Tuesday, July 21, 2009

O que sobra de mim foi ver O sobrado

Foto de Mira Gonçalves

Depois de cruzar algumas vezes com Rodrigo Fiatt nos corredores do DAD e receber dele vários convites para ir ver O Sobrado, uma mensagem no Orkut dizendo que ele ficaria feliz de me ver na platéia me fez, finalmente, ir até o Memorial. Não que eu não quisesse ver o espetáculo. Queria sim. Não só este, como vários outros. Mas, confesso que não tenho tido disposição para quase nada enquanto finalizo meu texto para a qualificação do mestrado. Estou na fase da revisão e, obviamente, com sentimentos antagônicos: por um lado, satisfeita com minha própria produção. De outro, me perguntando: mas, é isso que tenho feito desde março de 2008? Bem, mas, não é hora para inseguranças. Se eu não acreditar na importância da minha pesquisa, quem acreditará? Espero que, ao menos, Clovis Massa e Antônio Hohlfeldt, os dois convidados para compor a minha banca neste momento.

Bom, mas, deixando estas questões momentaneamente de lado, quero falar sobre o espetáculo, adaptação da obra de Erico Veríssimo. Mas, não sem antes dizer que quem ficou profundamente feliz de estar naquela platéia fui eu e, justamente, devido ao trabalho de Rodrigo Fiatt, como Licurgo, o chefe político e intendente da Cidade de Santa Fé. Este ator participou comigo das filmagens de Quase um tango, filme de Sergio Silva, selecionado para o Festival de Gramado. Mais do que isso, fez o papel de meu irmão. Eu não o conhecia até então. E mesmo que nós tenhamos entrado mudos e saído calados (tenho quase certeza que sua única fala foi cortada), percebi em Rodrigo uma autenticidade que só reconheço nos atores talentosos e, felizmente, lembro de ter dito isso a ele. Sim porque, se o destino não atrapalhar, Rodrigo vai longe atuando e espero que não esqueça da sua “irmã” e continue me querendo na platéia. Eu que fiz parte de sua família, quase não o reconheci. Rodrigo muda a fisionomia, a postura corporal, o tom de voz. Não sei como Erico Veríssimo imaginou Licurgo, mas, acho que ficaria feliz (parece que esta é a palavra do dia) em ver este ator em cena.

Mas, sejamos justos. Um único ator não faz um espetáculo. E em O Sobrado são muitos, 14 para dizer a verdade. É um elenco muito forte e competente. (Desculpem aqueles que não gostam deste tipo de adjetivos. Eu estudo a crítica. Nunca disse que era uma). E estes ainda fazem vários papéis. Estou aqui catando o nome dos atores que faziam os meninos, filhos do Licurgo, que eram também soldados, que tocavam também instrumentos e, talvez, ainda mais alguma coisa que eu não tenha reparado. Ah, vi no folder que eles também são responsáveis pela pesquisa histórica. Pronto! Achei: Toríbio e Rodrigo, ou seja, Philipe Philippsen e Felipe Rossato. (Seu Google acaba de me ajudar nesta tarefa!). Na minha opinião, estes dois também merecem destaque, pois, quem pensa que fazer papel de criança é algo fácil, se engana profundamente. E eles convencem e trazem uma leveza para um momento tão denso da história e, ao mesmo tempo, a reflexão sobre o que era crescer em tempos como aquele.

Bom, mas, aqui já começo a compreender a questão de falta de espaço que os críticos sentiam para o que queriam dizer sobre os espetáculos. Ainda não comentei quase nada e já escrevi uma página inteirinha. E mesmo que o “meu patrão” não se preocupe com isso, ninguém lê algo muito longo na internet. Então, a partir de agora, vou tentar condensar informações, mas, sem deixar de elogiar rasgadamente (nestas hora é ótimo não estar sendo paga para escrever sobre o espetáculo) as soluções cênicas trazidas pela Inês Marocco para nos remeter ao ambiente e aos momentos das ações. Ficaram na memória, as “representações” do vento e dos cavalos. São fortes, lindas, poéticas... Preciso falar também do figurino da minha colega Rô Cortinhas que, neste momento passa pelo mesmo processo que eu no mestrado, e ainda consegue produzir este trabalho digno de nota. Bem, e agora me perdoem todos os outros que não vou citar, mas, como disse, um espetáculo deste nível é resultado de um trabalho conjunto, um trabalho que só o teatro sabe produzir e que só bons atores sabem realizar. Assim, o que posso fazer é agradecer ao Grupo Cerco por me fazer sair deste momento estressante do mestrado e viver por 1h40 o drama da família Terra Cambará.

ELENCO
Anildo Michelotto – Florêncio, Inocêncio, Capitão Rodrigo, Peão
Celso Zanini – Liroca, Antero, Coronel Alvino Amaral
Elisa Heidrich – Santo, Tinoco, Menina, Peão, Coro de Mulheres
Filipe Rossato – Rodrigo, Peão
Isandria Fermiano – Maria Valéria
Kalisy Cabeda – Santo, Sombra de Pedro Malasarte, Menina, Peão, Coro de Mulheres
Luís Franke – Fandango, Pedro Terra
Manoela Wunderlich – Luzia, Peão, Coro de Mulheres
Marina Kerber – Santo, Sombra do Homem à Cavalo, Peão, Corpo de Mulheres
Martina Fröhlich – Alice, Santo, Coro de Mulheres
Mirah Laline – Laurinda, Santo, Menina, Coro de Mulheres
Philipe Philippsen – Toríbio, Bolívar, Peão
Rita Maurício – Bibiana, Santo
Rodrigo Fiatt – Licurgo
*
Promoção: Departamento de Arte Dramática do Instituto de Artes da UFRGS
Direção: Inês Alcaraz Marocco
Adaptação e criação: O grupo
Cenografia: Élcio Rossini
Figurinos: Rô Cortinhas
Assistentes de Figurino: Amanda Rocha, André Dullius, Carolina C. Puccini e Geluza Tagliaro
Desenho de luz e operação: Cláudia de Bem
Assistência de Direção: Isandria Fermiano, Kalisy Cabeda e Rodrigo Fiatt
Dramaturgia: Celso Zanini, Elisa Heidrich, Isandria Fermiano, Marina Kerber, Mirah Laline e Rodrigo Fiatt
Trilha Sonora: Celso Zanini, Luís Franke, Martina Fröhlich e Philipe Philippsen
Pesquisa Histórica: Filipe Rossato e Philipe Philippsen
Produção: Inês Alcaraz Marocco, Manoela Wunderlich, Martina Fröhlich e Patrícia Gatteli
Contra Regragem: Beliza Gonzales e Adriana Sommacal
ilheteria: Patrícia Gatteli

Tuesday, July 14, 2009

A Revolução Francesa de 1789


- A queda do Antigo Regime –

VOLTAIRE SCHILLING

Considera-se a Revolução Francesa de 1789 o acontecimento político e social mais espetacular e significativo da história contemporânea. Foi o maior levante de massas até então conhecido que fez por encerrar a sociedade feudal, abrindo caminho para a modernidade.

O alvorecer de uma nova era



Assinala a Revolução de 1789 a inauguração de uma nova era, um período em que não se aceitaria mais a dominação da nobreza, nem um sistema de privilégios baseado nos critérios de casta, determinados pelo nascimento. Só se admite, desde então, um governo que, legitimado constitucionalmente, é submetido ao controle do povo por meio de eleições periódicas. O lema da revolução, "Liberdade, Igualdade, Fraternidade" (Liberté, Egalité, Fraternité) universalizou-se, tornando-se no transcorrer do século seguinte uma bandeira da humanidade inteira.

Influência do Iluminismo

Ela foi conseqüência direta das idéias das luzes, difundidas pelos intelectuais e pensadores dos séculos XVII e XVIII, tais como John Locke, Montesquieu, Voltaire, Diderot, D'Holbach, D'Alembert, J.J. Rousseau, Condorcet e o filósofo Emanuel Kant, que, em geral, asseguravam ser o homem vocacionado ao progresso e ao auto-aperfeiçoamento ético. Para eles a ordem social não é divina, e sim construída pelos próprios homens, portanto sujeita a modificações, e a alterações substanciais. Era possível, portanto, segundo a maioria dos iluministas, por meio de um conjunto de reformas sociopolíticas, melhorar a situação jurídica e material de todos. O poder político, além de emanar do povo e em seu nome exercido, deveria, seguindo-se a sugestão de Locke e reafirmada por Montesquieu, ser submetido



a uma divisão harmônica, para evitar a tentação do despotismo. Cada um desses poderes - o executivo, o legislativo e o judiciário - é autônomo e respeitador da independência dos demais. As prerrogativas individuais, em grande parte extraídas dos direitos naturais, não só devem ser respeitadas pelos governantes como garantidas por eles.

O programa da revolução

A Revolução de 1789 é o princípio da era moderna. Nela tudo teve seu início ou sua consagração: a separação do Estado da Igreja, a proclamação do Estado secular, a participação popular pelo voto, a instrução pública, estatal e gratuita, o serviço militar generalizado, os direitos da cidadania, o sistema de pesos e medidas decimal, a igualdade dos filhos perante a herança e

a igualdade de todos perante a lei, o divórcio, a abolição das torturas e dos castigos físicos, acompanhado do abrandamento das leis penais, os primórdios da emancipação feminina levada a diante por Théroigine de Méricourt, a extensão da cidadania aos judeus, a condenação da escravidão e a imorredoura idéia de que devemos viver em liberdade, igualdade e fraternidade.

