Friday, May 07, 2010

Relaxando em SAMPA?

Quem disse que não dá para descansar em São Paulo? Como não gosto de viajar sozinha, acabei convidando minha cunhada para ir comigo. Aqui de Porto Alegre mesmo tracei nossa programação. Algo digno de uma guia turística. Passagens compradas e hospedagem garantida, lá nos fomos! Faço aqui o relato destes 4 dias em São Paulo. Sabia que ficaria longo, mas resolvi não editar. Assim, leiam o que quiserem, mas já adianto: cada dia teve momentos gastronômicos, culturais, turísticos...

1º DIA: DOMINGO – PERNAS PARA QUE TE QUERO (Aqui, não sabia que o “erro” linguístico seria justificado ainda durante este relato).
Para conseguir as menores tarifas, a hora de sair de Porto Alegre, era 7h30. Muito cedo para mim. Bem, mas pouco tempo depois já estávamos chegando no aeroporto de Guarulhos, em São Paulo. Chegaríamos antes do início de nossa diária, mas acostumada com a “camaradagem” hoteleira gaúcha, achava que conseguiríamos nos instalar. Nada feito. Podíamos deixar a bagagem, pagando R$ 5,00 por cada volume. Saímos em busca de uma padaria indicada por um conhecido lá perto, chamada Princesa. O Google havia me dado o caminho. Chegamos na rua e nada. Usei o método tradicional: perguntei para uma senhora que passava. Estava em frente, mas o nome havia mudado. Entramos e descobrimos que havia um esquema de “brunch” em  que pagaríamos um preço único e poderíamos comer todo o tipo de pão, bolacha, bolo, assim como tomar espumante, comer ovos, queijos, etc. Fila. Mas os paulistas pareciam não se importar, então, não seria eu a me incomodar. Rapidamente, conseguimos nosso lugar. Bem alimentadas, a ideia neste dia lindo de sol era ir ao Parque Ibirapuera.
Dias antes, me divertira fazendo os trajetos pelo Google maps. Nada como alguém que saiba nos dizer de onde viemos e para onde vamos! O que não aparece, porém, é que o trajeto pode ser lomba acima ou lomba abaixo. Porém, começamos a perceber que nos aproximávamos quando começaram a aparecer os primeiros ciclistas, corredores, pessoas com roupas de ginástica. Neste momento, tínhamos certeza de que nossos trajes não estavam adequados para a temperatura.  Ainda gripadas e saídas do sul, todas nossas roupas eram mais quentes do que o necessário. Meu celular tocou. Era uma amiga nossa que depois de fazer o caminho inverso do meu (formada em teatro e depois em jornalismo) está morando em São Paulo. Combinamos de nos ver aquela noite.
Finalmente, chegamos ao parque. Entramos pelo portão 8 e eu já quis ir em busca de minhas referências: os pavilhões da Bienal. Passeamos vendo uma multidão de pessoas, entramos no Museu de Arte Moderna de São Paulo. Lá pelas tantas, achei que seria interessante pegar um ônibus e ir ao Shopping Ibirapuera já que tantos consideram um ponto turístico. Definitivamente, não me incluo entre estes. Tirando a possibilidade de entrar e comprar uma regata e já sair com ela, pouca diferença faz de nossos shoppings por aqui. É claro que o fato de morar do lado do Barra Sul afetou meu julgamento. Assim, após nos hidratarmos, estávamos de volta na rua.
Em dúvida sobre qual a melhor forma de transporte, sugeri que seguíssemos a pé e que quando estivéssemos cansadas, decidiríamos por um táxi ou por um ônibus (a quem eu queria enganar?). Sem ter previsto este trajeto, começamos a nos perder. Sei lá o que me leva a achar que minha intuição me indicará o caminho correto. Andamos, andamos, andamos com o sol em nossas cabeças, pernas, braços. Até que parei para olhar o mapa. Letras miúdas e pedaços de nomes de ruas separados me faziam acreditar que estava andando por uma rua chamada República e que deveria ir até a rua Líbano. Em verdade, após perguntar para duas senhoras que passavam, descobri que já estava na República do Líbano e que deveria andar pelo menos mais oito quarteirões. Após ter passado por todas as clínicas médicas possíveis, casas antigas extremamente bem cuidadas que indicavam o “gabarito” dos médicos, constatamos que estávamos no portão 2. Estávamos fazendo a volta no “pequeno” parque. Decidimos (ou nossas pernas?) que já era hora de pegar um ônibus. Ao chegar na avenida Paulista, sem que o cobrador lembrasse de nos indicar onde deveríamos descer, enquanto esperávamos o sinal fechar, fomos importunadas por um senhor de idade que insistiu em saber nossos signos orientais. Entregou uma folha para cada uma e pediu uma ajuda. Dou R$ 1,00 e pouco, o troco que tinha no bolso, pois ainda não estou preparada para ficar vasculhando minha bolsa em plena Avenida Paulista. O senhor nos xinga. Pede de volta um dos papéis (Seria o único a nos importunar durante toda a viagem). Pouco tempo depois, estávamos em nosso hotel. Outras bolhas nos pés se juntaram a que eu havia levado de Porto Alegre.
Algum tempo depois e estava na hora de encontrar nossa amiga. Sugeri que fossemos até um bar há algumas quadras do hotel. A “recém paulistana” não pareceu muito animada com a ideia. Preocupada com a segurança e sem muita disposição para caminhar pelas ruas de São Paulo não via a hora de chegar ao tal destino. Acabamos, assim, escolhendo jantar em uma pizzaria que já estava de qualquer forma incluída na programação. Ótima pizza, vinho e conversa, na volta, pegamos um táxi até o hotel e ela seguiu até a Vila Madalena.

2º DIA: SEGUNDA - PARA SE SENTIR EM SÃO PAULO

Descemos para tomar café. Sentamos à mesa que estava posta. Víamos garçons, outras pessoas tomando café, mas ninguém veio falar conosco. Foi quando observamos um movimento dos hóspedes em direção a uma outra sala que percebemos que devíamos ir até lá se quiséssemos comer algo. Estranhamos o atendimento, além do pó na sala de ginástica e o pequeno tamanho da piscina.
Apesar de ouvir dizer que quem vai a São Paulo tem que passar pela 25 de março, eu não trazia na memória boas lembranças. Bem, mas não iria tirar de minha cunhada esta oportunidade. Sem saber como seria ir de metrô e seguindo as dicas do Google, pegamos um ônibus. Ao pedir ao cobrador que nos dissesse onde descer, recebemos de volta...nenhuma palavra, gesto, expressão facial. Outro passageiro, empático com nosso problema, disse que nos avisaria. Assim, descemos atrás da Igreja da Sé. Linda, por sinal. Mesmo sem vínculos religiosos gosto de entrar em igrejas e minha comparação (graças a Deus) é sempre com a Notre Dame que, alias, não tem o “glamour” de tantas outras. É preciso usar a imaginação de toda a história que se passou por aquelas paredes para que a gente, realmente, se emocione. Rumo a 25 de março. Fiquei surpresa com a tranquilidade que tivemos de entrar e sair de lojas. Muitas. Preços incomparavelmente menores para bijuterias e sapatos. Lembrando que o objetivo da viagem não eram as compras, assim mesmo sai de lá com uma nova sandália e alguns prendedores de cabelo.
Hora do almoço. Destino: bairro Liberdade. Outro ponto turístico da cidade. A sede e a memória me fizeram escolher um dos primeiros restaurantes. Repartimos um salmão com um molho de pimenta rosa e tomamos um vinho branco. Também em uma das primeiras lojas, encontro um casaco japonês vermelho e preto lindo. Por um valor para lá de razoável. Saio da loja com mais uma sacola. Sou abordada por uma pessoa e entendo que ela me perguntava “quem é Galvão Bueno?”, surpresa, respondo: um jornalista e apresentador da área esportiva. Ela sorri e diz: Queria saber onde fica a rua com este nome. Rimos juntas. Mais algumas lembrancinhas orientais e estava pronta para pegar o metrô, refazendo um trajeto que havia feito há pelo menos cinco anos. Foi, então, que rememorei a facilidade de andar neste meio de transporte. Muitas indicações e um trajeto inalterável por um preço mínimo. O paraíso dos turistas. Aliás, esta era uma das estações que tínhamos que cuidar, pois trocávamos de linha. O que parecia complexo no papel foi muito fácil na prática.  
Chegamos cedo ao hotel. Saímos no final da tarde para tomar um café. Vi o hotel Maksoud. Resolvemos ir até lá “espiar”. Entramos e sentamos na cafeteria. O lugar é mesmo impressionante. O interior do prédio é “oco” e os apartamentos ficam em volta. Mas ficamos lá durante uns 20 minutos. Atendentes e garçons circulavam pelo salão e nenhum veio perguntar o que queríamos. Por um lado, não nos impediram de estar ali. Por outro, nos ignoraram por completo. Decidi ir até a Casa das rosas, pois sabia que era um lugar de atividades culturais. Estava fechado. Ia ter um evento. Na volta ao hotel, passamos por um grupo com cartazes escrito “Abraço”. Não lembrava que era uma campanha do australiano Juan Mann, mas sabia que se tratava de uma “intervenção” chamada free hugs. Ao ser abordada, recusei. Mas cheguei poucos passos depois,  resolvi voltar. Fui na direção da menina que havia me pedido um abraço e disse que queria. Ela sorriu. A gente se abraçou. Minha cunhada esperava na esquina. Comentei que teria que contar isso a minha mãe que estava tão temerosa com nossas andanças paulistas e eu lá abraçando uma desconhecida em plena Avenida Paulista! De volta ao hotel. Hora do descanso.
Na lista dos lugares para comer e beber outra coisa que não água, estava o tal Squat. Localizado por minhas pesquisas prévias na internet. Um pouco em dúvida quanto à segurança do bairro (depois dos temores de minha amiga), pegamos um táxi. Por R$ 8,00 percorremos as várias quadras até o lugar. Vazio. Decidi fazer uma mudança na programação e ficamos no bar da esquina: o Malley’s. No cardápio, algumas combinações exóticas e deliciosas. Bom preço. A bebida nem tanto. Mas eu sou daquelas que não consigo saborear algo sem um vinho acompanhando. Tenho que lembrar de prever isso no meu orçamento turístico. Muito agradável o lugar, mas saímos cedo. O cansaço nos obrigava a retornar ao hotel, porém, para aproveitar a noite e o movimento: a pé.

