Wednesday, November 09, 2011

ENCONTRO QUESTÃO DE CRÍTICA

O Encontro Questão de Crítica, patrocinado pela Secretaria Municipal de Cultura, é um desdobramento das atividades da Revista Questão de Crítica, que publica críticas de peças, estudos sobre teatro e crítica, traduções de textos teóricos, conversas com artistas e textos sobre espetáculos em processo de criação.

O evento reunirá profissionais e estudantes de teatro para discutir a crítica teatral, em debates com artistas, críticos, jornalistas e pesquisadores, que são convidados a colocar suas experiências e expectativas sobre a atividade da crítica. Além dos debates que compõem a programação, o Encontro Questão de Crítica vai oferecer uma oficina para estudantes de teatro que estejam interessados em experimentar a escrita de crítica.

Consideramos essa uma ação importante para estimular o desenvolvimento da atividade teatral na cidade, uma vez que a crítica, além de ser parte importante do processo de legitimação e divulgação do teatro perante a sociedade, pode proporcionar espaços de interação e diálogo entre artistas e espectadores. Com a realização do Encontro Questão de Crítica, nos propomos a conquistar espaços novos e dinâmicos para o exercício da crítica e estimular a formação de novos profissionais.

Curadoria de Daniele Avila, Dinah Cesare e Humberto Giancristofaro
Blog do evento: http://www.questaodecritica.com.br/encontro/

PROGRAMAÇÃO
Transmissão ao vivo pela internet – http://justin.tv/encontro_qdc

12 de novembro
14h: Palestra de abertura – Homenagem a Yan Michalski com Fátima Saadi

16h: Debate: Crítica e curadoria. Com Sidnei Cruz, Micheline Torres e curadores convidados da Plataforma Rio
Mediação: Christianne Jatahy

14 de novembro
19h: Debate: Crítica jornalística - história e atualidade. Com Ana Bernstein, Christine Junqueira e Daniel Schenker. Mediação: Marina Vianna

15 de novembro
19h: Debate: O papel da Universidade no pensamento crítico. Com Alessandra Vanucci, Vitor Lemos e Antonio Guedes. Mediação: Moacir Chaves

16 de novembro
19h: Debate: A relação da crítica com a interdisciplinaridade nas artes cênicas.
Com Tania Alice, José Luiz Rinaldi e Felipe Ribeiro. Mediação: Joelson Gusson

17 de novembro
19h: Debate: Reflexão e produção de conteúdo sobre a arte na Internet. Com Luciana Romagnolli, Cezar Migliorin e Adiana Schneider. Mediação: Michelle Nicié


OFICINA DE CRÍTICA DE TEATRO
Informações sobre horários e procedimentos de inscrição pelo e-mail contato@questaodecritica.com.br. Os interessados devem enviar breve currículo para seleção.

1º Módulo
De 14 a 17 de novembro das 15h às 18h
Ministrado por Luciana Romagnolli

Nesse primeiro módulo, propõe-se a reflexão e o debate sobre a crítica teatral contemporânea como base para o exercício prático da produção crítica textual. Tópicos abordados: O que é crítica? A função da crítica. A crítica no contexto da indústria cultural. Diálogos com a obra, diálogos com o espectador. Breve história da crítica teatral no Brasil. Modelos de análise de espetáculo. A crítica da crítica: análise comparada da produção brasileira atual. Prática de produção de textos críticos.

2º Módulo
Datas e horários a confirmar
Ministrado por Valmir Santos

Propomos investigar uma anatomia do crítico: o sentido do seu trabalho, a vinculação com o objeto de estudo, em que medida colocar-se no lugar do outro. As demandas éticas e ideológicas do ofício desde os primeiros passos da formação e profissionalização da categoria artística, nos anos 1940, até os dias que correm. O pendor ao monologismo. A “máscara” jornalística. O imperativo da centimetragem e o produto espetáculo. A desimportância da reflexão nos meios de comunicação. O maniqueísmo do “curti” ou “não curti”. A resistência do pensamento criativo no campo da recepção que, como a Arte, pressupõe elaboração, interpretação e transgressão orgânica do estabelecido.

Monday, November 07, 2011

Um mar de possibilidades e liberdade

Para começar, quero dizer que o título é em homenagem a Ursula Krug, a psicanalista cuja confissão estará eternamente guardada por aquelas seis pessoas que estiveram com ela no Paraíso.
O lugar exato era Bombinhas, onde fui parar graças ao meu professor de natação Daniel Godoy. Mal sabe ele que o simples fato de ter me convidado significou uma confiança no meu potencial, até então, jamais imaginado. Depois de uma viagem cujo “serviço de bordo” foi melhor do que o de muitas companhias aéreas, incluindo horas de shows de voz e violão com Rafael Fofonka, o dia começou nublado mas, lá pelas tantas, fez-se a luz do sol e permitiu uma praia ótima onde muitos começaram a se conhecer e reconhecer já que, sem as tocas e os óculos, éramos outras pessoas. Em comum, tínhamos os professores de diversos horários. Sob a organização de André Merch, da Stillo,  e a coordenação do professor Lucas Saldanha passamos dois dias em que o único inconveniente era a fria temperatura da água. Almoços e jantares saborosos e baratos, regados a algumas cervejas, cálices de vinho e muita risada. Disse que seria difícil fazer uma síntese dos temas que nos faziam rir tanto, então, não vou nem tentar. Só posso dizer que há muito tempo não passava horas tão relaxantes em um grupo formado por homens e mulheres de diferentes idades que tinham um objetivo comum: fazer uma travessia.
Ao contrário do que o Daniel havia imaginado, não me encorajei nem a fazer o treino da véspera. Mas isso não diminuiu o prazer de ver todos entrando na água juntos, de ver e ouvir a preocupação dos professores em transmitir informações que eram mais do que profissionalismo, mas sinal de afeto. Dia seguinte, na praia, nos juntamos a muito mais gente com a mesma intenção. Confesso que enchi meus olhos d’água ao ver a chegada de um deficiente visual e custei a entender que havia também pessoas que com apenas um braço estavam fazendo a prova. Assim, todos cumpriram seus objetivos e era fácil perceber que, para cada um, tinha um significado especial. Talvez, tão importante como para mim nadar apenas poucos metros até um barquinho junto do meu mestre. Encarar o fato de não dar pé foi como caminhar sobre as águas. Não fiz os 750 metros, mas fiz a travessia do meu medo que foi se distanciando como a beira da praia para dar lugar a vontade de voltar. Espero que no dia em que o Daniel se questionar sobre qual era a missão dele neste mundo, ele acredite que conseguiu mudar para melhor as pessoas ao seu redor, como um verdadeiro anjo.
Encerrando, não posso deixar de citar o senso de humor fantástico do Alexandre Nunes que, certamente, poderia ter seguido uma carreira como cômico. Preciso também salientar os comentários de Fred sobre todos os temas como um verdadeiro expert, lembrando que este pode ser apenas um codinome para atender aos pedidos de que as identidades não fossem reveladas. E, usando o mesmo critério, quero citar mais uma pessoa da mesa cuja forma de rir lembrou-me, nada mais nada menos, do que Greta Garbo. E a 6ª, mas não menos importante, era o divertido João que esteve todo o tempo mais perto do céu. Apesar de tantos nomes de de apóstolos reunidos e da bíblia da minha colega de quarto, Rosângela Segatto, que garanto não conseguiria terminar o mundo em sete dias pois acabaria pedindo mais cinco minutinhos, esta não era uma viagem religiosa, mas, em minha opinião, foi transcendental. Descobri, na ocasião, que não são necessárias doze a mesa para operar milagres.

PS1: Paraíso era o nome do restaurante em Bombinhas
PS2: A esquerda ao fundo, o barquinho até onde nadei.