A convocação dos Estados Gerais

Os reis da França não convocavam os Estados Gerais - organização integrada por representantes do clero, da nobreza e do povo - desde 1614. Centralizadores, convictos do absolutismo, os reis franceses desprezavam qualquer instituição que lhes criasse obstáculos ao uso irrestrito do poder. Naquele início de 1789, no entanto, Luís XVI resolveu chamar aquela antiga assembléia, cujas origens vinham dos tempos medievais, na tentativa de resolver a grave crise financeira que se alastrava pela França, ameaçando-a com o caos.

Em 24 de janeiro de 1789, o rei baixou um decreto instituindo as votações para a sua composição, tendo sua primeira reunião marcada para cinco de maio daquele ano, a ser realizada em Versalhes. O local não foi escolhido ao acaso: o Palácio de Versalhes, a morada do rei e sede do governo, era um templo de esplendor erguido por Luís XIV, o rei Sol, para celebrar a magnificência do absolutismo. Luís XVI pretendia de certa forma impressionar os deputados com a suntuosidade das instalações e também não interromper as suas caçadas pelos bosques vizinhos, enquanto os parlamentares tentariam tirar o reino do fundo do poço.

Sunday, July 12, 2009

É preciso saber viver...

Se você tiver sorte, como eu, um dia você vai estar perto de fazer 50 anos e vai ter deixado para trás muitas angústias e inseguranças e seus velhos amigos vão lhe dizer que você está mais bonita e interessante e os novos, que você não parece ter a idade que tem. Você vai ter vivido muitas paixões, mas vai ter perdido algumas pessoas que amava, que vão lhe fazer falta e provocar muita saudade. Mas, você vai se dar conta de que é bom ter coisas estáveis na sua vida, mesmo que você saiba que elas podem sumir da noite para o dia, como as vitórias do Airton Senna aos Domingos. É aí que você vai perceber a importância de Roberto Carlos fazer 50 anos de carreira. Sim, porque você já viu a moeda brasileira mudar algumas vezes, viu a esquerda assumir o poder e mudar seu discurso e se comportar como você jamais imaginou, mas, ele, o Rei, segue cantando: “Quando eu estou aqui...” e mesmo que nos seus anos mais rebeldes aquelas músicas tenham parecido bregas, piegas ou qualquer outro adjetivo pejorativo que você possa encontrar, você vai se emocionar ao ver Roberto e Erasmo no palco fazendo o reconhecimento de que já se passaram muitos anos. Eles vão chorar no palco e você vai ficar com os olhos cheios d’água. Vai lembrar das aulas de violão e que uma das primeiras músicas que aprendeu foi “Eu tenho tanto para lhe falar...” e sempre haverá alguém que você lembrará quando Roberto começar a cantar: “não adianta nem tentar me esquecer...”

Vai se dar conta que ele sabia descrever uma noite de paixão quando cantava “travesseiros soltos, roupas pelo chão. Vai lembrar das bobagens que diziam de suas músicas, do melô (não sei por que chamam assim) do pão duro: “amanhã, de manhã, vou pedir um café prá nós dois...” Achar que ele perdeu uma oportunidade de fazer um vínculo ainda maior com aquele público que já o venera quando cantar “chovia lá fora”, afinal, despencava água na hora do show. E seu lado profissional vai questionar a apresentadora Patrícia Poeta também fingir que nada está acontecendo, pensando que Zeca Camargo na mesma hora falaria sobre isso e vai rir quando a apresentadora voltar do comercial tocando exatamente neste assunto. Observará que as cadeiras foram minuciosamente arrumadas para serem vistas de cima. E que chegar de calhambeque exigiu uma grande produção. Que existe uma super orquestra ajudando aquela voz que, certamente, não é de um Caubi Peixoto, já diria meu pai. E se você tiver perto de um metro e meio vai achar que ele está falando de você quando ele cantar mulher pequena e, principalmente, naquela parte em que ele fala que você é “mulher gostosa com jeito de menina...”E vai ser incrível quando a Wanderléa chegar no palco mais linda do que nunca com suas famosas coxas de fora e aquelas botas maravilhosamente longas. Vai lembrar que ela tocava pandeiro e querer que ela cante: “Seu juiz! Pare agora....!" Vai achar estranho, mas, divertido, aqueles três ficarem insistindo que são terríveis! Talvez fossem...Mas, em um tempo de guitarras, sonhos e emoções e é tudo isso que ele vai lembrar você e você vai ficar feliz por ele ainda estar lá, mesmo que você se dê conta de que ele não é bonito como você achava que deveria ser um rei. Não importa. Vai entender que ele é carismático e que se manteve íntegro e honesto e que mesmo sendo um rei e tendo lá suas idiossincrasias, tudo que fez foi cantar e é lindo saber que ele fez parte da sua vida, mesmo quando você se recusava a ouvi-lo....Por isso é que eu agora digo: byyye...byyye...

Monday, July 06, 2009

Identidade

Quando fui assistir A Comédia de Erros da Adriane Mottola, um dos pontos altos do espetáculo foi Lauro Ramalho dando o texto de abertura. Agora, encontro no Orkut dele as palavras de Win Wenders. E vem a minha mente o jeito de dizer do Lauro. Especial, sem dúvida. De qualquer forma, publico aqui para que mais gente possa ter acesso.

Pretensiosa...

Texto de Win Wenders

VOCÊ MORA ONDE MORA,
FAZ O SEU TRABALHO,
VOCÊ FALA O QUE FALA,
COME O QUE VOCÊ COME,
VESTE AS ROUPAS QUE VESTE,
OLHA PARA AS IMAGENS QUE VÊ...
VOCÊ VIVE COMO PODE VIVER,
VOCÊ É QUEM VOCÊ É.
IDENTIDADE DE UMA PESSOA,
DE UMA COISA, DE UM LUGAR
IDENTIDADE, SÒ A PALAVRA JÁ ME DÁ CALAFRIOS.
ELA LEMBRA CALMA, CONFORTO, SATISFAÇÃO.
MAS O QUE É A IDENTIDADE?
CONHECER O SEU LUGAR?
CONHECER O SEU VALOR?
SABER QUEM VOCÊ É?
COMO RECONHECER A IDENTIDADE?
CRIAMOS UMA IMAGEM DE NÓS MESMOS
E ESTAMOS TENTANDO NOS PARECER COM ESSA IMAGEM...
É ISSO QUE CHAMAMOS IDENTIDADE?
A RECONCILIAÇÃO ENTRE A IMAGEM QUE CRIAMOS
DE NÓS MESMOS E...NÓS MESMOS?
MAS QUEM SERIA ESSE NÓS MESMOS?
NÓS MORAMOS NAS CIDADES,
AS CIDADES MORAM EM NÓS
O TEMPO PASSA...
MUDAMOS DE UMA CIDADE PARA OUTRA,
DE UM PAÍS PARA OUTRO.
TROCAMOS DE IDIOMA, TROCAMOS DE HÁBITO,
TROCAMOS DE OPINIÃO, TROCAMOS DE ROUPA,
TROCAMOS TUDO, TUDO MUDA E RÁPIDO,
SOBRETUDO AS IMAGENS.
ELAS MUDAM CADA VEZ MAIS RÁPIDO
E SE MULTIPLICAM NUM RITMO INFERNAL
DESDE A EXPLOSÃO QUE DESENCADEOU AS IMAGENS
ELETRÔNICAS, AS MESMAS IMAGENS QUE AGORA
ESTÃO SUBSTITUINDO A FOTOGRAFIA,
APRENDEMOS A CONFIAR NA IMAGEM FOTOGRÁFICA.
PODEMOS CONFIAR NA ELETRÔNICA?
NO TEMPO DA PINTURA TUDO ERA SIMPLES:
O ORIGINAL ERA ÚNICO E TODA CÓPIA ERA UMA CÓPIA,
UMA FALSIFICAÇÃO.
COM A FOTOGRAFIA E O CINEMA,
A COISA COMEÇOU A SE COMPLICAR.
O ORIGINAL ERA UM NEGATIVO.
SEM UMA AMPLIAÇÃO, SÓ EXISTIA O OPOSTO.
CADA CÓPIA ERA O ORIGINAL.
MAS AGORA, COM A IMAGEM ELETRÔNICA E COM A DIGITAL,
NÃO EXISTE MAIS NEGATIVO, NEM POSITIVO.
A PRÓPRIA IDÉIA DE ORIGINAL FICOU OBSOLETA.
TUDO É CÓPIA.
NÃO ADMIRA QUE A IDÉIA DE IDENTIDADE
ESTEJA TÃO ENFRAQUECIDA.
A IDENTIDADE ESTÁ FORA. FORA DE MODA.

Texto extraído do documentário “CADERNOS E NOTAS SOBRE ROUPAS E CIDADES” (1989).