3º DIA: TERÇA – MINHA PÁTRIA É MINHA LÍNGUA
Chegava o dia do objetivo real da minha vontade de ir a São Paulo: voltar ao Museu da Língua Portuguesa. Mas antes, havia previsto uma passagem pela José Paulino, rua famosa pelas mercadorias que atraem lojistas gaúchas que buscam produtos para revender aqui.  Agora, o metrô seria nosso transporte favorito. Meu mapa, porém, não era claro sobre a Estação da Luz, onde pretendíamos descer. Era ainda mais fácil do que imaginávamos. Também para nossa surpresa, pouco movimento. Roupas lindas. Preços mais ainda. Sem a intenção de comprar, resistíamos a ofertas incríveis. Claro que não o suficiente a ponto de não fazermos também nossas comprinhas, o que para minha cunhada significou três trajes completos ao preço de um daqui. Fomos salvas pelo fato de que em diversas lojas não aceitavam cartão de crédito (só dinheiro ou cheque) ou de venderem apenas por atacado (em muitos casos, isso significava escolher 12 produtos, o que nem era tão complicado assim).
Próxima parada: a Pinacoteca. O prédio é lindo. Meu plano era almoçar lá. Lembrava que o lugar era agradável e que tinha coisas deliciosas para comer.  R$ 6,00 depois, estávamos sem nossas sacolas, ufa! A primeira pergunta que faço a quem recebe os nossos tickets é qual o acesso até a cafeteria. A resposta: está fechada! Assim, ficamos vendo as obras de Rodin, Anita Malfaltti, entre outras. Descubro que Portinari morreu envenenado pelas tintas! Não fazia a menor ideia. Além disso, vimos as obras elaboradas por ele a pedido do mecenas Castro Maia, um dos primeiros a transformar sua coleção em patrimônio público, doando, inclusive, sua residência.
Atravessamos a rua, estamos no Museu da Língua Portuguesa. Mesmo sabendo que a visita seria fascinante, meu interesse continua sendo matar minha sede. O rapaz que recebe os nossos bilhetes, nos indica a cafeteria da Pinacoteca e se surpreende quando eu digo que está fechada. Ou seja, já estou começando a dar informações. Na entrada, esbarramos em várias placas de acrílico com pedaços de palavras suspensas. Como não consigo lê-las, decido consultar uma das mediadoras. Este é um hábito que só adquiri depois de ser eu mesma uma. Gentilmente, ela nos passa todas as explicações. Era preciso espiar por um buraco para que as frases fizessem sentido. A exposição do momento chama-se “Menas”. Uma provocação que coloca em debate a forma como tratamos a língua, apontando a linha tênue entre o certo e o errado, dando ênfase a comunicação.
Fomos direto assistir ao vídeo que faz uma apresentação sobre a língua portuguesa. Eu já me encanto com o fato de que o logotipo do museu é uma constelação formada de letras. Assim, o vídeo as coloca em movimento pela “atmosfera”. A seguir, várias pessoas vão falando sobre a importância da língua. A voz de Maria Bethânia aparece com uma frase de Fernando Pessoa: “quem não vê bem uma palavra, não pode ver uma alma”. Depois, passamos para uma sala onde as palavras circulam do teto ao chão e somos envolvidos pelas luzes que são na verdade letras, textos, poesias. A voz de Dorival Caymmi me emociona pela sua leveza e tranquilidade cantando: “coqueiro de Itapuã, areia...” Só lá para ouvir José de Alencar na voz de Zé Celso Martinez Correa!
Saindo desta sala fomos explorar o resto do Museu que coloca à disposição dos visitantes várias “estações” interativas. Computadores com interfaces bastante simples de serem acessadas e informações interessantes. Entre estas, um jogo de certo ou errado da língua portuguesa que era, na verdade muito mais uma maneira de instruir o jogador do que outra coisa. Entre muitas dicas e informações fiquei sabendo que a palavra “eslaide” foi aportuguesada! Esta exposição abre espaço para a língua que anda nas ruas e isso inclui para-choques de caminhão. Cheguei a anotar uma: “A fé move montanhas, mas os ecologistas são contra”. É nesta exposição que frases como do meu primeiro subtítulo são justificadas. Pode!
Outro espaço bem bolado eram os vídeos com a mesma atriz fazendo quatro personagens diferentes. Cada um “encarnando” uma norma: a gramatical, a lexical, a semântica e a discursiva. Ocorria diante dos visitantes um diálogo entre elas sobre o certo e o errado das frases em cada situação. Sem dúvida, uma forma divertida de esclarecer do que se tratava. Na saída, entramos na estação de metrô em frente e pouco tempo depois, estávamos no hotel. Enquanto descansávamos, víamos Os Normais 2. Quando terminou disse a minha cunhada: ainda bem que não fui até o cinema ver isso. Ela disse: pois eu fui. Quase todo o filme é Fernanda Torres e Luis Fernando buscando uma parceira para um ménage à trois.
À noite, fomos, finalmente, ao SQUAT. O cardápio era muito atraente. Pedimos coisas deliciosas para comer e, claro, vinho. De sobremesa churros com sorvete. Recomendo. Na frente, manobristas cobrando R$ 15,00 para estacionar os carros. É...parece que fazer isso em São Paulo vale cada tostão. Se bem que minha cunhada disse que eles ganham mesmo melhor do que nós. Uma movimentação intensa no prédio em frente chamou nossa atenção. Pensamos que era alguma inauguração. Perguntamos para o garçon e ele disse: não, é uma igreja chamada A Cabala. Ele contou que só este ano a Madonna já esteve lá duas vezes. Ah, se eu soubesse...Falha minha não ter incluído uma visita na programação.

4º DIA – QUARTA-FEIRA: ALGUMA COISA ACONTECE NO MEU CORAÇÃO
A ideia era, finalmente, ir ao MASP. Há apenas algumas quadras do nosso Hotel tinha ficado para o último dia. Como só abria às 11h, saímos pela Paulista e começamos a voltar pela Oscar Freire, rua das lojas de griffe. Na calçada, na nossa direção, vinha uma pessoa bem magra com um chapéu de aba super larga e óculos escuros que me chamou a atenção. Ao passar por ela me dei conta de que era, justamente, Fernanda Torres. Sabendo que este era o seu “disfarce” para não ser reconhecida, não pensei em pedir autógrafo, mas me passou pela cabeça ir dizer que topava o ménage à trois. E se ela aceitasse? Melhor não.
Mais R$ 25,00 para guardar as bagagens após o término da diária e lá estávamos nós no Museu de Arte de São Paulo. Quatro exposições estavam acontecendo. De cara uma exposição de “retratos”. Os detalhes, a capacidade de alguns artistas pintarem os olhos das pessoas que encomendavam seus retratos, a riqueza das vestimentas, me atraem. Logo em seguida, uma exposição sobre o Romantismo. Muito bem montada. Separada pelas características deste período artístico (natureza, exotismo, urbanismo, etc), as explicações eram claras e a grande maioria das obras impactantes. Tive o prazer de ver O Azul e o Rosa de Renoir de novo. Como é bom (re) conhecer obras de arte. O que achava que seria impossível, hoje, já acontece de vez em quando. Olhando à distância sei que é um Modigliani, um Lautrec, un Van Gogh, um Picasso. Claro que não ponho minha mão no fogo, mas não sou mais tão ignorante em artes plásticas e isso graças a pessoas que souberam me instigar, que foram generosas em repassar seus conhecimentos, sem a arrogância que tão seguidamente acompanha algumas outras, que fazem questão de dar esta ideia de que a arte é só para entendidos.  
Ainda lá no MASP vimos o processo de recuperação das obras do francês Poussin, um dos maiores representantes do classicismo do século XVII. Muito interessante. Tudo explicadinho. Passo a passo. Além das próprias obras. Ou seja, um verdadeiro antes e depois.
Minha cunhada, que acha que não entende de arte, fez ótimos comentários partindo única e exclusivamente de suas observações. Foi isso que aprendi com um artista plástico que até hoje é muito especial para mim: olhar as obras sem o compromisso de saber sobre elas, a explorá-las como só as crianças sabem fazer, sem preconceito, sem ideias preconcebidas, sem julgamento, sem compromisso. Aliás, havia um grupo delas sentada no chão do museu ouvindo, atentamente, as explicações da mediadora. Adoro quando isso acontece. Olhei para eles com interesse. A mediadora me olhou de volta e sorriu.
Precisamos lembrar que o objetivo da arte não é separar as pessoas em categorias, mas tocá-las, sensibilizá-las, provocá-las. Em função do mercado da arte e daqueles que se dizem especialistas, esquecemos disso. Aprendi, participando das Bienais, a andar pelos Museus de forma inquieta e curiosa fazendo minhas próprias descobertas e me permitindo não me interessar por algumas propostas artísticas sem me sentir estúpida por isso. Obrigar as pessoas a gostar de alguma coisa, só as afasta ainda mais, o que é, sem dúvida, uma pena. Nesta visita ao MASP, me deparei com uma palavra que não tinha a menor ideia do significado. Refiro-me a “palimpseto”. Prometi a mim mesma verificar o que era: palimpsestos são pergaminhos que, depois de lavados e raspados para apagar o texto primitivo, são reutilizados para outro texto; o próprio nome já diz: palim (Grego, “de novo”) e psestos (”raspar”).  Segundo o professor Claudio Moreno pode ser utilizado, metaforicamente. “A vida é um palimpsesto”. (Todos nós seríamos esse conjunto de inúmeras camadas superpostas, nem sempre visíveis a olho nu, que foram se acumulando ao longo de nossa existência; todos nós somos “palimpsestos”, escritos e reescritos continuamente). 
Passei batido pela exposição de Max Ernst. 184 colagens criadas pelo artista que foram reunidas no que foi chamado de “une semaine de bonté” (uma semana de bondade). Na descrição dizia que havia uma crítica cáustica e surrealista às convenções sociais da Europa do período entre guerras. Não me detive, mas percebia que cada uma poderia render longas discussões na mão de um bom mediador.
Antes de almoçarmos lá mesmo, vimos uma exposição chamada Festival do minuto. Onde as pessoas eram convidadas a enviar seus vídeos-respostas sobre algo em relação a cidade de São Paulo. O melhor receberia um prêmio de dois mil reais. Gostei mais da ideia do que dos vídeos que vi. Achei que é algo que poderia ser implantado por aqui.
Lá pelas tantas vejo um recado de uma das pessoas que faz parte da minha pesquisa de e que mora em São Paulo. Tínhamos pensado que seria uma oportunidade para nos conhecermos, já que desde 2008 quando comecei meu mestrado apenas nos falamos virtualmente. Faltavam poucas horas para eu sair da cidade quando conseguimos, finalmente, sentar para tomar um café. Nossa conversa comprovou uma teoria minha de que a virtualidade, embora não substitua os contatos pessoais, pode aproximar as pessoas e que a linguagem é, realmente, algo que nos permite encontrar gente que compartilhe das mesmas ideias. Foi rápido, mas muito interessante e agradável. Mais um bom momento desta viagem que para mim já  tinha sido perfeita. Não podia eu imaginar que ainda haveria mais.
Mal entramos no avião, começamos a ouvir um comissário com um sotaque carioca começar a dar os avisos de um jeito muito engraçado. Disse que o nosso voo seria de 40 minutos que passariam voando, literalmente. Ao falar das máscaras que cairiam caso acontecesse alguma coisa, completava com: assim eu espero. Assim como:  “Em poucos instantes nosso serviço de bordo estará servindo...toda nossa simpatia”. Ele não apenas dizia coisas engraçadas, mas tinha o tempo certo para fazer as pausas, exagerar a voz, etc. Dá para ter uma ideia acessando, como ele próprio sugeriu, o youtube e pesquisando por Ronald, o comissário.
Chegando no aeroporto, as pernas doíam e o sono era grande, mas, se o corpo demonstrava sinais de cansaço, sair da rotina, trouxe, sem dúvida, novas energias. Foram quatro dias sem ler jornal, sem acompanhar nenhuma roubalheira política, nem saber de nenhum ato de violência no Brasil ou no mundo. Alguém quer algo mais repousante do que isso?
Não estranhei as pessoas, não me sentir diferente daquele povo. Ao contrário, tinha a impressão de conhecer vários rostos até que, realmente, esbarrei em uma professora gaúcha amiga da família caminhando pela Paulista que estava de passagem com destino para a Turquia. O mundo é mesmo uma ilha.
Não, não cruzei a Avenida Ipiranga com a Avenida São João, mas alguma coisa aconteceu em meu coração. Com ou sem garoa, São Paulo, definitivamente, me conquistou.
Obs: Levei um livro para passear em São Paulo tendo em vista que ele até saiu da mala, mas  não li nem uma página.

