minha irmã que está em Gramado me comunica: melhor roteiro Sergio Silva por Quase um tango. Melhor atriz: Viviane Pasmanter por Quase um tango. Eu em Santa Catarina e os Kikitos indo parar na mão do meu mestre amigo e da minha “irmã” na ficção.
Domingo. Dia de preguiça. A vizinhança prepara um churrasco para o qual acabo sendo convidada. Mais caipirinha. Boa conversa. Gente divertida e muito receptiva. Resolvo andar. Meu primeiro passeio por conta e risco. Muita distância em uma única rua. A paisagem? Incluo aqui a foto para terem uma idéia. Meu orientador também mora nesta rua. Não sabia disso quando consegui hospedagem na casa da filha de um amigo de meu pai. Assim como não tinha idéia de que me sentiria tão bem acolhida. Quem não acredita em sincronicidade? Na volta, na hora do jantar acabamos indo comer Tainha em um bairro próximo. Casas antigas. Sotaque português nas ruas.
Segunda-feira, dia da partida. Depois de dias esplendorosos de sol e céu azul, as nuvens aparecem. Vou para Floripa comprar a passagem. Caminho muito pela Beira Mar tirando fotos. Já despachei a mala por uma colega que voltou antes de carro. Compro uma mochila para guardar algumas coisas que ainda ficaram. Agora sim. Sou cidadã do mundo. Tênis, pouco peso, ruas gigantescas para andar muito e ver o mar. Cansada, de volta ao centro, vou ao mercado comer pastel de camarão e siri e mais caipirinha. A cada esquina uma surpresa. Uma casa portuguesa, uma catedral, um museu. Penso nas fotos lindas que minha irmã tiraria. A mim chama atenção, crianças mendigas na frente do prédio justamente da Secretaria da Fazenda ou do Museu da cidade em frente a uma lancheria multinacional. Contrastes.
Tento assistir a um espetáculo inscrito no Festival de Teatro que acontecia por lá. Não dá. Uma mistura de besteirol para criança com algo de mau gosto para os adultos. Melhor sair e tomar o rumo de casa. O céu já está escuro e a chuva já começou a cair. Desta vez, consigo chegar até o local onde está a minha cama (a qual até já arrumei, pois não dormirei lá esta noite), uma linda cadela preta e três gatos que convivem pacificamente. Algumas ligações depois e estou dentro de casa para tomar um ótimo banho quente e esperar os donos. Dia de pizza. Danças das crianças, ambos com muita energia e boas possibilidades de um futuro artístico. Mais uma carona até a rodoviária.
A viagem de volta já não foi tão tranquila. Fecho as cortinas da janela que parece que vai partir ao meio de tanto barulho. Um passageiro ronca no banco de traz e outro ronca no banco da frente. Chego em casa exausta. Aliás, ainda estou me recuperando de uma viagem em que tudo deu muito certo e todos foram muito agradáveis e simpáticos. Fazer o que? Ser feliz também consome energia.
Tuesday, August 11, 2009
Quase um tango é um dos seis selecionados entre mais de 80 filmes

Se não registrasse o que me aconteceu nestes últimos dias, este blog perderia um pouco a razão de sua existência. Afinal, como o próprio nome diz, ele foi criado para falar das coisas que me provocam quaisquer que sejam as emoções. Pois bem. Fiz minha inscrição como jornalista no Festival de Cinema de Gramado, como já faço há vários anos. Mas, quem acompanha a minha história sabe que eu sou uma freqüentadora deste evento mesmo antes de ser jornalista. Ainda estava na universidade quando comecei a ir para Gramado, uma cidade que freqüento desde pequena (meu avô veraneava lá) para assistir a uma semana de filmes, debates, tomando muito chocolate quente, vinhos e comendo aquelas delícias da serra. Era uma época em que ninguém conhecia Jorge Furtado, um carinha gaúcho que insistia em fazer cinema. Roberto Kovalick (agora no Japão) dava idéias de como poderíamos furar a festa de encerramento. Bem, mas, chega de falar do passado. Vamos ao 37º festival.
