Os amigos me convenceram a começar o meu blog. Sou jornalista e mestra em artes cênicas. Sempre adorei escrever e tenho enviado textos para os meus conhecidos com uma certa frequência. Os assuntos? Os mais variados possíveis, mas, ligados as minhas experiências, ao que acho de tudo que está em minha volta. Gostaria de compartilhar com mais pessoas.
Monday, November 10, 2008
Segunda dramática
Wednesday, October 29, 2008
Le rendez-vous cinema
Cinema, francês, comidas e vinhos? Morri e fui para o céu? Não, ainda não. Mesmo, assim, não dava para resistir ao convite da Aliança Francesa para “Le rendez-vous cinema”. O filme era “Questão de Gosto”, de Bernard Raap, e mesmo que não tivesse absolutamente naaaada a ver com a minha pesquisa de mestrado em teatro sobre crítica, assim que li o título, fui atraída. Bem, saber que era uma sessão comentada com Philippe Rémondeau e com a mediação do diretor Cristophe Benest também ajudou.
No momento, era o mais perto do Chez Philippe que eu podia chegar e quase que isso não acontece, pois, já de cara fomos avisados que ele se atrasara. O que, no entanto, não fez nenhuma diferença, pois, ver o filme no escuro e em silêncio com ele do lado não ia tornar o filme mais interessante do que já é. Talvez, eu pudesse olhar para ele com um olhar de fome cada vez que aparece uma das cenas maravilhosas de comida, mas, sem luz, acredito que pouco adiantaria.
O filme é instigante. Com um roteiro desconstruído (linguagem dos pós-dramáticos) cuja primeira cena é o final e já nos avisa de antemão que não será feliz. Eu, que não leio nem caixinha de DVD para não saber os detalhes, não me importei. De qualquer forma, o filme prende e a história vai sendo contada aos poucos. O trabalho dos atores Bernard Giraudeau, Charles Berling, Florence Thomassin, Jean-Pierre Leaud, Jean-Pierre Lorit é muito bom e a relação que se estabelece entre os dois principais é curiosa, bizarra até. Ao mesmo tempo familiar. Sim, porque embora a história vá evoluindo para situações patológicas, trata-se de uma relação de poder, de trabalho, de patrão e empregado. De humilhação, de assédio moral e estas coisas que não são tão desconhecidas assim.
Lá pelas tantas, enquanto me perguntava como alguém poderia suportar tanta maluquice, lembrei de um dos meus empregos na virada do milênio (ano de produção do filme, aliás) em que a relação entre eu e meu chefe (um ex caso de amor) também descambou de modo muito esquisito. Pensava nas vezes em que ele me “obrigava” a ir trabalhar nos sábados para realizar reuniões estratégicas para a empresa, garantindo que desta forma me transformaria em sócia, para depois me deixar todo o sábado pela manhã absolutamente sozinha e aparecer, próximo ao meio-dia, com o maior sorriso, me chamando pelo apelido que me criara e dizendo que, infelizmente, tinha ficado preso em uma situação inesperada. Fato que se repetiu por muitos meses e eu continuava indo trabalhar aos sábados contrariada. E, aproveitando o filme, vou empregar um verbo francês que aprendemos lá na Aliança na aula de sábado de manhã (sim, agora, este é muito melhor aproveitado): subir = suportar alguma coisa dolorosa sem querer.
Importante frisar, porém, que eu não tinha as vantagens que o cara do filme teve: o alto salário, as regalias. Aliás, na descrição do filme diz: “o que no início era uma relação profissional acaba por tornar-se muito perigosa para ambos”, eu discordo. Acho que nem, no início pareceu apenas uma relação profissional. Adoro cinema por isso. As coisas vão sendo ditas aos poucos, mas, já estão lá. É um olhar, um jeito de andar, uma frase aparentemente casual. Muitas vezes até o figurino ou um objeto qualquer vão dando indícios do que irá acontecer depois. De qualquer forma, mesmo neste filme em que a cena final já apareceu, e inclui uma camisa encharcada de sangue, ainda queremos saber o que aconteceu até chegar ali. E quando sabemos, não decepciona. Ao contrário, dá vontade de saber mais. É aquele tipo de filme que não termina com os créditos, que podemos aprofundar com as discussões. Importante observar o ritmo deste filme, pois, os franceses têm sua fama de fazer cinema lento e, muitas vezes, sem final, como muitos de nós, brasileiros, costumamos dizer. Não é este o caso.
Mas, apesar da presença simpática do Philippe (sim, ele apareceu!) e das coisas curiosas e inteligentes que ele falou sobre culinária, o tema do filme era para uma discussão com psiquiatras e psicanalistas de plantão. Um chef, por mais brilhante que fosse, pouco poderia fazer para explicar aquela relação de dependência doentia que se estabeleceu entre os dois atores principais, mesmo que eles tenham passado quase todo o filme entre uma refeição e outra. Como dizia a chamada do email que recebi convidando: “Goûter n’est pas jouer”! (Provar não é jogar). Agora, verdade seja dita: saímos todos com vontade de jantar. Infelizmente, ainda não foi desta vez que fui parar no Chez Philippe, mas, estou chegando perto...
Tuesday, October 28, 2008
Teatro quase à força

Fui assistir O Médico à Força, depois de um Domingo de eleição e horas ininterruptas de chuva. Havia escutado alguns comentários não muito bons. Mas, minha irmã me convidou e ela quase nunca vai ao teatro, então, quem sou eu para dizer que não?