Saturday, July 04, 2009

Sou fã


Esta semana, quando fiz uma das pequenas pausas do meu trabalho de pesquisa, enquanto almoçava,via o filme Apolo 13, com Tom Hanks. Bem, já perdi a conta do número de vezes que assisti a este filme. Já sei o que acontece. Talvez, possa até descrever cada cena. Então, por que insisto em ver de novo? Por causa do Tom Hanks. Mas, afinal, por que sou fã deste cara? Vejo o Náufrago toda vez que passa e me digo que é por que vi pela primeira vez em Paris e quero lembrar de como me sentia. Depois, começo a me dar conta que também revejo O Terminal sempre que reprisa. É...melhor assumir que sou fã do cara. Afinal, Forrest Gump é um filme incrível. E daí sigo...Prenda-me se for capaz (eu nem gosto tanto assim do Di Caprio...). Histórias melosas e açucaradas como Mensagem para você, Eu quero ser grande...Tudo me agrada. Estranhei Matador de Velhinhas, Estrada para perdição, mas, dizer que não gostei? Nunca! Tom Hanks para mim é uma mistura de talento e carisma, bom caráter, dizem que bom colega de set, coisas que me agradam. Tanto que, às vezes, preciso de algum documentário como o de hoje mostrando ele na escola (com um cabelo ridículo,diga-se de passagem),na igreja e em outras atividades prosaicas, só para lembrar que ele é gente como gente. E isso só me conscientiza de que sou fã. Ah, e não vamos esquecer o seu trabalho em A espera de um milagre. Cá entre nós...coisa mais fofa! E Filadélfia? Nossa...emocionante. Ah, e tem algumas cenas antológicas como em Um dia a casa cai. Quando me mudei, lembrava direto...Ele preso em um buraco dentro do tapete! Tom Hanks me faz rir, me faz chorar, me faz ter medo, me faz torcer, me faz acreditar em um mundo melhor onde a arte e o talento têm espaço. Dia 9 de julho ele faz aniversário. Acabo de descobrir olhando coisas sobre ele na internet. Ele não sabe que eu existo, mas, espero que receba a minha energia de fã. Vida longa para o Tom Hanks!


PS Quem sabe outra hora não volto aqui e tento ser mais objetiva sobre o seu trabalho? Vai ser um desafio, mas, posso tentar.

Friday, June 26, 2009

Michael Jackson e Farrat: as lembranças que mexem com minha cabeça


Estou na loucura de escrever meu trabalho de pesquisa do mestrado em artes cênicas para apresentar na qualificação em agosto. Motivada, é verdade, mas, com muito conteúdo para organizar e regras da ABNT para seguir. De qualquer forma, sempre disse que se a gente não pára, a vida pára a gente e foi o que aconteceu com a morte de dois ícones da minha vida: Michael Jackson e Farrah Fawcett. Quando tento ligar um ao outro apenas uma coisa me vem à cabeça: estrelas! De primeira grandeza. E é claro que eles foram muito importantes, fizeram transformações em suas épocas, alimentaram sonhos, etc, etc. Mas, como todos e cada um, o que penso é nas coisas que surgem na MINHA lembrança...

Na minha infância e início da adolescência, veraneava em Tramandaí, na Colônia de Férias da UFRGS. Eram dias mágicos de dezembro. Brincadeiras, o mar e uma certa liberdade. Roupas novas costuradas pela minha mãe... Comidinhas diferentes e gente! Gente estranha, gente nova, gente divertida. Como passávamos o Natal lá, eram organizadas algumas apresentações e um ano eu lembro de me apresentar dançando uma música de Michael Jackson. Calma... Não era nada parecido com o Thriller. Algo lento, romântico que a Marília Bressani havia escolhido. Ensaiamos bastante e na noite de Natal ficamos lá diante de um monte de outras pessoas. Até hoje, me lembro que errei uns passos. Tímida, me perturbei com a idéia de estar diante de tanta gente. Mas, foi tão bom. Hoje, não tenho dúvida de que de alguma forma, voltei à universidade de teatro por causa desta coisa que significava ser artista, com A maiúsculo como foi este cara que, em algum momento de ruptura entre o interno e o externo se perdeu e não teve mais volta.

Já Farrah é mais complicado. Teve época em que ela me incomodava. No auge da sua fama, ela vivia no imaginário dos rapazes. Lembro de ver suas fotos espalhadas por todo lugar, mas, não sei por que, lembro mais precisamente de um vizinho, chamado Paulo que não faço a menor idéia de onde esteja, mas, que tinha um enorme pôster dela no seu apartamento. Talvez, eu lembre porque, naquela época, não era tão comum uma mulher entrar no quarto de um homem. Então, o que, provavelmente, ficou registrado na minha memória foi esta transgressão, a taquicardia do meu coração ao entrar em um espaço masculino e lá, atrás da porta, dar de cara com um gigantesco pôster da eterna Pantera. Como concorrer com alguém assim?

Bem, poderia continuar escrevendo durante horas sobre os dois. São muitas informações, realizações e lembranças. Cheguei a ouvir a voz de um amigo engraçadinho dizendo: “nem a vida de Michael Jackson passou em branco”. Quantas piadas foram feitas em torno desta história bizarra de transformação deste artista... Difícil compreender. Isso sem falar em tantas acusações que recaíram sobre ele, a tal ponto de ficar, realmente, difícil acreditar em sua inocência. Mas, quer saber? Neste momento, não me importa. Afinal, alguém duvida do seu talento e da sua importância para a música do mundo? Qualquer pessoa que conheça um pouco da vida dos artistas sabe que levar uma vida prosaica quando se é único é totalmente impossível. Espero que outros ídolos surjam para que, no futuro, os jovens de amanhã tenham lembranças como as minhas.

Wednesday, June 24, 2009


Adicionar vídeoJornalistas promovem manifestação pelo diploma em Porto Alegre

Monday, June 22, 2009

Manifestação em Porto Alegre

Indignação cresce de norte a sul: novos protestos convocados para segunda-feira

Estudantes de Jornalismo de diversas cidades do país organizam novas manifestações de desagravo à decisão do STF que aboliu a obrigatoriedade da formação universitária para a profissão de jornalista. Os atos estão marcados para esta segunda-feira, dia 22, em São Paulo, Brasília, Rio de Janeiro, Teresina e Caxias do Sul. Serão simultâneos, a partir das 10h. Em Porto Alegre, haverá manifestação na quarta. A FENAJ, os Sindicatos de Jornalistas e o Fórum Nacional de Professores de Jornalismo se engajaram na mobilização e estão convocando profissionais e professores a participarem ativamente. Também conclamam demais segmentos profissionais, movimentos sociais, parlamentares, autoridades a comparecerem às atividades, levando às ruas o apoio e preocupações que já vêm externando aos jornalistas. Conforme os Diretórios Acadêmicos dos Cursos de Jornalismo que lideram a organização, serão promovidas passeatas que culminarão com atos e a orientação é para que todos participantes vistam preto, usem nariz de palhaço, levem apitos e empunhem colheres de pau, além de faixas e banners da campanha pela valorização da formação e profissão de jornalista. As manifestações serão simultâneas em todas estas cidades, a partir das 10h desta segunda-feira. Já em Porto Alegre, o Sindicato está convocando mais um ato para quarta-feira.


PORTO ALEGRE (RS)DIA 24/06, quarta-feiraHORÁRIO: 13hCONCENTRAÇÃO: Esquina Democrática

Friday, June 19, 2009

Mais sobre o diploma

Da minha pergunta sobre o por quê e para quê da lei contra o diploma de jornalista, recebi uma resposta de Fabricio Muriana, Editor da Revista Bacante (www.bacante.com.br) que publico aqui:

Oi Helena
Fiquei com vontade de responder, mas achei que a Ivana Bentes já fez bem melhor do que qualquer palavra que pudesse te mandar sobre o assunto.
http://www.trezentos.blog.br/?p=1839

Leiam este texto, pois, não tenho a menor intenção de ser dona da verdade! Temos mesmo que refletir.

Fim do Fim do diploma de jornalista. Para quê? Por quê?

“Olá, colega”. Disse-me hoje, por email, meu sobrinho, ironizando o fim da exigência do diploma de jornalista. Como a questão é sensível para mim, falei que estava atrás do meu título de mestre em Artes Cênicas, caso ele quisesse me acompanhar. Confesso que não consigo compreender quem tirará vantagem desta decisão. Duvido muito que seja o público, a população em geral.

Há uns 20 anos atrás, mais ou menos, tive uma carta minha publicada na Zero Hora justamente sobre o mesmo tema. Alguém, importante na época tinha escrito sobre esta mesma idéia de acabar com o diploma. Naquela ocasião, eu brigava por um espaço no mercado e não via nos jornais anúncios para jornalistas trabalharem nos principais veículos de comunicação e retruquei: para que permitir que mais pessoas possam concorrer a estas vagas? Não seria mais lógico escolher entre os formados primeiro para depois abrir vaga para prováveis talentos de nascença? Continuo pensando a mesma coisa. Não que eu não acredite que exista gente com dom para a comunicação e que até possa não precisar passar pela faculdade, mas, eu aprendi bastante por lá. Não é mesmo, Carlos Kober? Mas, o que me perturba, realmente, é que por que este critério foi válido somente para o jornalismo?

