Tuesday, December 14, 2010

PORTO VERÃO ALEGRE

Do dia 12 a 24 de janeiro
12,13 e 14/01 (ter, qua, qui) Dançarei sobre teu Cadáver
12, 13 e 14/01 (ter, qua, qui) A Aurora da MinhaVida 
12, 13 e 14/01 (ter, qua,qui) Renato Pereira 

12 a 21/01 (ter,qua, qui) Pois é, Vizinha... 
12 a 21/01 (ter, qua, qui) O Bordel das Irmãs Metralha  
12 a 21/01 (ter,qua, qui) BarBaridade
12/01 a 11/02 (ter, qua, qui) Apareceu a Margarida

13 a 17/01 (qua a dom) Homens de Perto
15, 16 e 17/01 (sex, sáb, dom) Solteiríssima 
15, 16 e 17/01 (sex, sáb,dom) Há um Incêndio Sob a Chuva Rala
15 a 24/01 (sex, sáb, dom) Como Agarrar um Marido antes dos 40 
15 a 24/01 (sex, sáb, dom) Manual Prático de uma Mulher Moderna  
15/01 a 07/02 (sex, sáb, dom) A Serpente

19, 20 e 21/01 (ter, qua, qui) Woody e as Mulheres Neuróticas 

20 a 24/01 - (qua a dom) Paulinho Mixaria
21 a 24/01(qui a dom) Camade Casal e ¼ de Hóspedes 

22, 23 e24/01 - (sex, sáb, dom) Esta Noite se Improvisa 
22, 23 e 24/01 (sex, sáb, dom) Q os Homens Pensam Q as Mulheres Pensam

23 e 24/01 (sab e dom) Iotti

Do dia 26 a 31 de janeiro
26 e 27/01 (ter,qua) Fora do Ar

26, 27 e 28/01 (ter, qua, qui) Jair Kobe  
26, 27 e 28/01 (ter,qua, qui) A Doce Bárbara 
26, 27 e 28/01 (ter, qua,qui) O Segredo Íntimo dosHomens
26, 27 e 28/01 (ter, qua, qui) The Saga of Jenny
27 a 31/01 (qua a dom) O Avarento

26 a 31/01 (ter a dom) Se Meu Ponto G Falasse
28 a 31/01 (qui a dom) Vermelhos - História e Paixão 

29, 30 e 31/01 (sex, sáb, dom) Fragmentos Rodrigueanos 
29, 30 e 31/01 (sex, sáb,dom) O Grande Truque
29, 30 e 31/01 (sex, sáb, dom) Uma Vovó no Além

Do dia 02 a 11 de fevereiro

02, 03 e 04/02 (ter, qua, qui) Elis - A Dama do Apocalipse 
02, 03 e 04/02 (ter, qua,qui) Adolescer  
02, 03 e 04/02 (ter, qua, qui) Jair Kobe  
02, 03 e 04/02 (ter,qua, qui) O Médico à Força
02, 03 e 04/02 (ter, qua, qui)Vestida do Avesso
02, 03 e 04/02 (ter, qua,qui) Procura-se uma Mona que não Sofra de Estrelismo 
02, 03 e 04/02 (ter, qua, qui) Larissa Não Mora Mais Aqui

02 a 07/02 (ter a dom) A Comédia dos Erros 
12/01 a 11/02 (ter,qua, qui) Apareceu a Margarida

05, 06 e 07/02 (sex, sáb, dom) Uma Vovó no Além
05, 06 e 07/02 (sex, sáb, dom) Monstras S/A 
05, 06 e 07/02 (sex, sáb, dom) Kronnus
05, 06 e 07/02 (sex, sáb, dom) Lipstick Station 
05, 06 e 07/02 (sex, sáb, dom) Goela Abaixo  
05, 06 e 07/02 (sex,sáb, dom) Dez (Quase) Amores 
05, 06 e 07/02 (sex, sáb, dom) Como Emagrecer Fazendo Sexo

15/01 a 07/02 (sex, sáb, dom) A Serpente

05 a 11/02 (sex, sáb, dom, seg, ter, qua, qui) Primeiro as Damas  

09, 10 e 11/02 (ter, qua, qui) Dona Gorda 
09, 10 e 11/02(ter, qua, qui) Como Enlouquecer Sua Alma Gêmea 

09, 10 e 11/02 (ter, qua, qui)  O Urso  
09, 10 e 11/02 (ter,qua, qui) Homens 

10 e 11/02 (qua, qui) Ta e Aí?!

Monday, December 13, 2010

Atirada às traças

Nunca concordei com as pessoas que temem que os dados digitais desapareçam, que acham que os arquivos de papel são mais seguros. Hoje, tive certeza. Encontrei meus diários comidos pelas traças. Várias palavras devoradas. Não é que eu não consiga saber o que estava escrito, mas perde o charme ler um texto que está faltando um pedaço. A não ser que tenham sido lágrimas que o tenha apagado. Além do mais, embora achasse que escrevia bem, encontro coisas como: hora estou triste, hora estou alegre. Adoraria dizer que era um estilo de linguagem e até acho que faz sentido, mas me espanta saber que cometesse tais erros. Quanto ao conteúdo, raramente releio. Meus textos não são ruins. Estão escritos como se alguém um dia ainda pudesse lê-los, mas me incomoda relembrar aquelas angústias, aquelas neuroses. Em raras ocasiões, escrevia porque estava feliz, para contar algo realmente bom. Em geral, são tristezas, frustrações...Deveria ficar alegre, pois se ainda tenho problemas eles são bem mais facilmente resolvidos. E as emoções? Nossa...tragédias gregas. Vai ver foi por isso que acabei me interessando pelo teatro. Não tenho dúvidas de que hoje sou mais leve. Mais confiante. É claro que uma das coisas que ainda me perturba é que o que me incomodava naquela época, continua me incomodando hoje: relacionamentos, trabalhos, família. Mas isso, convenhamos, só não seria assim se estivesse escrevendo do além. E qual a diferença do que eu escrevia lá para o que eu escrevo aqui? Bem, lá tem muito mais informações pessoais, observações que poderiam magoar ou incomodar algumas pessoas. Aqui não tenho a menor intenção de fazer isso. No mais, a razão maior para escrever tanto aqui quanto lá é a mesma: organizar meus pensamentos, colocar para fora minhas emoções. A diferença? Aqui eu compartilho. Lá, só as traças agora sabem os meus segredos.

Tuesday, December 07, 2010

Confira os indicados de 2010 aos Prêmios Açorianos e Tibicuera! De minha parte, estou bem feliz de ver tantos amigos nesta lista e mais uma porção de conhecidos. Tomara que em 2011 eu tenha chance de conhecer os que ainda não conheço. Queria ter visto mais destes espetáculos... Aliás, uma boa meta para 2011.


INDICADOS AO PRÊMIO AÇORIANOS DE DANÇA 2010

1) Melhor Espetáculo

Dar Carne à Memória II

Pessoas – As memórias

Na solidão


2) Melhor Coreografia

Eva Schul – Dar Carne à Memória II

Giuli Lacorte – Na solidão

Ivan Motta – Pessoas – as memórias


3) Melhor Bailarino

Eduardo Severino – Dar Carne à Memória II

Giuli Lacorte – Na solidão

Mariano Neto – Pessoas – as memórias

Tom Nunes – A Primeira Entrega

4) Melhor Bailarina

Cibele Sastre – Dar Carne à Memória II

Didi Pedone – Pessoas – as memórias

Letícia Paranhos – Na solidão

Luciana Paludo – Dar Carne à Memória II

Luiza Moraes – Dar Carne à Memória I

) Melhor Cenografia

Não há indicações.