Bem, o primeiro impacto é do cenário de Elcio Rossini. Grandes fotos coloridas em painéis separados em formato triangular que se revezam. Interessante. Inteligente. Esteticamente eficiente. Logo no início, Anna Fuão e Marcelo Adams no palco. A primeira, minha colega de faculdade e o segundo, um ator cujo trabalho, até hoje, sempre me agradou. Anna não é ela. É o seu personagem. Inclusive no seu rosto que, mesmo sem máscara, apresenta feições que não é daquela moça de olhos claros que sentava na mesma sala de aula que eu. Atriz. Ponto. Marcelo Adams não poderia ficar atrás. Tem uma presença cênica que admiro. Um jeito de dizer o texto que me atrai. E canta! Bem, por sinal. O último trabalho que vi dele foi Édipo e agora lá está ele vivendo Sganarelo, um lenhador. Para que outras vidas se temos o teatro? E se vamos falar do elenco, todos me convencem, todos me divertem.
Falei que o texto era de 1666? Segue atual. Por isso, Molière é tão montado. Por isso, chegou aos nossos dias pós internet, pós-dramático, sem as Leis de Incentivo, sem o marketing. Coisa de gênio. Gosto das “confusões verbais” que ele cria, como diz o programa. Não sei se precisava inspirar-se na estética da produtora brasileira Atlântida para me apresentar o que vi. Não li o texto original. Mas, acredito na escolha da Cia. De Teatro ao Quadrado.
Thursday, October 23, 2008
Sexy and the city. Where?

Fui devolver o filme O criado que havia tirado na locadora devido a disciplina que faço no mestrado sobre a Dramaturgia do Século XX. Olhando o folheto de divulgação, vi que o filme Sex and the city estava na lista de filmes disponíveis e trouxe para casa. Cheguei a pensar em ir ao cinema assistir, mas, o tempo passou. Despretenciosamente, comecei a assistir. Não cheguei a ser graaande fã da série. Um amigo meu achava que eu iria gostar e me indicou há bastante tempo atrás. Só fui ver as reprises. Ele estava certo. Já o filme pensei que ia ser besteira. Aquela história daquelas mulheres. buscando o amor, a Carrie eternamente apaixonada pelo Big que tinha outras e nunca estava disponível... Eu conheço esta história. Não preciso ver na tv. Falso. Acaba sendo emocionante até. Afinal, se fazem um filme sobre algo que me é tão familiar é, no mínimo, interessante. E foi assim que fui vendo o filme.
Monday, October 20, 2008
O que faz você feliz?
Nunca fui contra propagandas. Todo comunicador convive dois anos com pessoas que estudam para aprender a fazê-las. Assim, aprecio espaços comerciais inteligentes, divertidos e emocionantes. Emocionantes sim. Acho possível um comercial trazer este sentimento. Mas, como todo mundo, quando o comercial é bacana, esqueço o que estava anunciando. Uma pena...comercialmente falando! Bem, mas, no título ponho a frase de um que me chama, particularmente, a atenção e que repete esta frase: “o que faz você feliz?”* e abre para as muitas possibilidades. Bem, eu já há algum tempo acredito que felicidade, esta permanente, não existe. E repetindo algo bastante batido, ouso dizer: o que existe são momentos felizes. Como passei hoje.
Fui ao litoral a trabalho. Estou fazendo um vídeo sobre o trabalho dos meus pais, no qual já estou engajada há algum tempo, os Jogos Boole (www.jogosboole.com.br). Fui gravar o depoimento de uma professora que decidiu alfabetizar seus alunos utilizando este projeto criado pelo meu pai para desenvolver o raciocínio lógico. Enquanto ela falava, pensava nos longos anos do meu pai tentando explicar sua idéia, parecendo meio louco, insistindo em uma idéia que a maioria das pessoas não conseguia entender e acabava ridicularizando suas atitudes intempestivas que visavam à divulgação do que ele havia descoberto. Hoje, esta idéia se espalha por aí, nas escolas e chega em vários lugares do país, inclusive, em escolas pequenas, mas, com professores dedicados como a professora Vera Traut de Santo Antônio da Patrulha da escola Padre Réus onde estive hoje.
Minha próxima parada era Osório. Falar com outra professora, a Elena Chemale, também entusiasta dos Jogos Boole. Esta foi uma das primeiras a entender a proposta e vibrar com as possibilidades de trabalhar com o material em sala de aula. É assim até hoje, mais de 20 anos depois. Vera Traut, por exemplo, foi sua aluna. Foi muito bom vê-la dando seu depoimento também, falando sobre como o jogo pode ser sempre utilizado em situações difíceis, com crianças desinteressadas que logo se entusiasmam com o trabalho.
Dois momentos, portanto, bem bacanas. Mas, ainda faltava o melhor. Como poderia ir até tão próximo ao mar e não ir lá dar uma olhadinha? Sou fanática pela praia, sua amplitude. O mar tem algo de transcendental para mim. Ah, e preciso dizer que o dia estava absolutamente perfeito? Um céu azul de brigadeiro, como dizia minha vó, enquanto eu pensava no doce (chocolate com leite condensado) e ela se referia a patente mais alta das Forças Aéreas. E como fui com um músico, cantor e compositor, infelizmente, ainda não reconhecido, na última hora, passei a mão no meu violão. Pronto. Céu, sol, sul, água e cor e uma boa música para completar.