Tuesday, April 27, 2010

Estrelas e anjos

Muita gente fala que ficar em casa vendo tv não presta, mas acabo de assistir duas coisas que valiam a pena. Primeiro, a entrevista de Marília Gabriela com Nelson Xavier e Antônio Angelo. Os dois atores falaram sobre o filme Chico Xavier. É gostoso ficar sabendo que Nelson Xavier se irritava quando as pessoas se confundiam e o chamavam de Chico e que, no entanto, este foi o único papel que ele, realmente, quis fazer na vida. Assim, como é divertido ouvir Antonio Angelo dizer que voltou a ter medo do escuro. Para mim, que pouco sei sobre Chico Xavier, mas que estudei durante bastante tempo o espiritismo, agrada que ambos tenham ficado admirados com a pessoa que protagonizaram no cinema. Nelson Xavier chegou a dizer que o papel mudou sua vida. Pelo menos, fez uma grande diferença que ele gostaria de manter. Está mais calmo. Aliás, o jeito manso dos dois fez com que a entrevistadora até brincasse com a situação, dizendo que tamanha tranquilidade a deixava meio desconfortável.

Logo depois, peguei já andando o programa Profissão Repórter que não costumo ver com frequência, mas que está sob o comando de Caco Barcellos que há muito conquistou minha admiração. Pude assistir a dois jovens jornalistas, um homem e uma mulher fazendo a cobertura dos bastidores dos shows de Roberto Carlos nos Estados Unidos. Chamou minha atenção que a jornalista embora nervosa por ir falar com o Rei, acabou perguntando se ele havia composto algo lá em Nova York. Roberto Carlos reagiu de forma extremamente simpática e disse que em mais de 50 anos ninguém havia perguntado isso. Responde que sim e fala de três canções: Emoções, Cavalgada e Lady Laura. Mal sabia ele que, no dia seguinte, receberia a notícia da morte de sua mãe. Antes disso, porém, vi Roberto falando, novamente, com a jornalista, fazendo questão de cumprimentá-la na entrada do teatro. Pareceu-me que o fato dela ter conseguido ser inédita em suas questões havia conquistado o respeito do cantor. Talvez não seja isso. Talvez, ele seja sempre assim. Não sei. De qualquer forma, não tenho dúvidas de que nenhum dos jovens jornalistas poderia imaginar que estariam fazendo parte de um dos momentos mais emblemáticos da carreira do ator. Como se já não bastasse ele estar comemorando seu aniversário, chegando a cortar o bolo no palco, no segundo dia, Roberto receberia a notícia da morte de “Lady Laura”. Seu show seria suspenso e ele retornaria ao Brasil.

Assim, em poucas horas recebi informações jornalísticas curiosas e assisti a inexorabilidade da vida, seja pela história de vida de Chico Xavier, os shows de Roberto Carlos e a morte de “Lady Laura”. Vendo os registros destes momentos, percebo que ando tão acostumada a apenas ler ou receber de “segunda mão” os fatos que ando perdendo o prazer de assistir mesmo que não seja ao vivo momentos como estes e nestas horas, no sofá da minha casa, compreendo porque Roberto pedia para sua mãe o levar para casa.

PS: Falando em estrelas, aproveito para contar que, hoje, minha irmã esteve em contato com crianças que trabalham com os Jogos Boole, criados pelo meu pai, que disseram que sabiam que ele agora era um anjo. Mas não conseguiam entender como ele podia adivinhar que elas não gostavam de matemática.

Friday, April 02, 2010

Chico Xavier: "Eu sou como um carteiro"

Sexta-feira santa. Escutei na tv que era um dia de recolhimento para os católicos. Embora não siga exatamente os preceitos desta religião, virou tradição, pelo menos, comer peixe e tomar vinho. Também não me imagino na farra neste dia. Para dizer a verdade, acho que em nenhum outro, tão pouco. Por outro lado, a vontade de sair por aí era grande. Então, o que sobra? O cinema. Como minha mãe e minha irmã estavam com a mesma vontade, escolhemos ver a estreia de Chico Xavier. Havia achado o Globo Repórter, dedicado a ele, muito fraco. Depois de tantas chamadas, eles ficaram numa conversa mole muito decepcionante. Mesmo para quem acredita na vida após a morte, não acrescentou lá grande coisa. Como sempre, pouco li a respeito do filme. Vi uma matéria em algum lugar e observei que a semelhança entre o ator Nelson Xavier (que faz um dos períodos da vida do espírita) e o próprio Chico Xavier era grande. Conquista do ator, aliás que, sendo bom, tem a capacidade de “clonar” os trejeitos, jeito de andar, tom de voz de seu personagem.
Escolhi o Cinemark do Barra shopping Sul pela proximidade de casa. Já na entrada, fiquei surpresa com a quantidade de gente no cinema. É feriado, é verdade. Mas tem tantos filmes interessantes em cartaz...Não sabia que este tema iria atrair tão bom público para assistir a um filme nacional. Pensei na influência neste sentido de Jorge Furtado, ou melhor, da Casa de Cinema inteira aqui no Rio Grande do Sul. Não fizessem eles filmes do agrado do público e não batalhassem tanto pelo cinema brasileiro, provavelmente não haveria tanta gente naquela sala quase lotada. Logo depois, lembrei da força do próprio diretor, Daniel Filho. Ao fazer Se eu fosse você 1 e 2 e cair no gosto da plateia, também acaba levando muita gente para frente das telas. E, de fato, não há arrependimentos. É preciso conhecimento, experiência e talento para contar a história da vida de uma pessoa tão complexa e, ao mesmo tempo, tão simples quanto a de Chico. Claro que algumas características, talvez, agradem, mais particularmente a mim. A que norteia o filme, por exemplo. Afinal, a história é contada a partir da aparição do médium em um programa de tv até com aquele papo de “corta para a câmera um”. Para mim, jornalista, é sempre um prazer observar estas coisas mesmo que “nos bastidores”.
O roteiro criado joga com cenas do passado e do presente de um jeito que dá dinâmica a um filme que se concentra, basicamente, em seu protagonista e, se não fosse tão bem construído, acabaria por levar todos ao mais profundo tédio. No entanto, o que acontece é, justamente, o contrário. Apesar de já conhecer a trajetória de Chico Xavier (mesmo sem ter lido a biografia de Marcelo Souto Maior na qual o filme foi embasado), o elenco me conduziu pelas cenas de forma agradável e cativante. Angelo Antônio, que já conquistou o Brasil em Dois Filhos de Francisco, tem uma atuação impecável. Luis Melo no papel de pai de Chico também fica na mesma altura. Pedro Paulo Rangel, que sempre me conquista em cena, aparece no papel de um padre. Além de vários outros nomes que vão dando solidez a história como Tony Ramos, Giulia Gam, Letícia Sabatella, Giovanna Antonelli. A novidade para mim é Mateus Costa que faz o personagem menino com muita autenticidade.
No mais, a história é emocionante, sem ser piegas, divertida, sem ser comédia, curiosa, sem ser boba. Não cai na esparrela de tentar julgar as crenças de Chico Xavier ou dos espíritas. É um filme que conta uma história, retrata uma personalidade que diverte e instrui. Em doses homeopáticas traz alguns pensamentos mais conhecidos de Chico. Algumas frases ditas por ele, diálogos com o seu “guia espiritual” como quando ele diz: “Isso é impossível”. E Emanuel retruca: “só se você acreditar que é”. Ou outra, quando ele se queixando das acusações publicadas pela imprensa, ouve: “Jesus foi para cruz. Você só foi parar na revista Cruzeiro”. Momentos como este tiraram gargalhadas de plateia. O filme consegue tramitar entre a vida ordinária e a vida extraordinária do Chico com um capricho que o cinema brasileiro merece.
Confesso que tendo grande simpatia pela temática do filme, não saberia dizer se ele terá o mesmo impacto para quem nunca se sentiu atraído pelo assunto. Embora, eu arrisque dizer que quem gosta de cinema e de gente, não tenha por que não se agradar de Chico Xavier. Do filme ou da pessoa que se dizia apenas um carteiro, um entregador de mensagens. . 

Para quem gosta de ler mais: www.chicoxavierofilme.com.br

ERRATA: Voltei neste fim-de-semana ao cinema e me dei conta que a frase que fala sobre o que é possível ou impossível faz parte do trailler do filme Alice. Nada a ver com o filme do Chico Xavier. Por esta eu não esperava...

Monday, March 29, 2010

Meu orientador

Perfil - Edélcio Mostaço, Professor do Departamento e do Programa de Pós-graduação em Teatro

Doutor em Teatro pela USP (Universidade de São Paulo),
Edelcio Mostaço é professor da graduação e pós-graduação
do CEART/UDESC e atua principalmente nos temas:
história cultural e teatro, crítica e recepção,
intertextualidade cênica, teatro brasileiro,
pós-modernismo cênico, vida profissional

1) Há quanto tempo ministra aulas na Universidade e em quais disciplinas mais trabalhou? Que aulas ministra atualmente?
Prestei concurso para a UDESC em 2002. Na graduação, trabalhei com vários estágios de História do Teatro, Crítica e Estética. Porém já cheguei a ministrar Cenografia, porque a professora responsável estava em capacitação. Nos últimos anos tenho optado em ficar apenas com Estética, disciplina com a qual tenho maior afinidade. Na pós-graduação dei vários cursos diferentes, inclusive o Seminário de Pesquisa.

2) Falando um pouco sobre uma das suas áreas de trabalho, qual seria, na sua opinião, a finalidade da crítica?
A crítica de arte representa um depoimento de alguém que esteve presente ao evento artístico ou,
no caso de uma análise a posteriori, tenha se debruçado sobre um artista, um período ou um determinado tipo de técnica ou questão, por exemplo. No caso da crítica de teatro efetuada em jornal, um ramo do jornalismo opinativo, ou seja, alguém que assina uma coluna a respeito de certo     assunto. Sua finalidade é dialogar primeiramente com o leitor, e, secundariamente, com os artistas envolvidos no evento. Comentário ligeiro, opinativo e qualificado, é o que cabe nos atuais espaços disponíveis na grande imprensa; não cabendo ali o exercício do ensaísmo ou uma análise muito técnica, impossível de ser acompanhada pela média dos leitores. Dentro dessas circunstâncias, a crítica visa informar o leitor sobre o contexto onde o espetáculo nasceu, foi produzido e foi apresentado, tentando, na medida do possível, expandir sua apreensão do mesmo.
Estou falando da crítica bem intencionada, é claro. Há quem use o espaço para desagravos ou comentários pessoais alheios à finalidade não apenas da crítica como da imprensa em modo amplo.

3) Que motivos contribuem para a crítica teatral ocupar menos espaço em veiculos midiáticos de grande circulação? O povo tem tido menos interesse no teatro?

A pergunta é um pouco ambígua, uma vez que também a imprensa é mídia, assim como o rádio, a TV e a internet. De qualquer modo, é preciso partir de algumas evidências: com a desagregação da sociedade de massa, entre os anos 1950 e 1960, a própria mídia em geral conheceu uma expansão jamais imaginada, adentrando o que hoje é conhecido como globalização, a erupção da "sociedade do espetáculo", uma irremediável imersão nos avatares do capital. Ou seja, a mercadoria impôs-se sob todos os formatos e sob todos os campos, inclusive e principalmente sobre os setores culturais.     O que ainda existia enquanto artesanato ou livre exercício caducou e assitimos a ascenção das empresas especializadas, em cada uma das fases que intermediam a chamada matéria prima e o consumidor final. Temos assim uma proliferação de atravessadores: "gerentes", "nichos de atuação", "engenharia de produto" etc etc, uma enormidade de eufemismos para qualificar esse adensamento de manipulações que o produto cultural sofre.
Os veículos midiáticos acompanharam essa progressão em larga escala e, simultaneamente, necessitaram aumentar receitas para dar conta da sofisticação cada vez maior que seus produtos deveriam possuir para sobreviver nesse mercado altamente concorrencial. O aumento de receitas veio da publicidade e não da expansão do número de leitores. Se a lógica mercantil já existia, a partir de então ela tornou-se soberana, ditando o que deve ou não circular sob o formato de notícia. Dou um exemplo: uma grande indústria farmacêutica vai lançar um novo medicamento para combater dor no joelho. A estratégia de marketing se in icia com a divulgação junto aos órgãos de imprensa de uma série de doenças que acomentem os joelhos. Você vê isso na Veja, no Fantástico, na Folha, no site do MSN etc. Três meses depois começam a circular os anúncios do tal remédio milagroso que cura qualquer problema de joelho. A população foi, nesse caso, "sensibilizada" para correr em massa às drogarias.
Nesse ambiente altamente industrializado de notícias, informações e opiniões de especialistas, os números são tomados em milhões, em todos os sentidos da expressão. Razão pela qual falta espaço para tudo o que não se mova nesse padrão industrial de produção e consumo, como é o caso da arte, do teatro, do artesanato, da cultura imaterial etc.
Não sei se respondi a pergunta, mas tentei contextualizar o ambiente no qual assistimos, desde os anos 1970, um paulatino desaparecimento da crítica de arte nos grandes veículos de comunicação. E o surgimento de canais alternativos pa ra esse tipo de atividade, como os blogs e sites de internet, mas isso é outro capítulo...