6) Melhor Figurino

Eva Schul e Luciane Soares - Dar Carne à Memória I

Ateliê Alfa – Pessoas – as memórias


7) Melhor lIuminação

Arco Íris – Pessoas – as memórias

Lucca Simas – Na Solidão

Fernando Ochôa – A Primeira Entrega

Fabrício Simões – O Resto é Perfume


8) Melhor Trilha Sonora

Arthur de Faria – A Primeira Entrega

Carlinhos Hartlieb , Toneco Costa e Celau Moreira – Dar Carne à Memória I

Ivan Motta – Pessoas –as memórias


9) Melhor Produção

Grupo Hybris e Luka Ibarra – Na Solidão

Jerri Dias - Dar Carne à Memória I e II

Luka Ibarra - Pessoas – as memórias

INDICAÇÕES AO PRÊMIO TIBICUERA DE TEATRO INFANTIL 2010

1) Melhor Espetáculo

A roupa nova do rei

Chapeuzinho vermelho de Ronald Radde

O menino que aprendeu cedo demais

Ópera monstra

2) Melhor Direção

Adriane Mottola por Ópera monstra

Airton de Oliveira por O menino que aprendeu cedo demais

Gilberto Fonseca e João Pedro Madureira por A roupa nova do rei

3) Melhor Ator

Marcos Chaves por A roupa nova do rei

Pablo Capalonga por O menino que aprendeu cedo demais

Rodrigo Mello por Ópera monstra


4) Melhor Atriz

Aline Marques por A almofada, o castelo e o dragão

Daiane Oliveira por Chapeuzinho vermelho de Ronald Radde

Fernanda Petit por Ópera monstra

Letícia Paranhos por Chapeuzinho vermelho de Ronald Radde

Simone de Dordi por A almofada, o castelo e o dragão

4) Melhor Ator Coadjuvante

Lauro Ramalho por Ópera monstra

Leonardo Barison por Criança pensa

Plínio Marcos Rodrigues por A roupa nova do rei

Vinícius Meneguzzi por A roupa nova do rei


6) Melhor Atriz Coadjuvante

Ariane Guerra por A roupa nova do rei

Janaína Pelizzon por Ópera monstra

Lúcia Bendati por A roupa nova do rei

7) Melhor Figurino

Cássio Brasil por Ópera monstra

Claudio Benevenga por O menino que aprendeu cedo demais

Daniel Lion por A roupa nova do rei

8) Melhor Cenografia

Claudio Benevenga e Marcos Buffon por O menino que aprendeu cedo demais

Júlio Freitas por Chapeuzinho vermelho de Ronald Radde

Zoé Degani por Ópera monstra

9) Melhor Iluminação

João Acir por Chapeuzinho vermelho de Ronald Radde

João Acir por Criança pensa

João Acir por Ópera monstra

Nara Maia por O menino que aprendeu cedo demais

10) Melhor Trilha

Álvaro RosaCosta por Chapeuzinho vermelho de Ronald Radde

André Trento por Criança pensa

Arthur Barbosa por O menino que aprendeu cedo demais

Ricardo Severo por Ópera monstra

11) Melhor Dramaturgia

Miriam Benigna e Pablo Capalonga por O menino que aprendeu cedo demais

Roberto Oliveira por A roupa nova do rei

12) Melhor Produção

Airton de Oliveira e Maura Sobrosa por O menino que aprendeu cedo demais

André Oliveira e Grupo Farsa por A roupa nova do rei

Cia Teatro de Stravaganza por Ópera Monstra

Ellen D’avila por Chapeuzinho vermelho de Ronald Radde

Makki Produções por Pum – histórias mal cheirosas

INDICADOS AO PRÊMIO AÇORIANOS DE TEATRO 2010

1) Melhor Espetáculo

Bodas de sangue

Clube do fracasso

Dia desmanchado

Milkshakespeare

Wonderland e o que M. Jackson encontrou por lá

2) Melhor Direção

Camilo de Lélis por Milkshakespeare

Daniel Colin por Wonderland e o que M. Jackson encontrou por lá

Luciano Alabarse e Luiz Paulo Vasconcellos por Bodas de sangue

Patrícia Fagundes por Clube do fracasso

Tainah Dadda por Sobre saltos de scarpin


3) Melhor Ator

Felipe de Paula por MIlkshakespeare

Leonardo Barison por Fora do ar

Luiz Paulo Vasconcellos por O animal agonizante

Marcelo Adams por A lição

Marcelo Bulgarelli por Dia desmanchado

4) Melhor Atriz

Áurea Baptista por Stand up drama

Gisele Habeyche por Cinco tempos para a morte

Patrícia Soso por Fora do ar

Sandra Alencar por Adoração

Vanise Carneiro por Nove mentiras sobre a verdade

5) Melhor Ator Coadjuvante

Daniel Colin por Wonderland e o que M. Jackson encontrou por lá

Eduardo Mendonça por Milkshakespeare

Frederico Restori por Hybris

Mauro Soares por Bodas de sangue

Willian Martins por Sobre saltos de scarpin

6)Melhor Atriz Coadjuvante

Luísa Herter por A lição

Patrícia Soso por Parasitas

Renata de Lélis por Milkshakespeare

Sandra Dani por Bodas de sangue

Vika Schabbach por Bodas de sangue

7) Melhor Figurino

Antônio Rabadan por A caravana da ilusão

Daniel Lion por Sobre saltos de scarpin

Daniel Lion por Wonderland e o que M. Jackson encontrou por lá

Juliana Kussler e Renata de Lélis por Milkshakespeare

Rô Cortinhas por Bodas de sangue

8) Melhor Cenografia

Elcio Rossini por Wonderland e o que M. Jackson encontrou por lá

Jessé Oliveira e Grupo por O osso de Mor Lam

Luiz Marasca por Hybris

Sylvia Moreira por Bodas de sangue

Zao Figueiredo por Sobre saltos de scarpin

9) Melhor Iluminação

Bathista Freire por Sobre saltos de scarpin

Carol Zimermman por Wonderland e o que M. Jackson encontrou por lá

João Carlos Dadico por Dia desmanchado

Maurício Moura e Cláudia de Bem por Bodas de Sangue

Maurício Moura por Milkshakespeare


10) Melhor Trilha

4 Nazzo e Cláudio Bonder por Hybris

Arthur de Faria e Adolfo Almeida Jr por Solos trágicos

Arthur de Faria por Wonderland e o que M. Jackson encontrou por lá

Bebeto Alves por Milkshakespeare

Jackson Zambelli e Sérgio Olivé por Dia desmanchado

11) Melhor Dramaturgia

Daniel Colin e Felipe Vieira de Galisteo por Wonderland e o que M. Jackson encontrou por lá

Diones Camargo por Nove mentiras sobre a verdade

Felipe Mônaco e grupo por Fora do ar

Júlio Zanotta Vieira por Milkshaspeare

Patrícia Fagundes e grupo por Clube do fracasso

12) Melhor Produção

Cecília Daudt e Airton de Oliveira por Sobre saltos de scarpin

Elenice Zaltron e Falos & Stercus por Hybris

Fernando Zugno e Miguel Arcanjo Coronel por Bodas de sangue

Morgana Kretzmann e Patrícia Fagundes por Clube do fracasso

Rodrigo Márquez por Wonderland e o que M. Jackson encontrou por lá

Sunday, December 05, 2010

A roupa nova do rei: um espetáculo visivelmente inteligente e divertido

Quando eu era pequena adorava escutar as histórias infantis que vinham gravadas em uns discos coloridos. Lembro que a gente os comprava no aeroporto. Várias eram de Hans Christian Andersen. Além disso, já comentei, que ouvíamos outro que tinha a história da Rapunzel. Registrei o tom da bruxa repetindo que o príncipe só sentiria por ela, após seus cabelos cortados, compaixão. Eu que costumo dizer que minha memória é prejudicada, nunca esqueci a voz da pessoa fazendo propaganda das lavadoras Bendix, patrocinadora das gravações. Ficaram também algumas outras histórias como O Pedro e o Lobo ou o Sapatinho Vermelho. Ah, e A roupa nova do rei também me marcou profundamente. Só isso já seria uma motivação para ir ver o espetáculo do Grupo Farsa. Assim, sabendo que Lúcia Bendati, Ariane Guerra e Marcos Chaves estavam no elenco e que Gilberto Fonseca era um dos diretores, espantei minha preguiça de uma tarde de Domingo e lá me fui.

Último dia desta temporada, o pequeno teatro Álvaro Moreira lotado. Muitas crianças. O que para mim é sempre motivo de satisfação. Mal entram em cena, os atores já dão sinais de que será divertido. O figurino de Daniel Lion muito bem elaborado, colorido, por si só já é engraçado. Junta-se a isso as falas ditas com as pausas certas e fiquei com a impressão de que assistia a personagens de histórias em quadrinhos ao vivo e a cores. Isso sim é que é 3D! É claro que a maquiagem de Elison Couto colabora. Tanto é que nem reconheci minha colega de mestrado Ariane nas primeiras cenas. Bem, não vamos esquecer o talento desta jovem atriz. Afinal, é isso que o teatro permite: ser outro. Já o cenário é simples, mas eficiente. Sei, sei... Muita gente implica com estes adjetivos, mas defendo que são palavras como outras quaisquer. Não vejo por que não fazerem parte de qualquer texto. Mas tudo bem, posso dar um exemplo. Gosto quando há versatilidade. Assim, a cadeira do rei ser virada e transformar-se no atelier de costura representa o que disse antes.