Ainda bem que, hoje, não deixo um momento assim passar
* Dei uma pesquisada na "minha bíblia"; o Google. O comercial é do Pão de Açúcar.
Thursday, October 16, 2008
O filho do padeiro não ganhou o Nobel

"O teatrólogo brasileiro Augusto Boal, o filho do Padeiro como se intitula em sua autobiografia Hamlet e o filho do padeiro: memórias imaginadas, estava entre os indicados ao Prêmio Nobel da Paz 2008. Boal não levou o prêmio, entregue a um finlandês, mas cabe aqui destacar a relevância do seu trabalho, bem como a influência no que desenvolvo nas aulas de artes com jovens.
Augusto Boal é um dos mais importantes criadores de teatro de sua época e a sua maior criação, o Teatro do Oprimido, é realizado em mais de 70 países por centenas de grupos em diversas áreas como educação, movimentos sociais e entidades socioculturais. Os grupos de Teatro do Oprimido ajudam milhões de pessoas a afirmarem sua cidadania em suas lutas contra o racismo, o sexismo e todas as formas de desrespeitos aos inalienáveis direitos humanos. Um teatro estruturado na relação dialógica, proposta por Paulo Freire na sua Pedagogia do Oprimido, a qual Boal se inspirou.
Tenho trabalhado nesta linha com os jovens da periferia da cidade. Utilizando desta potente ferramenta para conscientização de todos que a praticam. Considero minhas aulas como pequenos CTOs - Centros do Teatro do Oprimido. Onde procuro desenvolver caminhos para a transformação da realidade dos alunos, a partir da restauração de suas capacidades estéticas na melhor compreensão das relações que estabelecem socialmente. É um processo lento, respeitando individualidades nos coletivos, que vem apresentando resultados e se multiplicando.
Recentemente, Boal disse que não tinha expectativa em ganhar o prêmio, mas anda extremamente feliz porque recebeu apoio para nomeação de diferentes pessoas dos cinco continentes. Ainda neste ano o dramaturgo recebeu o prêmio da Fundação Príncipe Claus para a Cultura e o Desenvolvimento, entregue pela Família Real holandesa. No Brasil, não é tão reconhecido quanto no exterior, como
O fato de Augusto Boal ter sido nomeado candidato já justifica a importância humanística do seu trabalho nos tempos líquidos em que vivemos. Repleto de violência sensacionalista, de falsidades ideológicas, da negligência com a cultura e com quem a faz. Em seu livro Teatro do Oprimido, de 1973, já dizia o que hoje representa sua condição: Tenho sincero respeito por aqueles artistas que dedicam suas vidas exclusivamente à arte - é seu direito ou condição! -, mas prefiro aqueles que dedicam sua arte à vida. Assim o filho do padeiro segue, através do seu teatro, provocando reflexão sobre o humano que ainda há em nós."
Este artigo foi publicado no Jornal Vale dos Sinos desta quarta dia 15 (dia do professor). Reproduzo aqui, pois, vejo que muitas pessoas desconhecem ou não tem o devido respeito pelo trabalho de Augusto Boal
Friday, October 10, 2008
"Le malade imaginaire" *

Véspera do meu aniversário. Fui a Aliança Francesa fazer um curso de “Initiation au thêatre” com uma francesa chamada Camille Lacôme que iria propor uma prática segundo o método de Augusto Boal. Achei que era uma chance imperdível para alguém que quer justamente ir estudar teatro na França no futuro. Algo próximo do paraíso já que juntará minhas duas grandes paixões. Ah, detalhe: de graça!
Comentei com a minha mãe francófona e ela disse que faria parte das comemorações. Mas, o dia passou correndo e eu não sabia se estaria com disposição (ou coragem?) de ir até lá. Bem, mas, lá cheguei. Mal nos apresentamos e partimos para os exercícios. Todos que já conhecia. Práticas de desinibição. Caminhar pela sala, dizer o nome, olhar nos olhos uns dos outros. Como acontece no teatro... em pouco tempo éramos cúmplices. Mesmo com a falta de surpresa nas propostas, estava plenamente consciente da importância de estar fazendo uma aula totalmente
Bem, mesmo naquela sala de aula, ainda de forma insipiente, fui me divertindo com os exercícios. Fechar os olhos e se deixar conduzir. Demonstrar tristeza, alegria, raiva. Passando de uma emoção a outra (como se faz na vida). Era hora de parecer doente? Fácil. Enquanto alguns colegas, como tantas vezes eu fiz, abusavam da palavra, eu trabalhava minha “maladie” interiormente. Até morri hoje. Assim, meu aniversário amanhã vai ter mesmo cara de renascimento.
O melhor, no entanto, estava para o final. Terminada a aula, sai comentando com duas colegas que aquelas que tinham feito o exercício anterior só podiam ter morado na França. Dava para perceber pela pronúncia, pelo jeito engraçado de não terminar as frases e por certa “rabugice” que é tão divertida nos franceses. “Je m’en fou!”, diziam elas várias vezes. Divertidas. Fizeram eu me sentir um pouco neste país que eu tanto admiro.