Sunday, October 30, 2011

“Onde o verde é mais rosa”

Antes de mais nada, preciso dizer que nunca entendi estas pessoas que viajam querendo encontrar exatamente as mesmas coisas que têm em casa. Dito isso, estou de volta da praia do Rosa. A primeira vez que estive aqui foi em para uma reunião  com meu orientador, Edélcio Mostaço, em Floripa. Fiz uma confusão com praias e acabamos lá, eu e minha irmã. Dessa vez, não foi por o acaso. Agora já sabia que teria que passar trabalho até chegar na praia. Pelo menos, desta vez, fomos de avião. Santos Dumont sabia o que estava fazendo.
A praia do Rosa é cheia de pousadas. Na nossa, a primeira impressão é que é realmente pequena. Tem cozinha, mas a cama é dessas que a gente sobe uma escadinha e tem  colchões no chão do “segundo andar”. Sem guarda-roupa. Saímos para ir a praia. O dia esta emburrado e foi estressante não saber onde íamos. Sobe morro, desce morro, chegamos a um caminho estreito onde um urubu comia um bicho morto. Quem me conhece sabe que tenho ojeriza a estas coisas. Passei, praticamente, de olhos fechados. Na praia, absolutamente, ninguém. Nós e os cachorros. Cruzam de um lado a outro com a gente. Se paramos, eles param. Se ficam adiantados, eles esperam. Seria divertido, se não fosse meio assustador.
Eram quase quatro horas quando achamos onde tomar um café e comer algo. Felizmente, não demorou muito para que começássemos a nos localizar. Apesar do pouco movimento, os carros andam em velocidade. Não combinam com a energia do lugar. Muitos fucas, tratados aqui como as vacas na Índia. Bem que o trânsito podia ser só de bicicletas. Um suco de fruta, uma casquinha de siri e ouvir uma conversa entre um brasileiro e um americano e já estamos mais relaxadas. Um vinho, uma massa feita por mim, um chocolate e nem estranhamos o novo quarto. Manhã seguinte começa com céu azul e sol. No caminho, agora, aparece um gambá. Pior do que com o bicho morto. Só consegui passar de mãos dadas com a minha irmã. Acho bonito, quero fotografar, mas tenho fobia, que chega quando quer, porque quer. Encontramos uma pousada na beira da praia aberta com café da manhã. Delícia. Na praia, leituras e o sono que compartilhamos com não mais de 20 pessoas em toda orla. À tarde, caminhadas. Outra receita de massa e vinho e o sono vem.
Acordamos sabendo que era dia de mudança de hotel. Sol. Céu Azul. Na praia, me sinto uma encantadora de cães. Eles vão chegando e ficando em volta até que começam a brigar entre eles e nós viramos reféns. Vou em direção a água absurdamente gelada para me livrar deles. Eles vão atrás. Cão de praia é outra coisa. Estes aqui adoram turistas novos e não estão nem aí para a placa que cita a lei proibindo-os na praia. No novo hotel a decoração tem um aspecto meio africano. Finalmente, descolamos um peixinho para comer e salada. Acho que minha reeducação alimentar está funcionando. Fico mais feliz com as rodelas de tomate e a cenoura do que com as batatas fritas! Vida mansa. Alguma falta de conforto, mas logo penso que, para mim isso tudo é temporário, para as pessoas aqui é a vida delas. Eu se sofresse de depressão iria mudar radicalmente a minha. Experimentar coisas novas. Uma vez disse para o meu sobrinho, que queria fazer uma chamada de agência de viagens tipo: “A vida não tem mais sentido? Pegue uma estrada e siga em frente”. Pegamos dias espetaculares. Vamos a praia por trilhas. Minha irmã se sentindo a Alice do país das maravilhas e eu o Tarzan. Na areia, sinto algo na mão e era um caranguejo dando uma voltinha. Entro na água gelada tentando molhar os pés que estão doloridos por causa das caminhadas, influenciada pelo filme Origem em que Darwin ia consultar James Gully para fazer uma espécie de hidroterapia. Não fazia ideia de que além de um gênio, com ideias revolucionárias, ele era tão doente.
Nossa viagem de volta começa com o tempo nublado mas com algumas surpresas. Da praia do Rosa a Garopaba conseguimos um transporte. O cara que nos conduz é o dono. Largou a faculdade, foi morar nos EUA, ganhou dinheiro. Voltou, não se adaptou mais a sua cidade, Porto Alegre, e decidiu morar em Santa Catarina. A conversa lembra bastante a inquietude do meu sobrinho. Chegamos a Floripa e almoçamos no mercado. Tento um reencontro com o Edélcio que está em voltas com o seu cachorro que não está bem. Saímos em busca de um café e de uma sobremesa. Estamos novamente andando sem saber exatamente o destino. O vento e a chuva atrapalham. Não há muito a fazer até pegar o avião de volta. De novo um voo internacional, a caminho de Buenos Aires! Pura provocação para minha irmã. Não deu para ficar escondida. E, cá entre nós, as pessoas querem igualar tudo e todos mas haja coragem para ser responsável pela vida de todas aquelas pessoas. Desço sem nem saber o nome do piloto.



Monday, October 24, 2011

Francês: uma língua quase materna


Podia começar este texto de muitas maneiras mas decidi que seria falando da minha primeira professora de francês: minha mãe. Afinal, eu não teria ido ao Congresso de Professores de Francês em Curitiba se não fosse ela. Aliás, graças ao meu pai também tendo em vista que fomos apresentar Le Jeux Boole. Já no primeiro dia, foi interessante ver tanta gente reunida. Rever tantas pessoas.

A programação incluía várias palestras e muitos ateliers e oficinas. Demais até, eu diria o que acabou fazendo com que não houvesse público para tudo. De qualquer forma, é sempre um prazer ouvir tantas pessoas falando em francês no Brasil e ver tantos educadores desta língua reunidos. Por falar nisso, é interessante destacar a palestra de Christian Puren sobre que falou sobre uma aprendizagem da língua francesa associada à vida, as ações políticas e sociais. Não basta ficar apenas dizendo quem somos ou perguntando quem são os outros. Precisamos criar uma comunicação ativa. Ele aproveitou para dar o endereço www.christianpuren.com e dizer que disponibiliza todos os seus textos para serem distribuídos até nas praças. Vale à pena dar uma olhada.
Pode parecer bobagem, mas um bom evento também passa por um bom coffe-break. E este se superou. A empresa Amábile ofereceu todos os dias coisas saborosas e saudáveis para um grande público. Fartura e qualidade fizeram dos intervalos momentos de descontração e de contatos.

A vontade de fugir da programação para ver a cidade era grande. Curitiba tem muitos atrativos. Vários pontos turísticos, parques. As pessoas são amáveis na hora de dar informações nas ruas. Caminhar em uma cidade desconhecida é sempre um prazer. Porém, as calçadas irregulares acabaram impedindo longos passeios a pé. Felizmente, os táxis são baratos e o ônibus turístico com mais de 20 pontos de visitação é uma ótima pedida.
Sem muito tempo para fazer turismo, devido a intenção de aproveitarmos nossa estada fazermos contatos com os órgãos de educação do Paraná, fomos a Secretaria de Educação do Município, falar com Rosangela Gasparim. E bastou que nossa amiga Rosa Graça, vice-presidente da Associação dos professores de francês, perguntasse se havíamos ido na Secretaria do estado para que minha mãe decidisse não perder esta chance. Mesmo chegando sem nenhum agendamento, acabamos sendo extremamente bem recebidas por Lucilene Tavares Rocha e Eliane Benatto e as perspectivas de que possamos realizar oficinas no estado do Paraná estão próximas de se concretizarem.