A impressão que tenho é que eles conseguem fazer várias marcações, sem deixar o espetáculo monótono ou previsível. Ao contrário, me dá a ideia de leveza. Revendo esta história tantos anos depois, agora na adaptação de Roberto Oliveira, fica mais fácil entender porque do meu fascínio. Lá mesmo no teatro pensei em como é uma história atual ou alguém acha que vaidade e poder são coisas do passado? Imagino que algo semelhante tenha se passado na cabeça daqueles pais, pois fiz questão de observá-los e ficou claro para mim que eles se divertiam tanto quanto seus filhos. E isso, com certeza, também é mérito dos demais componentes do grupo como Plínio Marcos Rodrigues e Vinícius Meneguzzi. E para usar mais um adjetivo fico feliz em ver que é um elenco tão coeso. Aliás, acho que, se não bastasse todos os outros méritos do Grupo Farsa, esse seria um que já os colocaria em destaque: saber contar histórias para um público que mistura adultos e crianças e entreter a todos. Eles dão motivos para que a história deste rei tão preocupado com a sua aparência fique na memória daquela plateia por tanto tempo quanto aqueles discos ficaram na minha e olha que lá se vai quase meio século.

Tuesday, November 30, 2010

A melhor viagem do mundo

Quando voltei de Buenos Aires em agosto  falei tão bem da cidade que mal tinha colocado o pé em POA, minha mãe disse: vamos comemorar meu aniversário lá? Como que eu ia contrariar esta idéia? Não é que quando a data se aproximou eu já estava louca para ir novamente? E com a tarefa de agendar as atividades dos quatro dias. Como boa libriana, tá aí uma tarefa que eu curto e levo a sério. Consegui passagens direto POA-Buenos Aires, pois acho muita sacanagem ter que ir a São Paulo primeiro. Fomos pela TAM o que nos garantiu um almoço (coisa que na Gol não tinha) e tvs. Ah, eu me divirto muito com imagens mesmo que seja um documentário sobre as ruas da cidade. Nosso hotel era na Carlos Pellegrini e tinha um preço ótimo para um quarto para as três: eu, minha mãe e minha irmã. É a rua do lado da 9 de julho, a rua do obelisco. Sem prédios separando nada. Só uma calçada. Ou seja, melhor localização, impossível. Sabia que podia pegar um taxi no próprio aeroporto e teria o preço certo. Só não imaginava que um dos encarregados sairia correndo na frente com as nossas malas e depois ficaria segurando a porta e pedindo gorjeta. Bem chato.


Instaladas fomos para em direção a Florida para pegar o ônibus turístico. Descobri em minha viagem anterior que era a melhor maneira de ir a todos os lugares principais sem ter que esquentar a cabeça por um único valor, durante dois dias. São 14 paradas, entre elas: Caminito, Porto Madero, Recoleta, Casa Rosada, Palermo, etc. Queria muito levar minha mãe que ama flores ao Rosedal, mas chegamos lá quase às 19h e já estava fechado. Tarde também para pegar o mesmo ônibus de volta. Assim, começava a aventura de ir atrás de um “colectivo” para voltar para o centro. Sem saber nem o preço da passagem, descobrimos que este deve ser pago com moedas, o que não tínhamos. O fiscal acabou deixando que andássemos sem pagar. Algo inusitado para a minha mãe. Pedi informações para descer com as indicações de 9 de julho e Corrientes e rapidamente descemos na região. Só que indiquei o lado oposto e caminhamos na direção contrária. Quando resolvemos perguntar novamente estávamos a sete quadras do nosso hotel. Parece mentira que em uma cidade com tantos pontos de referência isso ainda aconteça. O homem que nos indicou o caminho puxou papo. Disse que era jornalista. Ah...tinha que ser. Perguntou nossos nomes e quando decidiu dar um cartão de visita, olhava para a minha irmã e dizia: “eu vou estar neste número, viu?” (falava o nome dela). Foi uma cantada bem engraçada. Ostensiva e, ao mesmo tempo, não invasiva.

Dia seguinte vamos para o salão do café da manhã. Muitas medialunas de todos os jeitos. Biscoitos e pães com doce de leite. Assim como todo o resto de um hotel 4 estrelas. O interessante é que eles tinham uma bandeja na qual podíamos botar tudo que escolhêssemos, sem ter que ficar indo e voltando como costuma acontecer. Lá nos fomos pegar o ônibus turístico outra vez, pois nosso bilhete era válido por 48 horas. Não tinha mais certeza o que deveríamos ver. Mas queria retornar ao Caminito onde escolhi uma bolsa meses antes, mas a grana curta não me deixou comprar. Encontramos várias outras lembrancinhas bacanas. Perdíamos a noção das horas e quando voltamos ao ônibus achei melhor descer no Porto Madero, mas ir até a praça de maio almoçar em um lugar que já conhecia na esquina do Cabildo, um prédio branco histórico, lindo que fica em frente à Casa Rosada. Não foi exatamente barato, mas o lugar é maravilhoso. Voltamos para o hotel para descansar. Afinal, à noite havíamos feito uma reserva para o show de tango no La Ventana. Não é fácil escolher um desses lugares. Há muitos. Fui pelo preço e pela proposta. Sem jantar, mas com uma garrafa de vinho e alguns quitutes. Além do transporte de ida e volta. Minha mãe desceu sozinha no elevador que abria para os dois lados e não se deu conta de que estava de costas para a porta aberta na recepção. Eu a chamei e ela me respondeu de volta. Ainda olhando a porta fechada. Rimos. Quanto ao show, acertei em cheio. O lugar era lindo. A apresentação maravilhosa. Gente muito boa e muitos números. Um cantor e uma cantora ótimos. Vários casais de bailarinos e diversos figurinos. Só pensava em quantos chutes nas canelas até chegar aquele momento. Era impresionante. Mais uma orquestra e um número de boleadeira daqueles de arrepiar e vinho, muito vinho. Terminada a primeira garrafa, o garçon trouxe outra de cortesia. Isso sem saber que comemorávamos lá o aniversário da minha mãe. Voltamos para o hotel cansadas e felizes e precisando mesmo de um motorista.

Bem, teve a parte das compras na Lavalle e na Florida. Nada muito significativo pois a idéia era passear. Mas uns garfos maravilhosos para churrasco, a mala perfeita para uma viagem internacional e alguns presentinhos de Natal. Um café no Shopping Pacífico. E sem seguir a cronologia exata dos fatos, fomos ao Café Tortoni encontrar a Silvia, minha anfitriã da outra vez em que estive lá. Aliás, rever a cidade só me fez perceber ainda mais como ela havia transformado a minha viagem em algo tão prazeroso. Na praça de maio uma homenagem ao presidente Kischner reunindo diversas entidades do país. No local, uma faixa com uma frase para Cristina: “Te queremos como uma filha, te respeitamos como uma mãe”.

Dia seguinte, o primeiro dia nublado depois de dias esplendorosos de sol e céu azul. Encaramos o passeio até o Delta do tigre com o Trem da Costa. Passamos antes pela praça San Martin que traz fortes recordações das viagens em que meu pai estava presente, tanto para minha mãe, quanto para mim. Uma certa frustração ao rever a estação San Isidro. Na última vez, fervilhante de gente, de lojas e alegria. Dessa vez, com algumas excursões turísticas, muitos locais abandonados e um pequeno restaurante em funcionamento. Ainda há sinais da crise por lá. Na volta, um outdoor dizia: o melhor iogurte do mundo. Tirei até foto. Afinal, já havíamos reparado que para eles tudo é assim: o maior, o melhor, o mais antigo, o mais premiado...Eles adoram os superlativos! Tenho a impressão de que fazem até piadas de si mesmos...ou não.

Em nossas andanças, passando por um dos muitos teatros da Corrientes, um show do Djavan. Uma multidão na calçada para vê-lo. Argentinos. Enquanto descansávamos no hotel, muita programação em espanhol. A série Monk, filmes com Steve Martin e até Caminho das Índias. Tudo muito bem dublado (pelo menos parecia). Ah, não posso esquecer de contar que realizei meu sonho de falar francês na Argentina. No café da manhã, vários franceses conversando. Virava e mexia eu escutava o famoso: “Ah...bom!”

Na última noite, ao voltamos ao hotel, a rua 9 de julho estava fechada. Perguntamos o que haveria e como a resposta foi ballet, achei que o recepcionista tinha dito baile (verbo que eles usam para dança), mas estava errada. O grupo do teatro Colon (que aliás só vi de longe) fez uma apresentação ao ar livre do ballet La Traviata, com orquestra e tudo. Uma multidão na rua de todas as idades. Cadeiras e pais com as crianças nos ombros. Lindo. Os bailarinos víamos mais pelos 3 telões espalhados pela rua. É... o aniversário de “mi madre” não podia deixar por menos. Andamos no meio da rua mais larga do mundo (140 metros) sem pressa. Um jantar com uma porção gigante de batatas fritas e já era meia-noite. Nossa hora de dormir. A cidade segue fervilhante.

Um taxi chamado pelo hotel nos leva até o aeroporto de Ezeiza. Minha mãe é atendida por um rapaz que diz que as mulheres gaúchas são as mais bonitas do mundo. Quando libera o meu bilhete, diz que no mês que vem viria para cá. Esbarro nele novamente quando entro no avião, recolhendo os bilhetes. Brinco com ele que a cidade o espera. Bem, eu não conheço muitos lugares do mundo, mas que os Argentinos são muito lindos, isso são. Minha irmã diz que um terno e um jeito conquistador já faz a diferença.
O fato é que saio de Buenos Aires, pensando outra vez em retornar. Afinal, foi a melhor viagem do mundo!