Embora inscrita, já começava a pensar que não seria possível estar presente. Com viagem marcada para Santa Catarina, onde vou apresentar meu trabalho na UDESC, achei que as agendas iam colidir e que seria impossível estar em dois lugares ao mesmo tempo. Mas, recebi a notícia de que o filme no qual participei (já disse outras vezes que entro muda e saio calada), ia passar no dia da abertura, enquanto eu ainda estaria por aqui. Assim, comecei a me convencer de que iria a cidade nem que fosse para passar o dia rodopiando. Mas, como quem não quer nada, liguei para o hotel onde estive o ano passado e tinha vaga. Fiz a reserva. Pronto. O local para dormir estava garantido. Agora, faltava apenas o ingresso. Felizmente, isso também acabou não sendo problema. Tem muita gente nova por lá organizando, mas, eles ainda sabem quem ama cinema, o que ao meu ver deveria ser o real passaporte para o Palácio dos Festivais.
Tomei a maior chuva o dia todo. Caminhei mais do que devia já que trocaram a sede do Festival do prédio da UFRGS para a Expogramado, mas, nada que uma sopa de capeletti e um cálice de vinho não resolvesse. Hora de tapete vermelho. Quem vai indo justamente na minha frente? Sergio Silva. Meu mestre. Diretor deste filme e acho que posso dizer: meu amigo. Chego perto dele, toco no ombro e ele se vira e diz: Dona Mello!! Bem, daí para frente tive a companhia dele e dos seus amigos Luis Paulo Vasconcellos, Sandra Dani e Araci Esteves. Gente por quem tenho admiração como atores e que estou começando a conhecer como pessoas. Alegres, divertidas e profundamente simpáticas, pelo menos, comigo. Por isso, era uma satisfação ver um deles se virar e me dizer: “vamos beber alguma coisa?”, “vamos entrar no cinema?”. Todo o resto era lucro. E teve muitos. Pela primeira vez em um quarto de século subi ao palco. Fiquei ao lado de Viviane Pasmanter e todo aquele elenco. Se tivesse previsto este fato, diria que era sonho e daqueles bem mirabolantes (Espero que as fotos, que ainda vão chegar, comprovem o contrário).
Bem, mas, devem estar esperando que eu fale do filme... Eu já tinha visto em uma prévia na casa do Sergio. Um momento que também foi bem significativo para esta relés mortal. Mas, ali ele estava acabado, fechadinho e na tela grande do cinema. Que delícia! Como antes, já tinha gostado da história e como o Sergio diz todo o tempo não é um filme com uma história extraordinária. É sobre a vida. Sobre o que nos acontece. Nossas alegrias, tristezas, medos. Li alguns comentários de pessoas que acharam tudo isso muito sem graça. Não estou entre elas. Não porque esteja no filme (aliás, o desafio será me encontrar), nem porque admire o diretor e nem...Mas, porque acho que a vida é muito interessante mesmo sem terremotos, sem queda das Torres gêmeas, sem a descoberta da cura da AIDS e acho que o Sergio soube contar isso de uma forma que, para mim, é uma homenagem ao cinema. Quem foi aluna dele reconhece em muitas passagens suas paixões, suas admirações por outros grandes mestres desta arte. Estão lá. Colocados de um jeito bonito, gostoso de ver. Por causa disso, não é a história que faz deste filme algo especial, mas, o jeito que ela está sendo contada. Acho que vai cair no gosto do público. Quanto as críticas que li, até agora, só pude achar graça. Afinal, há quem diga que Marcos Palmeira está terrível e que é Viviane Pasmanter que salva o filme. Logo adiante, um outro, diz exatamente o contrário: é Marcos Palmeira que leva todos os outros de arrasto. Questionam as escolhas do Diretor, comparam com Anahy de las Missiones (que depois de premiado ninguém ousa dizer nada de ruim), destroem até as cenas que eu achei absolutamente lindas: os sonhos e os pesadelos do protagonista. Ou seja, espero que entre em cartaz para que mais gente possa dar os seus palpites. A arte é para isso: provocar.
PS: Dá para ler meu nome nos créditos, isso eu garanto!
Friday, August 07, 2009
Ingênua e crédula eu? Nem tanto.
Monday, August 03, 2009
De espírito nu e coração aberto

Fui assistir a uma palestra em um centro espírita. Lá pelas tantas, notei que o palestrante estava com a braguilha aberta. Em seguida, percebi que outras pessoas também já tinham reparado. Não conheço bem o lugar. Muito menos as pessoas que são responsáveis pelas atividades, mas, cheguei a pensar em avisar o que estava ao lado daquele que falava só por imaginar como ele se sentiria quando percebesse.