Também sem termos programado, acabamos participando do jantar de confraternização. Um bairro de gastronomia chamado Santa Felicidade não parece perfeito? Exatamente como o espumante, a comida e a sobremesa servidos durante a noite, onde o pecado da gula foi, totalmente, justificado. Além disso, tivemos mais tempo para ficar entre amigos como Adriana Correa que morou, inclusive na França, para aprofundar sua formação, e seu marido Hilton, ambos sempre muito gentis e divertidos.
Se houve alguma frustração? Sim. Tinha esperança de encontrar Walter Lima Torres, com formação na Sorbonne que, além de ter feito parte da minha banca de mestrado em Artes Cênicas, foi o professor que, com sua generosidade com seus alunos, deu forte incentivo a toda minha turma com suas aulas. Mas, sua ausência na cidade onde mora e trabalha tinha uma forte justificativa: sua participação no 5º Festival de Teatro de Campo Grande. Quanto a minha mãe e eu, embora não tenhamos saído do Brasil, nos sentimos aumentando nossos conhecimentos sobre a cultura francesa.

Wednesday, October 12, 2011

Alimentando corpo e alma

Para quem gosta de cozinhar não é novidade que comida e arte estão relacionadas. A instalação coreográfica do Grupo Terpsi, chamada Casa das Especiarias, surge para, entre outras coisas, confirmar isso. Acho que gostaria de ter sido surpreendida pela proposta, mas o privilégio de ter na família a bailarina Angela Spiazzi, fez com que eu já entrasse sabendo um pouco mais do que se tratava. O que não tirou, porém, nada do prazer de ser uma das 12 pessoas a mesa.
De prato na mão (uma das exigências para participar do evento), olho as fotos na parede e a provocante frase: “o prato que te alimenta é o mesmo que compõe a cena.” A prima nos recebe com um figurino que se assemelha ao das garçonetes. Somos gentilmente conduzidos aos nossos lugares. Aos poucos, no local à meia-luz, vou observando os detalhes do cenário. Panos transparentes nos separam do local onde estão preparando a nossa refeição e de onde os bailarinos fazem as performances. Uma prateleira, cheia de utensílios de cozinha compõem o ambiente.
Se eu sempre achei guarda-chuva um elemento extremamente cênico, o grupo me convence de que pratos também são. Como extensão de seus corpos, eles se movimentam de forma inusitada, poética e divertida. Enquanto isso, nós já estamos com nossos copos de espumante e vamos provando a entrada, o prato principal e a sobremesa, elaborados pela chef Denise Fontoura.
A trilha sonora é calma e profunda. Ao mesmo tempo em que harmoniza o ambiente, instiga, casa com cada braço, cada perna. Imagens e frases são projetadas e se mesclam à pele dos atores e já não sabemos mais o que é o que. No contraste, entramos em contato com ervas como alecrim, canela, erva-doce. Especiarias que nos remetem diretamente à terra, à natureza. Tudo isso atiça também a memória. Lembro do filme Como água para chocolate, onde a experiência gastronômica produzia as mais profundas emoções. E como fazia no cinema, sabendo que ainda haveria mais duas sessões e que os cardápios seriam diferentes, surge a vontade de ficar por lá, mesmo depois dos aplausos para usufruir novamente de todas as sensações que a apresentação provoca.
Acompanhamos os gestos dos bailarinos-atores para recompor a “cena”, incluindo a coreógrafa varrendo o espaço que dali a pouco já vai estar recebendo mais um grupo seleto que vai assistir este novo trabalho do Terpsi que acredito seja uma das propostas mais leves que Carlota Albuquerque já criou, fazendo com que a pimenta se faça presente apenas no cartaz do espetáculo ou, talvez, na minha comida.

Monday, October 10, 2011

Uma goleada de presente

Uma goleada de presente
Não consigo entender porque tantos profissionais, como os professores, médicos, sem falar nos atores, precisam brigar para ganhar um salário mais decente, enquanto jogadores de futebol ganham milhões. Dito isso, começo a contar como foi o início das comemorações do meu aniversário no Beira Rio. Como tenho uma tia fanática pelo Internacional, meu time, pedi a ela como presente ir a um jogo. Quando contei para o meu sobrinho que iria, ele me perguntou contra quem iriam jogar, ao que eu respondi: “e eu sei lá?” Mas não é que eu não goste de futebol. Só não tenho acompanhado mais. Afinal, é um esporte para ser compartilhado e como meu irmão nunca se interessou muito e meu pai só via pela tv e faltam figuras masculinas a minha volta, há anos não ia a um estádio. Da última vez, tinha sido com a mesma tia. Lembro que, acostumada a ver futebol pela tv, fiquei distraída com a amplitude do lugar, as propagandas, as pessoas em volta. Desconcentrava dos jogadores.
Desta vez já não estranhei tanto. E, embora, talvez, não seja tão claro para mim a famosa regra de impedimento, não costumo errar nos meus comentários. Seguido digo exatamente a mesma coisa que aqueles que ganham (quase) bem para fazer isso. Enquanto aguardava minha tia e meu primo chegarem olhava as pessoas em volta e havia uma energia interessante. Todos com roupas na cor vermelha, que é a minha favorita, geravam uma harmonia, um sentimento de grupo, de uniformidade tranquilizadora. Entramos. Logo estávamos bem acomodados em cadeiras cobertas. Antes do jogo, o hino brasileiro. Depois, o hino do Rio Grande do Sul. Este sim cantado pelo público. Um coral de vozes que emociona antes mesmo da bola rolar.
O Internacional domina a partida já nos primeiros momentos. Começa a fazer várias tentativas de gol. As pessoas aplaudem, vaiam, cantam. Eu junto. Xingam o juiz de uma maneira...Profissão estranha essa. Uma multidão descontente com o teu trabalho...Deve ser horrível. Eu teria pesadelos. Eles devem usar parte do salário com terapeutas. Importante função também dos que atendem os jogadores machucados. Antes tinham que correr com uma maca para o meio do campo. Agora, entram um carrinho e traz o jogador para fora se for preciso. Todos sabemos o quanto pode custar a parada de um deles. Toda logística de um jogo é impressionante. Os fotógrafos e jornalistas em volta do campo. Os vendedores de bebidas e comidas que têm um tempo exato para repassarem seus produtos sem bloquear a visão da torcida. São muitas pessoas envolvidas. Na minha frente, uma senhora de mãos enrugadas, boné e colar de pérolas (que pareciam verdadeiras) levanta a cada lance importante e faz comentários com a torcedora do lado sobre o jogo. Atrás de mim, um cara grita palavrões terríveis, furioso. Assusta. Não acredito que ele seja diferente no trânsito, no dia-a-dia, nem mesmo com a própria mãe.
No campo, o Vasco não existe. O jogo segue cheio de lances do Internacional a gol sem nenhum resultado mas que geram muitos aplausos. Minha tia comenta a necessidade do time fazer um gol citando o pai (meu avô) que sempre dizia: “quem não faz, leva”. Fora do campo, observo o aquecimento de alguns jogadores. Fico exausta. É muita coisa para quem nem sabe se vai entrar. Quando o jogo começa a perder ritmo, a torcida se manifesta. Alguns pulam e gritam o jogo todo. Usando a melodia dos Mamonas Assassinas, uma parte de torcedores vai puxando a outra até que muitas vozes se unam causando um forte sentimento comum. Assim termina o primeiro tempo.
No segundo tempo, um amigo do meu primo vem sentar conosco. Não demora muito para fazermos o primeiro gol. Gritamos, cantamos, trocamos abraços, mas sabemos que não basta. A torcida volta a empurrar o time que faz o segundo gol. O terceiro sai já bem no final. Um outro amigo do meu primo já havia até ido embora. Na minha primeira forma de comemorar meu aniversário mais de 23 mil pessoas queriam o mesmo que eu: a vitória. Conseguimos. Saímos felizes. Aliviados. Do lado de fora um lindo por-do-sol tornava o céu vermelho.