 
PS: Encontramos também um professor da FAPA que eu e minha irmã reconhecemos de vista. O curioso é que ele viajou conosco na ida de na volta, sem termos combinado absolutamente nada. Só para a gente lembrar que a vida é cheia destes mistérios...

Thursday, November 18, 2010

Pronta para o acaso

Não sou exatamente uma pessoa que goste de surpresas, mas também não preciso de muito planejamento. Ultimamente, porém, ando reticente a convites de última hora. Bate a preguiça, desorganiza a agenda. Apesar disso, não sou de jogar fora oportunidades. Assim, quando minha cunhada ligou no final da tarde e disse que não poderia usar o seu ingresso para o show do Ivan Lins, eu topei. Confesso que não vibrei de cara com a oferta (vou ter que me redimir). Tinha acordado arrumadinha, mesmo achando que não sairia de casa e o urgente, urgentíssimo trabalho que fizera o dia todo bem que podia esperar algumas horas. Afinal, eu nunca tinha entrado no Bourbon. Achava sempre caro. Perdi as chances do POA em cena. Cá entre nós, é lindo.
Só quando cheguei é que vi  no ingresso: R$ 90,00. Ah, não teria pago isso mesmo, embora tenha ficado interessada quando li a notícia no jornal. Sempre gostei de Ivan Lins.  Além da voz, me parecia um cara alto astral, camarada, eu diria. Além disso, várias de suas músicas fizeram parte de momentos significativos da minha vida. Fato é que já tinha escrito até aqui enquanto as pessoas chegavam aos poucos no teatro. Mas chega de blá,blá,blá.  Preciso assistir ao show pra poder comentar.
Primeiro devo dizer que agora é oficial: envelheci. Ivan Lins está com 65 anos e eu o achei um gato. Uns quilos a mais de quando eu o “conheci”, mas ainda assim carismático e interessante. Se bem que tem muita gente nova que considera Sean Connery,  o máximo.  Bem, mas mal ele começa a cantar e voz suave enche o teatro. “O amor é o meu país...” Ele sempre cantou de um jeito que parecia fácil. Só ele para fazer melodia com biri-biri e dadaum. Já na segunda música ele pede para a plateia cantar um trecho.  Logo depois, ele fala que o show é em comemoração aos 40 anos de carreira, o mesmo tempo que tem o seu sucesso Madalena. Ele conversa com o público dizendo que era um compositor universitário quando Nelson Motta o encontrou e que foi Elis Regina quem gravou este seu primeiro sucesso.  Quem diria que ele também tinha tido alguns problemas com a censura? Bem, ele disse que foi chamado no DOPS, mas que no fim era por erros datilográficos que foram considerados um código.  Se bem que naquele contexto uma música que diz: “deixa, deixa, deixa dizer o que penso dessa vida, preciso demais desabafar” pode mesmo ser considerada subversiva. Aos poucos vou me dando conta que conheço mais o seu repertório do que imaginava e mais acho as letras realmente ótimas: “Não corra o risco de ficar alegre para nunca chorar...”, “Não fale do medo que temos da vida” e, realmente, agora  mais do que nunca Deus deve estar conosco até o pescoço.  Quase meio século de atividade e o cantor diz que precisa pegar o andamento de uma música nova, ganhando a simpatia do público. Lá pelas tantas chama Geraldo Flach no palco. Fazia séculos que não o via. De bengala, fragilizado, é aplaudido de pé pelo teatro lotado. O outro convidado foi Leandro Maia. Um novo talento, segundo Lins, garimpado na intrnet. O cantor gaúcho diz que agora só falta acertar na loteria. Entendo. Afinal, dividir o palco com alguém com tamanha experiência deve ser mesmo emocionante. Ele canta Paisagens e mesmo para quem foi assistir apenas a Ivan Lins ouvir este cantor deve ter sido um prazer. Linda voz.  Percebo que o fim se aproxima quando chega a hora de “Começar de novo...”. Eu que pensei que já tinha enjoado de ouvir esta música, me surpreendi.  E as letras fortes e poéticas continuam: “viestes com a cara e a coragem pra dentro de mim...”, “o amor tem feito coisas, que até mesmo Deus duvida”..., “Quero toda a sua vontade de passar dos seus limites e ir além...”Aplaudido de pé, ele volta para o bis. Canta mais uma música com Leandro Maia e ainda me impressiona com sua música: Bilhete. Quem diria...tantos anos depois e minha vida ainda “combina” com sua música...”e por fim nosso caso acabou, está morto”. Encho os olhos de lágrimas, enquanto me sinto aliviada pela capacidade de ainda me emocionar dessa forma. Exatamente como há quase 40 anos atrás.


PS1: Lembrei de Luis Claudio Conceição, meu amigo que era fã de Ivan Lins e que perdi o contato
PS2: Algo em Ivan Lins me lembra Julio Conte (espero que ele não se importe)
PS3: Lembrei de Mirna Spritzer, pois achei que ela gostaria do show

Monday, November 15, 2010

Museu da Língua portuguesa: vale muito a pena se a alma não pequena

Esta não é a primeira vez que falo do Museu da Língua portuguesa de São Paulo e, certamente, não será a última. A ida a este lugar já estava planejada desde que soube que iria estar na cidade. Assim, comecei a falar para outras pessoas que viajaram comigo e planejamos ir. Porém, como minhas colegas pretendiam também fazer compras na José Paulino, uma das ruas mais conhecidas por suas lojas de preços baixos que fica perto, quando chegamos na entrada já passava das 16h.
Sendo uma sexta-feira, véspera de feriado, a ideia era pegarmos o metrô o quanto antes, pois o movimento seria intenso. Resultado: só deu tempo de dar uma espiadinha na exposição temporária sobre Fernando Pessoa e assistir ao vídeo sobre a história da língua. Assim mesmo, minhas impressões favoráveis se mantiveram. Mais uma vez, achei muito instigante a forma que os curadores apresentam as informações, associando tecnologia e conhecimento. Textos “escritos” na areia, livros digitalizados e tantas outras coisas que provam que a cibercultura não só é possível como emocionante. Por falar em emoção, não sei porque ouvir Dorival Caymi cantar “Coqueiro de Itapuã, areia...” faz meus olhos ficarem cheios de lágrimas. Tem uma suavidade em sua voz, uma calma que contrasta com o mundo lá fora. Principalmente, quando se trata das ruas de São Paulo.
No mais, já tinha compreendido porque estar cercada de letras por todos os lados mexia tanto comigo. Inclusive já disse isso antes: visualizo a história da minha vida desde os meus seis anos, quando aprendi a escrever. Aos 10 já estava lá redigindo meus diários, falando de mim e dos meus sentimentos. Como agora. Por tudo isso, o tempo no museu foi pouco e quando surgiu a oportunidade de voltar no dia seguinte, não hesitei. Desta vez sabia que poderia ficar o tempo que quisesse e olhar com calma. Pelas paredes textos de Pessoa que podem ser mudados a partir de um gesto do próprio visitante. Uma mesa e cadeiras penduradas no ar junto a imagem do poeta. Pouco depois, a sala de espelhos onde eu e todos os visitantes podem ver sua imagem multiplicada, fazendo uma analogia aos heterônimos (personagens) de Fernando Pessoa. Sim, porque além de poeta, ele também foi capaz de criar várias personalidades e descrevê-las: suas características físicas, seus gostos, seus pensamentos, alguns muito famosos como: “todas as cartas de amor são ridículas”.
Um corredor inteiro para a sua cronologia. Muitos livros, muitos textos até sua última frase em Inglês: "I don't know what tomorrow will bring… " ("Não sei o que o amanhã trará"). Eu também não sei, mas pelo menos pude voltar ao Museu que tanto me impressionou há anos atrás e continuar achando que “tudo vale a pena se a alma não é pequena”.

Sunday, November 14, 2010

Vida de mestre

Como recém mestra pensei que seria importante ir a ABRACE e assim que soube que meu trabalho havia sido aceito, comecei as articulações para conseguir um lugar para ficar. Sem isso, as chances de estar em São Paulo por uma semana eram mínimas. Logo lembrei da colega de Artes cênicas que estava morando na cidade e que sempre me escrevia palavras de afeto, que sempre me tratava com uma gentileza que pouco se vê hoje em dia. Assim, alguns emails depois já sabia para onde ir. Quando cheguei em sua casa, aquelas palavras foram se transformando a cada dia em pequenos gestos de acolhimento e de carinho. A partir daquele momento, havia também aquele que ela escolhera para ser seu companheiro na vida e como não podia deixar de ser alguém amável e interessante com  quem a conversa fluiu rapidamente como se fossemos velhos amigos. Desse jeito, apesar do pouco tempo que passamos juntos, devido ao meu envolvimento com o evento, tive a oportunidade de estar próxima de duas pessoas que eu tenho certeza ainda terão muito a contribuir para aquele mundo melhor que todos queremos e, enquanto isso, eu aproveito para viver estes momentos tão especiais que dão a este título recém adquirido o sentido que eu queria: o de pertencer ao grupo de pessoas que amam a arte e a vida.