Terminada a exposição, uma das pessoas na sala foi até ele e cochichou no seu ouvido. Ele sorriu. Agradeceu e vi que por baixo da mesa ele fechava a calça. Fiquei só imaginando como ele deve ter ficado constrangido. É um cara que fala bem. Estava explicando uma das parábolas de Cristo, bem complicada até. Mas, saber que fazia isso com a calça aberta não deve ter lhe deixado muito feliz. Mas, enquanto pensava que devia avisá-lo, ao mesmo tempo, dizia para mim mesma: que bobagem, que diferença isso faz? Não estamos aqui falando de desprendimento corporal? J
Depois disso, mil coisas me surgiram na cabeça. Naturalmente, relacionadas ao meu momento. Afinal, hoje, entreguei meu texto para a qualificação no mestrado. A próxima etapa é ficar diante de uma banca e explicar o que afinal de contas eu estou pesquisando e querendo com a minha pesquisa. Quanto ao conteúdo, acho que está bastante bom. Muita coisa ainda por fazer. Mas, acredito que esteja interessante. O problema é que quando pensamos em expor (e falo aqui no plural, pois, vejo que com os outros colegas acontece a mesma coisa) parece bem mais complicado.
Porém, comecei a pensar que eu poderia ser cega e ter que fazer esta exposição. Poderia ter que usar cadeira de rodas para chegar à sala. Poderia ter uma cicatriz ou uma queimadura no rosto, por exemplo. Ou me faltar um dedo da mão... Poderia ser vesga. Poderia ser gaga. E, se inventassem que deveríamos estar nus para a apresentação? Maluquice? E se o Zé Celso fosse o coordenador do pós? Bem, acho que já deu para ter uma idéia de quantas coisas poderiam dificultar bem mais.
No entanto, não tenho nenhum destes problemas. Tudo que vou ter que me preocupar é em saber do que estou falando. Bem, e para me ajudar a ter mais confiança pode ser bom vestir uma roupa bonitinha e não muito chamativa para não tirar o foco (nada de vermelho, snif, snif). Ah, e limpar o nariz e fechar as calças pode causar uma boa impressão também!
Conclusão: Nada de drama. O momento é bom! Favorável! Tudo dará certo! Aliás, tendo em vista que não terei que enfrentar nenhuma das coisas que falei acima para me atrapalhar, já deu.
Wednesday, July 29, 2009
ABOBRINHAS RECHEADAS: uma receita que dá samba...tango...pagode...rock
Você sabe o que é dança? Será? Se você não assistiu Abobrinhas recheadas, acho que você pensa que sabe... e não é uma questão de arrogância de minha parte, mas, de estranhamento.
Fui ontem ver este espetáculo. Minha colega de mestrado Daniela Aquino me convidou. Aliás, percebo que, ultimamente, não vou a mais a nada por iniciativa própria. Mas, embora isso possa parecer ruim, significa que tenho amigos que estão por aí, fazendo arte, expondo seus trabalhos e que me querem na platéia. Bom, mas, não fui com uma idéia pré-concebida. Não sabia o que iria ver. De cara, já gostei de sentar em pequenos pufs que formavam um quadrado, deixando o centro vazio. Estava disposta a ficar mais próxima do que estava para acontecer (nem sempre é assim).
Não vou saber como começou, nem tudo que vi. Minha memória não me ajuda e não fui preparada para fazer anotações. Então, vou comentar minhas impressões e para isso vou dizer que, enquanto, o elenco se apresentava, voltei no tempo e lembrei-me de um curso de dança que fiz com uma professora que tinha um método bastante diferente para a época. Falo dos anos 80. A idéia dela era que a dança podia partir de movimentos simples do corpo e que, deviam, antes de mais nada, não ser impostos por ela. A motivação de seus alunos devia ser as músicas, os ritmos, os sons. Buscando pensar menos no que fazer. Deixar-se levar pelo instinto, pela emoção. Lembrei ainda do quanto me surpreendia com a beleza dos movimentos que acabávamos criando, do quanto eram coreográficos, mesmo que não tivessem surgido com esta intenção.