Tenho uma tia que, sem dúvida, poderia ter o título de veterinária, pois, há mais de 20 anos cuida de uma quantidade absurda de cachorros, preocupando-se e tratando de suas doenças. Outra tia passou mais de 10 anos cuidando diariamente do marido com um problema de saúde que comprometia sua fala, seu caminhar, seu raciocínio. Tudo. Daria o título de enfermeira para ela sem vacilar. Minha mãe trabalhou pela Associação dos Professores de francês do Rio Grande do Sul e recebeu o reconhecimento do Governo daquele país com as Palmas Acadêmicas, mas, quando começara a chamá-la de relações públicas, o Sindicato a advertiu.Como todo mundo, sei de gente com diploma que não é bom profissional. Assim, como conheço outros que têm a carteira de motorista, mas, não dirigem.

Mas, não consigo deixar de me perguntar a quem servirá esta mudança? Afinal, aqui no sul, se considerarmos o número de jornalistas que se formam todos os anos e os poucos veículos existentes, precisamos saber para onde irão todos os outros. Passado todos estes anos, diria que já não tenho a mesma audácia daqueles tempos, mas, isto não quer dizer que possa deixar passar em silêncio esta notícia. A afirmação do Ministro Cezar Peluzo (ZH, p.19 – 18/06) de que “não existe no exercício do jornalismo nenhum risco que decorra do desconhecimento de alguma verdade científica”, é, no mínimo, preocupante. Até parece que as palavras não têm a força que tem.

Disse ontem a alguns amigos que só não iria dormir chorando porque não estou em uma faculdade particular de jornalismo agora pagando um valor que me permitiria ir para a Europa ou comprar um carro novo. Mas, além de todas as conseqüências que este fato ainda pode trazer para todos, não vou dizer que as horas que dediquei ao estudo das Leis da Comunicação, da ética do jornalista, não me pareçam agora tempo perdido. Como alguém pode imaginar que exercer a profissão de jornalista não exija um saber prévio? Um compromisso desenvolvido e firmado com o público?

Como falei no início, não há como negar que não conseguiria ser imparcial em uma questão tão nevrálgica para mim, mas, será que todos não precisam refletir sobre esta decisão? Acabo de lembrar o mestre Marques Leonam que tanto me ensinou durante os anos de faculdade... E agora uma lei vem dizer que não é preciso nenhuma técnica? E o pior ainda são os argumentos: “trata-se de uma lei pela liberdade de expressão”. Dá para acreditar? Mesmo eu que sou otimista e crédula por natureza, não creio. E o que me entristece agora é que isso não fez e não fará a menor diferença, pois, quem sou eu para questionar uma decisão do Supremo Tribunal Federal? Uma jornalista.

Wednesday, June 10, 2009

Ausência

Não vou abandonar meu blog. Já nem escrevo mais em meus diários. Este é o meu espaço para soltar minhas idéias. Mas, é que vivo em adaptação de tempo. Andava exausta. Mil implicações. Emoções diversas. Preocupações múltiplas. De repente, alguém de perto comenta: "admiro esta tua coragem de te envolver sempre em coisas novas e desafiantes." Não é que é mesmo? Sou eu que escolho este ritmo. Meio sem perceber, é claro! E depois me queixo da ansiedade, da exaustão. Mas, realmente, é muito melhor do que a mesmice. E essa? Não tem lugar em minha vida que, apesar do ritmo frenético, tem sido quase só de momentos interessantes e que me dão prazer. O resto? Eu descarto! Hoje, preenchi um cadastro. A menina me perguntou só o dia e o mês do meu aniversário. Eu disse a data completa. Ela se surpreendeu: "agora, eu sei a tua idade". Ao que eu respondi: Mas, eu tenho orgulho da minha idade! Lá vou eu fazendo coisas pela primeira vez a caminho dos 47! Quem diria...

Saturday, June 06, 2009

Um silêncio que diz muito


Ontem à noite fui assistir a pré-estréia de Retratos do Silêncio, um espetáculo com a Direção do meu amigo Nilton Filho. Mas, não pensem que é por causa desta relação, da qual tanto me orgulho, que vou falar bem. Acontece que toda vez que vou assistir a algum trabalho feito por ele fico impressionada com a qualidade, o apuro, o capricho. Depois de muito estudar teatro, de tomar contato com propostas audaciosas como as de Zé Celso Martinez Correa (isso para citar apenas um brasileiro), entre tantas outras provocações do teatro contemporâneo, Nilton aposta no teatro bem feito com aquilo que é mais básico: um texto e o trabalho dos atores. Isso não quer dizer, porém, que ele não dê a mais absoluta atenção ao figurino e ao cenário. Coisas que, cá para nós, ajudam sim, a compor um personagem. Vemos isso neste espetáculo com muita clareza. Perucas, brincos, cintos, laços de fita e tantas outras coisas que nos convencem de que aquelas pessoas estão ali, quase reais. Há ainda a música ao vivo, o que torna uma noite fria de inverno em um ambiente aconchegante, mesmo que em alguns momentos tenha encoberto um pouco a fala de alguns dos atores. O cenário também é algo que compõe a cena. Aquele pequeno palco do confortável teatro Nilton Filho é transformado diante de nossos olhos em uma gigantesca sala de uma mansão. É a poltrona no meio do espaço, a estátua, os espelhos...Tudo isso mais a atuação firme e autêntica dos principais personagens, incluindo as duas crianças no palco e somos levados para dentro de uma história de relações humanas, de vínculos entre aqueles que se amam nesta e na outra vida. É...estamos falando de vida além da morte. É disso que o espetáculo trata, mas, não pense que vai tentar catequizar você. De forma alguma. Vai levá-lo para dentro de uma história que revela as possibilidades da existência. Pelo menos, fez isso comigo. Ao ponto de quando disseram o sobrenome da personagem eu me surpreendesse pensando: mas, é o meu sobrenome! Para só depois pensar que deve ter sido até uma homenagem do meu amigo diretor e do responsável pelo texto, Hyro Mattos, a nossa família. Afinal, neste tempo em que nos conhecemos, eles estiveram presentes em dois momentos de partida de duas pessoas muito importantes para nós: meu pai e meu irmão. Ou seja, não há porque esconder, o teatro de Nilton Filho é especial para mim, mas, quem for ver descobrirá que é especial para qualquer um.

PS: Hyro Mattos já está em cena quando o público começa a entrar. Inicialmente, eu não reconheci. Esta é a magia do teatro. Ontem, até mesmo para mim, ele era Vitor, o dono da propriedade.


Ficha Técnica:
Texto: Hyro Mattos
Direção: Nilton Filho
Assistente de Direção: Hyro Mattos
Elenco: Hyro Mattos - Eduarda Meneghetti - Gisele Faerman - Jacqueline Severo - Júlia Pilotti - Júlio Morales - Lee Costa - Mariana Azevedo
Participação Especial: Antônio Carlos Castilhos
Trilha sonora: Rafael Ruschel Greco e Karine Isquierdo
Cenografia e Iluminação: Nilton Filho e Hyro Mattos
Cenotécnico: Hyro Mattos
Figurinos e Cabelos: Nilton Filho
Operação de luz: Kaká Medina
Operador de Retroprojetor: Rebecca Pegado
Fotos: Nilton Filho
Bilheteria: Sueli Ribeiro
Divulgação e Assessoria de Imprensa: Silvia Abreu
Produção: Teatro Nilton Filho
Realização: Cia. de Teatro Construção

Serviço:
O Quê: “Retratos do Silêncio”, de Hyro Mattos. Espetáculo teatral com a Cia. de Teatro Construção. Direção de Nilton Filho
Quando: De 13 de junho a 02 de agosto, sábados e domingos, 20h
Onde: Teatro Nilton Filho (Rua Grão Pará, 179, bairro Menino Deus), Porto Alegre
Quanto: R$ 30,00. Desconto de 30% para sócios do Clube do Assinante ZH (+ 1 acompanhante), 50% idosos, estudantes e classe artística.
Duração: 1h10min
Censura: 12 anos
Observação: ambiente climatizado, 70 lugares (numerados)
Reservas e informações: (51) Fone: (51) 3233.0449 / (51) 3028.3663

Wednesday, May 06, 2009

BOAL – O HOMEM QUE INVENTAVA O FUTURO

            No dia 02 de maio, veio a falecer aos 78 anos, o diretor, dramaturgo e teórico Augusto Boal, vítima de insuficiência respiratória, sofria de leucemia e estava internado desde o dia 28 de abril.

            O filho do Padeiro, como se intitulou em sua autobiografia Hamlet e o filho do padeiro, criador do Teatro do Oprimido, esteve entre os indicados ao Prêmio Nobel da Paz 2008. Não ganhou, mas no mesmo ano recebeu o prêmio da Fundação Príncipe Claus para a Cultura e o Desenvolvimento, entregue pela Família Real holandesa. No Brasil, nunca foi tão difundido quanto no exterior, em Nova Iorque , por exemplo, existe até o dia do Teatro do Oprimido, proclamado pela Prefeitura.