A Cyntia Muller e a Rodrigo Pessim o meu muito obrigada.

Wednesday, November 10, 2010

Abraçando São Paulo

Primeiro dia do evento da ABRACE - Associação Brasileira de Pesquisa em Artes Cênicas. Primeiro desafio: chegar a Barra Funda. Na véspera, meus amigos diziam que era muito fácil e não tinha erro. Esqueciam que estavam falando de mim que se bobear me perco até na minha cama. Mas, de mapa do metrô na mão, lá me fui rua acima. Dúvidas quando ela bifurcou. Outras, quando parecia distante, mas cheguei. Uma vez lá dentro, é tudo bem indicadinho. Se a gente sabe ler e presta alguma atenção, chega lá, mesmo trocando de linha, como foi o caso. Porém, quando cessam as informações para onde ir? Hora de perguntar e apesar da resposta meio inútil é o tempo de encontrar mais alguém perdido perguntando pela mesma coisa. Um paulistano. Então, melhor segui-lo. Missão 1, cumprida.

O lugar da abertura é muito bonito. Sento logo nas primeiras filas. Uma abertura rápida do pessoal da ABRACE (Maria Lucia Puppo e Luis Fernando Ramos) e sobe a mesa Sábato Magaldi e Jacó Guinsburg. Já tinha reparado no primeiro. Meu objeto de estudo. Fiquei emocionada. Era o encontro do pesquisador com o pesquisado, aplaudido de pé por um teatro lotado.

É Sergio Carvalho quem lê o texto sobre o crítico. Há poucos minutos estava ali do meu lado com umas folhas rasuradas na mão. Agora, está lá na mesa fazendo referência a um texto que Sábato escreveu sobre Décio de Almeida Prado, mas que, sem dúvida, poderia ser sobre ele mesmo. Carvalho obtém o equilíbrio perfeito entre informações histórias, curiosidades e afetividade.

A palestra é em francês, mas assim mesmo pego os fones. Sei bem que muitas vezes não se trata de entender a língua. Se o palestrante falar baixo, enrolado ou qualquer outra coisa, a tradutora tá lá para dar um jeito. Só que neste caso, não teve como. Tentei várias vezes acompanhar a linha de raciocínio do convidado, mas há divagação era grande e eu que amo a língua francesa não estava mais me divertindo com os leeee, laaaa que eles adoram. Jean François Peyret tinha a tarefa de falar sobre “Uma arte exposta a ciências”. Acho que a exposição causou danos porque ficou difícil de entender em françês ou português.

No caminho do almoço, esbarro em Edélcio Mostaço. Corro para abraçá-lo. Só tenho a agradecer a ele, inclusive por estar aqui. Do lado, Faleiro, outro professor que tem sido de uma gentileza quando me vê... Tantas caras conhecidas e importantes no meio da pesquisa teatral que me dou conta que as articulações de nossa coordenadora Marta Isaacsson e do restante do grupo tem sido realmente muito bem sucedidas. Afinal, o programa ainda é muito recente e nestes poucos anos já nos aproximou de outros que pesquisam há muito tempo.

Depois de alguns copos de champagnhe oferecidos pela ABRACE, um rápido almoço rodeada de colegas e professores, vamos para a palestra seguinte. Antônio Araújo diz que está nervoso e que por isso terá que ler. Mas o texto escrito é muito bom. Ele diz que pesquisar é jogar com o desconhecido. Parece bonito, mas dá muito medo. Pesquisar artisticamente é avançar aos tropeções em um interminável looping. É duvidar sempre e acreditar apenas por átimos. Perceber que não sabíamos que sabíamos. Mal-me-quer, bem-me-quer. A aventura do pensar fazer e do fazer pensar.
Sabia que deveria vir embora antes do final da tarde, mas me distrai. Acabei pegando a famosa hora de pique. Algo assustador. A mesma pessoa que está ali do seu lado esperando o metrô quando as portas se abrem, se transforma em um agressor. Não entrei no metrô. Fui empurrada e procurei não resistir. Foi ruim? Claro. Mas, felizmente, no meu caso é ocasional. Já pensou ter que passar todos os dias por isso?

No mais, hospedada na casa de amigos, muito bem acolhida transformando minha viagem em momentos ainda mais agradáveis. Coisa boa poder juntar conhecimento, novas experiências e amigos. É a minha paixão pelo teatro me proporcionando novas oportunidades.

Sunday, October 24, 2010

A boba da corte
De início, o nome Arte na Corte me parecia um pouco arrogante. Vinha a minha mente reis, rainhas e castelos. Algo esnobe. Porém, o lançamento desta proposta, que visa uma integração entre arte, cultura, língua, música veio para me fazer pensar de uma maneira bem diferente. O lugar provisório no Bom Fim é uma casa antiga, salas de pé direito alto, mesas, sofás, bem aconchegante, na verdade. Sabendo que haveria uma certa improvisação no serviço e que o cardápio seria reduzido, fui surpreendida pelo sabor do que era oferecido e pela simpatia das pessoas que se esforçavam para atender de maneira gentil e eficiente. Rapidamente, as pessoas iam se juntando e era visível que as conversas vinham fácil e a integração ocorria rapidamente.
Assim, estavam todos se divertindo quando Vera Mello pegou o microfone para apresentar as pessoas da casa, um lugar agora chamado Passageiro 59 que pretende manter atividades como esta com certa frequência. O assunto divulgado no convite super bem feito era a única coisa que eu, realmente, já sabia: Tour de France. Entretanto, pouco sabia sobre o tema. Assim, toda e qualquer informação recebida foi bem-vinda. Cansada do longo dia de trabalho, imaginava quanto tempo duraria a fala desta professora de francês que sempre pesquisa sobre o que vai dizer para os seus alunos que, nesta noite éramos nós. Porém, ela teve a sensibilidade de não se estender e mais, o jogo de cintura de descobrir naquele momento que a famosa corrida de bicicleta já não era tão importante assim para os franceses e trazer isso à tona pela voz de um francês que compareceu ao encontro. Desta forma, mesmo que ele viesse para contrapor algumas de suas colocações anteriores, sem dúvida, valorizava ainda mais a apresentação.
Como se isso não bastasse ainda escutamos a vencedora do Festival da canção francesa deste ano Luana Pacheco cantar L’amour. Assim, a Arte na Corte cumpriu com sua promessa de um jeito gostoso de fechar a semana e ainda “entregou” algumas surpresas como eu descobrir que minha irmã, que se diz uma rígida virginiana, fala muito bem em público e ainda por cima no microfone! Fiquei boba. E como nenhum evento, por menor que seja, “termina depois que acaba”, este rendeu conversas que me fizeram descobrir que Samuel Beckett escreveu Esperando Godott  justamente por causa de um dos competidores do Tour de France que todos esperavam e que não chegava nunca. Cultura é isso. Algo que cresce e se multiplica. E mesmo que alguns reis e rainhas não soubessem, são mais valiosos do que os bens, pois não acaba nunca e não pode ser roubada. Uma vez que chega até nós, será nossa para sempre.
PS: Por falar em roubar, sai com a caneta que me emprestaram para que eu pudesse fazer as anotações que gerariam este texto. 

Sunday, October 17, 2010






Se você quer cantar, cante.
Bem, se você quer cantar, cante
E se você quer ser livre, seja
Porque existem muitas coisas pra ser
Você sabe que sim
E se você quer viver pra cima, viva
E se você quer viver pra baixo, viva
Poque existem muitos caminhos pra ir
Você sabe que sim
Você pode fazer o que quer
A oportunidade está aí
E você pode encontrar um novo caminhos
Pode fazer isso hoje
Fazer com que tudo seja verdadeiro
Fazer com que seja desfeito
Você vê ah ah ah
É fácil ah ah ah
Você só tem que querer
Bem, se você quer dizer sim, diga
E se você quer dizer não, diga
Porque existem muitos caminhos pra ir
Você sabe que sim
E se você quer ser eu, seja
E se você quer ser você, seja
Porque existem muitas coisas pra se fazer
Você sabe que sim
Bem, se você quer cantar, cante
E se você quer ser livre, seja
Porque existem muitas coisas pra ser
Você sabe que sim
Você sabe que sim
Você sabe que sim
Você sabe que sim

Música de Cat Stevens em Ensina-me a Viver




http://www.youtube.com/watch?v=NDq36YD1ESM

Tuesday, October 12, 2010

RICARDO SILVESTRIN

Por Ramon Mello

A MUTIPLICIDADE DE UM POETA

Passeando pelo calçadão virtual, no Orkut, conheci um poeta gaúcho chamado Ricardo Silvestrin. Fiquei entusiasmado ao esbarrar no site dele e perceber que a música, o jornalismo, a performance e o universo acadêmico são quintais explorados pelo poeta. Desde então, indico a leitura dos seus poemas para todos os meus amigos.