Uma goleada de presente

Não consigo entender porque tantos profissionais, como os professores, médicos, sem falar nos atores, precisam brigar para ganhar um salário mais decente, enquanto jogadores de futebol ganham milhões. Dito isso, começo a contar como foi o início das comemorações do meu aniversário no Beira Rio. Como tenho uma tia fanática pelo Internacional, meu time, pedi a ela como presente ir a um jogo. Quando contei para o meu sobrinho que iria, ele me perguntou contra quem iriam jogar, ao que eu respondi: “e eu sei lá?” Mas não é que eu não goste de futebol. Só não tenho acompanhado mais. Afinal, é um esporte para ser compartilhado e como meu irmão nunca se interessou muito e meu pai só via pela tv e faltam figuras masculinas a minha volta, há anos não ia a um estádio. Da última vez, tinha sido com a mesma tia. Lembro que, acostumada a ver futebol pela tv, fiquei distraída com a amplitude do lugar, as propagandas, as pessoas em volta. Desconcentrava dos jogadores.
Desta vez já não estranhei tanto. E, embora, talvez, não seja tão claro para mim a famosa regra de impedimento, não costumo errar nos meus comentários. Seguido digo exatamente a mesma coisa que aqueles que ganham (quase) bem para fazer isso. Enquanto aguardava minha tia e meu primo chegarem olhava as pessoas em volta e havia uma energia interessante. Todos com roupas na cor vermelha, que é a minha favorita, geravam uma harmonia, um sentimento de grupo, de uniformidade tranquilizadora. Entramos. Logo estávamos bem acomodados em cadeiras cobertas. Antes do jogo, o hino brasileiro. Depois, o hino do Rio Grande do Sul. Este sim cantado pelo público. Um coral de vozes que emociona antes mesmo da bola rolar.
O Internacional domina a partida já nos primeiros momentos. Começa a fazer várias tentativas de gol. As pessoas aplaudem, vaiam, cantam. Eu junto. Xingam o juiz de uma maneira...Profissão estranha essa. Uma multidão descontente com o teu trabalho...Deve ser horrível. Eu teria pesadelos. Eles devem usar parte do salário com terapeutas. Importante função também dos que atendem os jogadores machucados. Antes tinham que correr com uma maca para o meio do campo. Agora, entram um carrinho e traz o jogador para fora se for preciso. Todos sabemos o quanto pode custar a parada de um deles. Toda logística de um jogo é impressionante. Os fotógrafos e jornalistas em volta do campo. Os vendedores de bebidas e comidas que têm um tempo exato para repassarem seus produtos sem bloquear a visão da torcida. São muitas pessoas envolvidas. Na minha frente, uma senhora de mãos enrugadas, boné e colar de pérolas (que pareciam verdadeiras) levanta a cada lance importante e faz comentários com a torcedora do lado sobre o jogo. Atrás de mim, um cara grita palavrões terríveis, furioso. Assusta. Não acredito que ele seja diferente no trânsito, no dia-a-dia, nem mesmo com a própria mãe.
No campo, o Vasco não existe. O jogo segue cheio de lances do Internacional a gol sem nenhum resultado mas que geram muitos aplausos. Minha tia comenta a necessidade do time fazer um gol citando o pai (meu avô) que sempre dizia: “quem não faz, leva”. Fora do campo, observo o aquecimento de alguns jogadores. Fico exausta. É muita coisa para quem nem sabe se vai entrar. Quando o jogo começa a perder ritmo, a torcida se manifesta. Alguns pulam e gritam o jogo todo. Usando a melodia dos Mamonas Assassinas, uma parte de torcedores vai puxando a outra até que muitas vozes se unam causando um forte sentimento comum. Assim termina o primeiro tempo.
No segundo tempo, um amigo do meu primo vem sentar conosco. Não demora muito para fazermos o primeiro gol. Gritamos, cantamos, trocamos abraços, mas sabemos que não basta. A torcida volta a empurrar o time que faz o segundo gol. O terceiro sai já bem no final. Um outro amigo do meu primo já havia até ido embora. Na minha primeira forma de comemorar meu aniversário mais de 23 mil pessoas queriam o mesmo que eu: a vitória. Conseguimos. Saímos felizes. Aliviados. Do lado de fora um lindo por-do-sol tornava o céu vermelho.

Thursday, September 08, 2011

ABRACE PORTO ALEGRE, ABRACE O BRASIL

Sabendo que o evento da ABRACE (Associação Brasileira de Pesquisa em Artes Cênicas) seria aqui em Porto Alegre não havia dúvidas de que precisava me inscrever. Afinal, ano passado gastei uma boa grana para me fazer presente em São Paulo e ainda contei com a generosidade de uma antiga colega do DAD, Cyntia Muller, que me recebeu com toda a hospitalidade de uma boa gaúcha. Porém, já na fase de elaborar o texto completo, a vida estava me puxando para outros assuntos e tornando difícil não achar que seria bem complicado aproveitar a ocasião. O que manteve o meu incentivo foi a oportunidade de rever os colegas pois dois anos de convivência criaram fortes elos afetivos e mesmo estando na mesma cidade, a gente acaba se vendo muito menos do que gostaria.

O dia da abertura chegou. Chovia e quem me conhece sabe que sempre que possível cancelo minhas atividades nestas ocasiões. Não desta vez. No entanto, entrar no suntuoso prédio do Direito da UFRGS faz a gente esquecer o clima. Esbarrar em rostos sorridentes e gentilezas dos escolhidos para recepcionar os membros da ABRACE também. A abertura com curtos discursos também tornou tudo mais agradável e presidente Marta Isacsson foi muito feliz ao dizer: “É um privilégio ser professor neste momento”. Quanto a Jorge Dubatti, já havia ganho a minha simpatia em Montevideo. Ele é claro, interessante e sem afetação. Citou várias vezes Maurício Kartum, me obrigando a pesquisar sobre este senhor argentino que desde 1973 já escreveu 30 obras teatrais, dirigiu, ganhou prêmios e ocupou diversas funções na Escola de Arte Dramática de Buenos Aires. Enfatizou muito a filosofia do teatro. Segundo ele, esta engloba a teoria, a prática e apresenta os problemas mais abrangentes da artes cênicas. Tentou esclarecer o conceito de teatro que para ele não é suficientemente claro nos dicionários atuais. Buscou Deleuze para dizer que é um acontecimento. E se deu ao luxo de dizer coisas (talvez citando alguém que não anotei) como: “Somente o teatro é teatro. Porque se tudo é teatro, nada é teatro”. O teatro é uma reunião dos corpos. E voltou ao seu tema mais caro que é o do convívio. Não escapou de alguma dose crítica ao dizer que os melhores atores são os políticos, os pastores e comunicadores e, ao contrário de palestrantes que tentam agradar a plateia elogiando o lugar em que estão, brincou dizendo que estes estavam todos no Brasil. Falou muito mais. Falou em tenovívio, em etnocenologia. Demais para mim que me inquieto depois de mais de hora sentada recebendo tantas informações. Desta vez, as perguntas não foram tão extensas quanto em meus últimos eventos mas ainda me pareceram que vinham mais de pessoas que queriam mostrar o que sabiam do que, realmente, entender alguma coisa. Clovis Massa coordenou com segurança este momento que deu a chance a Dubatti de contar algumas situações pessoais engraçadas como ter sido enganado por uma “performance” em um evento e suas experiências com seus filhos, levantando a ideia da Escola de Espectadores, algo no que acredito muito e ainda quero fazer parte. E já no final disse algo que se eu falasse creio que seria vaiada. Porém, sua trajetória conquistou o direito de encerrar dizendo: “O teatro teatra”.
Duas palestras, mesmo com o intervalo do almoço com os colegas, Maria Amélia Gimler, Newton Silva, Betha Medeiros e Daniela Aquino, me cansam. Bem, isso sem dizer, que questões coreográficas não me despertam tanto interesse assim e, em um misto de provocação e curiosidade, anotei a fala de Christine Roquet que dizia que Laban tinha fracassado por não ter encontrado a cor do movimento. Cibele Sastre, certamente, teria coisas a dizer a este respeito.