            Augusto Boal foi um dos mais importantes criadores de teatro do século e o seu método de trabalho é realizado em mais de setenta países, em diversas áreas como educação e movimentos sociais. Os grupos de Teatro do Oprimido ajudam milhões de pessoas ao redor do mundo a afirmarem sua cidadania nas lutas contra todo desrespeito aos Direitos Humanos.

            Uma das modalidades de Teatro do Oprimido mais utilizadas, segundo a Professora Drª Sílvia Balestreri, incentivadora da criação do CTO-Rio, é o Teatro-Fórum. Veículo de ativação e mobilização não apenas na hora de ser apresentado e de se convidar a platéia a intervir na cena, quando ela toma lugar dos protagonistas para propor alternativas à situação mostrada, mas também no processo de criação e montagem de peças, pois há confrontos com questões que reviram qualquer possibilidade de postura cristalizada.

            Para se ter uma idéia da relevância de seu trabalho, Boal lembra que trinta dias após a tragédia das torres gêmeas do World Trade Center começou uma oficina no Teatro Laboratório do Oprimido em Nova Iorque com os jovens próximos do local onde ainda estavam soterrados seis mil mortos. Com cautela para não provocar emoções dolorosas, percebeu que o medo era a tônica do que brotava nas cenas. Um medo desvelado pelo teatro que possibilitava compartilhar os anseios e vontades oprimidas e não estava restrito a tragédia recente, mas ao desamparo do humano frente a insegurança no mundo. Constatou Boal que a verdade é terapêutica, jovens aprenderam a ver o mundo além de suas fronteiras praticando o teatro, o diálogo, queriam conquistá-la. Perplexos, buscavam sua verdadeira identidade, escamoteada pelo mentiroso discurso político e pela mídia censurada.

            O embaixador do teatro pela UNESCO Augusto Boal inventava o futuro, por que via mais além. No discurso de homenagem ao dia do teatro Boal disse: Atores somos todos nós, e cidadão não é aquele que vive em sociedade: é aquele que a transforma!

 

Márcio Silveira dos Santos

Mestrando do Programa de Pós-graduação em Artes Cênicas da UFRGS

 

Publicado originalmente no Jornal Vale dos Sinos em 06 de Maio de 2009.

Sunday, May 03, 2009

No meio do caminho tinha uma casca de banana...


Um amigo me disse que tinha convite para eu ir ao teatro com ele. Perguntou se eu queria. Respondi, imediatamente, que sim. Nem sabia que peça era, onde era, nada. Se ia ter companhia, não precisava de recursos e veria um espetáculo, só podia ser esta a resposta. Mais tarde, quis saber detalhes e ele me disse: “vamos assistir o espetáculo "A última gravação de Krapp e Ato sem Palavras I", do dramaturgo irlandês Samuel Beckett, com Sérgio Britto. Acrescentava ainda informações que estavam na revista Arte SESC: "No primeiro texto, um escritor grava os acontecimentos do ano que passou e escuta passagens de anos anteriores e, no outro, um personagem no deserto tenta, em vão, matar sua sede". Era mais do que eu precisava saber. 

Tenho esta mania. Não sou como os gregos que, mesmo sabendo exatamente o que iria acontecer no “palco”, iam do mesmo jeito. Gosto de ir “no escuro”, o que no caso de um espetáculo Beckettiano parece muito apropriado. No entanto, já nos primeiros momentos da peça em que o ator entra, abre uma gaveta, pega um banana e come. Pega uma segunda banana e come e parte para uma terceira... Atira a casa no chão e caminha. Estava instaurada a apreensão do espetáculo. Ah, mas, em seguida o ator junta. A partir dali, eu pensei que era bom saber que Becket gostava de tratar em suas obras da incomunicabilidade do homem e de retratar coisas prosaicas para mostrar o absurdo da vida (lembrei do chapéu em Esperando Godot). Isso fez com que eu aceitasse com total tranqüilidade aqueles minutos de silêncio no palco, enquanto podia sentir a forte expectativa da platéia lotada, a energia densa que se estabelecia. 

Devo confessar que, em outras ocasiões, não conseguir compreender o que este dramaturgo irlandês propõe já foi motivo de apreensão para mim. Por isso, foi com satisfação que fiquei aproveitando a competência de Sergio Brito em me transmitir tão claramente tudo que se passava com Krapp, enquanto ouvia uma gravação muitos anos antes. Provavelmente, isto acontece porque Beckett já fez parte da vida artística do ator em outras experiências teatrais. Aliás, o espetáculo é provocador (nem poderia ser diferente) já que a voz é o suficiente (pelo menos na atuação de Sergio Britto) para formatar o personagem que contracena com ela. Vamos tomando contato com o registro que evoca a memória, mas, que traz a certeza de que o que está feito, está feito, assim como aquela gravação. Esta, aliás, é tão bem elaborada que “vemos” aquela pessoa jovem, um tanto ingênua e pretensiosa, contrastando com aquele homem velho que a escuta.

 

Enquanto eu entrava na história que me apresentava o arrependimento, a melancolia, o sofrimento de alguém que vê (ou ouve?) a si mesmo fazer coisas que o futuro mostraria que deveriam ter sido diferentes, admirava a capacidade daquele homem de 85 anos de viver aquele faz-de-conta com tanta intensidade a ponto de nos sensibilizar e nos fazer pensar naquilo que gostaríamos também de refazer em nossas vidas. Então, vejo um Beckett se revelar para mim e me provocar emoções e lembranças. 

O cenário de Fernando Mello “cumpre o seu papel” como gostam de dizer, embora eu ache esta colocação um tanto fraca já que em sua simplicidade de elementos, vamos para aquela sala que tem o peso daquilo que acontece nela. E pensar que isso seja simples de acertar, não corresponde à realidade do teatro (e ele não digo isso por ser meu parente, pois, não é).

 

Infelizmente, sobre a iluminação (de Tomás Ribas) só sei falar quando atrapalha. O que, neste caso, não acontece. Quanto ao figurino (Ney Madeira), é muito acertado na medida em que me faz ver o personagem no que ele tem de patético. A música de Tato Taborda por vezes marcava mais do que a cena, o que acredito não deveria ocorrer. Mas, é preciso que se diga que, em outros momentos, sublinhava a angústia de forma muito competente. 

Na segunda parte, no Ato sem palavras I, mais uma vez, fica comprovado que, no teatro, as palavras não são indispensáveis. Alguns elementos cênicos, uma proposta, razoavelmente, simples, algo a ser dito e um ator com “A” maiúsculo e temos algo que merece ser visto.

 

Bate-papo

Após o espetáculo, Sergio Britto ainda fez um bate-papo com a platéia, formada, aliás, por muitas pessoas da própria classe. Assim, era possível sentir a admiração e o respeito pelo que acabava de ser mostrado. Consideração, aliás, que faltou a equipe técnica ao não apagar a luz direcionada ao palco, ofuscando o ator e fazendo-o reagir como alguém cego, surdo e mudo, coisa que, certamente, não é o caso. Eu não tinha entendido nada. Até que o Diretor Alex Cassal, amigo de amigas minhas, me explicou o que havia acontecido. Por falar em diretores, Isabel Cavalcanti foi muito citada pelo ator durante a conversa. Pelo que ele relatou, ela teve forte influência no resultado que tínhamos acabado de ver.

Sergio Britto contou, também, que esta peça foi escrita por Beckett relatando uma situação de sua própria vida. Ou seja, tínhamos tido o privilégio de acompanhar a forma nada tradicional de uma espécie de anotações em um diário à la Beckett. Não quero deixar de citar aqui o que o ator disse quando foi questionado sobre o tipo de formação que deve ter um ator. Para ele, todos deveriam passar por Stanislavski. 

Saturday, May 02, 2009

Morre Augusto Boal

Há poucos dias, um amigo me dizia: acho que a tua pesquisa devia ter sido sobre este Boal. Tu tá sempre falando nele. Nem falava tanto assim. Muito menos do que deveria. Mas, é verdade que, desde que tive um contato um pouco mais próximo com suas propostas, achei que tinha aí algo muito importante para o teatro. Desde então, tudo sempre vinha me confirmando isso, mesmo que eu percebesse que muita gente resistia a aceitar a sua supremacia. Aliás, esta é mais uma razão para que, sempre que eu achasse que era oportuno, relembrá-lo. Não achava bacana ver um brasileiro tão talentoso meio de escanteio. Bem, agora, vou me limitar a transcrever a matéria de sua morte, pois, como acontece na maioria das vezes, agora que ele se foi, por um bom tempo ninguém vai questionar o quanto ele significava.

Morre Augusto Boal, um dos maiores dramaturgos do Brasil

Publicada em 02/05/2009 às 16h54m

Christina Fuscaldo de Erika Azevedo

O dramaturgo Augusto Boal em 2006 / Foto Leonardo Aversa

RIO - Morreu na madrugada deste sábado aos 78 anos o diretor de teatro, dramaturgo e ensaísta Augusto Boal. Expoente do Teatro de Arena de São Paulo (1956 a 1970) e fundador do Teatro do Oprimido (inspirado nas propostas do educador Paulo Freire), ele sofria de leucemia e estava internado na CTI do Hospital Samaritano, no Rio de Janeiro. No final de março, ainda teve forças para marcar presença um uma conferência da Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura), em Paris, onde recebeu o título de Embaixador Mundial do Teatro.