Formado em Letras pela UFRS, Silvestrin coleciona publicações em verso e prosa, além de se dedicar à Editora Ameop e ao grupo PoETs - que acaba de lançar o CD Música Legal com Letra Bacana, que mistura música e poesia com bastante humor.

Não li todos os seus livros, mas tive acesso ao O Menos Vendido (Nankin Editorial), uma coletânea com poemas inéditos, que transmite a vontade de dizer a poesia para outras pessoas. Este livro recebeu o Prêmio Açorianos, de melhor livro de poesia de 2007, concedido pela Coordenação do Livro e Literatura da Secretaria Municipal de Cultura de Porto Alegre. É o terceiro livro do poeta a receber a premiação.



eu poderia ficar a noite inteira aqui

a vida inteira

escrevendo esses poemas

mas preciso viver um pouquinho

para ter mais assunto



Gostou? Então leia o resultado desse encontro virtual, que aconteceu por MSN, com o poeta Ricardo Silvestrin.



CLICK(IN)VERSOS – É difícil trabalhar com literatura fora do eixo RIO- SP?

RICARDO SILVESTRIN - Não. A literatura é sempre fora dos eixos.

CLICK(IN)VERSOS – Internet ajuda a literatura? Como é a sua relação com a Internet?

RICARDO SILVESTRIN - Sim. Hoje conheço muitas pessoas de fora do RS. Mas sempre tive um trânsito bom em todo o Brasil. Desde os anos 80, Alice Ruiz, Leminski, Mano Melo, entre outros, sempre trocaram figurinhas comigo, mesmo sem Internet.


CLICK(IN)VERSOS – Como acontecia essa troca?

RICARDO SILVESTRIN - Por exemplo, a Alice e o Paulo vieram a Porto Alegre para um evento em 1987. Passei meu livro ‘Viagem dos Olhos’ para eles. Gostaram e convidaram para ir ao Encontro Brasileiro de Haicai em SP... Fomos... A Roda de Poesia, um evento que havia no Brique da Redenção por aqui também recebia os poetas que chegavam... Os poetas estão sempre ligados, de uma forma ou de outra se acham.

CLICK(IN)VERSOS – Eu conheci o seu trabalho na Web. A Internet colabora para a Literatura de que maneira? Existe a tão discutida 'Literatura de Internet'?

RICARDO SILVESTRIN - No meu caso, sou pré-internet. Demorei inclusive para fazer um site. No meu site, coloquei todas as faces da minha produção: a poesia com os 6 livros para adultos, mais os 4 de poesia para crianças, mais o caminho para o site dos poETs com o trabalho musical, os ensaios, a crítica a meu respeito, enfim, reuni tudo para que me visse por inteiro.

CLICK(IN)VERSOS – Quando você começou a se interessar por Literatura?


RICARDO SILVESTRIN - Desde criança, estou sempre ligado a coisas criativas, fazendo música, peça de teatro, na escola, em casa, com os amigos... Gostava muito das aulas de português, das crônicas, dos poemas nos livros como o Criatividade, que tinha quadrinhos, letras de música, poemas... Aos 15 anos, queria fazer uma banda de rock pesado, mas não tocava nada. Comecei a escrever letras para uma banda que não existia. Então, li o Manuel Bandeira e vi que queria ser poeta. Vi que o texto poderia ficar no papel e ser rock and roll.

CLICK(IN)VERSOS – Você lançou o CD Música Legal com Letra Bacana, com o PoETs. Como é essa relação de música e poesia?

RICARDO SILVESTRIN - Tem uma parte do trabalho de letra e de poema em que há uma intersecção entre as duas artes, que é na construção do verso. E tem outra parte em que cada uma das artes tem a sua especificidade (nós brincamos que falar essa palavra especificidade é um teste pra saber se o cara está bêbado...)

CLICK(IN)VERSOS – Letra de música é poesia? Ou poesia é letra de música?

RICARDO SILVESTRIN - A letra é parte da música. Tem a harmonia da música, a melodia da música, o ritmo da música, o pulso da música, a interpretação da música e a letra da música. A letra de música não tem esse nome por acaso. Não é um lapso: puxa esquecemos de chamar de poesia. Isso não tem nada que ver com uma idéia de valor. A letra é uma arte que pode ser tão culta e criativa quanto a poesia (escrita ou falada).

CLICK(IN)VERSOS – O que você prefere fazer música ou poesia? Por que?


RICARDO SILVESTRIN - Tem que escolher? A minha arte número um é a poesia. Adoro o poema no papel. Gosto muito também da música e da letra e do palco e de cantar. O que aprendi criando foi a compor a melodia e aí colocar a letra. É um trabalho também muito divertido.


CLICK(IN)VERSOS - É diferente o processo de criação da poesia e da música? Como acontece com você?

RICARDO SILVESTRIN - Sim. Poesia escrevo sozinho. Tenho um caminho criativo já de muitos anos. Vivo pensando em poesia. Se mostram uma caixinha de papelão, já penso, ó ficaria legal uns poemas ali dentro... Exploro possibilidades, leio os outros, enfim, sou poeta. Na letra, e não apenas na letra, na composição da música, trabalho predominantemente com o Ronald Augusto e o Alexandre Brito, que junto comigo formamos poETs. Nosso processo é coletivo. Juntos criamos uma seqüência de acordes (ou um já traz), daí partimos para a criação da melodia e só no fim colocamos a letra. E mesmo quando escrevo uma letra apenas para algum músico, penso numa letra e não num poema. Penso em algo bom de ser cantado. No poema, crio algo para ser lido.

CLICK(IN)VERSOS - Não tem vontade de escrever prosa?

RICARDO SILVESTRIN - Sim. Vou lançar um livro de contos em Abril. São 17 contos, cada um com a sua história. E tenho também uma coluna quinzenal com ensaios/crônicas no jornal Zero Hora.

CLICK(IN)VERSOS - E como é a experiência de escrever para jornal?

RICARDO SILVESTRIN - No jornal, o pedido da editoria é que fale sempre de algo relacionado à cultura, arte. Então, faço um misto de mini-ensaio com uma linguagem de crônica. Procura revelar algo interessante, mostrar um enfoque, ampliar o repertório dos leitores. A receptividade tem sido muito boa. Muita gente me escreve ou fala que leu.

CLICK(IN)VERSOS - Por que escrever? Por que poesia?

RICARDO SILVESTRIN - Escrevo para ser lido. Pelos outros e por mim mesmo. E poesia porque amo poesia.

CLICK(IN)VERSOS - O menos vendido, ex-Peri,mental, Palavra Mágica, Quase eu, Bashô um santo em mim e Viagem dos olhos, além dos infantis O baú do Gogó, Pequenas observações sobre a vida em outros planetas, É tudo invenção e Mmmmonstro!. Qual o seu preferido?


RICARDO SILVESTRIN - Acho que O Menos Vendido coloca uma produção de 336 páginas, só com poemas inéditos, que foram trabalhados com muita dedicação, ao longo de anos. O Palavra Mágica também reúne uma produção forte, foi a consolidação de uma procura estética. É tudo invenção foi um desafio legal, escrever poemas longos todos com aquela temática de encontrar versões para algumas coisas foram inventadas.

CLICK(IN)VERSOS - Porque você convidou o poeta Antônio Carlos Secchin para apresentar o seu livro O Menos Vendido?

RICARDO SILVESTRIN - O dos Planetas também tem um senso de humor e uma surpresa que me alegra muito. Enfim... O Secchin conheceu a minha poesia através de um jornal que circulou aí pelo Rio. Ele gostou muito do poema que leu e colocou como encerramento de uma aula inaugural numa universidade carioca. Saiu um livro com essa aula, e ele ligou para Porto Alegre atrás de mim para mandar o livro. Um cara que é um excelente poeta, que publica um poema meu e ainda acha um jeito de me achar merece um tratamento especial. O Pequenas Obsevações Sobre a Vida em Outros Planetas já está com 20 mil exemplares vendidos. A piazada adora.

CLICK(IN)VERSOS - Você é professor é graduado em Letras. O conhecimento acadêmico atrapalha na sua produção poética?

RICARDO SILVESTRIN - Não. Fui fazer Letras para conhecer mais o que faço. Achei alguns professores que foram importantes na minha busca: Tânia Carvalhal, Donaldo Schüler, enfim, gente que sabe das coisas.