4) Assistir a uma peça com o intuito de criticá-la certamente exige atenção apurada. Como você estabelece este olhar e o fazer a crítica em seguida?
É indispensável não dormir durante a apresentação... e procurar reunir a maior quantidade possível de informação prévia sobre o espetáculo. Costumo dizer aos alunos que assisto um espetáculo com um olho no palco e outro na platéia, como modo de tentar apreender, simultaneamente, os dois lados da equação ali formulada. Porque, afinal de contas, o crítico tem de levar em conta a reação da platéia. Falo isso dentro do contexto da crítica militante, diária, na qual o crítico chega a assistir mais de uma apresentação por dia (eu já cheguei a ver quatro peças num só dia e tinha cinco horas para escrever sobre elas).
Nesse nível de atuação, a experiência conta muito; além de um treino especial de memória, concentração e modo de manipular as informações no momento d e escrever. Isso nenhuma escola ensina, é o chamado traquejo adquirido no dia a dia.
Mas numa situação normal, a coisa é mais lenta. Você vê a peça num dia e dispõe de 24 ou 48 horas para entregar o texto, o que permite certa absorção mais lenta e algum trabalho de decantação, importantes para o ato reflexivo. De qualquer modo algumas condições prévias são indispensáveis ao crítico: cultura geral, cultura artística geral e particular, permanente atualização de informações em seu campo de trabalho, capacidade de síntese, estilo correto e claro, pensamento telegráfico.
A crítica dentro da academia, felizmente, se move a partir de outros padrões, bem mais lentos e bem menos sufocantes.

5) Você acha que a crítica interfere no fazer teatral? O artista absorve as opiniões do crítico sobre o que faz e costuma mudar sua forma de realizar o trabalho?
Depende muito do crítico e do artista, do modo como o arti sta se relaciona com a crítica. Se a coisa for levada em nível subjetivo, existem poucas chances de algo ocorrer. Mas se o artista respeita a opinião do crítico e possui uma relação menos subjetivada com seu trabalho, é frequente que ele mude ou procure se reorientar num trabalho posterior.

6) Existe um certo medo de "policiar" o trabalho dos artistas entre os críticos de teatro e, por isso, muitos deixam de achincalhar uma peça de um "figurão" ou procuram falar bem de um novo artista para procurar incentivá-lo?
Pessoalmente, não saberia o que responder, pois nunca vivi situações dessa natureza. Sempre
falei o que quis sobre qualquer artista de teatro que assisti, sem distinguir se era veterano ou novato. Faço apenas uma observação: criticar não é achincalhar. Nesse viés, entramos em outro departamento que não o da crítica de arte.

7) Existe uma estética teatral que, de certa maneira, rege a produção contemporânea do teatro brasileiro? Qual seria?
Não, ainda bem. Nada mais chato do que se ver dez peças iguais. Se, por um lado, não existe uma corrente estética dominante, por outro existem certos modismos, como, por exemplo, a "onda de fumaça" (toda peça tinha uma cena de névoa); a onda de nudez; de contra-luz na cena central; de coros cruzando a cena (imitação servil do Antunes); etc. Ultimamente está ressurgindo o "teatro de caixotinho", expressão que emprego para caracterizar aquelas peças de propaganda política em porta de fábrica dos anos 1960, feitas em cima de caixotes de cerveja.

8) Como você analisa a evolução das estéticas teatrais? Que tipo de fatores e ntram em consideração na construção de uma estética ou poética em determinado momento histórico?
Isso não é uma pergunta, mas um projeto de tese. Só respondo se você me der o site inteiro como espaço.

9) Uma de suas linhas de pesquisa aborda as infiltrações do tropicalismo no teatro. Como se observou essa influência da tropicália nas produções teatrais e em que período ocorreu?
Outra resposta longa. O tropicalismo foi um produto de época, marcado pelo contexto onde eclodiu; ou seja, os fatores sócioculturais e políticos daquele momento foram determinantes para que ele adquirisse o tônus que manifestou (meados dos anos 1960, ditadura militar, luta armada, fim do pacto populista). Houve o recurso de juntar a tecnologia de ponta com o artesanato, deglutindo influências e reprocessando dados. Foi um momento de antropofagia explícita. Existem, no meu entender, três encenações-chave para se situar o tropicalismo no teatro: "O rei da vela" (1967), Roda viva" (1968) e "Na selva das cidades" (1969), todas encenadas por José Celso Martinez Corrêa. A primeira é mais declaradamente política, pois apresenta o Brasil como uma grande hipoteca ao capital internacional, comandada por uma burguesia amoral e estúpida, no jogo social do salve-se quem puder. O espetáculo era muito violento contra esses padrões que, até hoje, ainda se manifestam aqui e ali (vide as circuntâncias que levaram à prisão o governador Arruda no DF).
"Roda viva" enfoca a vida de um cantor que, para sobreviver, necessita mudar de estilo por força da gravadora: passa de "cantor de protesto" a "cantor de iê-iê-iê", o gênero do primeiro Roberto Carlos. Ou seja, examina a situação da cultura num país periférico que, ou muda e adere à hegemonia, ou tem de morrer; que é o que ocorre ao final com o tal cantor. A terceira é um texto do jovem Brecht que enfoca a luta entre um rapaz pobre, vendedor de livraria, e um poderoso gangster de Chicago, dono de bordéis e contrabantista. A luta ocorre porque o gangster quer comprar a opinião do rapaz, e ele se recusa a vender a única coisa que possui de próprio. Há um teor metafísic o e trágico em jogo, pois trata-se da anulação da subjetividade o móvel do conflito.
As três peças, como se vê, falam do Brasil daquele momento, percebidas por diferentes olhares e distintos enfoques, mas tendo em comum a densidade dos conflitos abarcados, sempre envolvendo a esfera cultural. O tropicalismo foi esse intenso movimento de intelecção do Brasil à luz de suas intensidades, qualidades e diferenças. Roberto Schwarz tornou corrente a expressão "idéias fora do lugar", para flagrar a contradição entre o que se pensa e o que de fato existe numa dada situação. O Brasil, nesse caso, é uma idéia fora do lugar, pois não se ajusta a nenhuma das interpretações convencionais sobre ele. Há quem veja nessa metamorfose ambulante um problema. Eu, ao contrário, vejo uma virtude; pois reafirma a força do projeto frente à fragilidade da identidade. A reviravolta quando se espera o frente a frente; o outro lado quando se espera o mesmo; o desconhecido quando se pensa que se encontrou o próprio. Ou, em termos psicanalíticos, a sombra de Dionisos. O tropicalismo foi uma belíssima chacoalhada dionisíaca na cultura brasileira daquele momento.

10) O que você poderia nos falar sobre seu último projeto de pesquisa que aborda as implicações atuais do discurso antropofágico (termo emprestado dos modernistas) na produção contemporânea?
Penso que a antropofagia é um dos poucos traços genuinamente brasileiros enquanto paradigma cultural. A força dos ataques que sofreu revelam a medida de sua energia e presença. E também de seu triunfo, sob uma multip licidade de nomes hoje correntes: interculturalismo, hibridização, fronteirização, formação dialógica, semiosfera etc. São esses processos artísticos e os procedimentos que lhe são simétricos que constituem meu projeto de pesquisa, voltado especificamente para a cena contemporânea.

11) Não pude deixar de perceber um ponto curioso em seu currículo que trata de uma formação que obteve em acupuntura e medicina tradicional chinesa. Como surgiu esse interesse com práticas médicas orientais? Você também trabalha na área atualmente?
A certa altura de minha vida, também recebi "um chamado" do apelo natureba. Era o final dos anos 80 e eu, em paralelo às minhas atividades teatrais, enveredei pelas terapias alternativas. Iniciei uma formação em orgonoterapia (baseada em Reich) e, no meio do caminho, percebi que o buraco era mais embaixo: a energia só poderia ser manipulada sob intervenção mais diret a. Desisti de Reich e fui fazer um curso de medicina tradicional chinesa. Tornei-me acumputurista, abri consultório e escrevi uma monografia clínica. Desde que mudei para Florianópolis nunca mais toquei numa agulha, pois a UDESC absorve todas as minhas energias. Não pretendo voltar à clínica, mas dessa formação intensa r estou certo alargamento de consciência, certa compreensão holística, certo apelo ao pensamento figural e ideogramático, que constituem a base de todas as medicinas tradicionais.
Fonte: Centro de Artes, 29 de Março de 2010