A notícia foi enviada aos amigos pelo diretor Aderbal Freire-Filho, que lamentou a grande perda para o teatro brasileiro. O último encontro de Aderbal com o amigo foi na sala de espera do consultório do Dr. Flavio Cure Palheiro, médico que monitorou o desenvolvimento da doença de Boal.

- A gente sempre diz que os mortos são insubstituíveis, mas Boal, de fato, o é. Ele é um dos deuses do arquipélago do teatro, um dos mitos da nossa religião. É uma perda irreparável - lamentou Aderbal.

Augusto Pinto Boal nasceu em 16 de março de 1931, na Penha, bairro da zona Norte do Rio. Suas técnicas e práticas difundiram-se pelo mundo, notadamente nas três últimas décadas do século XX, sendo largamente empregadas não só por aqueles que entendem o teatro como instrumento de emancipação política mas também nas áreas de educação, saúde mental e no sistema prisional. Suas teorias sobre o teatro são estudadas nas principais escolas de teatro do mundo. No jornal inglês The Guardian, já se escreveu que "Boal reinventou o teatro político e é uma figura internacional tão importante quanto Brecht ou Stanislavski".

- Boal nos representa no Brasil e fora dele. Há livros traduzidos em francês, holandês, mais de vinte línguas. O Teatro do Oprimido é estudado em muitos países. Se ele falecesse na França, a repercussão ia ser enorme - comenta Aderbal Freire-Filho.

Ao voltar de uma temporada em Nova York - onde estudou Engenharia Química (Columbia University) e dramaturgia (School of Dramatics Arts) e pôde acompanhar as montagens do Actor's Studio, que utlizava o método de interpretação Stanislavski - em 1956, Boal passa a integrar o Teatro de Arena de São Paulo, que tornou-se uma das mais importantes companhias de teatro brasileiras. Com sua experiência, incentivou a encenação de textos brasileiros, de autores como Gianfrancesco Guarnieri, o que livrou o grupo da falência, na década de 50. Essa retomada do Arena causa uma revolução na cena brasileira, abrindo caminho para uma dramaturgia nacional de nomes como Oduvaldo Vianna Filho.

A enciclopédia do Itaú Cultural traz uma análise do crítico Yan Michalski, um dos mais importantes do teatro brasileiro, sobre Boal:

"Até o golpe de 1964, a atuação de Augusto Boal à frente do Teatro de Arena foi decisiva para forjar o perfil dos mais importantes passos que o teatro brasileiro deu na virada entre as décadas de 1950 e 1960. Uma privilegiada combinação entre profundos conhecimentos especializados e uma visão progressista da função social do teatro conferiu-lhe, nessa fase, uma destacada posição de liderança. Entre o golpe e a sua saída para o exílio, essa liderança transferiu-se para o campo da resistência contra o arbítrio, e foi exercida com coragem e determinação. No exílio, reciclando a sua ação para um terreno intermediário entre teatro e pedagogia, ele lançou teses e métodos que encontraram significativa receptividade pelo mundo afora, e fizeram dele o homem de teatro brasileiro mais conhecido e respeitado fora do seu país".

Com o fechamento do Teatro de Arena, veio o Teatro do Oprimido. Boal dizia que "o Teatro do Oprimido é o teatro no sentido mais arcaico do termo. Todos os seres humanos são atores - porque atuam - e espectadores - porque observam. Somos todos 'espect-atores'". Criada no final da década de 60, em São Paulo, sua técnica utiliza a estética teatral para discutir questões políticas e sociais.

Na década de 70, enquanto esteve exilado em Lisboa, durante a ditadura militar no Brasil, Boal difundiu o método na América Latina e Europa. Na época, Chico Buarque compôs "Meu caro amigo", como uma carta em forma de música, em homenagem ao dramaturgo.

Em 2008, foi indicado ao prêmio Nobel da Paz devido ao reconhecimento a seu trabalho com o Teatro do Oprimido. No dia 16 de março do mesmo ano, atores, teatrólogos e militantes da cultura comemoraram pela primeira vez o Dia Mundial do Teatro do Oprimido. A data foi escolhida por ser a mesma do nascimento de Augusto Boal. 

http://oglobo.globo.com/cultura/mat/2009/05/02/morre-augusto-boal-um-dos-maiores-dramaturgos-do-brasil-755596226.asp

Sunday, April 26, 2009

Over Milka


Então, hoje, lá me fui assistir ao desfile da Milka, pensando: esta não é definitivamente a minha praia. Mas, o convite vinha de uma pessoa que eu sei que me quer bem e que gostaria que eu aceitasse. Além disso, convites, em uma época de tempos bicudos, devem ser mesmo aceitos. Não tive que esperar muito para entrar o que já foi uma ótima coisa. 

No “palco”, em pleno Gigantinho, um grupo de cantores/músicos vestidos de mexicanos se apresentavam. Música estranha, mas, familiar. O cinema americano já se encarregou de acharmos isso. Ah, sim, o tema era o México. Por isso, o “cenário” era uma “hacienda” com luzes acesas nas janelas e tudo. No teto, várias “pinatas” penduradas em cores verde, branco e vermelha. Depois, muitas danças. Figurinos coloridos, corpos bonitos, muitos movimentos bem coordenados. Energia boa. Um Zorro invade a “cena”. A dança passa a girar em torno dele. Muitos bailarinos no palco. Ótima sincronia. Crianças também. Uma homenagem a Frida Kahlo. Pinturas e mais danças. Surge, então, o fogo! É o grupo Tholl. Preciso descrever? Palhaços com ricos figurinos, outros em pernas de pau e o malabarismo com as labaredas! Admiração completa. Eu, certamente, já teria queimado o meu lenço da cabeça. Não... pior, já teria incendiado metade do Gigantinho. Sejamos realistas.

Começa, então, o desfile. Roupas lindas. Tecidos deslumbrantes. Nada muito estranho, nem desconfortável. Bem...eu dispensaria um tomara que caia que fez a modelo puxar a roupa mais de uma vez. Mas, na maior parte, vinha a vontade de gritar: - Ei, pode tirar este aí que eu vou para casa com ele agora! Diferentes. Vibrantes. Sensuais. 

Começa a se encaminhar para o fim. Depois de tudo, já deu prá sacar que não vai ser assim por acaso. Entram as pessoas segurando uma bandeira de cada país que já foi homenageado pela “costureira”. Aí vem ela. Recebe flores (grande novidade!). Cai uma chuva de papel prateado. Então, tá. Fim. Nada! Entra um pessoal de escola de samba batucando forte. Ah, agora sim. As pessoas sobem para cumprimentá-la. Afinal, a gente até pode não gostar de alguma parte, mas, com certeza, vai achar algo que fará pensar: não é que valeu a pena?

PS: Infelizmente, a música não foi um ponto forte do desfile. Estar perto das caixas de som não ajudou, mas, a escolha barulhenta e bate-estaca não tinha nada a ver nem com o México, nem com o tipo de público da Milka e, sem dúvida, nada a ver comigo.

Wednesday, April 22, 2009

Pensamento Francês e Cultura Francesa

 Inicia na próxima quarta-feira, 22 de abril, o Ciclo de Palestras Pensamento Francês e Cultura Francesa, promovido por UFRGS, PUCRS, Unilasalle e 55a Feira do livro de Porto Alegre. A atividade faz parte do Ano da França no Brasil, uma homenagem do governo brasileiro à França – em   2005 foi o Ano do Brasil na França. Serão oito encontros, nas três instituições de ensino superior, de abril a novembro.


Na próxima quarta-feira, 22 de abril, o escritor Luiz Antonio de Assis Brasil falará sobre o tema “Artistas franceses no contexto brasileiro”. A professora Maria Eunice Moreira, da PUCRS, será a mediadora do debate. O encontro está marcado para o horário das 17h30min às 19h, na sala 305 do Prédio 8 da PUC, em Porto Alegre.
As inscrições podem ser feitas no local.