Em meu GT

Falei que me faltava ânimo para esta empreitada. E só na véspera decidi que apresentaria o meu tema Críticos e criticados: uma relação turbulenta a partir do visual do desenho de um ringue com dois lutadores em seus bancos com as cabeças dos críticos. Um certo trabalho de Photoshop permitiu esta façanha. Os conflitos são tão bizarros que me levaram a esta maneira um tanto cômica de apresentar. Passa por cuspidas no olho, pontapés e agressões verbais que chegam ao desejo de morte dos críticos, entre outras coisas. Queria apresentar isso e ainda ter a chance de debater. Não deu. Em compensação, fiquei sabendo de pesquisas que muito me interessam como de Rodrigo Desider Fischer que analisa o filme Opening Night de John Cassavetes, com um olhar sobre as questões ligadas ao pensamento teatral contemporâneo. Cara esperto. Resolveu desse jeito meu problema de ser mestre em teatro, apaixonada por cinema. Tem um outro trabalho que me interessa muito. Ney Wendell que fala de mediação em teatro no Québec e faz uma ponte com a Bahia. O choque de ver Olívia Camboim dizer que mais de 90% dos professores municipais de Blumenau, responsáveis por 2.400 alunos, nunca foram ao teatro. Como assim? Eles tem um teatro lindo e um festival que reúne gente de todo o país.. Uma tarde muito bem aproveitada, reunindo assuntos tão diversos, apresentados por pessoas com tanta coisa em comum. Além do prazer de ver minha colega e amiga Daniela Aquino que não tem ideia do impacto que causa as pessoas, apresentando seu trabalho. 

Com o corpo queixoso da umidade causada por uma chuva ininterrupta deixei o ambiente e retornei ao meu aconchego sabendo que iria perder um divertido momento de confraternização na Casa de Teatro do meu primeiro e eterno mestre Zé Adão Barbosa que considero coautor de tudo que se relaciona ao teatro em minha vida.

Mais um ABRACE

Dia seguinte, perdi a manhã dos GTs abertos que, pelo que ouvi, foi um dos melhores momentos do evento. Cheguei para ver a mesa-redonda Inter-GTs onde a maioria dos coordenadores não poupou elogios a organização, à Porto Alegre, aos gaúchos. Gilberto Icle fez rir dizendo que era completamente fresco na função de coordenador, mas a queixa geral era que faltava espaço para a discussão. Vera Collaço também tira risos dizendo que era o primeiro Congresso em que ela se sentia em casa e que a diretoria parecia não ter feito esforço algum. Narcíso Telles é mais contundente na reivindicação de novos formatos do evento. Lá pelas tantas, naquela sala de distribuição tão formal e apresentações que incluíam títulos de doutores, passa uma mulher embalada em plástico e com umas setas indicando diferentes direções. É...melhor não esquecer que o tema ali é arte. Se tem alguém que parece nunca esquecer disso é Armindo Bião, diretor, ator, com formação também na França, que sempre que pede a palavra mescla o seu conhecimento profundo sobre teatro e um jeito “brejeiro” e divertido, misturando importância de tudo que está sendo discutido com uma profunda consciência de que a vida é muito mais e cunhando expressões como “o abismo do frescor” para se referir ao desafio de um novo formato para os encontros dos GTs. E se tinha perdido o começo da mesa-redonda, coordenada por Walter Torres, assisti satisfeita a forma como ele a encerrou dando fim a uma “discussão” que parecia interminável e sem rumo.
Lívio Amaral, diretor de avaliação da CAPES diz que é muito bom poder conversar com a ponta e logo depois cita Mario Quintana, buscando a empatia da plateia. “Eu estava dormindo e me acordaram. E me encontrei assim num mundo estranho e louco. E quando começava a compreendê-lo um pouco, já eram horas de dormir de novo.” Ele mostra muitos gráficos, refere-se a muitos números. “O orçamento da CAPES cresce todos os anos. Para 2011 serão mais de três bilhões de reais. 67% de bolsas, 12% de fomentos, 6% para o Portal de Periódicos e 5% para o pessoal e gestão.” Falo para o professor Gil e para o meu colega Marcio Silveira que estão sentados atrás de mim que bem que o meu pai havia dito que vivemos em um mundo matemático. Destaco a participação de José Carrera, que a cada evento me conquista mais pela sua maneira lúcida, coerente e contundente de se manifestar, seja em seu próprio nome ou representando um grupo. Ele trouxe a questão de que o diretor havia sido categórico que o QUALIS não está sendo usado para o que a CAPES o criou, porém, porque esta não revia esta finalidade já que, na prática, muitos programas faziam isso. Amaral citou Fernando Pessoa: “Estou hoje perplexo como quem pensou e achou e esqueceu. Estou hoje dividido entre a lealdade que devo à Tabacaria do outro lado da rua, como coisa real por fora. E a sensação de que tudo é sonho como coisa real por dentro.” Não respondeu. Disse que faria isso depois. Eram quase 22h quando decidi ir para o Ocidente. Um lugar ao qual não fui tantas vezes mas sempre que fui me diverti muito e do qual tenho excelentes lembranças. A ideia era ficar pouco porque, além das atividades do evento, havia passado por uma aula de natação e outra de ioga. Estava no banheiro e pensei que devia estar meio bêbada pois ouvia as pessoas falando francês. Sai e esbarrei com Susi Weber. Quando comentei o que havia pensado, ela e suas amigas me responderam: “é o curso de francês no banheiro, nível 1”. Rimos. E assim, o encontro com antigos amigos, os novos contatos, a música, o clima divertido e afetivo do lugar foi me prendendo até as 3h da madrugada. Ainda pude ver Laura Backes sendo erguida por algumas pessoas no bar, em uma mescla de corpos que me lembravam o filme Hair. Nada mal para começar as comemorações da independência!

PS: Havia escrito José Carrera (o tenor) ao invés de André Carreira. A atenta Mirna Spritzer me corrigiu antes do texto parar aqui. Não tenho dúvidas do quanto este cuidado colaborou para o sucesso deste evento! A doutora prova que é guia Buena Onda também em Porto Alegre.

Thursday, August 18, 2011

Sobre academias



Publico aqui dois textos que não são meus. Um, foi publicado no blog do Julio Conte. O outro, é do meu primo Rogério Menegassi. Duas pessoas bem intencionadas. Dois pontos de vista. Uma conclusão: a sua.