Thursday, March 18, 2010

Cabarecht: uma noite que surpreenderia Bertold Brecht



Crítica? Imparcialidade? Sinto muito, mas não estou aqui para isso. Quero falar do espetáculo Cabarecht, mas decidi falar sobre teatro e, confesso que, até hoje, eu me surpreendo quantas coisas estão relacionadas com esta arte. Esta semana, estive no lançamento do Festival da Canção Francesa, organizado pela Aliança e eu e minha irmã comentávamos como é importante a presença cênica de um cantor. Concluímos que uma bela voz, sem performance, deve ir para o rádio.
Bem, mas com tantas atividades que temos hoje em dia, é preciso que algo nos “chame” para sair de casa por prazer. Neste caso, foi Zé Adão Barbosa. Embora ele não tenha sido a única razão, ele costuma ser a mais importante. Fui “patinho feio” na infância, tive uma ansiedade patológica na adolescência e briguei com meu lado depressivo até depois dos 30.  Bastou começar a fazer teatro com este ator-professor-diretor para me libertar de meus monstros internos. Hoje, eles andam por aí me deixando em paz o suficiente para que eu possa estar às vésperas de defender meu trabalho no mestrado de Artes Cênicas.
Chegamos, então, a segunda razão para eu ir ao Teatro São Pedro. O diretor Humberto Vieira. Não o conhecia antes de começar a buscar o título de mestre. Gostei dele como colega. E, em 2008, ofereci para ele um ingresso para ver Ariane Mnouchkine no Porto Alegre em cena, pois estava trabalhando como mediadora da Bienal do Mercosul e sabia que não sobraria energia para ir. Ele aceitou. Trouxe desta experiência, de presente para mim, a programação do espetáculo. Conquistou-me. Simples assim. Daí por diante fui percebendo que não conhecê-lo era mais uma das minhas tantas ignorâncias, mesmo para alguém tão interessada em teatro.
Razão três: Sandra Dani. Sou sua admiradora de longa data. Secretamente até 2008, eu diria, quando nossos “caminhos se cruzaram” no filme do Sergio Silva Quase um tango. Tive a chance de chegar mais pertinho. Coisa boa. Sei, sei... ainda não falei do espetáculo. Mas a bem da verdade para mim tudo isso importa. Porque estas pessoas sempre me fascinaram e para minha total felicidade fui conseguindo me aproximar delas. Gente que não se espanta quando de um choro profundo, passo para um sorriso e vice-versa (como diz minha mãe). Afinal, eles fazem isso, ou melhor, seus personagens, mas isso é apenas um detalhe.
No teatro, me senti acolhida, compreendida, terapiada. Assim, nunca ir ver um espetáculo será só ver um espetáculo. Ainda mais quando neste estiver reunidas tantas pessoas que eu admiro. E, se junta a isso, o espaço teatral do São Pedro, justamente no Foyer com todos os seus lustres e cortinas, onde ainda é permitido comer e beber... Com certeza é quase o paraíso. Falando nisso, entra para assistir o espetáculo Ivete Brandalise que entrevistou meu pai pouco antes dele morrer. Hoje, faz exatamente um ano. Entendem o que eu digo? A mente é assim. Nós somos assim. Multipartidos. Complexos.  E o teatro vem para nos dizer como em Cabarecht: que “a sensatez vá para o inferno!” Aliás, é para lá que eu irei se computarem o orgulho que fico de ver este mago das artes cênicas, meu mestre, perguntar se minha mãe, professora de francês, estava lá o vendo cantar e que isso o preocupava. Mas, acho que vou ter companhia. O olhar do diretor de Cabarecht para “seus” atores no palco era de admiração, mas creio que também de orgulho. E não é para menos. Que “time”! Os comentários? Todos favoráveis, claro. Zé Adão domina qualquer cena, não será uma língua estrangeira que o derrubará. Aliás, se minha pesquisa sobre Crítica teatral na era digital não fosse apenas teórica, eu usaria as novas tecnologias para elaborar um dueto entre ele e Elis Regina, uma cantora que sei que ele admira profundamente.  Olha... sou suspeita. Disse isto na primeira frase, mas acho que ele não faria feio.
Bem, mas voltemos ao “palco”. Zé Adão, Sandra Dani, Antônio Carlos Brunet e Cida Moreira ao piano cantam em alemão,  inglês, francês,  português, músicas do alemão Kurt Weill que fez dupla com o dramaturgo Brecht em vários espetáculos como “Ópera dos três vinténs”. Nada de lariri lalálá. As melodias são difíceis. As letras então.... Suas vozes, porém, encheram a sala e provocam aplausos constantes. Mas como disse minha irmã (a qual agradeço até na minha dissertação pela paciência de ouvir tanto sobre teatro): “este é o jeito de chegarmos de uma maneira mais branda a Brecht”. Não é que ela prestava mesmo atenção?
Para aqueles que esperavam algo mais acadêmico, cito Emanuel Kant: "Cada um chama de agradável o que o satisfaz; de Belo, o que lhe agrada; de bom o que aprecia ou aprova, aquilo a que confere um valor objetivo”.
E para quem acha que este meu texto não passa de um devaneio, recupero uma frase do próprio espetáculo para encerrar: “Sabemos que tudo é transitório e nada restará a não ser a poesia”.
Helena Mello
PS: Minha tia, irmã do meu pai, foi conosco. Ela acaba conversando com os motoristas de taxi. Este, ao ouvir o nome do espetáculo, perguntou: é gauchesco? Tinha compreendido Cabare-tchê.  Bem, a verdade é que o Rio Grande do Sul estava muito bem representado.
Ficha técnica:

Direção e roteiro: Humberto Vieira
Direção musical: Cida Moreira
Elenco: Cida Moreira, Sandra Dani, Antônio Carlos Brunet, Zé Adão Barbosa
Iluminação: Claudia De Bem
Programação visual: Humberto Vieira

Cabarecht:
Dias 10, 17 e 24 (quartas-feiras) e 30 de março (terça-feira)
Foyer Nobre do Theatro São Pedro - Praça Marechal Deodoro, s/n
Centro - Porto Alegre
Mais informações: 51 3227.5100 


Sunday, March 07, 2010

Deviam ter me dito: Não se pode amar e ser feliz ao mesmo tempo

Interromper meu trabalho de mestrado não tem sido uma coisa que me dê prazer. Porque o tempo de tentar escapar deste compromisso já se foi. Agora, é preciso encarar e quando começo nada mais me diverte. O que parecia impossível acontece: a gente vai se acostumando com a idéia de que é preciso organizar as idéias e escrevê-las.

Digo isso apenas para explicar o que significou ter ido ver “Não se pode amar e ser feliz ao mesmo tempo”. O convite veio de Daniela Aquino, minha colega de mestrado que também está passando por este processo, mas ainda encontra tempo para fazer outras milhares de coisas, inclusive, um espetáculo. Bem, confesso que encontrar outros colegas de mestrado no teatro já renderam boas risadas. Aquelas melhores em que rimos de nós mesmos. Só isso já trouxe uma leveza que há dias não sentia.

A porta do teatro Carlos Carvalho se abre e começamos a procurar lugares. O ambiente é impactante. Uma forte atmosfera de sala antiga, européia. Um grande abajour, poltronas, banquetas, uma mesa de jantar. Luz de velas. A música “Ne me quitte pas” sublinhava o cenário.

Bem, mas não pretendo descrever cena a cena. Nem sei se saberia fazer isso. Seria um relato impregnado pelas impressões que buscam na minha memória imagens e sensações. Só minhas. Quero, porém, falar sobre a trilha sonora. Absolutamente perfeita. Sei... sei. Isso não diz lá muita coisa. Então, vejamos. Há uma mistura de vozes, de músicas que falam de relacionamentos, de amor, de dor de cotovelo, de perda. Cada uma ao seu modo. Interpretadas por cantores com talentos diversos. Algumas reconheço de imediato. Fazem parte da trilha sonora da minha vida. Outras, faço apenas uma vaga idéia e outras nunca as ouvi, mas chegam aos meus ouvidos como velhas conhecidas. Ritmos diferentes, sexos diferentes e algo em comum.

Não há separação entre o público e as bailarinas. Estamos todos juntos naquela sala. Somos cúmplices do que acontece ali. A ponto de me deixar com medo de que minha ação de anotar algumas coisas para lembrar e escrever agora fosse interpretada como parte da cena. Principalmente quando a luz vinha em mim. Sim, ela vinha e ia. Atravessava a sala. Ia lá na bailarina e dava a volta. E a gente via tudo e não via nada. Mas assim mesmo podia sentir que tinha alguém deitado na cama lá no canto, alguém na cadeira do outro lado, alguém no chão. Meu olhar se divertia escolhendo o que eu queria ver, vendo o que eu escolhia.

Mas mesmo me sentindo envolvida pelo ambiente, me disperso enquanto Daniela lê um texto e uma bailarina faz uma “partitura”. Não entendo bem o texto, mas não sei se isso adiantaria. Não me arrebatou. Mas em todo resto do espetáculo, os movimentos das bailarinas, as músicas, a luz faziam eu buscar na minha memória as tantas vezes que sofri por amar, que fui feliz amando (antes de saber que não podia), que me senti vazia, que me desesperei. Até que tudo isso é interrompido por ela. Sim, ela mesma. Daniela Aquino que vestida de noiva cruza a sala em passos lentos, trêmula, olhar lacrimejante. E as lágrimas dela passam a ser as minhas e eu faço força para disfarçar, para não chorar, para não verem que eu choro. Eu que nunca me casei, que nunca me vesti de noiva...Mas ela cruza por outra colega que também é público e eu posso ver que também tem os olhos cheios d’água. E sinto alívio. Ah, não sou só eu que me emociono. E ela, a noiva, segue até um espelho e se altera e come bombons e destrói o buquê de rosas vermelhas e quase rasga o vestido. Só por esta cena já teria valido à pena ter ido até ali. Sua estética, sua vibração, está registrada na minha mente para sempre, junto aos amores que vivi.



Direção: Alessandra Chemello e Diego Mac

O espetáculo faz referência a Myrna pseudônimo através do qual o escritor respondia cartas e dava conselhos sentimentais aos leitores do jornal Diário da Noite, em 1949.

Projeto contemplado com o Prêmio Funarte de Dança Klauss Vianna 2008.

Elenco: Alessandra Chemello, Daniela Aquino, Fabi Vanoni e Joana Amaral

Saturday, February 13, 2010

Não nesta encarnação*

Fui ver Avatar. Não ia. Pretendia tirar depois o DVD. Achei que não era o tipo de filme que me interessava. Até que minha mãe, sim, ela mesma, disse que queria ir. Daí, não dava para continuar esperando.  Meu sobrinho a havia convencido de que deveria ver. Minha irmã já tinha ido e disse que valia a pena. Alguns colegas de mestrado também. Muita gente a minha volta. Se bem que meu outro sobrinho, veterinário, vegetariano e amante da natureza tinha dito que não tinha ficado tão impressionado assim. Devia tê-lo escutado.
É um filme 3D e isso me atraiu. A última vez que vi alguma coisa em 3D estava em Paris. Foi em 2001. Voltei falando (apenas para os íntimos, para não passar vergonha) que estar neste cinema tinha sido mais impactante do que o Louvre. Não pelo filme, que nem era lá grande coisa. O que me deixou absolutamente pasma foi saber que bastava colocar uns óculos para que minha percepção sobre as coisas se transformasse. Para mim esta era uma prova concreta de que o mundo não é apenas o que eu vejo. Sei o quanto esta frase parece arrogante, mas convenhamos esta é a tendência: achar que só é real o que a gente está vendo ou, às vezes, até tocando. Tem mais gente devota de São Tomé do que a gente pensa.
Naquela ocasião era uma experiência totalmente nova e isso é uma das coisas fantásticas da vida. Ter sempre coisas para experimentarmos pela primeira vez. Bem, mas o que é novo... assusta. Então, enquanto as crianças francesas entravam sorridentes no cinema, eu estava apreensiva. Eles entregavam os óculos e a gente devia se prender a cadeira. Havia uma espécie de algema onde nossos pulsos ficavam trancados. Esta precaução não me acalmava em nada. É claro que correu tudo bem. Embora o filme fosse feito especialmente para que a gente tivesse mesmo a impressão de que podíamos cair, ser atingidos, mordidos e tudo mais, mas sai ilesa do cinema. Uma sala que é um imenso globo todo espelhado na Cidade das Ciências, no bairro La Villete, chamado “La Geode”.
Bom, mas voltando ao Avatar. Tentei me deixar levar pela história. Os atores também me convenciam. Tenho uma simpatia enorme pela Sigourney Weaver. Gostei dela até em Caça Fantasmas e Na montanha com os gorilas. Ainda lembro quando assisti sozinha no cinema Marrocos no Menino Deus (é claro que nem existe mais) Alien, o 8º passageiro. Um dos vilões do filme, Giovanni Risibi, também já me conquistou faz tempo. Ele se repete em alguns trejeitos, mas dá para sentir sua entrega aos personagens.
Os efeitos especiais e a estética do filme também são impressionantes, lindos e a história vai bem até que a disputa entre um povo e outro se define. Toda e qualquer proposta de algo interessante se dissolve.
Imagino que algumas pessoas vão dizer que não tenho imaginação, que quero filmes realistas, históricos ou sei lá mais o que. Mas não creio que seja este o problema. Não tenho dificuldade em me deixar levar pela idéia de que a tecnologia nos permita um dia ter avatares por aí. Se posso gostar de A Era do Gelo e Madagascar não é exatamente a falta de realidade que me atrapalha. É justamente o oposto.
Minha pergunta é por que pessoas com tanta imaginação para inventar algo assim, precisam recorrer ao mesmo roteiro de sempre? Bandidos contra mocinhos. Guerras e Tiroteios. Já houve época em que eu não entendia bem quando alguém dizia que algo era um clichê. Hoje, ver o militar do “mal” (Stephen Lang) tomando um café no helicóptero que está para bombardear o “paraíso” me faz ficar muito incomodada. Só muda alguma coisa se for outra bebida. Um caldo de cana talvez?
Se era um povo tão ciente dos contatos com natureza, da energia, se estabeleciam conexões com os animais pelo próprio rabo de cavalo, como não sabiam outra maneira de telepaticamente fazer os humanos mudar de idéia, refletir sobre o que estavam para fazer? Por mim, podiam até encostar o dedão do pé um no outro e fazê-los desistir da destruição, da queda de aviões, helicópteros, bombas, etc, etc.
Este tipo de coisa ainda agüento quando é um filme histórico sobre alguma guerra, algo que não há como evitar e de preferência que tenha o Tom Cruise no elenco para me distrair. Ok.  O outro Tom também serve. Afinal, O Resgate do Soldado Ryan tem uma das cenas mais trágicas de guerra que eu conheço e que para mim é uma obra-prima.
Com tantos devaneios não sei se fui clara. Avatar não precisava terminar com final feliz, mas este lance de confronto final e cenas de destruição me cansam. Ainda mais quando estamos falando de outros mundos e alta tecnologia. Tudo bem. Talvez, eu precise acreditar que, quando chegarmos a poder usar espaçonaves para ir de lá para cá como vou de bicicleta (bem, se não fosse a preguiça, lógico), o homem já tenha conseguido evoluir também e não partir para algo tão batido como ir lá na terra do vizinho atirar bombas.
Não sou tão ingênua de não ter percebido que o filme trata sobre o poder, sobre disputa  de território e sobre coisas de valor que fazem os humanos perderem a cabeça, entretanto não sei se fica evidente o quanto é imbecil (para usar uma palavra que aparece para definir o protagonista no filme) agir egoisticamente. Se já acho uma estupidez hoje, no que se refere somente ao planeta Terra que dirá quando estivermos falando de lugares sequer imaginados.
A estas alturas quem se encantou com o filme já deve estar por conta com as minhas opiniões. Quero deixar claro que não quero desmobilizar ninguém a ir ver. Ao contrário. Acho que as pessoas têm que ter suas próprias opiniões. Se concordarem comigo ok, se não, ok também. Gostaria de receber os argumentos a favor desta história que a mim não cativou.
Até porque se tiver uma continuação que volte no passado e me conte tudo o que a cientista (personagem da Sigourney Weaver) fez para chegar a aquele estágio, eu sou capaz de ir. Não me importaria de ficar sabendo como o povo especial aprendeu a falar inglês. Imaginei que eles eram capazes de fazer uma tradução em tempo real e isto me fascinou.
Porque no mais acho que outras soluções para a convivência pacífica entre os povos não virão. Nem mesmo no cinema. Não nesta encarnação.
·        