É claro que não me lembrei disso tudo à-toa. O que acontecia na minha frente tinha um caráter de improvisação e ao mesmo tempo organizado e ensaiado, quase orquestrado pelo diretor que sugere movimentos ao microfone. Uma mão em movimento ganhava vida própria. Partituras repetidas em diversos ritmos, em situações as mais variadas. Eram apenas 4 pessoas: Daniela Aquino, Fabi Vanoni, Nilton Gaffre, Roberta Savian. O fato de eles estarem juntos, mas, também separados, ora sós, ora em dois, depois três, depois quatro... me deixaram a impressão de ter assistido a um corpo de baile. Mas, não pensem que existe alguma relação com um ballet clássico. Esqueçam. O projeto coreográfico de Alessandra Chemello e Diego Mac foge disso e o faz de uma maneira surpreendente, irreverente e competente (mais uma vez me aproveito de não ser crítica e usar todos os adjetivos que tenho vontade e até rimando). Isso não quer dizer que a gente até não possa se lembrar de algo assim quando Nilton e Roberta dançam juntos uma melodia romântica, mas, luvas de Box vermelhas nas mãos femininas lembram que “qualquer semelhança é mera coincidência”.
Todos os intérpretes (ah, era essa a palavra que eu procurava) nos dão aulas do que o nosso corpo é capaz. Mas, Nilton Gaffree me deixou de boca aberta, pronta para engolir uma abobrinha inteira! Sozinho, lá no meio, nos lados, na ponta, ele muda de forma vertiginosa de um ritmo a outro e deixa bem claro que música não é tudo igual e dança muito menos! Mudando de estilo incessantemente vasculha e caça sons e imagens em nossa memória.
Não bastasse tudo que eles nos dizem com seus corpos, o figurino é feito de camisetas variadas, coloridas e que trazem mensagens curiosas, inteligentes, engraçadas, reflexivas. E deixo para o final, mas, para mim, o ponto alto do espetáculo para falar sobre a trilha sonora. Ainda bem que a intenção destes dois jovens responsáveis por este espetáculo era nos divertir, pois, não dá para ficar impassível diante da seleção musical que eles fizeram. Abusaram dos clichês, misturaram a “baixa” e a “alta” cultura (será que ainda existe esta fronteira?). Apelaram para nossas reminiscências musicais, mas, rompendo com qualquer expectativa.
Outra parte do espetáculo que ficou registrada é a dança (?) elaborada ao som de Deus lhe pague de Chico Buarque. Um momento muito forte para mim do espetáculo. A letra desta música sempre me provocou um sentimento de desconforto. Uma bruta realidade me atinge e aquelas 4 pessoas mais uma vez, de formas diferentes, mas, sintonizadas, mexem com minhas emoções e aparecem na contramão do tom do espetáculo que até em tão havia me feito rir, se não de forma audível, por dentro. Aliás, fiquei aliviada ao ver agora, o folheto de apresentação e ler: “Cabe lembrar que não temos o objetivo de sermos engraçados. O ‘humor na dança’ não foi nosso objetivo de investigação. No entanto, como em tudo, não podemos negar as diversões que apareçam durante os percursos. Assim, esperamos que vocês também não neguem, caso o riso, em algum momento apareça.” Ufa! Tinha autorização do diretor para dar aquelas gargalhadas que surgiram espontâneas, assim como a dança de todos eles parecia vir da alma.
E no mais...blá, blá,blá.
PS: Esqueçam a Luana Piovani. Daniela Aquino é mais bonita e exuberante e está mais perto de nós gaúchos. Tivesse ela mais holofotes e ameaçaria Marilyn Monroe.