Bem, as meninas que saiam comigo confirmaram: elas haviam vivido um ano ou mais por lá. É...o curso da Aliança Francesa é muito bom, mas, acho que para se ter fluência em uma língua nada como pisar em solo estrangeiro. Bom, mas, de forma totalmente inesperada elas resolveram me dizer: “mas, tu és atriz, não é?” E eu respondi que era jornalista, que fazia o mestrado em teatro, mas, estudava teoria, mas que, sim, já havia feito práticas de teatro. Elas insistiram: Com certeza, tu és atriz! O que poderia ser melhor do que isso? Que presente! Afinal, neste exercício que as impressionou, tudo que eu disse foi: “non, je ne peux pas t’aider parce que je suis malade aussi” (eu não posso te ajudar porque eu também estou doente). No entanto, vou aceitar o elogio porque meus estudos indicam que o que importa não são as palavras que saem da boca do ator, mas, a expressividade que transpassa para o público. Ao que parece gemi e suspirei corretamente até a minha morte!
* Le malade imaginaire: O doente imaginário é a última comédia escrita por Molière. Representada no Teatro do Palais-Royal em 10 de fevereiro de 1673.
Monday, September 29, 2008
Caetano, me perdoa...
Ontem, assisti ao show de Roberto Carlos e Caetano Veloso na televisão. Antes de comentar, queria dizer que cresci ouvindo Roberto Carlos. No tempo, em que suas músicas eram “rebeldes”, Maria Rita não tinha chegado nem perto e ele não tinha todas as tais manias.
Cheguei à adolescência, curtindo minhas primeiras decepções e saudades ainda ouvindo suas músicas. “Detalhes tão pequenos de nós dois...” Mas, logo em seguida, fui apresentada a Caetano Veloso e daí, não teve mais volta. Tenho apenas dois ídolos na vida que já se aproxima de meio século: Caetano e Mario Quintana. A voz doce de Caetano, seu jeito displicente, ia na contramão da minha rotina, das cobranças e da rigidez de meus pais. Ele conseguia me provar que a poesia não precisa ficar distante da razão, da lógica, das opiniões fortes e contundentes. Em uma época em que a ansiedade e a insegurança me comiam por dentro, Caetano chegava para me fazer sentir em paz, feliz, amada, completa.
Com o passar dos anos, fui ouvindo menos música. Uma pena...e, com isso, menos Caetano. Mas, tento acompanhar o que ele vem fazendo, vejo as polêmicas que se criam ao seu redor e sigo com uma admiração total, coisa que só os ídolos podem ter.
A idéia de um show, reunindo estes dois para comemorar a Bossa Nova e cantar Tom Jobim era algo próximo da perfeição. No entanto, comecei a ler as notícias que antecipavam a possibilidade de assistir a este encontro e vi que não eram favoráveis. Duvidei. Quando vi Caetano abrindo aquele sorriso maroto que faz ele ter cara de menino apesar dos cabelos brancos pensei: que delícia! Mas, Caetano saiu do palco e veio Roberto Carlos. Bem, já faz tempo que estranho tudo nele. Os cabelos, a cara amassada. Só reconheço a voz. Nunca achei ele bonito, mas, já faz alguns anos que eu acho ele meio deformado, mas, infelizmente, não só esteticamente. Vejo um homem duro, sem graça e foi esta sensação que acabei tendo durante todo o show. Nunca pensei que alguém conseguisse deixar o Caetano pouco à vontade. Pois achei que ele estava. Só conseguia lembrar dele e do Chico cantando juntos, em um programa que deixou tanta saudade. Isso que o Chico, principalmente naquela época, era um poço de timidez. Mas, dava para ver que eles se divertiam, que tinham carinho um pelo outro e que reconheciam e admiravam o talento do outro.
Não senti nada disso ontem. Eles foram cordiais, mas, foi só. E o que quer que existisse de dificuldade entre eles apareceu para mim. Acho que para o público também, apesar de ver as pessoas sorrindo, cantando junto e aplaudindo de pé. Acredito que não era exatamente aquele show que elas aplaudiam. Acho que era agradecendo àquelas duas pessoas por terem embalado suas emoções, por mostrar que existem coisas que ainda se mantêm e que nos acalentam ao longo da vida. Infelizmente, para mim, isso não foi o suficiente.
Thursday, September 18, 2008
Onde está Peter Brook?
Wednesday, September 17, 2008
Zé Celso a meus pés

Bem, antes de mais nada, acho melhor explicar o título de hoje. Como afirmou Sófocles em Édipo, outra obra de teatro: “não se foge ao seu destino”. Estava na fila do espetáculo do Zé Celso, ontem no gasômetro com uma colega. Lá dentro encontrei outro e foi ele que definiu o lugar que sentaríamos. Quem veio sentar justamente aos meus pés durante todo o primeiro ato? Nada mais, nada menos que o próprio diretor de Os Bandidos, uma adaptação de Friedrich Schiller.
Zé Celso, que, como ele mesmo diz, não separa a vida da arte, traz em cena a discussão que persiste do Usyna Usona com o grupo Silvio Santos. Pronto? É isso? Claro que não. Só quem não o conhece para pensar que seria possível resumir tudo o que acontece nas tais cinco horas (ontem foram seis) de espetáculo. O espetáculo é artístico, político, poético, imagético, tecnológico. Pense em alguma coisa que faz parte do teatro contemporâneo...estava lá. Música ao vivo, telões gigantes, computadores. Uma parafernália que só uma cabeça louca pode dar conta de misturar.