Avatar vem do sânscrito Aval, que significa "Aquele que descende de Deus", ou simplesmente "Encarnação". Qualquer espírito que ocupe um corpo de carne, representando assim uma manifestação divina na Terra.

PS: Enquanto isso... Arruda é preso. Pagam salários de R$ 500,00 aos presidiários. Escolher a pauta em tempos como este não é fácil.

Wednesday, January 27, 2010

Arte na pele


Já há algum tempo meu espírito jornalístico (estou começando a me convencer de que isso existe mesmo) fica me cobrando sobre um assunto que nunca me interessou particularmente, mas que, de uns tempos para cá, vem me instigando. Trata-se de: tatuagens. Claro que não é de hoje que vejo as pessoas nas ruas, reportagens sobre isso, etc. Mas o que mudou nos últimos dois anos foi que, em meu contato com Roger Kichalowsky, tenho acompanhado as tatuagens que ele tem feito. Hoje, já são nove.

Logo que ele começou a fazê-las, eu perguntei se não ficaria estranho quando ele envelhecesse. Ele me disse:

- Haverá toda uma geração da minha idade tatuada também.

Confesso que não tinha pensado nisso.

Mas ele não é a única pessoa que conheço mais de perto que se tatua. Aliás, conheço muitas na verdade. Até minha irmã tem uma borboleta. Não sei se o fato dela também ser artista plástica tem alguma coisa a ver com isso.

Outra pessoa tatuada que faz parte das minhas relações é Virginia Debize que morava do lado da minha casa quando eu era pequena e que muito peguei no colo. A Gika já é famosa na cidade por ter várias partes do corpo tatuadas. Ela também responde de forma bem humorada a esta questão da idade. Em entrevista publicada na Zero Hora, quando perguntaram se ela não se arrependeria quando ficasse velha, ela disse: “Serei uma uva passa colorida, uma velhinha diferente”.

No entanto, para quem pensa que é um modismo dos tempos atuais, é bom saber que a tatuagem já aparece na arte pré-histórica, quando alguns povos cobriam o corpo com desenhos. Pelo que pesquisei, há uma hipótese de que no começo as marcas eram involuntárias, adquiridas nas guerras, lutas ou caças e que provocavam orgulho e reconhecimento a quem as possuísse. Assim, os homens começaram a fazer marcas de propósito. A partir daí, várias culturas começaram a usar pinturas por motivos espirituais, rituais e para marcar fatos da vida biológica: nascimento, reprodução, virar guerreiro, sacerdote ou rei; casar-se, celebrar a vida, identificar os prisioneiros, pedir proteção ao imponderável, garantir a vida do espírito durante e depois do corpo.

Para as tatuagens do Roger ele diz que não há um significado. Segundo ele, desde que fez o curso de Artes plásticas já pensava em usar o corpo como “suporte”.

- Cheguei a querer fazer várias coisas, mas queria escolher a imagem certa. Ainda bem que esperei. Fiz a primeira tatuagem em 2007 e já aproveitei para fazer também um vídeo que filmava o processo, transformando este momento em uma performance. Aliás, a arte e a música fazem parte da vida de Roger há bastante tempo.

Perguntei a ele se as tatuagens tinham a ver com o fato dele ser rockeiro. Ele disse que sim, acaba compondo um visual que, com certeza, vai interferir na imagem que as pessoas vão fazer da Sweet Freedom. É a banda que ele e Tomas Barth formaram no final de 2009 e vão lançar em março, só com músicas de autoria dele. “O som é 'pegado', rockão mesmo, com peso, forte, com calor".

Quanto à dor para fazer as tatuagens, ele considera que é suportável, mas, primeiro diz que chegou, algumas vezes a pensar em desistir, depois se corrige: “não a desistir, mas a deixar para continuar depois”. Porém, diz ele que a vontade foi sempre maior.

Várias de suas tatuagens são desenhos inspirados em produções de outro artista plástico, Luciano Montanha. Roger explica que as adaptou para a parte do corpo onde pretendia colocá-las. Suas imagens são simplificadas e em sua maioria só usando o preto. Naquelas em que usou cor foram apenas as cores primárias. Todos os desenhos são exclusivos.

Kichalowsky planeja tatuar 30% do corpo. Disse que já tem um desenho pronto para canela e para a coxa e para costela, onde disseram que a dor é ainda maior.

Se eu gosto? Confesso que depende muito de quem é o tatuado e qual é a tatuagem. O que me dá uma certeza de que valorizo mais o “conteúdo” do que a “embalagem”. Brincadeiras a parte, me tranqüiliza pensar que não julgo as pessoas pelo exterior. Mas, penso que, mesmo que a tatuagem em si não queira dizer nada, ser tatuado não é para qualquer um e carrega em si uma irreverência, um não-conformismo. Afinal, se não fosse assim, por que este desejo de mudar a natureza?

Se me tatuaria? Talvez fosse até terapêutico já que tudo que me remete a algo permanente me dá agonia. Não me importaria, por exemplo, de raspar a cabeça. Costumo dizer para estas mulheres que tem um troço por causa de um corte de cabelo mal feito que é algo que se recupera e que poucas coisas na vida são assim. Mas, já pinturas definitivas na pele é muito diferente. O certo é que como Roger, não faria algo sem pensar bem antes. Escrever nomes de pessoas ou tentar perpetuar coisas que podem se tornar passado, nem pensar. Se bem que achei legal um casal que, em vez de dividir alianças, fez a mesma tatuagem no antebraço, com os dizeres: “nitimur in vetitum” (“Lançamo-nos ao proibido”, em latim).

Mas, até hoje, meus dois sinais de nascença me bastam.

Embora os tatuadores costumem dizer que existem dois tipos de pessoas que chegam aos seus locais de trabalho: aquelas que querem entrar na moda e aquelas que querem tatuar algo que marcou suas vidas, Roger parece pertencer a um terceiro tipo: o que usa o corpo como tela para sua arte.

Um pouco de história

Em 1991, quando a múmia mais antiga do mundo, encontrada na Itália e datada de 5.300 anos antes de cristo tinha tatuagens que acompanhavam a espinha dorsal, além de uma cruz nas coxas e desejos tribais por toda a perna estava provado que estávamos falando de uma “técnica” muito mais antiga do que pensávamos. Já a segunda múmia mais antiga do mundo, uma princesa egípcia, foi encontrada com uma grande espiral desenhada na barriga e provava que nem as tatuagens em mulheres são algo recente.

Outros povos mais antigos se tatuavam para ter força e poder e acreditavam que os traços ficavam marcados na alma, permitindo que fossem reconhecidos após a morte. Bom, nem pretendo me aprofundar na quantidade de tribos e comunidades que usavam a tatuagem pelas mais diferentes razões. Desde distrair os inimigos, agradar aos deuses, seduzir o ser amado. Além disso, até os cristãos também usavam o sinal da cruz marcado no corpo como reconhecimento. Na Idade Média as coisas mudaram. As pessoas tatuadas passaram a ser perseguidas, aprisionadas e mortas. Ser tatuado no Japão feudal era pior do que a morte, pois abalava seu status social. Já os índios americanos acreditavam que uma divindade aguardava a chegada das almas e exigia ver as tatuagens para lhe dar uma passagem para o paraíso.

A palavra “tatoo” tem origem no som que os ossos finos usados como agulhas faziam ao ser batidos por uma espécie de martelinho de madeira para introduzir a tinta na pele. Felizmente, hoje, as tatuagens são feitas com pigmentos importados de origem mineral, principalmente, e com agulhas específicas para tatuar, sempre descartáveis e nunca reutilizadas (mesmo que seja na própria pessoa). Isso sem falar nas pomadas anestésicas.

No Ocidente, a tatuagem foi chegar no século XVIII e já na segunda metade do século XIX se transformou em moda entre a realeza européia. Nos Estados Unidos, ela vai se popularizar nos anos 70, reproduzindo imagens como de Marilyn Monroe, James Dean e Jimmy Hendrix. Nessa mesma época, os surfistas lançaram a moda de braços decorados com dragões e serpentes. Na década de 80, foi a vez dos tigres e das águias.

No Brasil, o precursor da tatuagem foi um cidadão dinamarquês chamado Knud Harald Lucky Gegersen, conhecido popularmente como Lucky, ou Mr. Tattoo. Chegando por aqui em 1959, Lucky se estabeleceu em Santos-SP, utilizando seu talento e suas técnicas de desenhista e pintor profissional.

Atualmente, a tatuagem ganhou as ruas do mundo todo e já não está mais ligada a nenhuma idade ou classe social específica.

Os Tipos de Tatuagem

Tradicional: (tatuagem de marinheiro): São aqueles desenhos tradicionais, como uma âncora ou uma gaivota, aliás, os marinheiros foram os grandes divulgadores da tatuagem pelo mundo.

Sumi: técnica oriental que utiliza bambu ao invés de agulha. Geralmente os desenhos são ricos em detalhes.

Realista: desenhos que imitam o mundo real, como mulheres, pássaros e personalidades.

Estilizada: como o próprio nome já diz, são desenhos estilizados.

Alto relevo: muito difundida entre os índios. A pele é dissecada formando desenhos com uma infinidade de cores, praticada principalmente por aborígenes, de origem africana.