CLICK(IN)VERSOS - Você também trabalha como publicitário. É impossível viver de literatura?

RICARDO SILVESTRIN - É impossível viver sem literatura.

CLICK(IN)VERSOS - Você tem uma editora, a AMEOP. Fale um pouco sobre esse trabalho.

RICARDO SILVESTRIN - A AMEOP lançou 14 livros de 14 poetas: Alice Ruiz, Glauco Mattoso, Estrela Ruiz Leminski, Frank Jorge, Paulo Seben, Alexandre Brito, Ronald Augusto, entre outros. Fomos, eu e o Alexandre Brito, atrás de patrocinadores. Conseguimos. A idéia foi lançar os livros em precisar de grana de autor. Nem nossa! Fizemos lançamentos em Porto Alegre, Curitiba, Campinas e São Paulo. Sempre em sessões de autógrafos com vários poetas. Vendemos cerca de 150 livros em cada lançamento. Foi capa da Ilustrada.

CLICK(IN)VERSOS – Como conseguem grana para a publicação?

RICARDO SILVESTRIN - Pedimos papel para a Ripasa. E as gráficas Metrópole e Maredi imprimem. Mas o fundamental é a qualidade dos livros. Colocamos 14 bons poetas nas livrarias.

CLICK(IN)VERSOS – Qual o critério para escolha dos poetas que serão publicados?

RICARDO SILVESTRIN - O que eu e o Alexandre gostarmos.

CLICK(IN)VERSOS – Os títulos dos seus livros são bem criativos O Menos Vendido , Culto e Grosso. Como é o processo de escolha dos títulos dos seus livros?

RICARDO SILVESTRIN - Adoro criar títulos. Bashô um santo em mim começou pelo título. Tenho outros títulos sem livro ou que já foram o título, mas depois mudei. Guardo o título, quem sabe o uso mais adiante. O Menos Vendido é um exemplo disso. Penso numa solução que seja sonora e que cause uma curiosidade. Antes de tudo, que me divirta.

CLICK(IN)VERSOS – Você tem três livros infantis publicados. É diferente escrever para crianças e adultos?

RICARDO SILVESTRIN - Para ambos, escrevi poesia. A primeira coisa que me orienta é fazer um bom poema. A diferença nos para crianças e que procuro não fazer um poema difícil de entender nem com temática exclusivamente adulta. Desse modo, meus poemas para crianças são lidos também por adultos. E vários dos livros de adultos falo para as crianças quando vou a escolas.

CLICK(IN)VERSOS – Você tem filhos?

RICARDO SILVESTRIN - Sim. A Carolina, que tem 19, e o Leonardo, que tem 10. Os dois gostam muito de arte. Gostam também de criar.

CLICK(IN)VERSOS – Você publica desde os anos 80. Como você analisa o movimento literário atual?

RICARDO SILVESTRIN - Acho que está havendo uma boa agitação tanto do mercado editorial, com as grandes editoras investindo, publicando, com grana dessas fusões, como da troca por Internet, além de eventos, saraus, shows, feiras de livro por todo o país, atividades em escolas. Houve um período ali nos anos 90 de baixa das editoras. Mas agora vejo com otimismo um grande interesse pela literatura.

CLICK(IN)VERSOS – Você lê os autores contemporâneos? Quem? Quais são os artistas gaúchos que você admira?


RICARDO SILVESTRIN - O bom da literatura é que sempre se está descobrindo novos autores. Por exemplo, o Erasmo de Roterdã, de 1511, é um autor novo para mim e com uma visão de mundo extremamente contemporânea no seu Elogio da Loucura. Mas sobres os contemporâneos-contemporâneos, na poesia, gosto muito de Geraldo Carneiro, Antônio Cícero, Chacal, Alice Ruiz, Ferreira Gullar, João Angelo Salvadori, Ronald Augusto, Alexandre Brito, Paulo Seben, Roberto Silvestrin, Glauco Mattoso, Augusto de Campos, pra ficar nos vivos. Dos gaúchos, tem na lista acima quatro deles.

CLICK(IN)VERSOS – O que e/ou quem te influencia diretamente?

RICARDO SILVESTRIN - Ler poesia. Ver filme. Ver uma exposição de artes plásticas. Ouvir um cd. Rock, jazz...

CLICK(IN)VERSOS – O que você diria para um alguém que deseja ser escritor?

RICARDO SILVESTRIN - Que seja bom! Assim eu posso ler!

Dezembro de 2007 - Link publicado recentemente no Facebook, pelo Ricardo.

Monday, September 27, 2010

Em tempo de eleição

O que mais preocupa não é o grito dos violentos, nem dos corruptos, nem dos desonestos, nem dos sem ética.



O que mais preocupa é o silêncio dos bons.



Martin Luther King

Friday, September 17, 2010

O alemão Hans-Thies Lehmann destaca o teatro pós-dramático

Sérgio Maggio


Publicação: 08/09/2010 08:46

É cada vez mais comum o espectador sair de um espetáculo sem saber se é teatro, dança, performance, show, artes visuais. Atordoado com tanto cruzamento de linguagens, não consegue conceituar o que lhe parece escapulir aos padrões do drama convencional, com narrativa sustentada num texto de começo, meio e fim. A confusão estética, que se acentua como um problema de fruição, tem resposta, ou melhor uma bela análise no livro Teatro pós-dramático, do alemão Hans-Thies Lehmann, que virou leitura obrigatória entre estudiosos das artes cênicas.

Na segunda-feira, o encontro que parecia improvável, para quem encontrou alento nos conceitos do teatrólogo alemão, concretizou-se no Teatro Helena Barcelos (do Instituto de Artes da UnB). Leitores e autor ficaram frente a frente para ouvir as noções que norteiam a obra do alemão Hans-Thies Lehmann. Estudantes, professores e artistas encheram o espaço para acompanhá-lo atentamente. Bem-humorado, o teórico falou sobre a crise do drama burguês, questionado logo ao fim do século 19, e voltou para os elementos da tragédia grega (o coro, a máscara) a fim de mostrar que a arte de hoje dialoga melhor com a história, retomando elementos rituais e da ancestralidade.

- No século 20, diversos campos do conhecimento (sociologia, linguagem, psicanálise) apontam um novo conceito para o ser humano, que não é mais um ente autônomo e, sim um sujeito levado pelas circunstâncias. E o teatro responde a isso, rompendo com a identificação do drama moderno em que o homem é visto como herói, observa.

Vida absurda

Lehmann brinca e faz até piada. Lembra aqueles que definem o teatro do século 20 como o teatro do século 19, da ideologia burguesa que nasce com o renascimento e se prolonga. Mas ressalta que Shakespeare não precisou de Beckett para reafirmar o absurdo que é a vida humana.

- Basta lembrar a célebre frase de Shakespeare: "A vida é feita de som e fúria sobre o nada".

Essa resposta ao homem que é afetado pela circunstância social surge reposicionando o papel do espectador, na explosão dos espaço cênicos, numa dramaturgia do corpo e da voz, na fragmentação da narrativa, no papel do ator, que agora não só representa, mas também se presentifica no palco. Apresenta-se também como um ser político. Lehmann não cria um rótulo para ser aplicado nesse ou naquele teatro, apenas fornece um arcabouço teórico para que se entenda uma cena complexa, que já não cabe mais nas relações clássicas de texto, diretor, ator.

- São formas híbridas que se manifestam em possibilidades para o teatro questionar o papel do espectador de provocar o seu olhar diante da sociedade do espetáculo, observa Lehmann, que ainda orientou individualmente trabalhos de pesquisa ao lado da professora Eleni Varopoulou, especialista em teatro grego antigo e contemporâneo.

A vinda do alemão Hans-Thies Lehmann para a UnB foi organizada pela Tanteatro Companhia em parceria com o Laboratório de Dramaturgia e Imaginação Dramático (Ladi), coordenado pelo professor e dramaturgo Marcus Mota.

Esta é a terceira vez que o crítico e professor de teatro alemão Hans-Thies Lehmann vem ao Brasil. Ele esteve aqui, em 2006, e integrou as comemorações ao cinquentenário de morte do dramaturgo alemão Bertolt Brecht. Em 2009, voltou para lançar Teatro pós-dramático. Agora, visita universidades em São Paulo, Porto Alegre, Florianópolis e Salvador.


Mestre
Hans-Thies Lehmann é um dos mais importantes teóricos do teatro contemporâneo e da estética teatral. É professor de Estudos Teatrais da Universidade Goethe, em Frankfurt am Main/Alemanha, e membro da Academia Alemã de Artes Cênicas. Entre seus livros destacam-se Teatro Pós-dramático e Escritura política no texto teatral.