deus lhe pague
chico buarque
Composição: Chico Buarque
Por esse pão pra comer, por esse chão pra dormir
A certidão pra nascer, e a concessão pra sorrir
Por me deixar respirar, por me deixar existir
Deus lhe pague
Pelo prazer de chorar e pelo "estamos aí"
Pela piada no bar e o futebol pra aplaudir
Um crime pra comentar e um samba pra distrair
Deus lhe pague
Por essa praia, essa saia, pelas mulheres daqui
O amor malfeito depressa, fazer a barba e partir
Pelo domingo que é lindo, novela, missa e gibi
Deus lhe pague
Pela cachaça de graça que a gente tem que engolir
Pela fumaça, desgraça, que a gente tem que tossir
Pelos andaimes, pingentes, que a gente tem que cair
Deus lhe pague
Por mais um dia, agonia, pra suportar e assistir
Pelo rangido dos dentes, pela cidade a zunir
E pelo grito demente que nos ajuda a fugir
Deus lhe pague
Pela mulher carpideira pra nos louvar e cuspir
E pelas moscas-bicheiras a nos beijar e cobrir
E pela paz derradeira que enfim vai nos redimir
Deus lhe pague
Tuesday, July 21, 2009
O que sobra de mim foi ver O sobrado
Foto de Mira GonçalvesDepois de cruzar algumas vezes com Rodrigo Fiatt nos corredores do DAD e receber dele vários convites para ir ver O Sobrado, uma mensagem no Orkut dizendo que ele ficaria feliz de me ver na platéia me fez, finalmente, ir até o Memorial. Não que eu não quisesse ver o espetáculo. Queria sim. Não só este, como vários outros. Mas, confesso que não tenho tido disposição para quase nada enquanto finalizo meu texto para a qualificação do mestrado. Estou na fase da revisão e, obviamente, com sentimentos antagônicos: por um lado, satisfeita com minha própria produção. De outro, me perguntando: mas, é isso que tenho feito desde março de 2008? Bem, mas, não é hora para inseguranças. Se eu não acreditar na importância da minha pesquisa, quem acreditará? Espero que, ao menos, Clovis Massa e Antônio Hohlfeldt, os dois convidados para compor a minha banca neste momento.
Bom, mas, deixando estas questões momentaneamente de lado, quero falar sobre o espetáculo, adaptação da obra de Erico Veríssimo. Mas, não sem antes dizer que quem ficou profundamente feliz de estar naquela platéia fui eu e, justamente, devido ao trabalho de Rodrigo Fiatt, como Licurgo, o chefe político e intendente da Cidade de Santa Fé. Este ator participou comigo das filmagens de Quase um tango, filme de Sergio Silva, selecionado para o Festival de Gramado. Mais do que isso, fez o papel de meu irmão. Eu não o conhecia até então. E mesmo que nós tenhamos entrado mudos e saído calados (tenho quase certeza que sua única fala foi cortada), percebi em Rodrigo uma autenticidade que só reconheço nos atores talentosos e, felizmente, lembro de ter dito isso a ele. Sim porque, se o destino não atrapalhar, Rodrigo vai longe atuando e espero que não esqueça da sua “irmã” e continue me querendo na platéia. Eu que fiz parte de sua família, quase não o reconheci. Rodrigo muda a fisionomia, a postura corporal, o tom de voz. Não sei como Erico Veríssimo imaginou Licurgo, mas, acho que ficaria feliz (parece que esta é a palavra do dia) em ver este ator em cena.
Mas, sejamos justos. Um único ator não faz um espetáculo. E em O Sobrado são muitos, 14 para dizer a verdade. É um elenco muito forte e competente. (Desculpem aqueles que não gostam deste tipo de adjetivos. Eu estudo a crítica. Nunca disse que era uma). E estes ainda fazem vários papéis. Estou aqui catando o nome dos atores que faziam os meninos, filhos do Licurgo, que eram também soldados, que tocavam também instrumentos e, talvez, ainda mais alguma coisa que eu não tenha reparado. Ah, vi no folder que eles também são responsáveis pela pesquisa histórica. Pronto! Achei: Toríbio e Rodrigo, ou seja, Philipe Philippsen e Felipe Rossato. (Seu Google acaba de me ajudar nesta tarefa!). Na minha opinião, estes dois também merecem destaque, pois, quem pensa que fazer papel de criança é algo fácil, se engana profundamente. E eles convencem e trazem uma leveza para um momento tão denso da história e, ao mesmo tempo, a reflexão sobre o que era crescer em tempos como aquele.