Belfaro Pigmentação: a maquiagem definitiva, como delineador, batom, etc.

Celta: desenhos de origem celta com figuras entrelaçadas. Pode ser preta ou colorida.

Tribal: desenhos em preto ou coloridos com motivos tribais. Podem ser desenhos de tribos norte-americanas, maias, incas, astecas, geométricas ou abstratas.

Oriental: trabalhos grandes, geralmente de corpo inteiro, como um painel. Os desenhos são com motivos orientais, como samurais, gueixas e dragões.

Psicodélicas: trabalhos supercoloridos com desenhos totalmente “senseless”.

Religiosas: trabalhos com personagens bíblicos, como um santo, uma cruz, etc.

Bold line: desenhos das histórias em quadrinhos com traços bem largos e cores berrantes.

Branding: tatuagem marcada a ferro e fogo.

Curiosidades e dicas:

• Os aparelhos de barbear utilizados para depilar o local da tatuagem não devem ser reaproveitados.

• O tatuador deve usar luvas e máscara para procedimentos, para evitar uma possível infecção ou até a contaminação por doenças como hepatite, AIDS, tuberculose, esporos patogênicos, bactérias e fungos.

• A limpeza do ambiente é fundamental a fim de se evitar a contaminação cruzada.

• Não dá pra tatuar palma da mão nem sola do pé. A Tattoo some junto com a pele que descasca muito.

• A Henna, ou Mehandi, ou Mehndi, como se fala na Índia, onde essa arte se originou, não é tóxica. Ela é usada há milênios. Mas ELA É MARROM, ou ferrugem, para ser mais exato. Alguns tatuadores usam um corante PRETO que é muito tóxico. Ele penetra na sua pele e deixa resíduos de CHUMBO e MERCÚRIO, que são metais pesados que o corpo não elimina nunca mais. A tatuagem feita com esses corantes é temporária, mas o veneno fica para sempre.

• Preste muita atenção se os BICOS e AGULHAS são descartáveis, e se o tatuador está abrindo uma embalagem nova.

• Não pode fazer tatto antes dos 18 anos. Enquanto o corpo ainda pode crescer, mesmo que seja só um milímetro, sua pele vai junto. A tatuagem vai ficando toda distorcida.


Link para a matéria da Zero Hora

http://zerohora.clicrbs.com.br/zerohora/jsp/default2.jsp?uf=1&local=1&source=a2581221.xml&template=3898.dwt&edition=12721§ion=997

Sunday, January 24, 2010

Indicados Açorianos 2010

 indicados

Teatro adulto

Melhor espetáculo
Dentrofora
Desvario
O Amargo Santo da Purificação
O Bairro
O Sobrado
Melhor direção
Arlete Cunha (O Vendedor de Palavras)
Carlos Ramiro Fensterseifer (Dentrofora)
Inês Marocco (O Sobrado)
Marco Fronchetti (O Bairro)
Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz (O Amargo Santo da Purificação)

Melhor ator 
Elison Couto (O Avarento)
Nelson Diniz (Dentrofora)
Renato del Campão (A Serpente)
Rodrigo Fiatt (O Sobrado)
Sergio Lulkin (O Bairro)

Melhor atriz
Araci Esteves (Marleni)
Isandria Fermiano (O Sobrado)
Liane Venturella (Dentrofora)
Sissi Venturin (Teresa e o Aquário)
Tânia Farias (O Amargo Santo da Purificação)

Melhor ator coadjuvante 
João Pedro Madureira (O Avarento)
Luis Franke (O Sobrado)
Marco Sório (O Bairro)
Marcos Chaves (O Avarento)
Zé Mario Storino (O Avarento)

Melhor atriz coadjuvante 
Elisa Volpatto (Desvario)
Lucia Bendati (O Avarento)
Martina Fröhlich (O Sobrado)
Sandra Dani (Platão Dois em Um)
Valéria Lima (O Bairro)

Melhor figurino 
Daniel Lion (O Avarento)
Fabrízio Rodrigues (Elefantilt)
Rô Cortinhas (Platão Dois em Um)
Rodrigo Nahas (Dentrofora)
Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz (O Amargo Santo da Purificação)

Melhor cenografia
Cia. Espaço em Branco (Teresa e o Aquário)
Elcio Rossini (Marleni, O Sobrado e Dentrofora)
Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz (O Amargo Santo da Purificação)

Melhor iluminação 
Acosta (O Bairro)
Claudia de Bem (Dentrofora, O Sobrado e Marleni)
Liliane Vieira (Teresa e o Aquário)

Melhor trilha 
Álvaro Rosacosta (Dentrofora)
Celso Zanini, Luis Franke, Martina Fröhlich e Philippe Philippsen (O Sobrado)
Cida Moreira (Elefantilt)
Marcos Chaves (O Avarento)
Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz (O Amargo Santo da Purificação)

Melhor dramaturgia 
Celso Zanini, Elisa Heidrich, Isandria Fermiano, Marina Kerber, Mirah Laline e Rodrigo Fiatt (O Sobrado)
Diones Camargo e Cia. Espaço em Branco (Teresa e o Aquário)
Marco Fronchetti (O Bairro)
Rodrigo Monteiro (O Vendedor de Palavras)
Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz (O Amargo Santo da Purificação)

Melhor produção 
Adriana Sommacal, Anildo Michelotto, Inês Marocco, Luis Franke, Manoela Wunderlich, Mirah Laline e Philipe Philippsen (O Sobrado)
Airton de Oliveira e Tainah Dadda (Desvario)
Francine Kath (Marleni)
Inês Hubner (O Avarento)
Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz (O Amargo Santo da Purificação)

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Teatro infantil

Melhor espetáculo
Arca de Noé
Herlói, o Herói
O que Seria Do Vermelho se Não Fosse O Azul

Melhor direção 
Raquel Grabauska (Herlói, o Herói)
Roberto Oliveira (O que Seria Do Vermelho se Não Fosse o Azul)
Zé Adão Barbosa (Arca de Noé)

Melhor ator 
Álvaro Vilaverde (Arca de Noé)
Denis Gosch (Chapeuzinho Amarelo)
Gutto Szuster (Filhote de Cruz Credo)
Leonel Radde (Peter Pan e a Terra do Nunca)
Vinícius Petry (Herlói, o Herói)

Melhor atriz
Elisa Lucas (Histórias de uma Mala Só)
Lúcia Bendati (A Menina das Estrelas)
Luciane Olendzki (Herlói, o Herói)
Simone de Dordi (Herlói, o Herói).
Simone Rasslan (Arca de Noé)

Melhor ator coadjuvante 
Álvaro Rosacosta (Peter Pan e a Terra do Nunca)
Lucas Sampaio (O que Seria Do Vermelho se Não Fosse o Azul)
Paulo Brasil (Era uma Vez...uma Fábula Assombrosa)
Thiago Prade (Chapeuzinho Amarelo)

Melhor atriz coadjuvante 
Francine Kliemann (O que Seria Do Vermelho se Não Fosse o Azul)
Lívia Perrone (Arca de Noé)
Lúcia Bendati (Peter Pan e a Terra do Nunca)
Rafaela Cassol (Filhote de Cruz Credo)
Regina Rossi (Arca de Noé)

Melhor figurino 
Alexandre Magalhães e Silva (Era uma vez.... uma Fábula Assombrosa)
Ana Fuchs e Ig Borghese (O que Seria Do Vermelho se Não Fosse o Azul)
Rô Cortinhas (Filhote de Cruz Credo)
Titi Lopes (A Menina das Estrelas e Arca de Noé)

Melhor cenografia 
Dênis Gosch (Chapeuzinho Amarelo)
Júlio Freitas (A Menina das Estrelas)
O Grupo (Arca de Noé)
Paulo Balardim (O Cisne)

Melhor iluminação 
Anílton Souza (Chapeuzinho Amarelo)
Carlos Azevedo (Arca de Noé)
Fabiano Silveira (O que Seria Do Vermelho se Não Fosse o Azul)
Osmar Montiel (A Menina das Estrelas)

Melhor trilha
Cláudio Veiga e Mateus Mapa (O Cisne)
Jean Presser (Chapeuzinho Amarelo)
Marcelo Delacroix (Arca de Noé)
Vinícius Petry (Histórias de uma Mala Só)

Melhor dramaturgia
Artur José Pinto (Chapeuzinho Amarelo)
Bob Bahlis (Filhote de Cruz Credo)
Elisa Lucas (Histórias de uma Mala Só)
Gustavo Finkler (Herlói, o Herói)
Roberto Oliveira (O que Seria Do Vermelho se Não Fosse o Azul)

Melhor produção 
Alice Ribeiro (O Cisne)
Depósito de Teatro (O que Seria Do Vermelho se Não Fosse o Azul)
Ellen D'Avila (A Menina das Estrelas)
Laura Leão (Arca de Noé)
Paulo Guerra (Chapeuzinho Amarelo)

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DANÇA

Melhor espetáculo
3mares
Abobrinhas Recheadas
Ditos e Malditos
My House

Melhor coreografia
Aldo Gonçalves (Essência 15 Anos Valsando)
Carlota Albuquerque (Ditos e Malditos)
Ivan Motta (Pessoas — O Diário do Desassossego)
Marco Rodrigues (My House)

Melhor bailarino
Aldo Gonçalves (Essência 15 Anos Valsando)
Jean Guerra (My House)
Lindon Shimizu (Ato ao Acaso)
Marco Rodrigues (My House)
Nilton Gaffree (Abobrinhas Recheadas)

Melhor bailarina 
Ana Cláudia Pedone (Pessoas — O Diário do Desassossego)
Gabriela Peixoto (Ditos e Malditos)
Letícia Paranhos (Pessoas - O Diário do Desassossego)
Thais Petzhold (Percurso Infinito)

Melhor cenografia
Andrea Nedeff (My House)
Marçal Rodrigues (3mares)
Terpsí Teatro de Dança (Ditos e Malditos)

Melhor figurino 
Anderson de Souza (Ditos e Malditos)
Maíra Coelho (3mares)
Marcela Corrêa e Nilma Corrêa (Essência 15 anos Valsando)

Melhor iluminação
Bathista Freire (Monoton)
Guto Grecca (Ditos e Malditos)
Igor pretto (Play Beckett)
Karrá (My House)

Melhor trilha sonora 
Alessandra Chemello e Diego Mac (Abobrinhas Recheadas)
Álvaro Rosacosta e Terpsí Teatro de Dança (Ditos e Malditos)
Celau Moreyra (Percurso Infinito)
Guenther Andreas (Ato ao Acaso)
Marco Rodrigues (My House)

Melhor produção 
Alessandra Chemello e Diego Mac (Abobrinhas Recheadas)
Ludensarte (3mares)
Miguel Sisto Jr. (Monoton)
Terpsí Teatro de Dança (Ditos e Malditos)