PRÓXIMOS DEBATES

* 20 de Maio  2009 – PUCRS – 17h30-19h – sala 305 – Prédio 8
  Ana Maria Lisboa de Mello (PUCRS/UFRGS): Teorias do Imaginário: Contribuições do Pensamento Francês
    Marina Alves Amorim (RENNES2/ Colégio Doutoral Franco-Brasileiro: Imaginário Francês sobre o Brasil
     Zilá Bernd (UFRGS/LA SALLE): O pensamento francófono e a reinvenção da literatura comparada no Brasil
    Mediador: Robert Ponge

 * 24 de Junho 2009 - PUCRS – 17h30-19h – sala 305 – Prédio 8
   Irmão Justo (Unilasalle): A contribuição Educacional Lasallista Francesa no RS 
  Ir. Evilásio Teixeira (PUCRS): A contribuição Marista no Brasil
 Mediador: Luiz Antonio de Assis Brasil
* 05 de Agosto 2009/ I – UFRGS – Campus do Vale – Instituto de Letras – Auditório Celso Pedro Luft – 14h-15h30
  Rita Olivieri-Godet (Rennes 2/IDA): Imagem do Brasil no Romance Francês Contemporâneo
 Nestor Ponce (Rennes2/IDA): O Naturalismo Francês nas Américas
 Maria Luiza Berwanger da Silva (UFRGS): Presença Francesa na Poesia Brasileira Contemporânea 
  Mediador: Lúcia Rebello
 * 26 de Agosto de 2009/II – PUCRS – 17h30-19h – sala 305 – Prédio 8
  Maria Eunice Moreira (PUCRS):Ferdinand Denis e  História Literária Brasileira
Juremir Machado da Silva (PUCRS):
  Leonardo Tonus (Paris IV): Humilhados, marginais e traidores(o pensamento francês na dialética da não-pertença de Samuel Rawet) 
Mediador: Ana Maria Lisboa de Mello

* 23 de setembro – UNILASALLE – Campus de Canoas – 17h 
   Cleusa Gomes Graebin (UNILASALLE): Impacto da Nova História Francesa na Historiografia Brasileira
   José Rivair Macedo (UFRGS): Intelectuais franceses: aportes à cultura brasileira
Alceu Ferraro (UNILASALLE): O impacto do Pensamento de Bourdier na Educaçãono Brasil
Mediador: Sydney Sabedot

* 04 de Novembro 2009 – 55ª  Feira do Livro de Porto Alegre
   Pierre Rivas (PARIS X): Trajetórias da Cultura Francesa: Herança. Polêmica e Mutação 
Núbia J. Hanciau (FURG): Nancy Huston: uma autora entre dois mundos (França e Canadá)
Bernard Andrès (UQAM): Os aventureiros franceses nas Américas
   Mediador: Zilá Bernd

* 11 de novembro 2009 – UFRGS – Campus do Vale – Instituto de Letras – Auditório Celso Pedro Luft – 14h-15h30
 Robert Ponge (UFRGS): Surrealismo Francês e Cultura Brasileira
Pierre Rivas (Paris X): O Brasil na poesia francesa do séc. XX
 Sergio Bellei (PUCRS): T.S. Elliot e a presença de Edgar Alan Poe na poesia francesa
Mediador: Ricardo Barberena (PUCRS)

 


Thursday, April 16, 2009

Desde quando faxina é cultura?

Chego atrasada, mas, chego. Localizei este texto meio por acaso na internet e achei que, assim como eu não tinha lido ainda, outras pessoas também, talvez, não. E, apesar de não gostar de assinar embaixo antes de confirmar informações,  abro uma exceção, pois, afinal,  se o Luiz Paulo falou, tá falado! 

texto de Luiz Paulo Vasconcellos, publicado em junho de 2008 no Caderno de Cultura da Zero Hora 

A Secretária de Estado da Cultura – e, por tabela, a Governadora também – precisam saber que “a intenção de usar a Cultura para promover a inclusão social” é picaretagem, demagogia ou, para ser um pouquinho mais erudito, uma falácia. Se elas pensam que comovem a sociedade – olha como elas são boazinhas, como estão preocupadas com os pobrezinhos!... – devem logo, logo, tomar consciência de que a sociedade, pelo menos a parcela da sociedade minimamente culta, abomina essa maquiagem com a qual o Governo do Estado conspira contra uma verdadeira política cultural. É claro, cultura é um termo genérico demais, sob o qual cabe desde o Porto Alegre em Cena ou o Museu Iberê Camargo, até “as ações sociais junto às áreas de educação, segurança e saúde”. E isto é cultura? – pergunto eu. Porque os governos têm sido incompetentes e a sociedade refratária à miséria que vai tomando conta das sinaleiras de Porto Alegre, agora a Secretária da Cultura tem que brincar de fada madrinha e promover a troca de “armas de brinquedo” por livros? Que livros, minha senhora? E as armas verdadeiras, o que fazemos com elas? Continuarão sendo usadas em assaltos? Inclusiva a livrarias? E o que dizer sobre o projeto hip-hop e funk? Uma mostra competitiva de grupos com oficinas de rap e grafite. Gente, nem no pior dos governos populistas se promoveu tamanha safadeza. Tem ainda a limpeza dos monumentos históricos e prédios tombados. Um dia no semestre. Em agosto. E desde quando faxina é cultura? E os projetos para a dança, para as artes plásticas, para o teatro, para a música, para a memória cultural, para o cinema, para a literatura? – ah, não, a literatura está contemplada no projeto das tais bancas montáveis em praças de cidades para incentivar a leitura.  E sob essa intenção caridosa esconde-se toda a promiscuidade de uma política que não passa de esmola, se é que chega a tanto.

 

Quando o governador Rigotto tomou posse, publiquei na revista Aplauso uma carta em que dizia: “Se a um governo responsável cumpre, por um lado, reconhecer, incentivar e cultivar as manifestações culturais do povo, por outro, deve necessariamente valorizar seus artistas e intelectuais, porque é através de suas obras que a cultura faz algum sentido para a sociedade. O desenrolar da história serve sempre de modelo. Assim, não será demais recordar o papel da democracia na consolidação da tragédia grega, o da igreja na renovação da cena medieval, o do mecenato na transformação da arquitetura teatral renascentista, para ficarmos com alguns exemplos tirados ao acaso da história do teatro. Eurípedes, Shakespeare, Molière, Ibsen, Beckett e O´Neill, para citar apenas alguns dos grandes, resultaram de políticas culturais definidas, não necessariamente ideais, mas de qualquer modo definidas, que reconheciam no artista um elo de ligação fundamental entre governo e povo, entre sociedade e cultura”. 

 Senhora Secretária: falácia, segundo o Aurélio, quer dizer “qualidade ou caráter de falaz”. Falaz, por sua vez, quer dizer, “1. enganador, ardiloso, fraudulento; 2. vão, quimérico, ilusório, enganoso. No texto do verbete, o exemplo usado é de Euclides da Cunha, e diz: “Será o eterno tatear entre miragens de um processo falaz e duvidoso”. Exatamente como é hoje o projeto de política cultural do Estado. 

Luiz Paulo Vasconcellos

(ator, diretor, professor e poeta)

Wednesday, April 08, 2009

Precisa dizer algo?

Revista Bravo - nº 140 - Abril 2009 - O som e a palavra

Tuesday, April 07, 2009

Livro de cabeceira


Ontem, na disciplina do mestrado, assisti ao filme Livro de Cabeceira de 1996 do diretor Peter Greenaway . Recomendo. Mas, uma das coisas que me pareceram interessantes foi as listas às quais a protagonista se referia. Lista de coisas que dão prazer, por exemplo. Quem acha que é fácil devia experimentar. Eu achei que faria a minha rapidinho. Não foi bem assim.

Pensei que seria uma coisa boa de colocar aqui. Pessoal e instransferível, mas, afinal,  blog se chama Palcos da vida, não é mesmo?

Lista de coisas que dão prazer. Sem ordem de prioridade e sem incluir alimentos e bebidas. Quer dizer...vinho, queijo, chocolate! 

1. Dias de sol
2. Viajar
3. beijo na boca
4. nadar
5. cafuné (acho que até a palavra tá saindo de moda)
6. conversar com amigos
7. risada de criança
8. chocolate
9. lareira
10. cinema
11. teatro
12. escrever
13. ler (mas, não é sempre)
14. banho de mar
15. yoga
16. abraço  (é um gesto recíproco, né?)
17. cantar (faço pouco)
18. ouvir pessoas inteligentes
19. ouvir música
20. dançar (quase nunca faço)
21. aplaudir
22. dormir
23. cozinhar
24. fazer um trababalho bem feito
25. pensar

E por último, mas, nem por isso menos importante, sexo, é claro! 

Saturday, April 04, 2009

A crítica nos bastidores

"No dia que um sujeito atrevido quisesse ter o trabalhão de escrever contra o teatro, devia antes suicidar-se" 

João do Rio - A crítica dos Bastidores - O Percevejo Ano II, nº2, 1994

Wednesday, April 01, 2009

Recomeço

De tudo, ficaram três coisas: a certeza de que ele estava sempre começando, a certeza de que era preciso continuar e a certeza de que seria interrompido antes de terminar. Fazer da interrupção um caminho novo. Fazer da queda um passo de dança, do medo uma escada, do sono uma ponte, da procura um encontro.

É meio-dia em nossa vida, e a face do outro nos contempla como um enigma. Feliz daquele que, ao meio-dia, se percebe em plena treva, pobre e nu. Este é o preço do encontro, do possível encontro com o outro. A construção de tal possibilidade passa a ser, desde então, o trabalho do homem que merece seu nome."

Fernando Sabino

Tuesday, March 31, 2009

Tá e aí?

Há quem diga que devamos esperar para escrever sobre o que acaba de ser visto. Não discordo e nem concordo com esta opinião, mas, simplesmente, não pretendo respeitá-la. Acabo de voltar da comemoração de encerramento de uma temporada do espetáculo “Tá e aí?” (acredito que serão muitas) e confesso que não vou dormir direito enquanto não registrar minhas impressões. Fui assistir algo que levava o nome de duas pessoas muito queridas para mim: Julio Conte e Ian Ramil. Um, embora de tempo na terra semelhante ao meu, anos luz no caminho que eu acabaria escolhendo tardiamente: o teatro. Outro, colega de sala de aula onde demonstrava um talento e uma competência que não passa despercebida. Ou seja, a expectativa era grande. Por razões estritamente particulares, o ânimo não era dos melhores. Mas, lá me fui. Teatro praticamente cheio. Logo de cara a relação palco e platéia se estabelece e começam os jogos. Ian não está em cena.