Bom, mas, aqui já começo a compreender a questão de falta de espaço que os críticos sentiam para o que queriam dizer sobre os espetáculos. Ainda não comentei quase nada e já escrevi uma página inteirinha. E mesmo que o “meu patrão” não se preocupe com isso, ninguém lê algo muito longo na internet. Então, a partir de agora, vou tentar condensar informações, mas, sem deixar de elogiar rasgadamente (nestas hora é ótimo não estar sendo paga para escrever sobre o espetáculo) as soluções cênicas trazidas pela Inês Marocco para nos remeter ao ambiente e aos momentos das ações. Ficaram na memória, as “representações” do vento e dos cavalos. São fortes, lindas, poéticas... Preciso falar também do figurino da minha colega Rô Cortinhas que, neste momento passa pelo mesmo processo que eu no mestrado, e ainda consegue produzir este trabalho digno de nota. Bem, e agora me perdoem todos os outros que não vou citar, mas, como disse, um espetáculo deste nível é resultado de um trabalho conjunto, um trabalho que só o teatro sabe produzir e que só bons atores sabem realizar. Assim, o que posso fazer é agradecer ao Grupo Cerco por me fazer sair deste momento estressante do mestrado e viver por 1h40 o drama da família Terra Cambará.
Tuesday, July 14, 2009
A Revolução Francesa de 1789
- A queda do Antigo Regime –
VOLTAIRE SCHILLING
Considera-se a Revolução Francesa de 1789 o acontecimento político e social mais espetacular e significativo da história contemporânea. Foi o maior levante de massas até então conhecido que fez por encerrar a sociedade feudal, abrindo caminho para a modernidade.
O alvorecer de uma nova era
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Assinala a Revolução de 1789 a inauguração de uma nova era, um período em que não se aceitaria mais a dominação da nobreza, nem um sistema de privilégios baseado nos critérios de casta, determinados pelo nascimento. Só se admite, desde então, um governo que, legitimado constitucionalmente, é submetido ao controle do povo por meio de eleições periódicas. O lema da revolução, "Liberdade, Igualdade, Fraternidade" (Liberté, Egalité, Fraternité) universalizou-se, tornando-se no transcorrer do século seguinte uma bandeira da humanidade inteira.
Influência do Iluminismo
Ela foi conseqüência direta das idéias das luzes, difundidas pelos intelectuais e pensadores dos séculos XVII e XVIII, tais como John Locke, Montesquieu, Voltaire, Diderot, D'Holbach, D'Alembert, J.J. Rousseau, Condorcet e o filósofo Emanuel Kant, que, em geral, asseguravam ser o homem vocacionado ao progresso e ao auto-aperfeiçoamento ético. Para eles a ordem social não é divina, e sim construída pelos próprios homens, portanto sujeita a modificações, e a alterações substanciais. Era possível, portanto, segundo a maioria dos iluministas, por meio de um conjunto de reformas sociopolíticas, melhorar a situação jurídica e material de todos. O poder político, além de emanar do povo e em seu nome exercido, deveria, seguindo-se a sugestão de Locke e reafirmada por Montesquieu, ser submetido
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a uma divisão harmônica, para evitar a tentação do despotismo. Cada um desses poderes - o executivo, o legislativo e o judiciário - é autônomo e respeitador da independência dos demais. As prerrogativas individuais, em grande parte extraídas dos direitos naturais, não só devem ser respeitadas pelos governantes como garantidas por eles.
O programa da revolução
A Revolução de 1789 é o princípio da era moderna. Nela tudo teve seu início ou sua consagração: a separação do Estado da Igreja, a proclamação do Estado secular, a participação popular pelo voto, a instrução pública, estatal e gratuita, o serviço militar generalizado, os direitos da cidadania, o sistema de pesos e medidas decimal, a igualdade dos filhos perante a herança e
a igualdade de todos perante a lei, o divórcio, a abolição das torturas e dos castigos físicos, acompanhado do abrandamento das leis penais, os primórdios da emancipação feminina levada a diante por Théroigine de Méricourt, a extensão da cidadania aos judeus, a condenação da escravidão e a imorredoura idéia de que devemos viver em liberdade, igualdade e fraternidade.
A convocação dos Estados Gerais
Os reis da França não convocavam os Estados Gerais - organização integrada por representantes do clero, da nobreza e do povo - desde 1614. Centralizadores, convictos do absolutismo, os reis franceses desprezavam qualquer instituição que lhes criasse obstáculos ao uso irrestrito do poder. Naquele início de 1789, no entanto, Luís XVI resolveu chamar aquela antiga assembléia, cujas origens vinham dos tempos medievais, na tentativa de resolver a grave crise financeira que se alastrava pela França, ameaçando-a com o caos.