TERÇA-FEIRA, 16 DE AGOSTO DE 2011

FREE JEANS NA BODY ONE
O diabo mora nos detalhes. Ás vezes as grandes coisas se revelam em pequenas situações. São conteúdos menores mas que revelam uma forma arbitraria. Difícil dimensionar, e sempre se corre o risco de parecer ridículo com se estivéssemos brigando por centavos na caixa do supermercado.Porém, como vários pensadores importantes da nossa civilização já escreveram, quando se concede no detalhe se concede na essência. Existe um belo poema de Bertold Brecht e outro de Maiakovski sobre o assunto. Uma vez que se permite o abuso ele toma proporções inimagináveis. Tal qual a teoria do Caos, um pequeno erro no input gera uma diferença astronômica no output. Quero contar para vocês uma situação pequena em seu conteúdo, mas bem grave em sua forma porque esta recheada de arbitrariedade e arrogância. Fui tirado da aula de Ginastica Funcional na Academia Body One porque estava vestindo um bermudão jeans. Diga-se de passagem que era feito de um tecido elástico especial para usar em atividades físicas. No entanto fui barrado. Motivo: estava usando uma bermuda de brim azul catalogada como “jeans”. E “jeans” é proibida “em todas as academias” segundo o professor de Funcional, o personal que me orienta e a supervisora geral da academia Gabryelle Sperotto que em sua sabedoria apenas argumentava que nenhuma academia permite fazer ginastica usando “jeans”. Diga-se de passagem que para mim, jeans é uma calça e não uma bermuda. Só mais um detalhe. Em nenhum momento, em mais de dois anos pagando e frequentando a Body One, fui informado de tal proibição. Pelo contrário, nestes dois anos assisti na charmosa Body One um desfile de modelitos de todos os tipos, masculinos e femininos, e especialmente de bermudas, sendo uma grande maioria de algodão tipo jeans mas de outras cores. Com agravante, muitas delas com aqueles bolsões no lado da perna, especialmente feitos para se agarrar em barras entre aparelhos. Mas é claro, que apesar de tal risco, como derrubar uma barra de ferro sobre alguém, o fato de não ser azul, portanto não é “jeans”, não cria impedimento e isso segue acontecendo. Cabe ressaltar que argumentei como o professor que permaneceu submetido a regra absurda, ao orientar e a supervisora Gabryelle Sperotto que, como de resto, permaneceu em sua fortaleza dogmática. Reitero que apesar do fato ser de repercussão mínima, subjaz, com soe acontecer, um boa dose de cegueira e altas pitadas de autoritarismo. Por isso estou lançando a campanha “free jeans na Body One”. Quem achar que vale a pena, mande um email marcelle@bodyoneclub.com.br dizendo: FREE JEANS NA BODY ONE.
Agradeço o apoio porque com escrevi em outro post citando Brutus: "sic semper tyrannis"

Prezado Júlio Conte
Tomei conhecimento de sua campanha FREE JEANS NA BODY ONE.
Meu nome é Rogério Menegassi, sou Presidente da Associação das Academias do RS - ACAD-RS,
Presidente da Associação dos Grupos de Corrida - AGCRS, Proprietário de uma Academia e Profissional de Ed.Física.
Trabalho em academia desde 1984, ou seja, 27 anos; atualmente estou com 47 anos.
Concordo com você quando falas que "quando se concede no detalhe se concede na essência".
Sou exatamente assim, brigo pela essência, pela teoria, pelo justo, correto e honesto, independente do "tamanho do valor".
Em pleno século 21, de total globalização, onde o cliente, mais do que nunca, tem sempre razão.
Onde o atendimento, o respeito ao cliente, a exigência de qualidade em todos os níveis da organização e
onde a oferta dos serviços e produtos é muito grande, não podemos deixar que pequenos abusos tomem proporções inimagináveis
como você mesmo disse.
Porém, como também gosto do contraponto - do contraditório,
gostaria de emitir a minha opinião, não como empresário e proprietário de um estabelecimento, no caso, uma academia,
mas como Professor e Profissional de Ed. Física.
Como Professor, aprendemos na Faculdade, entre tantas outras coisas, que existem vestimentas apropriadas para a prática da atividade física. Que nossa função como Professores é orientar, corrigir, motivar e estabelecer regras para o bom funcionamento e por que não dizer, para ajudarmos os nossos alunos (não nossos clientes) a atingirem os seus objetivos.
Na minha opinião, o uso de roupas não confeccionadas para a prática da atividade física não devem ser motivo de campanhas,
explico porque. FREE JEANS, levará aos seus adeptos a também exigirem FREE PANTS JEANS, ou falando no bom português,
até porque também valorizo muito a nossa língua e não gosto dessa ideia de americanizarmos o nosso idioma,
havendo sucesso na sua campanha, logo logo, os alunos estarão exigindo frequentar e treinar nas academias de calça de brim,
pois se pode bermuda, porque não calça? E se pode calça de brim, porque não calça de tergal? E se pode calça de tergal porque não sapato? E se pode sapato, também poderia chinelo, correto? Veja que uma simples campanha desencadearia uma grande revolução na moda, levando os estilistas a fazerem vestidos longos, com paetês e lantejoulas para malhar.
Assim como os advogados não podem frequentar um tribunal sem vestir terno e gravata, bem como os médicos devem usar luvas cirúrgicas, também devemos respeitar as normas do bom senso que dizem que para malhar em uma academia deve-se estar vestindo: tênis, calção e camiseta; roupas leves e confortáveis para a execução do movimento e transpiração.
No caso específico da aula de Ginástica Funcional, o maior impedimento, para qualquer aluno usar um bermudão, seja ele de jeans ou de algodão, azul ou vermelho, é o fato do professor não conseguir ver a perfeita execução do movimento. Diferentemente de uma caminhada na esteira, em uma aula de Ginástica Funcional os exercícios exigem maior concentração, cuidado na execução e muita atenção do professor, pois são exercícios onde o aluno executa movimentos em desequilíbrio, utilizando muitas vezes o peso do seu próprio corpo. Sabendo do sucesso de seu blog, de sua Profissão e de suas peças e textos, gostaria de lhe sugerir uma outra campanha. O que mais mata no Mundo e no Brasil também, são as Doenças Cardiovasculares. No Mundo a cada dois segundos e no Brasil a cada três minutos uma pessoa morre de problemas do coração. Entre os fatores de risco como: hereditariedade, obesidade, hipertensão, diabetes, tabagismo, está o SEDENTARISMO. Por que não juntar nossas forças e o seu grande sucesso e começarmos essa campanha? A Associação Brasileira de Academias estima que no máximo 4% da população faça atividade física orientada. A prática regular de exercícios reduz a principal causa de morte. Muito mais que acidentes de trânsito, que a violência, que a AIDS ou as guerras. Por dia, quase 500 pessoas morrem no Brasil por problemas de coração.
Alimentação saudável e atividade física regular salvariam milhares de vidas por ano. O que achas? Vamos nessa? Campanha:
Viva Mais e Melhor - Faça Atividade Física Orientada!
Forte Abraço
Rogério Menegassi - Presidente ACAD-RS
acadrs@acadrs.com.br
A tempo: Jeans é um tipo de tecido, que pode ser calça, bermuda ou até jaqueta.
Significado de Jeans
apos. e s.m. (pal. ing.) (Tecido) de algodão sarjado de trama cerrada, muito resistente, usado especialmente para roupas esporte e de trabalho. / &151; S.m.sing. e pl.. Calças feitas desse tecido ou de brim ou de zuarte; blue-jeans.

Wednesday, August 03, 2011

Mensagem de Bebeto Alves no Facebook:

"Um amigo meu, o arquiteto Marcelo Gotuzzo, enviou um projeto de recuperação de prédios abandonados no centro de Porto Alegre, de rara beleza e competência. O projeto precisa de divulgação, visibilidade para que se torne real. Assista, dê a sua opinião, participe disso tb, compartilhe. É lindo... E a apresentação do projeto é maravilhosa."

http://youtu.be/D29H8F-nIqY

Wednesday, July 27, 2011

Momentos de decisão

Tem muita gente que diz que futebol é bobagem, que se foi o tempo de um futebol arte, que agora é tudo na base da grana e coisa e tal, mas ontem vivi uma situação que me fez repensar sobre isso. Sou colorada. Já disse que fui induzida pelo meu avô que dava umas balas para os netos se eles torcessem pelo Inter. Mas, mesmo gulosa, não foi isso que me fez aderir ao time. Foi a vontade de agradá-lo. De ver por trás daquela cara sisuda um meio-sorriso. Mas já faz tempo que ando bem desligada em relação aos jogos. Isso que moro no caminho do Beira Rio. Acompanho o trânsito. Não as partidas. Daí, ontem estava passando na frente do estádio quando um carro começou a buzinar muito. Como eu não estava fazendo nada de estranho, nada que pudesse atrapalhá-lo, achei que devia ser algo a ver com os times. Liguei o rádio e logo soube que era o Inter que havia feito um gol contra o Barcelona em uma partida em que ele estava perdendo. Pelo empate, já no segundo tempo, a decisão seria nos pênaltis. Fiquei contente com a notícia. Resolvi deixar o rádio ligado. Mais algumas quadras e um dos radialistas ainda estava na metade do comentário sobre o gol de empate e pronto: o Barcelona fazia outro gol. Lá estava o Inter perdendo novamente.