 

Para quem fez práticas teatrais não são novidades totais, mas, a maneira como vão se apresentando impressiona profundamente. Exatamente por reconhecê-las é que é possível saber o grau de complexidade de algo que parece banal. Improvisar é uma das premissas de quem faz teatro, mas, como exercício testa o ator. Rapidez no raciocínio, disponibilidade, coragem de encarar cada desafio. Tudo está lá. O prazer é intenso. A risada vem fácil. O que acontece faz pensar: não é exatamente isso o teatro? Tendo como mestre primeiro Zé Adão, sendo aluna do DAD desde 2001 e hoje teórica do mestrado de artes cênicas, o espetáculo Tá e Aí condensa tudo e me traz à tona o fascínio completo e absoluto pelo teatro.

Quem pode não gostar de ver que tudo não passa de um jeito de brincar com a realidade, jogar com as palavras e ir além? Lembro de Augusto Boal com suas propostas do teatro fórum, teatro do invisível, teatro no dia-a-dia. “Tá e aí?” é isso tudo e mais. Tive certo receio quando pensei que a platéia deveria interagir. O que, sem dúvida, é ainda mais complicado para o público comum. No entanto, não há coerção. Participa quem, realmente, quer. E apesar de que quase tudo que é feito no palco ser feito nos moldes do que é proposto para os estudantes de teatro, não estamos falando de algo para principiantes. Quem está começando não tem o tempo certo como Rafael Pimenta, nem o jogo de cintura de Eduardo Mendonça e desse menino que não conhecia  ( e com certeza ele não faz a mínima idéia de quem eu seja) Leonardo Barison. Isso sem falar nas convidadas de hoje Ingra Liberato e Juliana Brondane. 

 Fiz várias anotações sobre cada proposta cênica, mas, vejo que nenhuma delas é importante ser registrada (aliás estão no blog para quem quiser saber). Vão ser retomadas nas próximas apresentações? Certamente. Mas, não é isso que importa. O que fica é o prazer de um teatro bem feito, com gente talentosa. Definir cada cena? Para que? Afinal, não é absolutamente delicioso pensar que o que vi hoje não vai ser o que será visto na próxima temporada? Eu quero voltar, mas, mais do que tudo, gostaria que outras pessoas fossem ver um teatro no qual a gente lava alma por ser divertido, por ser feito por gente com tanta competência e resultar em algo tão genial. 

O teatro precisa de mais gente assim que se doe pela arte, que se libere do ego, sem preocupações com a permanência e que, por isso mesmo, seja eterno se não historicamente em nossas memórias. Graças a pessoas assim e a um teatro como este sei que esta arte terá vida longa.

Fiquem atentos a próxima temporada na Álvaro Moreira: 14/21/28/ de abril e 5 de maio.

Créditos:

Direção: Clube da Patifaria.

Jogadores: Eduardo Mendonça, Ian Ramil, Leonardo Barison, Rafael Pimenta e Vicente Vargas.

Mediação: Júlio Conte.

Anfitrião: Mauricião.

Luz e som: Gabriel Lagoas.

http://blogdotaeai.wordpress.com

Faz dias que este verso vem me perseguindo, então, publico aqui. 

Bebeto Alves foi muito feliz quando escreveu:

Nas pegadas das minhas botas

Trago as ruas de Porto Alegre

E na cidade de meus versos

O sonho dos meus amigos

Monday, March 30, 2009

Rebatizemos a crítica!

Vivo em contradição. Não gosto de comprar briga com ninguém. Não sinto prazer em contrariar as pessoas, nem em provocá-las. Mas, preciso reconhecer que não sei deixar passar impunemente coisas ditas que me incomodam.  Cresci em um ambiente polêmico. Meus pais sendo professores sempre debateram assuntos políticos, sociais, econômicos, comportamentais, durante o almoço, na hora do café, nos encontros de família. Era natural para mim. Ficava surpresa quando algum amigo comentava: "a tua casa é tão diferente da minha. Lá, meu pai me diz para eu passar a manteiga. Aqui, vocês comentam as atitudes do presidente!". E não é que era assim mesmo? Provavelmente, venha daí minha escolha pelo jornalismo.  Pronto! Associei minha curiosidade às técnicas de elaborar perguntas de improviso e nunca mais parei.  Meus professores, desde o segundo grau pelo menos, são testemunhas disso. Quem me conhece há pouco tempo (e gosta de mim) ainda estranha. Acha que estou brava. Fica com medo que os outros me tratem mal. Eu perdi este medo faz tempo. Fiz amigos que admiro e respeito com este jeito de ser. Provavelmente, tenha feito alguns inimigos também, mas, eles não se apresentaram e, portanto, não me incomodam. 

Bem, mas, isto tudo é para falar do evento chamado "Estado da Crítica" ao qual me referi antes, pois, apesar de, praticamente, roubar a palavra, ainda tenho alguns comentários para fazer. 

Há um ano atrás, quando preparei meu projeto para o mestrado em Artes Cênicas levantava questões sobre a função da crítica, quem poderia fazer crítica, como formar um crítico. Hoje, depois dos estudos que fiz, percebo que estas questões eram superficiais e estavam impregnadas de conceitos (ou preconceitos) sobre a crítica. Quem tem acompanhado um pouco das minhas descobertas sabe que temi por ter escolhido um tema que já fizesse parte de um passado, morto e enterrado. Felizmente, era só uma impressão.  Aqueles que imaginam isso estão apegados ao termo crítica = julgamento, o que, para arte contemporânea não faz muito sentido.  Hoje, vivemos a valorização da figura do espectador e tomamos consciência de que não podemos falar de UM espectador, mas, de tantos quantos estiverem na platéia. Isso significa que não existe um único espetáculo, mas, o espetáculo que chega a cada um destes que lá está.  Então, não adianta refletir sobre ele? Nada disso. Só não podemos esquecer que aquele que escreve sobre o espetáculo também é espectador. Não sei se privilegiado (como dizia Sábato Magaldi), mas, que não surgiu só para cruzar a porta daquele teatro, mas, também vem de uma família (igual ou diferente da minha), tem uma formação e vivenciou coisas particulares e específicas. Ele é tudo isso, além de uma pessoa que escreve sobre teatro.  É uma figura imprescindível para a existência da arte? Não. Mas, acredito, profundamente, que ele colabore para sua existência, fortalecimento e permanência. Como? Primeiro, ele serve para fazer um registro do que foi apresentado. Não vai ser imparcial. Vai estar impregnado das suas próprias impressões.  Pode fazer avaliações preconceituosas, retrógradas. Afinal, mesmo aqueles que se dedicaram ou dedicam exclusivamente a esta função cometeram erros e, às vezes, até sem querer, tentam induzir o público a rechaçar artistas que acabaram se impondo e mostrando sua genialidade (Nelson Rodrigues é um bom exemplo).  Em segundo, aquele que se dispõe a escrever sobre os espetáculos pode acrescentar informações, trazer um novo olhar sobre aquilo que o público vê e não compreende. Mas, cuidado! Não estou dizendo que será ele a dizer o que devemos ou não gostar.  Nem a apontar a nossa ignorância se criticamos algo que ele considera uma obra-prima ou o contrário, se gostamos de algo que ele odeia e considera uma arte menor.  Não acredito que seja este seu papel.  E quanto a quem pode efetivamente fazer isso, tenho muitas outras questões ainda não resolvidas e que espero minha pesquisa me auxilie a chegar a algumas conclusões. Até agora, o que vi, na história da crítica foi uma disputa de poder entre os veículos de comunicação e a academia, ora um em alta ora outro e, mais recentemente, nenhum. E é neste momento que vão surgindo os espaços virtuais. Ocupados por qualquer um que resolve escrever sobre teatro? Sim, mas, qualquer um que pára tudo que tem para fazer para ir ao teatro, escrever sobre o que viu e expor suas idéias para quem quiser, inclusive, rechaçá-las. Até agora, encontrei na maioria diretores, artistas, produtores e tantas outras pessoas ligadas ao teatro.  Que prejuízo pode haver nisso? Pode induzir a opinião do público a ponto de afastá-lo do teatro? Bem, é preciso observar que nem os considerados maiores críticos conseguiram este feito. Ao contrário, suas opiniões, mesmo que negativas, acabaram contribuindo com a arte. Talvez, de forma prosaica, possa reduzir tudo isso no seguinte ditado: “fale bem ou fale mal, mas, fale de mim.” Este, vale também para as obras de arte e para os artistas.  Da minha parte, como apaixonada por teatro, quero mais é ler algo absurdo sobre um espetáculo em um espaço em que possa dar minha opinião. E para não perder o hábito, devo dizer que não concordo com Antonio Holfeldt (audácia minha) quando ele diz que a crítica é um gênero jornalístico, pois, como não chamar de crítica o que começa a surgir nos espaços virtuais não elaborados por jornalistas? E se é questão de nomenclatura, rebatizemos a crítica!