Em 24 de janeiro de 1789, o rei baixou um decreto instituindo as votações para a sua composição, tendo sua primeira reunião marcada para cinco de maio daquele ano, a ser realizada em Versalhes. O local não foi escolhido ao acaso: o Palácio de Versalhes, a morada do rei e sede do governo, era um templo de esplendor erguido por Luís XIV, o rei Sol, para celebrar a magnificência do absolutismo. Luís XVI pretendia de certa forma impressionar os deputados com a suntuosidade das instalações e também não interromper as suas caçadas pelos bosques vizinhos, enquanto os parlamentares tentariam tirar o reino do fundo do poço.
Sunday, July 12, 2009
É preciso saber viver...
Se você tiver sorte, como eu, um dia você vai estar perto de fazer 50 anos e vai ter deixado para trás muitas angústias e inseguranças e seus velhos amigos vão lhe dizer que você está mais bonita e interessante e os novos, que você não parece ter a idade que tem. Você vai ter vivido muitas paixões, mas vai ter perdido algumas pessoas que amava, que vão lhe fazer falta e provocar muita saudade. Mas, você vai se dar conta de que é bom ter coisas estáveis na sua vida, mesmo que você saiba que elas podem sumir da noite para o dia, como as vitórias do Airton Senna aos Domingos. É aí que você vai perceber a importância de Roberto Carlos fazer 50 anos de carreira. Sim, porque você já viu a moeda brasileira mudar algumas vezes, viu a esquerda assumir o poder e mudar seu discurso e se comportar como você jamais imaginou, mas, ele, o Rei, segue cantando: “Quando eu estou aqui...” e mesmo que nos seus anos mais rebeldes aquelas músicas tenham parecido bregas, piegas ou qualquer outro adjetivo pejorativo que você possa encontrar, você vai se emocionar ao ver Roberto e Erasmo no palco fazendo o reconhecimento de que já se passaram muitos anos. Eles vão chorar no palco e você vai ficar com os olhos cheios d’água. Vai lembrar das aulas de violão e que uma das primeiras músicas que aprendeu foi “Eu tenho tanto para lhe falar...” e sempre haverá alguém que você lembrará quando Roberto começar a cantar: “não adianta nem tentar me esquecer...”
Vai se dar conta que ele sabia descrever uma noite de paixão quando cantava “travesseiros soltos, roupas pelo chão. Vai lembrar das bobagens que diziam de suas músicas, do melô (não sei por que chamam assim) do pão duro: “amanhã, de manhã, vou pedir um café prá nós dois...” Achar que ele perdeu uma oportunidade de fazer um vínculo ainda maior com aquele público que já o venera quando cantar “chovia lá fora”, afinal, despencava água na hora do show. E seu lado profissional vai questionar a apresentadora Patrícia Poeta também fingir que nada está acontecendo, pensando que Zeca Camargo na mesma hora falaria sobre isso e vai rir quando a apresentadora voltar do comercial tocando exatamente neste assunto. Observará que as cadeiras foram minuciosamente arrumadas para serem vistas de cima. E que chegar de calhambeque exigiu uma grande produção. Que existe uma super orquestra ajudando aquela voz que, certamente, não é de um Caubi Peixoto, já diria meu pai. E se você tiver perto de um metro e meio vai achar que ele está falando de você quando ele cantar mulher pequena e, principalmente, naquela parte em que ele fala que você é “mulher gostosa com jeito de menina...”E vai ser incrível quando a Wanderléa chegar no palco mais linda do que nunca com suas famosas coxas de fora e aquelas botas maravilhosamente longas. Vai lembrar que ela tocava pandeiro e querer que ela cante: “Seu juiz! Pare agora....!" Vai achar estranho, mas, divertido, aqueles três ficarem insistindo que são terríveis! Talvez fossem...Mas, em um tempo de guitarras, sonhos e emoções e é tudo isso que ele vai lembrar você e você vai ficar feliz por ele ainda estar lá, mesmo que você se dê conta de que ele não é bonito como você achava que deveria ser um rei. Não importa. Vai entender que ele é carismático e que se manteve íntegro e honesto e que mesmo sendo um rei e tendo lá suas idiossincrasias, tudo que fez foi cantar e é lindo saber que ele fez parte da sua vida, mesmo quando você se recusava a ouvi-lo....Por isso é que eu agora digo: byyye...byyye...