Para saber mais

Outra forma de fazer arte

O que Lehmann propõe no livro, sobretudo, é a quebra de um paradigma para um teatro em crise, que não é mais capaz de atender as demandas do homem do século 20, perdendo-se como linguagem diante de meios potentes da indústria midiática, como o cinema e a televisão. Esse teatro burguês, sustentado no diálogo e na identificação do homem como um ser capaz de alterar o destino, entra em colapso por não mais ser capaz emancipar o espectador como um agente ativo de recepção.

Ao longo do século 20, aos poucos, premissas estéticas questionaram o lugar do drama e a força do texto como um guia da representação. Outros autores, sobretudo os do teatro do absurdo como Samuel Beckett, trituram a dramaturgia aristotélica em fragmentos, ao passo que homens de teatro, como Brecht, propuseram técnicas capazes de emancipar a audiência. Isso sem falar no vertiginoso avanço das tecnologias e da adesão de seus elementos na cena, erguida também com a narrativa das artes da imagem, do cinema, das artes plásticas, do circo.

O teatro pós-dramático seria provocado pelo teatro de estética pós-moderna dos anos 1960 e começa a se estabelecer, sobretudo, na década de 1980. "Esta nova forma teatral não procura suscitar a adesão do espectador, mas provocar sua percepção ou emoção significativa. Os aspectos fragmentários desses textos, ou dessas montagens, permeiam uma reescritura cênica que engloba os aspectos textuais, cenográficos e os problemas que são propostos por um jogo não necessariamente psicológico."
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Eu não disse que a palavra não era nada {...} disse que o teatro não se limitava à palavra. Juntei o corpo à palavra {...}. Procuro, para além da palavra, a razão da palavra e, para além da gesticulação, procuro o mito (em 1947).

Antonin Artaud - in Cahiers de la Pléiade, VII, Printemps 1949; Paris, Gallimard, p.109. Ao ler as críticas ao seu texto Le Théâtre et son Double (1938), publicadas no jornal Combat.

Correio Braziliense



http://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia182/2010/09/08/diversaoearte,i=211950/O+ALEMAO+HANS+THIES+LEHMANN+DESTACA+O+TEATRO+POS+DRAMATICO.shtml

Thursday, September 09, 2010

“Unhappy theater”

Cinco anos se passaram desde a última vez que estive no Theatro São Pedro para assistir Happy Days de Peter Brook. Lembro que quase morri de tédio. Mas não sabia dizer se o espetáculo realmente não prestava, pois meu irmão havia morrido naquela semana aos 49 anos de um ataque cardíaco fulminante. Tentei seguir assistindo aos espetáculos como uma homenagem a ele que, certamente, gostaria que eu continuasse as minhas atividades, sobretudo as que, normalmente, me dariam prazer. Porém, nenhum talento cênico conseguiria aliviar o sentimento que me ia à alma. Lembro que no intervalo perguntei a um colega que conhecia o texto se valia à pena ficar, se melhorava e, como havia de fato uma mudança, ele disse que sim. Entretanto, o que acontecia não podia ser considerado como algo positivo, ainda mais naquele meu estado de espírito. Pois bem. Hoje, voltei.

Estou acostumada a ver Eva Sopher na entrada, mas desta vez lá estava Luis Fernando Veríssimo que, para mim, é praticamente um personagem, pois existe o texto de LFV e o próprio e, mesmo que não o conheça de perto, desconfio que eles sejam bem diferentes. Bem, mas sempre gostei de ir ao teatro e, embora não queira parecer arrogante, devo dizer que meu sentimento é ainda mais intenso agora que sou mestra em artes cênicas. Explico: ver o Theatro São Pedro lotado já me deixa feliz e é nestas horas que uma quinta feira sem graça se transforma em um happy day.

Levanto para cumprimentar Sandra Dani e Luiz Paulo Vasconcellos que, agora, considero meus amigos. Muitas outras caras conhecidas estão espalhadas pela plateia. Laura Backes, Inês Marocco, Mirna Spritzer, Flávio Maineri, Mônica Bonatto... Assim como muita gente que nunca vi e outras que eu gostaria de conhecer. De repente, me dou conta que já faz mais de dez anos que entrei neste universo. Como eu sempre soube, é um povo diferente este do teatro, gente que continua me atraindo. Desta forma, apesar de ainda não terem dado o sinal, nem apagado as luzes, sinto que o “evento” teatro já começou.

O espetáculo começa. A atriz murmura alguma coisa e eu penso: em que língua ela está falando? Só depois reconheço que é francês. Mas sem legendas? O que ela dizia não era nada de tão importante, mas podia imaginar como as pessoas que não sabem esta língua (ah...coitadas) deviam estar angustiadas por não compreenderem. Na hora, lembrei de um espetáculo que assisti no SESI em alemão onde todos riam e eu imaginava que era muito estranho tantas pessoas compreenderem. Só depois me dei conta de que eu é que não estava vendo a legenda. Assim, hoje, comecei a procurar onde estaria e aos poucos, apesar de toda a luminosidade que vinha do fundo do palco comecei a enxergar as letras. Uma senhora ao meu lado coloca seus óculos escuros. O efeito de contraste entre o morro negro onde se encontra a atriz e a luz de fundo, apesar de esteticamente muito interessante, provoca desconforto e atrapalha completamente a leitura.

Enquanto a monotonia começa a chegar, lembro das mediações feitas na Bienal e me pergunto: sobre o que é o espetáculo? Mesmo encontrando respostas como: é sobre o patético da vida, sentia que algo não estava funcionando ali. A platéia faz um silêncio enorme. Mesmo as tosses, tão comuns nestes momentos, estavam praticamente sumidas. E, enquanto o texto vai sendo despejado com um sotaque que mais me lembrava uma feirante em Marseille, vou sentindo necessidade de olhar o relógio. Havia se passado apenas meia hora e o sono já começava a chegar de forma incontrolável. Logo eu que este ano fiz questão de não comprar ingressos para o espetáculo japonês com medo de que eles botassem toda a minha cultura ocidental para dormir.

Para não achar que esta sonolência era apenas fruto da minha ignorância começo a tentar fazer reflexões sobre a dramaturgia de Samuel Beckett. Afinal, sou encantada com Esperando Godot e ainda lembro como foi incrível dizer algumas falas deste texto na montagem de Zé Adão Barbosa nos tempos em que fazia oficinas. Sigo meu raciocínio: humm, há aqui uma não relação e ao mesmo tempo uma dependência entre os personagens....Enquanto me disperso em minhas análises, chega o intervalo. É quando o professor Mainieri me pergunta: “tu fazes crítica?”. Falo do meu trabalho de mestrado que me incentivou a querer escrever sobre os espetáculos já que sigo não encontrando uma definição que me convença sobre as diferenças entre opinião, comentário e crítica.

Troco minhas impressões com algumas pessoas e além de concordarmos que o espetáculo está botando para dormir, descubro que isto ocorre porque há um problema na interpretação da atriz que apenas despeja o texto, acrescentando interjeições desnecessárias. Neste momento, concluo que há uma falta de sutileza na hora de dizer as palavras do texto cujas intenções do autor precisariam ser respeitadas. Caso contrário, como dizia meu professor Sergio Silva, tudo pode estar perdido. E é isso que está acontecendo ali.

Apesar da introdução de alguns ruídos semelhantes a trovões (que não recordo de ter ouvido na montagem de 2005) estou de novo com os mesmos sentimentos daquela última vez em que assisti a montagem de Happy Days e posso garantir que este ano não tenho a morte de nenhum parente próximo que possa justificá-los. Felizmente, sabia que faltava, aproximadamente, 40 minutos para terminar e, quando isso acontece, as pessoas aplaudem de pé, algumas gritam bravo e eu concluo, mais uma vez, que certamente a minha “opinião comentada criticamente” não vai agradar todo mundo. Não faz mal. Defendo, justamente, a provocação do debate que em casos como este costuma ser muito mais interessantes do que a própria obra. São os mistérios da arte.

PS: Caso não tenha ficado claro, o espetáculo era legendado.

Thursday, September 02, 2010

Divulgação de espetáculo

"A FUGA"


Estréia SEXTA-FEIRA 3 de setembro!

"A FUGA" é uma emocionante história de luta, superação e amor!

A vida de uma mulher corajosa, casada, com 11 filhos que, em 1910 fugiu de um marido agressivo,e de sua cidade - Santa Vitória do Palmar - rumo à cidade de Rio Grande, levando 8 de seus 11 filhos, numa carroça de boi... numa viagem de 32 dias!

Peça adulta - Tempo aproximado: 30 minutos.

TEATRO GLÊNIO PERES - Av. Loureiro da Silva, 255. Centro. (Câmara Municipal)

(Estacionamento cortesia no pátio).

Todas as sextas-feiras do mês de setembro: 3, 10, 17 e 24 às 20 horas Entrada franca.

Dia 10 de setembro, intérprete de LIBRAS (linguagem para surdos) com Mariana Alencastro