Fico imaginando que quem simplesmente diz que não gosta do espetáculo, não pára para pensar que tudo aquilo saiu da cabeça de um ser humano, igualzinho a nossa que, como a minha neste momento, pensa no café da manhã. Assim, sendo, não tem como seguir completamente a narrativa. Ela não é mesmo linear. Provavelmente, nem tenha sido feita para ser seguida. Mas, Zé Celso se diverte colocando diversas referências a outras obras, outros diretores, outras personalidades da vida e das artes, outros, outros, outros.
Pesquiso informações e vejo que, no enredo original, os irmãos aristocratas Karl e Franz disputam o amor paterno e sua herança. Idealista, Karl filia-se a uma gangue para questionar o status quo, ao passo que Franz parece envenenar o pai contra o irmão. “Parece”, pois aqui os arquétipos são instáveis. Na releitura de Zé Celso, Cosme e Damião estão no centro da disputa pelo poder na multinacional do audiovisual Pro-World Corporation SS, que celebra 50 anos de atividade às voltas com outro jubileu de ouro, o de um certo teatro paulistano. No meu ponto de vista, continuar descrevendo esta história não vai levar ninguém a ter uma idéia do que são os bandidos.
E com toda a irreverência tão característica dos seus espetáculos, o espetáculo é todo em verso, onde todos os personagens têm algum momento de destaque, lembrando que teatro é uma arte de grupo, mesmo que este não seja o original dos 50 anos do Usyna Usona, isto leva a crer que, se ele ainda continua a ter que disputar por espaço para a sua arte, por outro lado, conseguiu atingir todos os seus objetivos em formar um grupo coeso e de atores e atrizes que impressionam. Isso, porém, não deveria surpreender, porque para fazer parte do universo de Zé Celso é preciso uma entrega que não é qualquer um que se dispõe e consegue fazer.
Zé Celso é um homem do seu tempo, mas, é também, um homem que está além. Ontem, tive mais uma vez a confirmação de que ele continuará sendo estudado nos bancos acadêmicos e que, provavelmente, ainda há muita coisa da sua obra que será melhor apreciada no futuro. Enquanto isso, ele segue tendo que, de vez em quando, replicar a crítica que insiste em tentar enquadrá-lo e a lutar por um espaço não para si, não para o Usyna Usona, mas para a arte brasileira.
Eu pude ficar vendo aos meus pés, este homem que tem uma energia que só o prazer de fazer teatro pode dar. Que grita para incentivar o público em determinados momentos, bate no chão quando acha que a peça está perdendo o ritmo e ri quando seus atores conseguem colocar em cena aquilo que até então só estava em sua cabeça genial.
Estamos de olho

Monday, September 15, 2008
Quando o diabo me botou para dormir

Bárbara Heliodora, em sua passagem por Porto Alegre, disse: “Eu vou ao teatro para gostar”. Eu também. Em época de festival fico até querendo ser “arrebatada”. Até agora isso não aconteceu. E, ontem, sabendo que Peter Brook que verei amanhã também não conseguiu fazer isso com uma amiga atriz na qual confio, começo a me preocupar. Mas, começo a pensar o que significa este “ir para gostar”. O que eu espero? Outro amigo ontem (vou ocultando os nomes, pois não sei se eles gostariam de serem expostos) dizia que não eram espetáculos para emocionar. Só que não é apenas isso que eu procuro. É verdade que me agrada assistir a algo que me deixe triste, alegre, nervosa, com medo. Fico bem impressionada quando algo que sei irreal me provoca aqui e agora estas sensações. No entanto, tenho interesse por novas técnicas, um belo trabalho de ator (já sei...tem gente que já se arrepiou só com este adjetivo aí...paciência!), cenografias criativas e por aí vai. O teatro é uma arte muito rica e, nos tempos de hoje, cada vez mais. O hibridismo (falei que queria ganhar dinheiro cada vez que ouvisse esta palavra...então, acho que também vou usá-la), esta mistura de linguagens, diminui ainda mais os limites do que é possível fazer no palco. Bom, mas, por que estou escrevendo tudo isso?
Se houvesse algo que eu pudesse fazer para que isso não acontecesse, teria feito. Ainda bem que o espetáculo foi na Reitoria e que eu estava bastante longe do palco. Odiaria que os atores vissem meus cochilos, pois, apesar destes, sei que a atuação do grupo merecia maior atenção. Bem, acabo de dar mais uma prova de que não tenho pretensões de fazer críticas, pois, não conheço nenhum que admitiria ter dormido na platéia. Pelo menos posso dizer que, apesar disso, valeu a pena ter ido.
Considerado símbolo cultural da modernidade, Fausto é um poema de proporções épicas que relata a tragédia do Dr. Fausto, homem das ciências que, desiludido com o conhecimento de seu tempo, faz um pacto com o demônio Mefistófeles, que lhe enche com a energia satânica insufladora da paixão pela técnica e pelo progresso.
Fonte: wikipedia
Thursday, September 11, 2008
Aos mestres com carinho
Amanhã, termina a primeira fase das aulas da disciplina de mestrado Cultura e Prática Brasileira com o professor Walter Lima Torres. Precisava registrar aqui a minha satisfação em conhecer este verdadeiro mestre. Não apenas por seu currículo que inclui formação e experiências em Artes cênicas e doutorado na Sorbonne, mas, pela maneira generosa que repassa seus conhecimentos. Ele veio com um conteúdo estruturado, mas, esteve sempre aberto aos comentários sobre nossas experiências profissionais e de uma forma, extremamente, tranqüila e natural incentivou novas ações e sugeriu pesquisas.