Wednesday, December 30, 2009

Novo ano, velha retrospectiva

Todo ano é a mesma coisa. Quando anunciam a retrospectiva na televisão fico interessada. Acho que é uma maneira de me informar rapidamente de coisas que acabaram passando despercebidas enquanto eu me ocupava com meus próprios assuntos. Porém, o que acontece é que nos primeiros minutos já observo que só foram destacadas as notícias ruins. A ênfase é nas tragédias. A única exceção sempre foi para o esporte. Vitórias do futebol e dos atletas. Só.
Não sei por que me surpreendo. Se o ano todo, a imprensa faz isso porque nos últimos dias ia fazer de outra forma? Não estou dizendo que as notícias são falsas, que tudo aquilo não aconteceu. Nem tem como. As imagens estão lá para provar. Esta, aliás, foi uma característica das coisas divulgadas este ano. Mas tenho absoluta certeza de que existem boas ações, conquistas em outras áreas. Afinal, são milhares de pessoas destinando energia e suor no trabalho, nas escolas, defendendo a natureza, as crianças, os animais, etc. Nada de bom resulta disso tudo? Alguém pode, realmente, acreditar nisso?
Só não entendo o que leva a direção da dita maior emissora do país a repetir sempre o mesmo formato. Qual é o objetivo de encher a cabeça das pessoas no final do ano com tudo que roubaram, com tudo que foi destruído, com todas as mortes, assassinatos? Depois, querem que na virada do ano como se nada tivesse acontecido a gente comece a cantar: “hoje é um novo dia, de um novo tempo...” Não de acordo com a retrospectiva que eles fazem todos os anos.
Pena que não segui com a idéia que tive no ano passado de fazer minha própria retrospectiva. Ir anotando, ao longo do ano, as coisas que me chamavam a atenção. As boas ações, as descobertas, os avanços na medicina. Gente que surpreendeu, que mostrou o valor da vida, do amor, da arte.  Esta, talvez, seja uma das razões pela qual acabei tendo tanto interesse no teatro. Saber que neste mesmo mundo em que tanta coisa ruim fica acontecendo, existem pessoas capazes de nos fazer por algumas horas que sejam entrar em outro universo e nos fazer pensar e sentir é algo que me arrebata.
Se o ano de 2009 tivesse, realmente, sido como acabei de ver, eu não estaria com este otimismo. Mesmo que faça até uma forcinha para ficar alienada de algumas situações políticas que, muitas vezes, sugam toda a minha energia e fé no ser humano, não haveria como ficar tão distante de tantas catástrofes. O que estes editores parecem que esquecem é que para condensar tantas informações em tão pouco tempo é preciso contrabalançar. Falar de TUDO um pouco. Porque a vida de qualquer um não foi só as enchentes ou a gripe A ou o dinheiro na cueca. Em 365 dias vivemos também momentos de alegria, solidariedade, otimismo, diversão, amor, sexo, amizade. Momentos tão verdadeiros e significativos quanto qualquer guerra no exterior ou seca aqui no Sul. Se eu, que não paro para preparar um programa destes sei disso porque eles parecem não saber?
Bem, mas antes que você se contamine com este tipo de comunicação equivocada e fique meio sem expectativas, sugiro que você se concentre em algo, uma única coisa que representa que existem pessoas do bem, fazendo algo para o melhor e que estas ações vão trazer resultados. Alguns, já em 2010. Além disso, acredito que a gente possa até mesmo pensar só em si, em sua própria felicidade, nas suas próprias metas, porque se todos fizerem isso não tenho a menor dúvida de que o mundo também vai apresentar melhoras. Independente do que diga a próxima retrospectiva.

Amanhã
(Guilherme Arantes)
Amanhã será um lindo dia, da mais louca alegria

Que se possa imaginar, amanhã redobrada a força

Pra cima que não cessa, há de vingar

Amanhã mais nenhum mistério, acima do ilusório

O astro rei vai brilhar, amanhã a luminosidade

Alheia a qualquer vontade, há de imperar, há de imperar

Amanhã está toda a esperança por menor que pareça

O que existe é pra festejar, amanhã apesar de hoje

Ser a estrada que surge, pra de trilhar

Amanhã mesmo que uns não queiram será de outros que esperam

Ver o dia raiar, amanhã ódios aplacados temores abrandados

Será pleno, será pleno...

Friday, December 25, 2009

Mario Quintana e eu






Não lembro quando li pela primeira vez Mario Quintana. Mas sei que Ricardo Silvestrin, outro poeta, teve muito a ver com isso e que bastou ler o primeiro poema para me apaixonar. Adorava o jeito dele escrever. Decorava. Guardava para mostrar para os amigos. Aquela ironia cortante contrastando com um jeito ingênuo, inteligente e divertido. Uma palavra que não usamos muito atualmente: lucidez. Por mais labiríntico que fosse o seu pensamento era ao mesmo tempo de uma clareza impressionante!
Em quase meio século de vida (a minha) ele é um dos meus dois ídolos. O outro, para quem ainda não sabe, é o Caetano. Sim. Tenho uma queda pelos poetas. Uma vez, fiquei lá de boca aberta, numa fila, espiando Mario Quintana. Aguardando minha vez de pegar um autógrafo. Claro que quando estava bem na sua frente, tudo que disse foi o meu nome e só porque ele me pediu. Quintana veio fazendo parte da minha vida, me constituindo enquanto pessoa. Aguçando minha sensibilidade. Nas aulas de teatro, era comum eu recorrer aos seus versos para as improvisações. Também, seu texto sozinho já trazia dramaticidade. Um dos que lembro ter usado foi:


Da vez primeira em que me assassinaram
Perdi um jeito de sorrir que eu tinha...
Depois, a cada vez que me mataram,
Foram levando qualquer coisa minha...

Hoje, dos meus cadáveres eu sou
O mais desnudo, o que não tem mais nada...
Arde um toco de vela amarelada...
Como único bem que me ficou!

Vinde, corvos, chacais, ladrões da estrada!
Pois dessa m
ão avaramente adunca,
Não haverão de arrancar a luz
sagrada!

Aves da Noite! Asas do Horror! Voejai!
Que a luz, trêmula e triste como um ai,
A luz de um morto não se apaga nunca!



Há anos atrás, resolvi que comemoraria meu aniversário no lugar onde ele havia morado (antigo Majestic hoje Casa de Cultura Mário Quintana) e pedi para os convidados decorarem algum de seus textos. Meu irmão (que já não está entre nós) foi o único que atendeu a meu pedido e declamou:


O tempo

A vida é o dever que nós trouxemos para fazer em casa.
 
Quando se vê, já são seis horas!
 
Quando de vê, já é sexta-feira!
 
Quando se vê, já é natal...
 
Quando se vê, já terminou o ano...
 
Quando se vê perdemos o amor da nossa vida.
 
Quando se vê passaram 50 anos!
 
Agora é tarde demais para ser reprovado...
 
Se me fosse dado um dia, outra oportunidade, eu nem olhava o relógio.
 
Seguiria sempre em frente e iria jogando pelo caminho a casca dourada e inútil das horas...
 
Seguraria o amor que está a minha frente e diria que eu o amo...
 
E tem mais: não deixe de fazer algo de que gosta devido à falta de tempo.
 
Não deixe de ter pessoas ao seu lado por puro medo de ser feliz.
 
A única falta que terá será a desse tempo que, infelizmente, nunca mais voltará.


Fiquei impressionada com sua memória e com sua apropriação de cada palavra, mas devia entender que era um poeta falando de outro poeta, pois, meu irmão também passou a vida escrevendo seus versos. Naquele dia, este texto já fez sentido e agora ainda mais...E foi por isso que no dia em que ele partiu, eu fiz questão de me despedir com um poema deste importante autor gaúcho. Lembro que um primo meu me perguntou se eu conseguiria ler e eu garanti que sim. Lembro que a emoção era enorme mas que diante de uma multidão, lia alto e firme, sabendo que esta era uma boa maneira de prestar minha homenagem. Agora, porém, não consigo trazer à memória o nome do poema.
Acabo de ler em um blog uma entrevista de Lau Siqueira, em 1987, publicada no Jornal O Norte sua resposta a pergunta de por que ele não se casou. Claro que a resposta foi típica deste poeta que me encanta: “Como é que vou saber porque é que não casei. Deve ter sido por causa dos astros, né? Vamos culpar os astros (risos).” E foi assim que me dei conta de que ao menos isso eu e Quintana temos em comum. Também culpo os astros pela solteirice. Ah, e tem também nossa paixão pelas palavras. Aliás, o que parece não ter faltado em nossas vidas foram paixões. 

Wednesday, December 02, 2009

Mulheres frágeis em corpos fortes


Sim, inverto o título do espetáculo do grupo Gaia propositalmente, é claro! Tenho lá minhas razões. Vejamos: você sai para ver um espetáculo de dança contemporânea. Então, você sabe que, a princípio, não vai ver sapatilhas de ponta, nem frufrus. Mas você espera que haja música e, no entanto, as intérpretes (é este o termo para aquelas três mulheres) se movimentam ao som do conteúdo de estações de rádio. Ou seja, pode ser uma propaganda uma entrevista, a participação de uma ouvinte ou até mesmo a narração de um jogo de futebol. Ah, mas você pode achar que não dá para dançar com isso. Sinal que você não foi assistir ao espetáculo. Se lá estivesse ficaria sabendo que os movimentos podem surgir até mesmo dos ruídos do rádio. Não quero parecer pretensiosa, mas já sabia.

Há muitos anos atrás (mais de 20, com certeza), não sei exatamente como, acabei indo fazer aulas com uma professora que tinha a exata noção de que o corpo podia ser estimulado pelos mais diversos sons. E não estou falando aqui de corpos esguios e ágeis, mas de todos os tipos. Lembro ainda que ela fazia propostas de deslocamentos, colocava vários estilos de músicas, mas não nos orientava quanto ao movimento. Muitas vezes, sugeria que fechássemos os olhos e deixássemos que a música nos levasse pela sala vazia, pelo chão, pelas paredes, o que sempre acontecia. Foi nesta época que descobri o quanto não usufruímos da nossa capacidade corporal de movimento, como somos rígidos, como repetimos sempre os mesmos gestos, quando, na verdade, somos todos capazes de muito, mas muito mais. Ontem, isso tudo me voltou à memória ao assistir ao espetáculo. E, agora, sendo mesmo pretensiosa, confesso que fiquei com vontade de estar no palco também.
O cenário era simples, mas, nem por isso menos impressionante esteticamente. Pequenos retângulos brancos, caídos do teto e espalhados pelo palco e o dividindo em três. Não fiquei surpresa ao ver na ficha técnica que era de Élcio Rossini, o mesmo que na Bienal de 2005, quando fui mediadora, colocou uma grande bola branca, transparente em exposição, provocando as mais diferentes reações. Bem, mas voltando ao espetáculo, era possível sentir uma separação, mesmo sem ler o folder entregue pelo grupo no qual fala em três pedaços. Três coreógrafos: Alecs Dall’Omo, Diego Mac e Paulo Guimarães. Três interprétes: Roberta Savian, Daniela Aquino e Alessandra Chemello. Ao mesmo tempo, também era visível uma unidade.
Bom, mas devo dizer que também teve música. Clássica, popular. “Cotidiano” de Chico Buarque mexe comigo. Imediatamente, vem a minha memória meu irmão (que já se foi) escutando esta música a todo o volume em uma vitrola na minha casa. Emendava com “Você não entende nada” de Caetano. Era um impacto quando ele dizia: “eu como, eu como, eu como” e já ligava na frase seguinte que começava por “você”. São lembranças especiais pra mim. Muito pessoais para um texto escrito para falar de Mulheres fortes em corpos frágeis, mas, ao mesmo tempo, demonstra que a arte é assim: provoca.

Por que inverti o nome? Porque senti durante o espetáculo a sensualidade, a tensão a neurose daquelas mulheres que pareciam se questionar sobre o seu lugar no mundo. Ao mesmo tempo, somente corpos intensamente preparados são capazes daquelas performances, daquela intensidade de movimentos. Aliás, isso fica claro no final. Em um momento, temos a impressão de que o espetáculo chegou ao fim. Alguém toma a iniciativa e aplaude. Os outros seguem. A interpretação, porém, continua. Mais aplausos. Mas a platéia não sabe o que deve fazer. Até passou pela minha cabeça que devíamos ir embora, mas não seria eu a fazer isso. Roberta Savian faz uma pequena pausa na sua concentração de movimentos para dizer ao público que é exatamente isso que temos que fazer para dar fim ao espetáculo. Foi uma tentativa muito interessante de fugir as convenções de como terminar um espetáculo, mas esbarrou nelas.

Obs: Daniela Aquino, minha colega de mestrado, mais uma vez absolutamente linda e expressiva em cena.