Cheguei ao meu destino. Enquanto aguardava ser atendida, me conectei. Um primo postava no Facebook o novo empate. Não tive mais como acompanhar. Só depois fui saber que perdemos nos pênaltis. E isso me fez pensar. Mesmo que o futebol não seja mais o que já foi, que haja mesmo muita grana envolvida, ele pode servir para preparar para as perdas da vida. Neste esporte, mais do que em qualquer outro, tudo pode mudar a qualquer minuto, segundos até eu diria. A prova estava ali, naquela tarde. Fiquei pensando na quantidade de torcedores que chegaram a pensar em instantes que a vitória estava próxima. 70 mil pessoas estavam ali naquela mesma situação. Ora achando que iam vencer, ora achando que iam perder. Bem, mas justo quando eu achava que era a única a filosofar sobre o futebol ouço Ruy Carlos Ostermann, meu professor desta disciplina no colégio. Em seu comentário ele disse que nem era tão surpresa assim o Inter ter perdido para o Barcelona. Segundo ele, um time que cobra pênaltis muito, muito bem. E todo torcedor sabe que não é fácil quando vai para esta parte. Na vida, em geral, a gente não passa da felicidade para a tristeza tão rápido assim. Mas acontece. Então, depois de alguns poucos quilômetros, pensei que o futebol pode servir de treinamento para que a gente lide com esta possibilidade sem achar que é o fim do mundo. Até porque, na vida, depois de “perder nos pênaltis” a gente tem que estar sempre pronto para uma próxima partida.

Sunday, July 17, 2011

Molière: queridinho do rei, perseguido pelo clero, rejeitado pelos poderosos


Já há algum tempo me convenci que mesmo a pessoa mais brilhante, mais genial, não se sente assim. Adoro ver as histórias e depoimentos de pessoas muito famosas, consagradas que expressam suas inseguranças, seus medos, suas fraquezas. Isso tudo faz delas gente como a gente. Depois, o tempo passa, elas atingem o sucesso, todo mundo os reconhece e fica cada vez mais difícil acreditar que, um dia, eles tiveram dúvida sobre suas escolhas na vida. Com Molière não foi diferente. Ele estudou direito. Mas decidiu fazer teatro.  Ficou sem dinheiro para pagar os impostos. Passou um tempo na prisão. Caiu nas graças do rei Luis XIV e enfrentou a sociedade. Em uma época em que ninguém queria saber de comédia, em que atores nem podiam ser enterrados em solo sagrado, Molière escreveu sobre a arrogância, a falsidade, resumindo, sobre a babaquice, quando este termo nem existia ainda. E por que ele segue sendo montado até hoje no mundo todo? Venha descobrir.

Dia 22 – Quarta-feira
Hora: 19h

Local: Santa Teresinha,59
Valor: R$ 35,00

Inscrições:

Sunday, July 10, 2011

14 de julho: Comemore sem perder a cabeça

Nunca serei a favor de sair cortando a cabeça de quem quer que seja. Criar um aparato para fazer isso mais rápido então...não contem comigo. Mas, dia 14 de julho está chegando e é comum algumas pessoas dizerem que não há o que comemorar. Não concordo. Bem, é verdade que festa é comigo mesmo. No caso da Revolução Francesa, porém, acho que existem razões mais concretas. Está correta a observação de que ainda estamos longe dos ideias de “liberdade, igualidade, fraternidade”, mas mesmo considerando terrível esta história de guilhotina, se a gente relembra que a ideia era igualar a forma de morrer de qualquer um (sem distinção de nível social ou econômico) havia por trás uma tentativa de direitos iguais até na morte. Além do mais, será sempre um exemplo de que nenhum poder é para sempre e que o povo tem força de transformar o que parecia imutável.
Não dá para dizer que ter escrito a Declaração dos Direitos Humanos é inútil. Podemos até discutir se são ou não cumpridos mas é preciso partir deste fato para chegar a esta conclusão. Voltaire Schilling, historiador e meu professor do segundo grau, afirma que “os ideais que serviram de pano de fundo à Revolução francesa mudaram de vez a forma de encarar a educação. É a partir dela que um ensino público que dê as mesmas oportunidades a todos é estabelecido”. Quem não concorda que isso é um bom motivo para pelo menos tomar um vinho neste dia? Eu sei. Dá pena da Maria Antonieta. Ainda mais depois do filme que mostra que o Luis XVI  não dava a mínima para ela, mas chegaram a sugerir a ele que colocasse fogo no povo. Ele achou que não devia e acabou com a cabeça cortada.
Talvez, estar agora escrevendo neste blog se deva há muitas cabeças cortadas. Afinal, desde então,  “a livre comunicação dos pensamentos e opiniões é um dos direitos mais preciosos do homem; todo o cidadão pode, pois, falar, escrever e imprimir livremente; salvo a responsabilidade do abuso dessa liberdade nos casos determinados pela lei". Bem, mas é justamente por causa disso tudo e por ter aprendido desde pequena a cantar “Allons enfant de la patrie, le jour de gloire est arrivé” que não vou ficar aqui tentando impor a minha opinião. Sei que, nesta quinta-feira, vou estar na atividade proposta pela Arte na Corte, na Santa Terezinha, 59, às 21h. Quem estiver a fim, faça a sua reserva por aqui. 

Sunday, July 03, 2011



A sofisticada simplicidade do novo espetáculo do Gaia
Fui ver Cinderela fashion week. Não sabia o que esperar. De cara, já achei agradável ser colocada em uma sala que recria justamente uma passarela. De frente uns para os outros, olho as tantas pessoas que saíram de casa para ver o espetáculo em uma noite fria e sei que também sou vista. Aos poucos, sou levada a um universo divertido e, ao mesmo tempo, intenso.
Se o cenário é apenas uma plataforma, quase uma cópia do real, os figurinos (muitos, aliás) moldam os corpos em cada gesto. Algo simples como colocar um par de botas nos braços, encobrindo as mãos, geram uma impressão estética extremamente forte como se tudo estivesse de pernas para o ar.
A trilha sonora traz muitos sucessos populares nacionais e internacionais que remetem  a ícones como Xuxa a Leonardo di Caprio e provocam emoções diversas.  Quer tango? Tem. Quer valsa? Tem. Quer Axé. Também tem. Tem até uma caixinha de música! Enquanto isso, os bailarinos atores (ou atores bailarinos?) cruzam o tapete vermelho de ponta a ponta, ora em movimentos normais, ora lentos, ora hiper velozes.  Ora quase voando, ora rastejando. Neste espetáculo o corpo não só fala, como grita e esperneia.
Sinto uma falsa leveza na proposta do grupo Gaia que, enquanto me embala ao som de músicas tão conhecidas, me faz ver um dos homens com o rosto coberto por uma máscara negra, arrastar uma das mulheres que sorri, quase inconsciente da brutalidade da qual é vítima. Gestos agressivos aparecem em várias outras ocasiões, em uma contracenação em que a mulher aparece quase sempre submissa e desfazem o mito da história feliz daquela que espera pelo príncipe.
Para mim, Cinderela Fashion week é sensual, divertido, dramático. Será que estou vendo demais? Será que tudo que vejo e ouço foi pensado ou é resultado de improvisação e intuição? Estou tornando filosófica uma proposta que não tinha esta intenção? Mas saber isso, realmente, importa? Quem continua apegado ao caráter de denúncia e subversão da arte, perde muitos momentos de pura fruição e se tem uma coisa que aprendi com os cursos que fiz  é que nenhum artista controla as repercussões daquilo que cria e que, muitas vezes, o público  percebe coisas que ele não tinha consciência, mas que estavam lá.
E para quem pensa que eu estou sendo “boazinha” como a fada madrinha, devo dizer que não gosto do final. Acho que a escolha de sambas força, desnecessariamente, a empatia do público. Afinal, ao ritmo de uma bateria não tem quem não se deixe levar. Mas, na minha opinião, não acrescenta. Só não chega a ser grave já que eles pretendiam mesmo acabar. E se alguém discorda completamente de tudo que eu disse, ótimo. Sinal que estava lá para assistir. Quanto a mim, bem que gostaria de uma cópia daquela trilha para espantar o frio, exatamente como o grupo Gaia, botando o corpo prá dançar. Ah, talvez, acrescentasse a Macarena só para lembrar.