Walter me faz lembrar Voltaire Schilling, meu professor de história no Instituto Educacional João XXIII quando eu tinha menos de 18 anos e que hoje dirige o Memorial do Rio Grande do Sul. Costumávamos dizer que ele sabia a cor das cuecas do Napoleão. Na verdade, o que acontecia é que percebíamos que o conhecimento dele não era algo superficial. Ele tinha se apropriado daquelas informações, triturado-as e nos repassava um conteúdo importante de uma forma agradável e divertida. Não sei qual é a sua altura, mas, quem o conhece sabe que ele é alto, tem uma estrutura forte e um visual engraçado. Mas, mesmo para alunos “aborrecentes” e críticos de tudo e de todos sua sapiência era indiscutível. Lá se vão quase 30 anos e ele é ainda uma forte recordação para mim. Ano passado, voltei a fazer um curso com ele e mesmo sabendo que havia uma grande dose de imaginação nestas memórias foi um enorme prazer entrar em contato com alguém que saiba tanto, sobre tanta coisa.
Bem, mas, voltando a esta semana, tenho novamente a alegria de ver entrar em meu caminho alguém que inspira respeito e admiração pelo que sabe e pelo que é. São pessoas assim, como Walter Lima Torres, bem como meus colegas (que têm sido testemunhas de tudo que digo aqui sobre ele) que fazem o mestrado valer a pena. O resto é história...melhor deixar com o Voltaire!
PS: Ah, o link para o blog do professor com vários conteúdos teatrais está aí na minha lista.
Monday, September 08, 2008
Saindo de Cena
Sunday, September 07, 2008
Muito bem, camarada!

Lembro de Esther Góes do tempo que assistia novelas. De sua voz grave e seu jeito amoroso. Depois, cansei de seguir as histórias que repetiam suas fórmulas televisivas e, distante do eixo Rio-São Paulo, a perdi de vista. Foi com prazer que a reencontrei, ontem, no palco do Porto Alegre Em Cena com o espetáculo Determinadas Pessoas, dirigida por Ariel Borghi, seu filho.
O espetáculo sobre Helene Weigel, a mulher de Brecht, para quem não sabe, um dos dramaturgos mais importantes do século XX, é uma aula de teatro, sem o formalismo e os desconfortos das informações didáticas. Evitando compromissos com uma cronologia histórica rígida e linear, nos leva a conhecer ou identificar fatos ligados à vida destas duas pessoas tão importantes para o mundo das artes.
No palco, a projeção de imagens, contextualiza os acontecimentos. Poucos objetos complementam os espaços sugeridos. O resto fica a cargo da atuação competente de Esther Góes. Nesta, podemos ver o caráter forte desta mulher que é esposa, atriz, política, cujo papel foi tão importante seja nos palcos ou fora deles, colaborando, inclusive com a formação do Berliner Ensemble, a companhia de teatro épico. Há na narrativa um trânsito constante da vida particular do casal, para o palco e para o momento político da época. Percorremos assim, os acontecimentos, sejam de seu casamento com Brecht, da fuga do nazismo na Europa e nos Estados Unidos até à Alemanha, depois da guerra. A força expressiva de Esther no personagem de Helène leva a platéia a achar graça de sua maneira contundente e autêntica de dizer o que pensa, tornando evidente a sua contribuição na revolução das artes cênicas e na política provocadas por seu marido.
O espetáculo inclui a apresentação de cenas de Mãe Coragem, Os Fuzis da Sra. Carrar, Frau Flintz, O Triunfo da Vontade e de músicas de Brecht. Cenário, luz, figurino aparecem de forma sutil apenas para compor o personagem de Heléne e contextualizar a época. Com exceção do uso de uma imensa carroça, usada apenas no final na remontagem de uma cena de Mãe Coragem, quando surge uma dramaticidade que antagoniza com o caráter épico do espetáculo tão coerente, até então. Mas, nem isso, nem as falas ditas em um tom levemente mais baixo no fundo do palco, comprometem o resultado.
Se precisasse resumir o espetáculo em uma só frase, usaria uma do próprio texto: “Política é a humanidade nas pessoas, não na teoria”, pois, é resgatando aspectos particulares da vida desta mulher que a peça traz à tona momentos vividos por estas duas personalidades: Helene Weigel e Brecht e recupera-se sua importância no mundo de hoje.
Helena Mello
Friday, September 05, 2008
Xerxeeeeeeeeeeeeeeeeeeessssssssssssssssssss!
Eles já haviam me comentado que havia um lance bacana no começo e, é claro que isso criou expectativa. Resultado: fiquei lá esperando e mesmo achando interessante certa contracenação proposta (a única realmente), não achei tão significativo. No mais, não consigo compreender qual era a proposta. Quatro atores dizendo um texto enorme, praticamente sem nenhuma movimentação no palco e como cenário apenas uma enorme divisória de rodinhas. Roupas pretas, atuais. Terno, gravata, salto alto, pulseiras. Texto, texto, texto. A língua alemã rasgando os ouvidos do público, com o nome de um dos guerreiros, Xerxes, ditos aos berros.