Monday, July 06, 2009
Identidade
Quando fui assistir A Comédia de Erros da Adriane Mottola, um dos pontos altos do espetáculo foi Lauro Ramalho dando o texto de abertura. Agora, encontro no Orkut dele as palavras de Win Wenders. E vem a minha mente o jeito de dizer do Lauro. Especial, sem dúvida. De qualquer forma, publico aqui para que mais gente possa ter acesso.
Pretensiosa...
Texto de Win Wenders
VOCÊ MORA ONDE MORA,
FAZ O SEU TRABALHO,
VOCÊ FALA O QUE FALA,
COME O QUE VOCÊ COME,
VESTE AS ROUPAS QUE VESTE,
OLHA PARA AS IMAGENS QUE VÊ...
VOCÊ VIVE COMO PODE VIVER,
VOCÊ É QUEM VOCÊ É.
IDENTIDADE DE UMA PESSOA,
DE UMA COISA, DE UM LUGAR
IDENTIDADE, SÒ A PALAVRA JÁ ME DÁ CALAFRIOS.
ELA LEMBRA CALMA, CONFORTO, SATISFAÇÃO.
MAS O QUE É A IDENTIDADE?
CONHECER O SEU LUGAR?
CONHECER O SEU VALOR?
SABER QUEM VOCÊ É?
COMO RECONHECER A IDENTIDADE?
CRIAMOS UMA IMAGEM DE NÓS MESMOS
E ESTAMOS TENTANDO NOS PARECER COM ESSA IMAGEM...
É ISSO QUE CHAMAMOS IDENTIDADE?
A RECONCILIAÇÃO ENTRE A IMAGEM QUE CRIAMOS
DE NÓS MESMOS E...NÓS MESMOS?
MAS QUEM SERIA ESSE NÓS MESMOS?
NÓS MORAMOS NAS CIDADES,
AS CIDADES MORAM EM NÓS
O TEMPO PASSA...
MUDAMOS DE UMA CIDADE PARA OUTRA,
DE UM PAÍS PARA OUTRO.
TROCAMOS DE IDIOMA, TROCAMOS DE HÁBITO,
TROCAMOS DE OPINIÃO, TROCAMOS DE ROUPA,
TROCAMOS TUDO, TUDO MUDA E RÁPIDO,
SOBRETUDO AS IMAGENS.
ELAS MUDAM CADA VEZ MAIS RÁPIDO
E SE MULTIPLICAM NUM RITMO INFERNAL
DESDE A EXPLOSÃO QUE DESENCADEOU AS IMAGENS
ELETRÔNICAS, AS MESMAS IMAGENS QUE AGORA
ESTÃO SUBSTITUINDO A FOTOGRAFIA,
APRENDEMOS A CONFIAR NA IMAGEM FOTOGRÁFICA.
PODEMOS CONFIAR NA ELETRÔNICA?
NO TEMPO DA PINTURA TUDO ERA SIMPLES:
O ORIGINAL ERA ÚNICO E TODA CÓPIA ERA UMA CÓPIA,
UMA FALSIFICAÇÃO.
COM A FOTOGRAFIA E O CINEMA,
A COISA COMEÇOU A SE COMPLICAR.
O ORIGINAL ERA UM NEGATIVO.
SEM UMA AMPLIAÇÃO, SÓ EXISTIA O OPOSTO.
CADA CÓPIA ERA O ORIGINAL.
MAS AGORA, COM A IMAGEM ELETRÔNICA E COM A DIGITAL,
NÃO EXISTE MAIS NEGATIVO, NEM POSITIVO.
A PRÓPRIA IDÉIA DE ORIGINAL FICOU OBSOLETA.
TUDO É CÓPIA.
NÃO ADMIRA QUE A IDÉIA DE IDENTIDADE
ESTEJA TÃO ENFRAQUECIDA.
A IDENTIDADE ESTÁ FORA. FORA DE MODA.
Texto extraído do documentário “CADERNOS E NOTAS SOBRE ROUPAS E CIDADES” (1989).
Saturday, July 04, 2009
Sou fã