Ficha técnica
Direção geral e coreografia: Diego Mac e Alessandra Chemello
Elenco: Alessandra Chemello, Aline Jones, Daniela Aquino, Denis Gosch, Fabi Vanoni, Guadalupe Casal, Joana Nascimento do Amaral, Nilton Gaffree, Patrick Vargas e Ricardo Zigomático.
Figurino: Raquel Capeletto
Cenário: Zoé Degani
Iluminação: Fabrício Simões
Trilha-sonora: Diego Mac
Designer: Tupax - Tiago Giordani 
Assessoria de Imprensa: Fabulosa Ideia
Produção Operacional: Sandra Santos
Produção: Grupo Gaia
Financiamento: Fumproarte


Serviço

Espetáculo: Cinderela Fashion Week
Datas e horários: 02,03, 09, 16 e 17 de julho, sessões às 17h e 19h. Não há sessões no dia 10.
Local: 4° andar da Casa de Cultua Mário Quintana
Ingresso: entrada gratuita

O Festival da Canção Francesa e seu imprevisível clima musical

Fazia bastante frio e, como se isso não bastasse, chovia. Porém, não me passava pela cabeça deixar de ir ao Festival da canção francesa. Parece que muita gente pensou da mesma forma. A Reitoria estava quase lotada. Muitos rostos conhecidos. Só o fato de saber que todos estão lá para ouvir pessoas cantando música francesa já me traz satisfação. Além de ver que mais gente compartilha do meu interesse pela França, para mim, significa que aquelas visitas de minha mãe de emissora em emissora de rádio, tentando divulgar a música francesa (junto com a então presidente da Associação dos professores de francês, Denakir Campos) não foram em vão.

As apresentações começam. Imediatamente, lembro com saudades de Christophe, o diretor anterior que criou o Festival. E não sou a única. Ele é citado pelo presidente: Hipérides Ferreira de Mello. Em seguida, Jacques Petriment, atual diretor, faz os devidos agradecimentos. Lê em português e percebe que misturou um pouco de espanhol ao dizer “por supuesto”. Encerra falando “beleza”, o que me gera um certo estranhamento da gíria, mas minha irmã chama a atenção que é melhor do que “show de bola”. Quem foi que disse que falar português é fácil?

Dudu Sperb começa a chamar os concorrentes do Festival que este ano homenageia Serge Gainsbourg. A primeira música, deste cantor que não conhecia, me chama a atenção pelo título: “Je suis venu te dire que je m’en vais”, ou seja, eu vim dizer que eu me vou. Parece incoerente, mas lembra muito o término das relações. Além disso, a ótima voz do primeiro cantor mostra que a noite, realmente, promete. Mas não vou falar de cada um. Apenas direi que a concorrência era mesmo acirrada. O nível dos selecionados garantiu, sem dúvida, um ótimo show. Nem todos me agradaram, mas é verdade que estamos ficando cada vez mais exigentes. De qualquer forma, eu que havia pedido no último festival, mais movimentação no palco, tive meus desejos atendidos pelos cantores da noite. Alguns tinham até fã-clube, torcidas, com gritos e tudo mais.

Em todas as edições sempre me vejo achando no mínimo engraçado estar em plena cidade gaúcha com aquelas pessoas cantando em francês, estabelecendo uma mágica ponte POA-Paris que só aqueles que amam esta língua podem fazer. Além disso, foi interessante a ideia de conversar com os vencedores anteriores. Foi muito bom poder ouvi-los cantar novamente também. Richard Emunds disse que a pessoa que ganhasse o prêmio deveria se sentir a pessoa mais feliz do mundo quando chegasse a Paris, pois, não estaria ali por ter ganho uma passagem de alguém, mas sim, pelo fato de ter cantado bem. Concordo.

Com gente tão boa competindo fica evidente que não são só os jornalistas que tem dificuldade de se destacar profissionalmente. Ser cantor também não é nada fácil. Afinal, muitos tinham todas as condições de serem famosos, se a fama dependesse apenas de talento. Bem difícil para a comissão julgadora, da qual fazia parte meu amigo, Newton Silva.

Quando uma das concorrentes favoritas do público foi chamada para o terceiro prêmio, o público não perdoou e vaiou. Eu, particularmente, não concordo com esta reação. Mesmo que o primeiro lugar não tenha sido a minha escolha, achei simplesmente terrível as pessoas começarem a sair, enquanto ele cantava novamente a canção vencedora. Infelizmente, mostra que ainda serão necessários mais festivais para que todos entendam que mesmo que o escolhido não seja o da nossa preferência, o que importa é este incrível evento que valoriza esta língua linda e coloca no palco pessoas que com suas vozes aquecem uma noite fria. Ano que vem, mesmo que esteja nevando, estarei lá. Com o frio que está lá fora, alguém dúvida?



1º Lugar
Augusto Darde (RS)
Música: Initials BB
Pela segunda vez no Festival da Canção, Augusto Darde é integrante da banda de eletro-folk "L'étoile est morte". Estudante de Francês na UFRGS, sua relação com a música vem desde a pré-adolescência, quando aprendeu a tocar bateria e logo depois vieram as cordas. Passou a juventude ouvindo e tocando, fazendo parte de diversas bandas como baterista e compositor/guitarrista. Suas principais influências musicais estão no pós-punk e na new wave dos anos 80.

2º Lugar
Helena Wöhl Coelho (RS)
Música: Le Poinçonneur dês Lilás
Jornalista formada pela UFRGS e em Comércio Exterior pela Unisinos. Trabalha com arte desde sempre, através de projetos como o “Cante e Dance com a Gente”, onde teve sua formação voltada para a atuação em Musicais e participou de produções cênicas, fonográficas e audiovisuais. Estudou canto e piano na Musikschule Bochum e no Instituto de Música da EST; ballet clássico na escola Petit Ballet, e cursou a Oficina de Formação de Atores da Escola de Teatro Popular da Terreira da Tribo, além de passar por diversos grupos vocais no Brasil e no exterior. Atualmente estuda francês, faz aulas de salsa e segue cantando.

3º Lugar
Raíssa Panatieri (RS)
Música: Le Poinçonneur des Lilás
Bacharel em Música com Habilitação em Canto pela UFRGS, Raíssa Panatieri é mezzo-soprano e transita com fluidez entre o repertório lírico e o popular. Em maio de 2009, sob a orientação do barítono Carlos Rodriguez (Brasil/Holanda), realizou com a OSPA, sob a regência do Maestro Manfredo Schmiedt, a sua estréia como cantora profissional. Atualmente realiza a preparação vocal do Coro do Colégio de Aplicação da UFRGS, e conclui a Licenciatura em Música pela mesma universidade.