A história de Ésquilo sobre os Persas parecia interessante, mas, seria menos desgastante ler em casa. Bem, mas gostaria de ser mais precisa nestas minhas considerações. Quando converso com outras pessoas de teatro, mesmo que nossas idéias sejam semelhantes, observo que elas têm maior capacidade de serem específicas. Referem-se à ausência de direção, por exemplo, ou criticam a atuação propriamente dita. Para mim, na maioria das vezes, não é claro o que não aconteceu.
Lendo agora Décio de Almeida Prado para a aula de amanhã da oficina de Critica do Kil Abreu, encontro uma frase que fala do que é preciso para que a transposição do real para o imaginário se opere. Bem, é justamente sobre isso que estou falando. No caso de ontem o que quer que seja, não estava lá. Décio diz ainda que para as crianças basta um: “era uma vez...”. Mas, para os adultos isso já não é suficiente e, talvez, tenha sido justamente isso que os alemães tenham feito com o texto do Esquilo, forçando esta narrativa.
Algo a remarcar? Sim, uma prova de habilidade técnica impressionante. Uma longa parte deste mesmo texto foi dita por dois atores ao mesmo tempo, sem nenhuma titubeação, nenhum erro. Provavelmente, a única coisa que mereceu aplausos ontem à noite, mas, como a impressão favorável já havia passado, nem estes eu dei. Se me sinto viva aplaudindo muitas vezes de pé algo que me arrebata, é libertador não fazê-lo quando não vejo razões para tal.
OS PERSAS
http://greciantiga.org/lit/lit05a-1.asp
Os Persas é a mais antiga tragédia que conhecemos na íntegra; fazia parte da tetralogia apresentada por Ésquilo durante a primavera de -472 e que obteve o primeiro prêmio no concurso. A tetralogia era composta das seguintes peças: Fineu, Os Persas, Glauco de Potnies e Prometeu, o Acendedor do Fogo; a última era, certamente, um drama satírico. Segundo a tradição, o corego designado pelo arconte foi o célebre estadista Péricles (-495/-429), então com apenas dezoito anos.
Com exceção de Os Persas, chegaram a nós somente alguns fragmentos das outras peças da tetralogia. Aparentemente, nenhuma delas tinha qualquer ligação com as demais.
Começa a Batalha de Salamina
MENSAGEIRO
Entretanto a noite passa sem que o[ exército gregotente qualquer fuga por mar.Mas, quando o dia de brancos corcéisbanhou a terra dos seus raios resplandecentes,eis que, do lado dos Gregos,irrompe um grande clamor, semelhante a um canto,cujo eco é devolvido pelos rochedos da ilha.O terror invade então todos os bárbaros,iludidos na sua expectativa, porque não era para fugirque os gregos entoavam o péan sagrado,mas para marchar para o combate, cheios de determinação[ e coragem.E o grito da trombeta incendiava os guerreiros.Logo os remos ressoantes, movidos ritmicamente à voz do[ chefe,feriram as águas profundas e, de repente,todos aparecem aos nossos olhos.A ala direita é a primeira a avançar, organizada,em boa ordem, e logo a seguir veio todaa armada, enquanto se elevavaum grande grito: "Avante, filhos dos Gregos,libertai a vossa pátria, libertai osvossos filhos e as vossas mulheres, os santuários dos[ deuses dos vossos paise os túmulos dos vossos antepassados: a luta, hoje,[ é por tudo isto!".
[ A.Pers. 384-405 ]
Thursday, September 04, 2008
Imperador Juliano – Novo espaço, velho texto e um tédio inesperado.
Tinha comprado meu ingresso pela internet, sem muitas chances de escolha de lugar já que o sistema estava totalmente emperrado e eu apenas torcia para finalizar a solicitação. Ao entrar no teatro, maior do que eu esperava e aparentemente, bem estruturado, descobri que a minha cadeira era bastante próxima do palco, mas, totalmente enviezada. Com as cortinas fechadas, parecia um péssimo lugar, mas, imaginei que com a cena no palco seria diferente...e foi. No entanto, dali, eu podia enxergar as coxias e a movimentação de pessoas que nada tinham a ver com a cena, além dos atores que dela saiam. Mas, ao invés de me perturbar com isso (já que, às vezes, penso que ainda defendo a catarse de Aristóteles), achei que, como estudante de teatro, isso poderia ser interessante.
O cenário não era exagerado e tinha bastante a ver com a contextualização da peça. O silêncio total do público me impressionava e fazia pensar nesta magia do teatro de concentrar todas as atenções para algo que está para acontecer no palco. Podia ver o cuspe do Caco Ciocler todas às vezes que ele se exaltava para dar uma fala. E isso me fez lembrar a primeira vez que vi meu próprio cuspe no palco e fiquei apavorada. Iria cuspir em público? Algo que não estava de acordo com a educação rígida que recebera.
Bem, mas, se estou até agora a divagar é porque, provavelmente, desejo fugir de falar da peça propriamente dita. Não provocou em mim absolutamente nada. O texto parecia realmente bom, embora não raras vezes tenha sido dito baixo demais e com os atores de costas para o público. A atuação do protagonista não parecia estar errada (apesar de ouvir hoje opiniões totalmente contrárias), mas, por mais que ele e os demais se esforçassem, não conseguiam acabar com minha vontade de olhar o relógio e pensar quanto ainda faltava para terminar. Alguns atores coadjuvantes lembraram meus primeiros exercícios de teatro, meus colegas iniciantes, cheios de vontade e tão falsos, tão pretensiosos. Em um determinado momento, o ator que contracenava com o Caco Ciocler quase todo tempo, o mestre, ensaia uma entrada no palco com a coroa. Aos olhares de canto do primeiro de pura surpresa, se retira andando para trás como fazia Michel Jackson. Muito engraçado. Vantagem de estar naquele lugar ou todos viram este equívoco? Grande por sinal já que a cena em questão só foi ocorrer muito tempo depois. Sim, era a estréia deles no Brasil, mas, não creio que muitas outras apresentações tornem o espetáculo melhor. Mas, confesso que ainda não consigo dizer o que seria necessário. Nem mesmo o texto, de Henrik Ibsen que fala sobre a vida do Imperador Juliano, que tentou destruir a igreja católica como religião oficial do império romano e resgatar os cultos pagãos, tema tão contundente e de grande importância histórica, o que sempre me fascina, foi capaz de fazer valer a pena minha ida ao teatro.
Ao terminar de escrever sempre leio em voz alta para alguém que está próximo. A pessoa em questão, me pergunta: “Eles não são daqui?” Não, são de São Paulo. Talvez por isso tenha conseguido ser mais “crítica” do que o costume. Não os conheço e, muito provavelmente, este texto nunca seja lido por nenhum deles. Claro que este medo da reação dos atores ao que eu escrevo prejudica qualquer intenção minha de me profissionalizar fazendo isso, mas, veremos o que dirá Kil Abreu em sua oficina Exercícios da Crítica teatral que começa amanhã e da qual participarei. Seja o que for, deverá provocar mudanças ou até mesmo me convencer de que deveria guardar minhas opiniões apenas para mim e meus amigos próximos. Enquanto isso...
Tuesday, August 26, 2008
Imprevisível
Friday, August 08, 2008
08/08/2008 - Olimpiadas de Pequim: espetacular ao infinito

Não tinha me preparado especificamente para ver, mas, estava interessada. Afinal, é um acontecimento e tanto e jornalistas gostam de todo o tipo de informação, principalmente, aquelas vindas do outro lado do planeta. O que me impressionou em todo o espetáculo foram esta capacidade e esta intenção de misturar a parte tecnológica com o ser humano. Achei isto fascinante. Inteligente. Usar os mais poderosos recursos e mesclar a isso: gente! Como não vai ficar bonito? E em se tratando dos chineses, nem é preciso se preocupar que não estará perfeito. Já de cara, fiquei boquiaberta com os “tambores” que se iluminavam ao toque de pessoas para fazer, simplesmente, a contagem regressiva. Fantástico. Era a high-tech associada ao high-humain. Emocionante. Juro por Deus que consegui localizar um que se perdeu por alguns segundos!
Seguem-se a isso muitas cores e história (excluindo as partes que eles mesmos chamam de “da vergonha). Outra coisa que me impressionou bastante foi o globo no meio do estádio com pessoas presas em cabo de aço fazendo o seu contorno, enquanto eram projetadas imagens de atletas praticando suas modalidades. Absolutamente, surreal. Tenho que citar também a questão dos fogos de artifício. Um show a parte. Não só pela enorme quantidade durante todo o espetáculo, mas, pela forma como era programado.
Confesso que não vi tudo. Assisti até entrar no estádio a delegação do Brasil. Sai e voltei no final, perto da hora de acender a tocha olímpica. Enquanto ouvia Galvão Bueno preparando os telespectadores para uma surpresa, pensava: “e se eles simplesmente forem lá e acenderem? Vai ser frustrante, depois desta provocação e expectativa” Mas, não. Eles não fariam isso. E foram além do que pudesse ser imaginado. Depois de a tocha passar pelas mãos de vários atletas que representam tudo de bom das Olimpíadas, eles ainda suspenderam um deles para fazer todo o contorno do estádio (que já é um sonho arquitetural), como se corresse no ar, algo lindo de ser visto. Sim, porque descrever fica, realmente, difícil. Embora discorde, completamente, quando o Galvão agora resolve dizer: “sem palavras”. Como assim? Ele está lá, ganhando uma bela grana justamente para comentar e vem com essa? Ou então, descreve o que a gente está vendo...Detalhe: eu simpatizo com o jeito dele.
Outro aspecto que gostaria de destacar tem a ver justamente com a globalização. Essa possibilidade fascinante de estarmos acompanhando ao vivo aquele estádio repleto de gente no exato momento em que está sendo realizado o evento. Sem isso, como poderíamos saber que há gente como a gente? Ok...não bem como a gente, pois aquela precisão de movimentos, aquela língua e todas aquelas etnias causam, realmente, um certo estranhamento. No entanto, não tem como negar que todas aquelas pessoas ali desejavam fazer o melhor e por algumas horas, sonharam, assim como eu ou você, por um mundo melhor. Impossível? Depois deste espetáculo, é melhor rever este conceito.
Algo que não tenha me agradado? Sim, mas, claro que estava buscando a absoluta perfeição. Não gostei dos atletas brasileiros aparecendo na minha tela tirando suas próprias fotos e filmando a si mesmos. Considero que estar ali desfilando é uma honra e parte de uma cerimônia oficial. Hora de desfilar é hora de desfilar. Depois, pega a cópia das imagens com os amigos, fotografa todos os outros dias, sei lá. Ali, não.
Thursday, August 07, 2008
Crise felina
